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23.12.12

Dizendo Wislawa

A série "Admirada" voltou com tudo. Em cartaz hoje: Wislawa Szymborska. "A vida na hora". Inevitável e surpreendente, como são os bons filmes e a vida, sempre.


20.12.12

Dizendo Pedro



O Pedro é o meu melhor amigo.
Minha pessoa no mundo.
É pra ele que eu corro quando fico triste, é pra ele que eu corro quando fico feliz, e ele tá sempre lá, braços abertos e aquele sorriso pernambucano dele.
Ele me deu também a Peixa e a Dona Julia pra eu amar.
E agora sempre que eu posso eu corro pra abraçar esses três seres marítmos.
E como se não bastasse ser meu amigo, o Pedro também é poeta, de imagem e de palavra.
Esse poema tem escrito em cima "LAIFI - LIFE" e ele deu pra Lara nossa amiga quando a filhota dela nasceu.
Aí ele pegou o papelzinho e deu também pra mim, mesmo a minha filhota ainda nem tendo sido encomendada.
Quer dizer, isso sem contar a encomenda que eu fiz com uns quinze anos e que ainda não chegou.
Esse pessoal dos correios de bebês é meio enrolado às vezes, mas não tem nada não, enquanto isso eu vou preparando a casa e o coração pra quando meu pacotinho chegar.

(Pedro é o Pedro Cezar, diretor de cinema, roteirista, poeta, e agora também artista de plástico. Olha os deslimites dele aqui)

(Mais um poema da série "Admirada". Pra ver tudinho vai lá no youtube.com/mariadapoesia)

31.10.12

Pro Drummond nos seus 110

Porque hoje é dia de Drummond - faria 110 anos hoje.

Porque esse foi meu primeiro poema dito. Primeiro mesmo, primeiríssimo, que menina metida que eu era aos 18!

Porque semana passada eu disse esse poema depois de anos, num palco, de vestido florido, emocionada.

Porque ele é meu poeta, dos primeiros, eterno muito mais que moderno, inspiração sempre.

27.7.12

Dizendo Adélia de novo



Aprendi esse poema de tanto ensinar a dizer. Dando aula como assistente da Elisa, e depois como professora mesmo, Adélia sempre uma das favoritas.
Mas na verdade acho que minha memória dele é na voz marcante da Vera Mello, a Vera Mel, minha colega de Te Pego Pelo Verso e amiga querida.
Agora que tem uma flauta na minha vida, o poema voltou com toda força, então aí vai ele.

(Serenata, de Adélia Prado, em Poesia Reunida)
(flauta por Felipe Pithan)

25.7.12

Dizendo Manoel



Manoel também foi presente da Escola Lucinda. Eu estudava Letras mas nunca tinha nem ouvido falar dele.
Depois do recital de encerramento da oficina de dez aulas que fiz com a Elisa, quase todos do grupo quisemos continuar, e assim nasceu a escola e o grupo Te pego pelo verso, que fazia recitais da obra de vários poetas. O primeiro, pra minha surpresa, foi o Manoel.
Era um mundo tão espantoso que eu fiquei de boca aberta e nunca mais fechei.
Pra quem é fã dele, esse poema talvez surpreenda. Eu amei quando li e me emociono até hoje.

(Pedido quase uma prece, de Manoel de Barros, em "Gramática Expositiva do Chão")

24.7.12

Dizendo Viviane



Eu descobri a Viviane no curso de poesia falada da Elisa Lucinda, onde nasceu essa dizedora exibida que hoje eu sou.
"Toda Palavra", o livro dela que caiu na minha mão nessa época, é um primor e anda embaixo do meu braço até hoje: humor, densidade, alma exposta e pensamentos filosóficos. Tenho que dizer ainda que o amor pelos metapoemas, pensar a escrita enquanto se escreve, foi dela que herdei, e morri de alegria quando um dia me dei conta de que tinha lembranças de versos dela dentro dos meus: reler quem se admira é bom demais, e eu sigo lendo e relendo essa mulher pelos anos afora.

(Outra carta, de Viviane Mosé, em "Toda Palavra")

22.7.12

Dizendo Tony




Eu descobri esse cara em Nova Iorque, há dois anos, por dica do Luis, um amigo de lá.
"Donkey Gospel" era o nome do livro que ele me emprestou e eu pirei.
Pirei.
Ironia, doçura, humor, poemas agudos, na veia, contemporâneos, cotidianos.
Comprei tudo do Tony Hoagland, digitei pra postar aqui no blog, traduzi um monte, disse em voz alta, li pros outros.
Coisa de fã mesmo. Gostoso sentir isso. Descobrir um poeta que só é novo pra você e dizer "uau" e sair catando tudo que ele já escreveu.
Esse é dos que eu adoro, e taí na versão original e numa das minhas traduções da madrugada.

(Grammar, de Tony Hoagland, em "Donkey Gospel")

*Dizer a Hilda me atiçou. Ou talvez tenha sido invejinha dos alunos da Casa Poema, que fizeram um recital lindo com as letras-poemas do Zeca Baleiro capitaneados pela Elisa Lucinda essa semana. Seja pelo que for, a dizedora de poemas em mim acordou. Acho que tá nascendo a série "Admirada": Maria diz os poemas que gosta. Vamos ver no que vai dar...

21.7.12

Dizendo Adélia



Adélia foi das primeiras poetas a morar na minha boca.
Na primeira noite em que subi ao palco pra dizer versos, falei "O caso do vestido", do Drummond, e um poema dela chamado "Um jeito".
Esse aí me chegou há uns dois meses, e embora sempre tenha morado dentro da poesia reunida dela, que eu já li e reli mil vezes, foi só agora que ele invadiu minha boca irremediavelmente.
Acho que nunca mais sai.

(Para cantar com o saltério, de Adélia Prado, em "Um jeito e amor")

20.7.12

Dizendo Everton



Everton Behenck pra mim primeiro foi cantor, da banda que tocou depois do meu recital no Ocidente, em Porto Alegre, na Festipoa 2011.
Daí meu espanto bom quando ele me deu seu livro e eu vi que ele era um baita poeta.
Mas foi no Apesar do Céu, no blog, online, que eu mergulhei na poesia do cara e desde então venho dizendo "uau" cotidianamente.
Porque o sujeito produz, viu? Escreve lindo e muito, pra nosso deleite.
Eu me lambuzo e recomendo.

(Um poema de esperança seca, de Everton Behenck, em www.apesardoceu.wordpress.com)

19.7.12

Dizendo Hilda



não, nem é isso que eu sinto não.
mas meu deus, quanta beleza!
que sublime que a hilda sabe ser!
que prazer dizer as palavras dela!

(Poema de  "Trovas de muito amor para um amado senhor", de Hilda Hilst, em Poesia: 1959-1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)

12.6.12

Bruna Beber no Dia dos Namorados

O pensamento selvagem no pós-romance - uma utopia a ser considerada

A Bruna Beber é foda. Isso já é notícia velha. Poeta das melhores, dessacralizadora, cara-de-pau, autora do Faceiro&Fascinante, a coletânea de axé que aqueceu meu coração 2011 adentro. Mas hoje, Dia dos Namorados, em que quem tem pisca olhinhos e quem não tem disfarça a decepção, ela vem trazer reflexão da boa embalada em imagens clichê e fontes coloridas da melhor-pior qualidade internáutica.

www.posromance.com

Vá lá, caro leitor. Vença a barreira da primeira impressão e leia, sorva o néctar do pensamento selvagem e profundo dessa poeta do axé e da cor. É sério. Vai lá. O bagulho é sinistro. Você provavelmente já sabe tudo aquilo - e se não sabe devia saber - mas ainda assim, vá lá e leia. Leia mesmo. De verdade. Porque sabedoria assim, embalada com jujubas, não é todo dia que aparece.

www.posromance.com

7.6.12

Ela aos 33

Eu nunca ouvi falar em Hans Magnun Enzesberger, mas de repente no Facebook uma amiga posta o link de uma tradução dele pelo Ricardo Domeneck e, caramba, o título do poema foi irresistível pruma moça de 33. E adorei: o poema e as duas possibilidades de tradução, uma fiel e outra aproximando o texto do universo brasileiro. Percebi que gosto mais assim, e pensei que seria genial em livros de poesia traduzida ter as duas versões, quando fosse o caso.

Aqui a versão que eu escolhi. Lá no blog do Ricardo Domeneck, as duas e comentários sobre o trabalho.

Ela, aos trinta e três

Ela havia imaginado tudo bem diferente.
Ainda com este Fusca enferrujado.
Uma vez, quase casou-se com um padeiro.
Antes, costumava ler Clarice, depois, Cabral.
Agora ela prefere resolver charadas na cama.
Dos homens, não tolera abusos.
Por anos foi petista, mas à sua maneira.
Nunca recortou cupons de desconto em jornais.
Quando pensa no Afeganistão, passa mal.
Seu último namorado, o intelectual, gostava de apanhar.
Vestidos de batique esverdeados, largos demais para ela.
Pulgões nas folhas da samambaia.
Na verdade, queria pintar, ou emigrar.
Sua tese, Conflitos religiosos no Nordeste, 1889
a 1930, e suas marcas na música popular:
bolsas, começos, e uma gaveta cheia de notas.
De vez em quando, sua vó manda-lhe dinheiro.
Danças acanhadas no banheiro, caretinhas,
horas de hidratante ao espelho.
Ela diz: pelo menos não morrerei de fome.
Quando chora, fica com cara de dezenove.

E olha, num momento em que tanta gente passa a achar o Facebook chato e bobo, eu continuo adorando a possibilidade de compartilhar gostos e descobrir arte da boa por indicação de gente que eu admiro!

28.5.12

Marcelino, eu e a escrita

Marcelino Freire é daqueles que sabe o que dizer, e como dizer. Por isso o que ele escreve é literatura das boas. E quando ele aconselha, malandro, a gente escuta com atenção.

"Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer."

Pra ler lá clica aqui ó.

E adorei me dar conta de que o que ele diz é o que eu digo num poema quase manifesto que tá no comecinho do Bendita Palavra:

Nesse lugar-poema
desse livro que eu escrevo
invento uma fala clara
palavra feita pra boca
com jeito de todo dia
e destino de se espalhar

Nu aqui é pelado
seio é peito
bruma é neblina
pungente é tudo que dói

Vasta é grande
casta é pura
retém aqui é segura

Aqui não cabe floreio
aqui reverto a inversão
simplicidade, aqui, é sofisticação


3.5.12

Maria, Marina e Martha - tintin por tintin




Pré-estreia da Festipoa Literária 2012, dia 31 de março, papo sobre poesia com Marina Colasanti e Martha Medeiros no Jardim Lutzemberg da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.

Foi um fim de tarde encantado, com lua nascendo, vento, eu e essas duas poetas que eu admiro, mulheres que eu adoro, um privilégio absoluto que eu agora posso reviver tintin por tintin. Eita que tem alegria nessa vida!

12.3.12

Ornitorrinco #25 - Impossível comer um só


 A edição #25 ficou demais. Sessão de análise em forma de listinha. Impossível não publicar inteirinho. Leiam e lambuzem-se.


ORNITORRINCO
[#025] 11 de março de 2012
Tiragem: 230 assinaturas




STATUS: IMPOSSÍVEL




> Menu #025
0_EDITORIAL
1_SORTE DOS CAVALOS QUE DEITAM PRA COMER NA SOMBRA
2_ESCALAFOBÉTICO, ESTRAMBÓTICO E HISTRIÔNICO
3_OLHA-LÁ
4_SEGURA QUE É BADEJO
5_PAPEL DE PAREDE
6_O QUE FALAR QUER DIZER
7_ACIDENTAL




#

Ô, participe das nossas discussões e exposições de notícias relacionadas com o universo do ORNITORRINCO e o tema da semana. Basta acessar o nosso fórum no facebook: http://www.facebook.com/ornitorrincozine. Seus comentários serão muito bem lidos. Mais fácil que isso só cantar Ivete com a boca cheia de camarão.

#


[EDITORIAL]

Um dos maiores críticos literários do século, o tal Edmund Wilson, não era uma pessoa, digamos, fofa. Seu trabalho era fortemente influenciado pelas ideias de Freud e Marx, portanto passava o pente fino pela educação de lêndia-social-de-salão. Não hesitava em criticar duramente os escritores e seus livros, não excluindo seus próprios amigos, a exemplo do Vladimir Nabokov (ele praticamente detonou o Nabokov, embora bebessem juntos a vida toda).

Entre toda a sua firmeza e ranhetice, sua obra mais conhecida é um bilhete intitulado “Edmund Wilson lamenta”, enviado como resposta a pedidos de participação em palestras, festivais, entrevistas, onde ele começa escrevendo “Edmund Wilson lamenta, mas para ele é impossível:" em seguida enumera uma porção de atividades, como dar entrevistas, ministrar cursos, aparecer na TV, participar de congressos literários, autografar livros para estranhos, doar cópias de seus livros para bibliotecas, entre outros, e finaliza com uma observação que diz que não aceita convites para fazer leituras públicas a menos que lhe oferecessem um bom dinheiro.

Para essa edição #025 eu pedi para que cada colunista fizesse o seu próprio bilhete de impossibilidades. Não ofereça suco de maracujá para a Letícia; nem carne humana para o Franco; nem queira competir com a Maria no yoga; e aconselho cuidado ao andar de skate, patins e trenó com a Keli; pense duas vezes ao solicitar a amizade do Camões no facebook; evite perguntar ao Ramon porque ele não tem te ligado; nem espere uma resposta do Júlio caso você esteja usando óculos escuros. Que fique claro tudo isso.

O Edmund Wilson acabou servindo o exército na Primeira Guerra Mundial. Pouco cuidado dele em não ter colocado na lista que não iria pra guerra.

Eu não acho nada impossível. (Mentira. Milhares de coisas me são impossíveis, mas essa parece uma boa frase de efeito para terminar o editorial).

_Gabriel Pardal


#


1_SORTE DOS CAVALOS QUE DEITAM PRA COMER NA SOMBRA

DA IMPOSSIBILIDADE TAMANHA

- cortar as unhas dos pés com tesourinha ou cortador (arranco com a mão desde sempre)
- comer queijo
- comer passas
- comer canela
- beber suco de maracujá (me lembra um cc ruim)
- descobrir a aeróbica da minha vida
- beber champagne e socializar
- saber ter plantas
- prometer parar de ter espírito de "produtora"
- dizer desaforos sinceros pra pelos menos 3 pessoas que CONVIVO
- entender o violão por completo
- ganhar no ping pong (lucas disse)
- jogar lixo na rua (lucas disse)
- não apertar o lucas quando passa um bebe étnico na rua (ele disse também)
- cagar em lugares que eu acabei de chegar
- ser calma no trânsito, mesmo com a rádio MEC ajudando bastante
- assoviar (excepto uma vez tomada de ódio no maracanã. saiu pra nunca mais)
- não pensar em desistir 5 minutos antes de subir ao palco
- jogar fora algum papel onde eu veja minha letra
- passar um dia sem pensar na morte

_Letícia Novaes



2_ESCALAFOBÉTICO, ESTRAMBÓTICO E HISTRIÔNICO

ISSO EU NÃO FAÇO

Franco Fanti, ex- gordo, lamenta, mas para ele é impossível:

- comer salgado sem um doce subsequente
- comer com bons modos quando está sozinho
- comer jiló em qualquer textura ou preparo (nem me venham com o papinho do jiló cortado tão fininho que nem dá pra sentir o amargo)
- comer carne humana em qualquer textura ou preparo ( a não ser que seja cortada bem fininha que nem dá pra sentir o amargo)
- comer prostitutas sem camisinha
- comer gays sem camisinha ou com camisinha (mulher gay não conta)
- comer minha mãe ou qualquer membro direto da família (prima não conta)

Quem não come está sendo comido, é assim na vida. E quem não come e nem está sendo comido, não vive.

PS: Tudo é possível caso me ofereçam um bom dinheiro. F.F.

_Franco Fanti



3_OLHA-LÁ
Maria Rezende lamenta, mas para ela é impossível:

- não ser competitiva em aulas de yoga
- ser humilde quanto à sua excepcional habilidade em balizas
- usar maquiagem em horário comercial
- ser discreta ouvindo axé no ipod
- deixar de amar as palavras
- ser workaholic
- dizer grosserias a estranhos irritantes
- evitar um sorriso quando vê crianças
- ser pontual todos os dias
- dizer a verdade sobre o ponto do caminho em que se encontra para a pessoa que está esperando por ela
- falar sem as mãos
- abreviar palavras em emails e mensagens de texto
- guardar contas em pastas etiquetadas
- usar sutiã todo dia
- ser poeta maldita
- não ver a luz no fim do túnel

_Maria Rezende



4_SEGURA QUE É BADEJO

Keli Freitas lamenta, mas para ela é impossível:
-Não perder as contas se for mais que dez moedas,
-Falar no tom certo a coisa certa no momento certo,
-Dar a volta correndo ao redor de uma lagoa de 7 quilômetros,
-Praticar esportes sem bola,
-Dizer exatamente o que achou do filme,
-Dizer exatamente o que achou,
-Dizer exatamente,
-Dizer,
-Contar exatamente o que sentiu da peça,
-Contar exatamente o que sentiu,
-Contar exatamente,
-Contar,
-Atender números desconhecidos antes das,
-Atender números desconhecidos,
-Entender que o mundo inteiro existe ao mesmo tempo o tempo inteiro,
-Entender que o mundo inteiro exis,
-Entender que o mun,
-Não sentir soninho à tarde,
-Não sentir,
-Comer apenas um biscoito de polvilho,
-Comer apenas um bis,
-Não ter vontade de desistir no meio,
-Não ter vontade dedesis,
-Não acreditar em,
-Não acreditarem,
-Comer yakissoba de pauzinho,
-Enrolar o espaguete em colher,
-Matar baratas pernudas,
-Não sentir calor no pé,
-Não sentir,
-Fazer as unhas uma vez por sema,
-Fazer azul ,
-Lembrar que tem sobrancelha, sola de pé,
-Lembrar que tem,
-Querer que nego,
-Querer que,
-Cantar que nem a,
-Cantar,
-Tocar que nem o,
-Que nem,
-Frear de skate,
-Frear de patins,
-Frear de patins no gelo,
-Frear de trenó puxado por cães,
-Frear,
-Descobrir no cardápio o que,
-Passar calça jeans,
-Passar,
-Cozinhar mais que ovo,
-Sentir calma se,
-não voltar ao,
-não,

_Keli Freitas



5_PAPEL DE PAREDE

Algumas coisas que nem o apocalipse me tornaria capaz de fazer:

- Pensar no futuro sem pensar em Caio e Laili
- Acordar e não tomar uma xícara de café
- Ler o Zizek numa praça de alimentação lotada
- Escrever sobre política e sobre os políticos sem ser irônico
- Não pensar em trocadilhos seja qual for o assunto
- Dirigir, falar no celular, mexer no rádio e retocar a maquiagem ao mesmo tempo
- Ler um livro do Paulo Coelho até o final
- Ter mais de 1.000 amigos no Facebook
- Fazer um poema em outro idioma
- Morar em Salvador e ficar mais de um mês sem comer acarajé
- Não comer caruru ao menos uma vez no ano
- Assistir filmes dublados no cinema
- Dar um trocado ao guardador que não cuidou do carro sem ficar chateado
- Não acompanhar os resultados dos jogos do Bahia
- Parar de pensar em como o mundo anda complicado
- Ter tanta sede de água como de conhecimento
- Não me chatear com o mau uso do termo "palhaço"
- Pegar um ônibus e não observar os passageiros
- Me conformar com o fato de que não quis aprender a tocar piano
- Não me culpar sempre que penso na quantidade de coisas inúteis que acumulo
- Trabalhar com algo em que realmente não acredito

(Eu também não aceito convites para escrever em outras revistas antes de pedir autorização ao meu editor)

_Gabriel Camões



6_O QUE FALAR QUER DIZER

IMPOSSIBILIDADES

Ramon Mello lamenta, mas para ele é impossível:

- Trabalhar e não ser remunerado;
- Escrever orelhas assinadas de livros de poemas;
- Ler originais de quem nem se quer leu seus livros;
- Relacionar-se com homens indecisos;
- Confundir sexo com amor;
- Aturar cobranças, tais como: "Por que você não me liga?"
- Conviver com gente que fala tocando seu braço a cada vírgula;
- Morar longe da natureza;
- Voltar a morar com os pais;
- Gostar de pessoas que passam 24h no Facebook postando fotos de bichos, links de jogos; etc
- Continuar no cheque especial;
- Viver sem silêncio;

(Entre outras coisas, que a intimidade revela. R.M.)

_Ramon Mello



7_ACIDENTAL

O SIM DOS NÃOS

Sim, não compro a felicidade do mercado.
Sim, não me interesso por fofoca.
Sim, não dou a mínima para os lançamentos da moda.
Sim, não tenho religião.
Sim, não torço para outro time além do Esporte Clube Bahia.
Sim, não pago por sexo.
Sim, não converso sério com quem está usando óculos escuros - exceto cegos.
Sim, não bato em mulheres, crianças e idosos.
Sim, não subscrevo nenhuma anistia a torturadores e estupradores.
Sim, não censuro o suicídio ou a eutanásia.
Sim, não faço amizade inibida com mulheres que desejo.
Sim, não traio a confiança de meus amigos.
Sim, não fico apontando o dedo da acusação.
Sim, não vacilo ao apontar o dedo da acusação para os hipócritas.
Sim, não falo pelas costas nada que não possa sustentar de frente.
Sim, não me deixo levar por um vezeiro espírito do oba-oba.
Sim, não fico fazendo promessas.
Sim, não quebro minhas promessas.

_Júlio Reis




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FIM


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