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22.11.12

Pau Mole com sotaque português!


Geovana Pires, minha querida amiga e sócia da Elisa Lucinda na Casa Poema, volta de Lisboa e me manda esse presente: oficina de poesia falada que elas deram lá rendeu no meu querido Pau Mole com sotaque português! A moça - que além de tudo é filósofa, vê se pode? - hesita, se embola, pede cola, sorri, se diverte, inventa, transforma, e eu adorei!


30.10.12

Sarauê em imagens

Nos jardins da Biblioteca Nacional, dizendo meus poemas e os do Drummond

Letícia e Lucas, queridos, fazendo Letuce voz&violão e emocionando com um poema do Drummond, além da música que mora dentro de um poema meu - sinergia&admiração




Mônia Montone, anfitriã da noite junto com o Claufe Rodrigues, em momento de figurino animado

23.10.12

Eu e Drummond no Sarauê

Sexta-feira, dia 26, vou falar poemas num evento novo chamado Sarauê. Comandada pela Mônica Montone e o Claufe Rodrigues, a noite reúne poesia, música, projeção de imagens e performances, nos jardins da Biblioteca Nacional, no centro do Rio, de graça.

Às 18h rola microfone aberto pra quem quiser levar seus poemas, e a partir das 19h rola a programação oficial, que nessa sexta é em homenagem ao Drummond e tem um monte de gente babaca, além de mim, claro!

Adorei o convite porque Drummond foi meu primeiro poeta dito, e vou ter o prazer de falar de novo "O caso do vestido", poema que aprendi lá na Escola Lucinda de Poesia Viva nos meus 20 anos, e também vou dizer dele "Ausência", poema que eu aprendi a dizer de tanto ensinar, quando era professora da Escola, e que mora dentro de um poema meu inédito.

Vai ser uma noite encantadora, tô sentindo!


(Eu era assim no dia em que subi num palco pra dizer um poema pela primeira vez, levada pela mão amorosa da Elisa Lucinda. Drummond. Planetário. Vestido de Rembrandt herdado da tia. Sobrancelhas pré-pinça. Olhar de quem sente que a vida acabou de mudar pra sempre.)




SEXTA É DIA DE SARAUÊ

Data: 26/10, sexta-feira
Local: jardim da Biblioteca Nacional
Endereço: Rua México, s/n
Horário: 18h às 21h

APRESENTAÇÃO

Claufe Rodrigues e Mônica Montone
Entrada franca

POESIA

Maria Rezende, Pedro Rocha, Juliana Hollanda, Bia Provasi
+

MÚSICA

Letuce
Linox

+

HOMENAGEM 

Carlos Drummond de Andrade 

+

VIDEOGRAFIAS

Moana Mayall

+

Músicos: Guga Mendonça e Jhonatan Gregory



MICROFONE ABERTO DAS 18h às 18h45. TRAGA SEU POEMA.

informações: www.sarauenabibliotecanacional.blogspot.com

14.9.12

Poesia no cinema, na tela e ao vivo!

Na próxima segunda-feira, 17, às 20h, o Cine Jóia vai ser palco de uma noite poética: uma sessão do filme Bruta Aventura em Versos, da Letícia Simões, seguida de falação de poesia com uma penca de gente bacana: Ana B., Ramon Mello, Juliana Frank, Lucas Viriato, Flávia Iriarte, Matilde Campilho, Augusto Guimaraens, Ismar Tirelli Neto, Pedro Cezar e euzinha. 

Venham, venham, venham.


2a feira, 17/setembro, 20h
Cine Jóia: Av. Nossa Senhora de Copacabana 680 Subsolo - Copacabana (entre Santa Clara e Figueiredo)


Pra saber mais sobre o filme:

Bruta Aventura em Versos

Ícone da poesia marginal dos anos 1970 no Rio, Ana Cristina Cesar faleceu em 1983, aos 31 anos, deixando inúmeros leitores e adeptos. Ela criou versos, traduziu poemas e contos, pesquisou sobre cinema e literatura, escreveu artigos. Seu estilo direto, delicado e visceral influenciou o trabalho de diversos artistas. A partir da apropriação de sua obra por outras pessoas, o documentário procura captar a beleza e a originalidade de sua escrita, seja através da dança de Marcia Rubin, do espetáculo de Paulo José e Ana Kutner ou da poesia de Alice Sant’Anna. Todos, de maneiras diversas e particulares, conviveram com as vírgulas, as pausas, a voz e os olhos da poeta.

Diretor Letícia Simões

Roteiro Letícia Simões, Márcia Watzl

Fotografia Alberto Bellezia, Mariana Bley

Montagem Márcia Watzl

Música Marcos Kuzka Cunha

Produtor Guilherme Cezar Coelho e Pedro Cezar

Produção Matizar Filmes e Artezanato Eletrônico

15.7.12

Texto na revista Lola de julho/2012

Chamada na capa é muito chique, gente! Obrigada Luciana Ackermann pelo convite!


Adorei o convite pra escrever na revista, que é bacanérrima, moderna, de bom gosto, com matérias inteligentes e de quebra bonita pra dedéu.

Sim, o texto continua! Confesso que pra chegar aos 7mil caracteres contei digamos assim com um grupo de discussão sobre o assunto... É que apesar de ter escrito que adoro pau mole e falar de sexo nos meus poemas preencher duas páginas não é mole não, sabe? Agora, imagine se eu não adorei eles me darem todo esse espaço, né?

25.6.12

Recital no Recife: ao vivo e a cores!

Recife. Palco. Sesc Santa Rita. Laboratório de Autoria Ascêncio Ferreira. Ao vivo. Meia hora. Meus poemas. Público. Calor. Alegria. Emoção.

Muito, muito obrigada, Taciana Oliveira, por mais esse registro carinhoso.


12.6.12

No Recife, no palco, de novo!!

Então pouco mais de seis meses depois da alegria de estrear nos palcos nordestinos, com um super recital de meia hora no Recife em novembro do ano passado, lá vou eu de novo praquela terra que eu amo dizer mais poesia.

De novo o convite veio do SESC, e eu não podia estar mais feliz de voltar pra Recife, ainda mais agora que a nova edição do substantivo feminino tá saindo do forno, e vários leitores de lá que iam receber o livro pelo correio vão poder me ver ao vivo e comprar livro com dedicatória e olho-no-olho!

Obrigada, Cida Pedrosa e Rita Marize - e Marcelino Freire, claro, meu megafone amoroso que me espalha por esse Brasil afora...

O recital de novembro foi assim ó:



Pra saber mais sobre o evento:

Em seu 3º ano, a *Mostra SESC de Literatura Contemporânea* é uma atividade
formativa realizada pelo SESC Pernambuco, através do *Laboratório de
Autoria Ascenso Ferreira*, localizado no SESC Santa Rita/ Recife-PE.
Visando o intercâmbio entre escritores locais e
nacionais e ainda, a ampliação do diálogo entre os escritores e a plateia,
a Mostra traz convidados de reconhecimento local e nacional e faz parte do
projeto de Intercâmbio e Dinamização da Literatura e do Programa Estético
Literário do Departamento Nacional do SESC.

O tema da Mostra este ano é a *Literatura: Territórios/ Interfaces/
Conexões/ Diálogos Possíveis*, pois a maioria dos convidados trabalham com
literatura, mas transitam entre outras linguagens artísticas.


As ações da Mostra acontecerão no próprio Laboratório de Autoria Ascenso
Ferreira (13 a 15 de junho) e na Livraria Cultura do Recife (16 e 17 de
junho).

A programação conta com oficinas e palestras, além de exposição literária.

Visite a *programação completa* do Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira.

Coordenação de Cultura do SESC PE: José Manoel Sobrinho
Gestão do Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira: Rita Marize Farias
Curadoria da Programação 2012 do Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira:
Cida Pedrosa e Sennor Ramos


*Todas as atividades são gratuitas!

1.6.12

No rádio, ao vivo, do CEP!

E pra quem perdeu o Cinema em Sintonia na 4a e quer ouvir o delicioso papo entre a apresentadora Andréa Cals, eu, Pedro Cezar, Chacal e Jorge Salomão, o programa todinho aqui ó.

Fazer um programa de rádio ao vivo fora do estúdio não é bolinho não, mas a Andréa e sua trupe foram afinados e deu tudo certo! O público do CEP ia chegando, ocupando as arquibancadas do Sergio Porto, e nós lá no ar ao vivo! Falamos do curta "Por acaso Gullar", que eu e Rodrigo Bittencourt fizemos com o Ferreira Gullar, do lindo filme "Só 10% é mentira", do Pedro Cezar sobre o Manoel de Barros, da nossa própria poesia, ouvimos trechos do Bandeira e do Drummond, e ainda teve participação do público que estava lá ao vivo, no esquenta pro CEP 20.000. Foi supimpa!


Chacal, eu, Andréa, Pedro, Jorge

Ouvindo o querido Chacal

Rindo com o muito amado Pedro

Cumplicidade de meninas

A trupe reunida: missão cumprida!

Divirtam-se!

28.5.12

No rádio, ao vivo, no CEP


É depois de amanhã, 4a feira, dia 30, às 20h. "Cinema em sintonia", o programa de rádio da super Andréa Cals, em edição especial sobre cinema&poesia. Ao vivo. Diretamente do Espaço Cultural Sérgio Porto, premeditando o breque para o CEP 20.000.

Pode ser melhor? Acho que não, né? Eu, Jorge Salomão, Pedro Cezar e o anfitrião Chacal. Apresentação Andréa Cals. Papo sobre poesia, poemas falados, trechos de filmes. Sinto cheiro de delícia. 4a, 20h, logo ali no Sergio Porto.


Apareçam!

POESIA NO CINEMA EM SINTONIA
4a feira, 30 de maio, de 20h às 21h.
Ao vivo no Espaço Cultural Sergio Porto, no Humaitá, Rio de Janeiro.
No ar na Rádio Roquette Pinto - 94,1 FM
Com Chacal, Maria Rezende, Jorge Salomão e Pedro Cézar.

3.5.12

Maria, Marina e Martha - tintin por tintin




Pré-estreia da Festipoa Literária 2012, dia 31 de março, papo sobre poesia com Marina Colasanti e Martha Medeiros no Jardim Lutzemberg da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.

Foi um fim de tarde encantado, com lua nascendo, vento, eu e essas duas poetas que eu admiro, mulheres que eu adoro, um privilégio absoluto que eu agora posso reviver tintin por tintin. Eita que tem alegria nessa vida!

16.4.12

Substantivo Feminino de volta à ativa!


Agora é verdade. Tchan tchan tchan tchan. Senhoras e senhores, de roupa nova, "bonita camisa, Fernandinho", "mas os meus cabelos, que diferença", aí está ele, igual mas diferente, melhorado mas o mesmo, o aguardado, o anunciado, o por tanto tempo adiado: substantivo feminino, 2a edição. Agora pela editora Ibis Libris, com o toque de classe e a experiência editorial da Thereza Christina Roque da Motta, agora com uma diagramação decente (a indecente original era minha mesmo), com uma releitura da capa que mistura o desenho da Nina Gaul, uma idéia minha, a arte do Paulo Vermelho e o acaso - ganha um doce quem descobrir a diferença - promoção válida só pros amigos e leitores antigos que tiverem o original pra comparar, claro.

Pra dar gostinho de quero mais, o bichinho da minha mão, aí em cima, e os textos da orelha, aqui embaixo.

Você vai ver e sentir aqui a juventude, a ilusão, o bordado, o direito e o avesso 
do tecido poético dessa Maria. Estão aqui seus medos, sua anja e sua diaba, sua jovem Eva 
e sua ancestral Lilith, seu amor enorme, sua escancarada e resistente esperança, 
suas estreias, e mais todas as cores de seus novelos. O verso de Maria surpreende, desconcerta. 
Às vezes, de tão ingênuos, nos provoca maternidade, noutras de tão maduro, nos dá colo. 
(Elisa Lucinda)


E nove anos depois, o substantivo feminino está de volta. Nove anos. Metade de uma maioridade. 
Tanta coisa aconteceu na minha vida que dava pra uns três filmes. Reler o livro agora foi uma aventura emocionante. Reencontrar aquela menina, aquelas histórias, aquela escrita, aquela voz.
 É o meu primeiro livro, com os erros e acertos de uma estreia. 
Que o caminho dele e o meu sejam cheios de recomeços e novidades.
 (Maria Rezende)


O lançamento carioca ainda demora um tantinho, que falta fazer a 2a edição do cd que acompanhava o livro e agora vai ter vida própria - falta fechar a arte e mandar pra fábrica, que sim, a vida continua corrida e eu ainda não dou conta de cuidar de tudo de uma vez só. O livro mesmo só ficou pronto por causa da minha querida FestiPoa Literária, onde eu estarei nesse fim-de-semana dando uma oficina de poesia falada, dizendo meus poemas, e claro, relançando o substantivo feminino.  Ou posso dizer lançando, já que quando eu estive lá pela primeira vez, em 2009, ele já estava esgotado e portanto nunca andou por mãos gaúchas? Sei lá, só sei que vai rolar, em dose dupla, dentro da programação da FestiPoa, assim ó:






Sexta-feira, 20 de abril, 21h
Sarau Sexta Básica, do Sintrajufe
Salão Multicultural - Rua Marcílio Dias 660 
*com a presença dos ornitorrincos Gabriel Pardal e Ramon Mello

Domingo, 22 de abril, 20h30 
- junto com Recital de conclusão da Oficina Bem Dita Palavra

14.4.12

Na tv



Entrevista com direito a poema animado pro programa Estúdio Móvel, da TV Brasil.

Gravei em janeiro, foi ao ar essa semana e claro que ninguém lembrou de me avisar. Descobri pelo maravilhoso Google Alert, nunca suficientemente incensado: ê coisinha útil, gente!

Teria adorado ver na TV, na telona, com a imagem ruinzinha da TV Brasil e a emoção de estar no ar, mas mesmo assim, no Youtube, na telinha do laptop, adorei!

18.3.12

No palco em Recife



Um recital de quase meia hora, poemas meus e mais os meus poetas favoritos, no Sesc Santa Rita, em Recife, em novembro de 2011. Tem Drummond, tem Adélia, Manoel, Vinícius, e a grande homenagem, o lindíssimo Evocação ao Recife, do Bandeira. Olha que foi uma emoção falar do Recife pisando lá, viu? E tem poema antigo do substantivo feminino, poema bonito do Bendita Palavra, e tem poema inédito também. Foi uma noite linda, eu senti no dia e concordei com o sentimento vendo o vídeo agora... Obrigada de novo a Cida Pedrosa, Rita Marize e todo o pessoal do Sesc por essa alegria.

6.3.12

Poesia é ouro sem valia?

Poesia é ouro sem valia (Ferreira Gullar)

Com a poesia é assim mesmo. Não só por vender pouco, o poeta sabe que não escreve para vender.
De quando em vez, vem um poeta jovem me pedir que lhe consiga uma editora para publicar seu livro de estreia. Só estando com a cabeça na lua para pretender uma coisa dessas. Para consolá-lo costumo citar o exemplo de poetas, hoje consagrados, que tiveram que publicar seu primeiro livro a sua própria custa. Mas tem que ser assim mesmo, já que livro de poesia vende pouco e de poeta desconhecido não vende nada. Nenhum editor, em seu juízo perfeito, entra numa fria dessas.

Lembrei-me disso ao escrever um texto sobre Manuel Bandeira e mais uma vez deparei-me com o assunto. A edição de seu primeiro livro de poemas "A Cinza das Horas", foi paga por ele; a do segundo, "Carnaval", a mesma coisa. Só vários anos depois, teve um livro lançado por uma editora.

E Carlos Drummond de Andrade? Seu primeiro livro, "Alguma Poesia", apareceu como lançado pelas Edições Pindorama, que não existia, por ter sido, na verdade, impresso na Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais e pago pelo poeta em suaves prestações, descontadas de seu salário. O segundo livro, "Brejo das Almas", saiu por uma cooperativa; o terceiro, "Sentimento do Mundo", ele pagou de seu bolso e distribuiu toda a edição (150 exemplares) entre amigos e escritores. Só o quarto livro -aos 40 anos de idade- foi lançado por uma editora, a José Olympio, que passou a editá-lo.

Mas estes são apenas uns poucos exemplos, entre os quais poderia incluir-me, pois não teria editado meu primeiro livro se não fosse a ajuda de minha mãe. O segundo livro, paguei-o de meu bolso. Só tive um livro de poemas lançado por uma editora - que faliu em seguida - 13 anos após minha estreia. Acolhido por uma editora importante, somente 30 anos depois.

Com a poesia é assim mesmo. E não só por vender pouco; também porque, no fundo, o poeta sabe que não escreve para vender. Lembro-me que eu mesmo diagramei "A Luta Corporal", um livro tão fora das normas que provocou um atrito com a gráfica que o imprimiu. É que poeta não quer apenas escrever os poemas; quer fazer o livro mesmo. Poeta gosta de fazer livros. Por exemplo, João Cabral, quando estava em Barcelona, comprou uma pequena gráfica artesanal em que editou "Psicologia da Composição" mas também livros de outros poetas brasileiros e espanhóis.

Exemplos não faltam. Décio Victorio, os poucos livros que publicou, ele mesmo os diagramou, escolheu o tipo de letra, o papel, o tamanho, tudo, e pagou uma gráfica para compô-los e imprimi-los. Quando tomei a iniciativa de conseguir uma editora que lançasse seus livros, rejeitou.

Outro exemplo é Cláudia Ahimsa. Ela bolou todos os seus livros, buscou uma gráfica, pagou e os editou. No último deles, então, "A Vida Agarrada", até a capa foi criação sua, capa que já é, por si só, uma obra de arte: ela se fez fotografar sem a cabeça, num vestido que parece ao mesmo tempo renda e rede de pescar, com vários caranguejos vivos, presos a ele. Para completar, os seus braços, que parecem metidos em luvas, estão na verdade pintados de azul cobalto.

Não se pode esquecer, além do mais, que as novas tecnologias favorecem essa mania dos poetas de produzirem não apenas os poemas mas também os livros.

Foi o caso da Geração Mimeógrafo que, como o próprio nome diz, nasceu com o mimeógrafo e se valeu dele para fazer seus livros. Neste caso, juntaram-se alguns fatores que lhe imprimiram um caráter próprio: a redescoberta do poema-piada de Oswald de Andrade, que inspiraria poetas como Leminski e Chacal. Eles o usaram como um modo de reagir à censura imposta às artes pelo regime militar.

É verdade que a censura prévia - que vinha restringindo a atividade do teatro, do cinema e da música- os milicos não conseguiram impor ao livro, graças à pronta reação de Jorge Amado e Erico Verissimo, que ameaçaram não mais editar seus livros no Brasil.

Fora isso, o mimeógrafo veio facultar aos poetas jovens imprimir seus próprios livros, sem ter de recorrer a editoras. Eles os imprimiam e iam vendê-los nas ruas, nos bares, na porta de teatros e cinemas. É claro que assim ganharam a simpatia dos leitores, tornando-se conhecidos e, graças a isso, despertaram o interesse dos editores.




***


Eu me identifico com um tanto e discordo de outro. Eu editei sozinha o substantivo feminino, meu primeiro livro: mão na massa, aula de Page Maker pra diagramar, disquete na gráfica, poupança raspada, o prazer do fazer artesanal. Fiz assim porque quis e porque teve que ser. Eu não tinha editora. Eu nem procurei. Eu quis fazer meu livro. Eu. O segundo eu paguei mas não fiz, quem fez foi a 7Letras. Poupança raspada de novo, escolhi a fonte, o papel, a capa, mas não dirigi pra Madureira nem vi a máquina de onde iria sair o Bendita Palavra depois.

A parte que eu discordo é a de que poesia não vende. Porque o fato é que eu vendo. Eu vendo, gente. Falei isso pro Jorge lá na 7Letras quando cheguei e a palavra se cumpriu: a 1a tiragem de 600 livros se esgotou em seis meses, e a 2a de mais 500 exemplares já tá ficando magra. É curioso pensar sobre isso no momento em que eu finalmente preparo a 2a edição do substantivo feminino, nove anos depois do lançamento, quatro anos depois da tiragem inicial de mil livros, independente, sem editora nem livraria, ter esgotado. Agora eu terei a alegria de uma parceria, com a Thereza Christina e a sua Ibis Libris, e é sensacional ter uma editora que acredita que poesia vende sim e que, em seu juízo perfeito, publica os poetas. E vamos vender!


9.2.12

Pra esquecer as durezas de nosso dia a dia

De novo eles vêm me salvar. 

Ele #1: o Pau Mole, meu poema frisson que nunca me deixa na mão (rá). 

Ele #2:MarcelinoFreire, escritor fodão que me botou debaixo do braço e me leva pra tanto lado, tão mais longe do que ele imagina, soprando meu nome em tantos ouvidos. 


Pela mão amorosa dele eu fui de Porto Alegre a Recife, baladei em Sampa e passeei em muita tela de lcd. Hoje ganhei a re-alegria de ser publicada no seu blog, com recado carinhoso de brinde. 

"[Esta poesia é famosa.
Não é de minha autoria.
Adoraria. A autora é a
carioca MARIA REZENDE.
No meu antigo blog eraOdito
já havia postado, uma vez,
esse poeminha. Agora, o repito
aqui. Na onda de coisinhas leves,
digamos, feitas para esquecer
as durezas de nosso dia a dia.
Valeu, querida Maria. E fui.]"



Ô, querido, justo hoje, é? Que eu estava tão precisada de esquecer as durezas de nosso dia a dia... Agradecimentos infindos a você.

23.1.12

Casadoira

Semana passada saiu uma matéria sobre um lado pouco conhecido da minha vida de poeta, mas que eu adoro: o de "MC" de casamentos. Explico: às vezes os noivos não tem religião, ou cada um tem uma, mas querem uma cerimônia amorosa, me convidam e eu vou lá dizer "estamos aqui reunidos pra celebrar o amor de...". Outras vezes tem padre ou juiz, mas eles querem poesia no meio, e lá vou eu dizer poemas de amor nesse dia tão importante.

Começou há um tempão atrás, quando um casal de amigos que nem era tão próximo me convidou pra essa deliciosa tarefa. Depois eu já fui o "padre" da minha melhor amiga, da filha de outra grande amiga, já disse poemas no casamento da minha irmã, e também no da querida Manu Cesar, jornalista criadora do delicioso blog Colher de Chá, com dicas ótimas sobre tudo que é gostoso, e que agora tem uma sessão especial pras noivas, onde ela aproveitou pra divulgar esse meu lado casamenteiro.

É um luxo e uma alegria ver que minha poesia já virou parte do casamento de gente que eu nem conheço, além de ser uma profunda emoção que ela enfeite o amor das pessoas que eu mais amo. Lá na matéria da Manu tem meu poema mais casadoiro e também um vídeo que me encheu de alegria, uma noiva que eu nunca vi na vida dizendo meu poema no dia do casamento dela. Eita que a poesia sabe me fazer feliz...

4.1.12

O "Pau Mole" ataca novamente!


E eis que na primeira semana de 2012 estoura a notícia: meu poema do Pau Mole acaba de me aprontar mais uma.

Atenção: um cara que eu nunca vi na vida, o Jeff Oliveira, pegou o poema dito pela Ana Carolina e tascou num mashup surreal que reúne a música mais bizarra que eu já ouvi, a terrível "Sai seu pica mole", na voz de Valeska Popzuda, com a batida de California Gurls, da Kate Perry. Há que se ter estômago - pra aguentar o choque de ver o poema num contexto tão tosco, e depois pra não morrer de dor na barriga de tanto rir.



Esse poema, o mais pop de toda a linhagem, um dos primeiros que eu escrevi na vida e que nunca sai de cena, o poema que mais me espalha por aí e que tem pernas bem mais longas do que as minhas, sempre me rendeu momentos inusitados - ótimos, bizarros, deliciosos, hilários, toscos. Durante muitas e muitas noites eu disse ele no palco do Te vejo na Laura, e foi lá, numa noite de casa lotada, que a Ana conheceu o poema.



Daí a Ana ouviu o poema, adorou, e generosa como ela é acabou lendo ele no final de uma gravação de um programa de tv. O vídeo foi parar no Youtube e roda feito doido pela internet desde então. Pro meu absoluto choque, hoje, quatro de janeiro de dois mil e doze, ele já foi visto por mais de 55mil pessoas!


Pois agora esse o Jeff Oliveira pegou a voz dela dessa gravação, com gargalhada no final e tudo mais, e fez essa pérola do cancioneiro nacional. Depois do sucesso retumbante do "Adoro beijo na boca", a versão mais tosca do meu poema já feita - e nunca devidamente creditada, ao contrário do mash up, no qual o Jeff me credita direitinho (valeu, Jeff!) - pelo grande artista da palavra e da imagem Gabriel Colombo, realmente posso dizer: era só o que me faltava!


Ou será que vem mais por aí? Porque esse poema é que nem filho travesso: não cansa de me dar sustos que rendem belas gargalhadas!

26.4.11

Cinema no corpo





Noite de ensaio caseiro pro mini-espetáculo que eu vou apresentar na Festipoa Literária dia 06 de maio, 6a feira, 20h30, na Sexta Básica do Espaço Ox, anexo lindo do tradicional bar Ocidente.


Sim, os gaúchos serão os primeiros a ver essa maluquice boa que tá nascendo aqui em casa entre gravações caseiras, edições, músicas, papos, novidades e agora projeções mágicas!

.:. ansiedade & medinho & frisson & alegria .:.

13.3.11

hoje

se o chão não é mais embaixo e o teto não em cima
se o vento arranha e a chuva arde
se o impacto da pancada anestesia ao invés de arroxear
quando as palavras perdem a força
quando o azul vira palidez e a beleza não é mais nada

fazer o quê com o peito que não ouve nem fala?
as mãos agem
as pernas agem
a água do chuveiro cai e age

o sentimento não
o sentimento parou numa tarde cinza
uma cadeira dura
uma notícia dura
e a tristeza nos olhos de quem vê o corte, e não de quem perde o sangue

eu não fujo mais de nada
mas não mergulho na piscina de desespero
eu sento na beirada
eu não morro
eu vivo
eu sento na beirada e espero a dor chegar