21.2.05

Biblioteca Nacional

Na quarta-feira, dia 23 de fevereiro, vai ser lançada na Biblioteca Nacional a revista Poesia Sempre, uma edição especial em homenagem ao Augusto de Campos. Além de ensaios e materias sobre e com ele, a revista traz poeas inéditos de poetas variados, entre eles alguns meus. Não sei se é um ou mais de um, se adianta alguma coisa, mas gostei da idéia de dividir páginas com o Augusto de Campos, que eu conheço mais pela crítica musical do que pela poesia (confesso) mas é inegavelmente um cara fundamental na movimentação da cultura brasileira.

Então o lançamento é no Espaço Eliseu Visconti da Biblioteca Nacional, no dia 23 de fevereiro, às 18h30. Eu vou estar lá, com um livro embaixo do braço pra tentar dar pro Augusto, apesar de achar que a minha poesia não é bem a praia dele, mas apesar do medinho vale a pena tentar! E assim, a passos lentos, as coisas andam...

18.2.05

no mercado

Engraçado: eu até pedi, mas acho que a gente nunca espera um tomate assim, súbito, no meio da rua. Crítica pra mim sempre é difícil, e adoro superar essa dificuldade quando sei que quem critica é bacana, inteligente, gente que eu admiro e respeito. Nada fácil ouvir meu namorado multitalentoso dizer que meus poemas continuam falando de amor, e o resto do mundo, cadê? Nada fácil ouvir da Elisa Lucinda, minha mestra, que talvez não fosse ainda hora de lançar meu livro quando eu o fiz, em 2003. Mas absolutamente compensador porque eles têm pra mim um olhar amoroso me fazem pensar e rever conceitos e tentar mais e melhor, e crítica assim é quase um carinho.

Muito diferente da "Cristina", por exemplo, que passou por aqui e me deixou uma mensagem nada simpática nos comments do post abaixo. Não gostei da crítica porque ela é raivosa mas principalmente porque é anônima, não tem email de contato, nem site, nem nada, então pra mim chega fraca, com cheiro de coisa mal curada. Não sei se Cristina existe, se chama Cristina, sei que sabe de mim porque cita meus pais, de quem acho que nunca falei aqui. Eles trabalham com cinema, daí sua suposta "influência". E já que falo deles, digo mais: na área dos dois, eles não são "influentes" não: são influentes mesmo, sem aspas e com o orgulho de 25 anos de trabalho e muitos filmes nas costas. Na minha vida, são influentes demais também, porque me educaram com amor e muita ética, influência fundamental, eu diria.

Acho um pouco bobo ficar respondendo crítica aqui, mas é que essa coisa me fez pensar em como é engraçada a vida. Eu doida pra fazer a minha vida andar bacana, trabalhando feito louca em mil e um projetos, tentando cuidar de ser independente e poeta e mulher bonita e amorosa e saudável e pagar as contas e tantas coisas, e alguém acha que eu estou com o pé fora do chão, me sentindo uma estrela! Eu que não subo num palco há mais de dois meses, e me penitencio pensando que as pessoas vão esquecer que eu existo e ainda tenho tantos livros pra vender, sou surpreendida pela confirmação do contrário, pois se "Cristina" ainda se lembra e pára aqui pra me criticar, é sinal de que estou no mercado. É, até que valeu a pena essa crítica...

20.1.05

leitores!

Pois não é que o ano novo trouxe mesmo muitas mudanças? Agora eu tenho leitores! Quer dizer, o blog tem leitores, porque em livro eu tenho tido bastantes pras perspectivas iniciais...
Mas então o blog agora tem leitores que deixam recados, e os recados estão ficando animados: antes era sempre gente elogiando, amigos ou desconhecidos dando uma força. Agora não: gente sugerindo que eu me suicide, outros querendo começar um romance pra logo depois desancar comigo feito moços grossos em boate (linda, maravilhosa, vem cá - daí você nega - horrorosa, baranga, vadia...). Estou adorando, e feliz demais de saber que tem gente me achando nesses caminhos tortuosos da internet!

E aproveito pra comentar o comentário sugerindo que liberdade mesmo só se suicidando. Ia discordar mas talvez seja mesmo verdade, e então concluo que não quero liberdade absoluta não: quero a liberdade de estar viva, porque a minha primeira e primordial escolha é essa, viver. E é só dentro disso que quero ser livre, e dentro disso espero conseguir, e obrigada pelos votos de boa sorte!

Mudando de assunto, tem poema meu num site super bacana feito por mineiros interessantes, o Patife. A Ana Elisa Ribeiro, uma poeta e agitadora de BH, organizou um especial chamado Harém, só com mulheres do Brasil inteiro, poesia e prosa da melhor qualidade, e eu estou lá entre elas! Vale a pena dar um pulo lá pra ler as moças e conhecer o trabalho desse pessoal que usa a internet com qualidade e novidade.

E espero mais comentários, tomates e flores, venham todos!

13.1.05

liberdade

Meu ano novo - que começou com a minha mudança em 1o de dezembro e não no dia em que os fogos explodiram sob uma onda de fumaça em copacabana - veio cheio de mudanças e desejos de mais delas. Escrevi sobre isso no post aí de baixo. E olhando com calma vejo que a tônica de todas elas, e de tudo que eu quero e desejo agora, é liberdade e independência. Menos seriedade. Mais prazer.

Aí achei curioso entrar agora no blog e ver um comentário sobre esse post me perguntando se eu estou solteira. Porque eu não estou solteira, nem um pouco, e nem quero, nem um pouco. Continuo namorando e feliz, e dentre as mudanças desejadas não ser mais a namorada do Rodrigo está longe da lista. Gosto de namorar, de ser namorada, de ter namorado, de namoro, gosto de compromisso e de estabilidade, quero casar e ter filhos e ficar velhinha com ele do lado, ficar louca com ele e continuar louca por ele, quero quero quero e gosto.

E é engraçado como o desejo súbito e impetuoso de mais liberdade, de mais deriva, sempre parece pra quem está de fora um desejo de solteirice, como se as coisas fossem incompatíveis e não se pudesse ser livre e ser casal ao mesmo tempo. Pois pode, e quer saber? Deve! Porque senão qual é a graça?

ps: e já que falei nele aqui depois de tanto tempo, e já que acho ele o melhor compositor de todas as redondezas, aproveito pra espalhar: quem quiser conhecer o trabalho do moço passa
aqui ó.

7.1.05

Agora

Então é janeiro e eu quero ser uma jovem de 26 anos no verão carioca, além de ser uma jovem trabalhadeira que acorda às 7h e passa o dia atribulada com montagem, produção e tarefas do lar.

Porque é tempo de mudança e independência, e desejo de estar à deriva, e por isso parei ontem a terapia que já vinha comigo há quase três anos, e a falta de medo de andar sozinha tem me feito bem demais.

Agora quero estar mais solta, pintar as pontas do cabelo de rosa, andar a pé por botafogo e comer o que dá vontade na hora que dá fome na minha casa só minha, usar saias mais curtas e ir mais à praia, voltar a ver os amigos que eu andei negligenciando, e escrever mais, escrever mais, escrever muito mais, aqui, no papel, pra ser livro, pra ser desabafo, pra ser desejo azul em caderno pautado, em verso, em prosa, de madrugada ou à tarde, com música ou silêncio, no quarto, na sala, no escritório, na sala de tv, na cozinha, no banheiro, em qualquer das varandas ou na área de serviço, pela casa ou pela rua, escrever, escrever, escrever. E viver muito, pra ter assunto.

E assim começa 2005.

28.12.04

fim de ano, casa nova

Então já é quase 2005 e eu ando sumida daqui, porque ando aparecida lá na minha casinha nova, onde ainda não tem internet direito, e onde tem tanto pra fazer que nunca dá tempo nem de pensar nisso!

Então agora, na casa dos pais (ex minha casa) aproveito pra deixar um beijo de fim de ano pra todo mundo que costuma aparecer por aqui. Ter feito esse blog foi uma das coisas bacanas de 2004, porque me deu a chance de me espalhar pra lugares onde eu mesma, de corpo presente, não podia estar. Adorei ser lida de longe e conhecer outros blogs interessantes, acredito mesmo nessa mídia como forma de propaganda e de interação.

Muito bom 2005 pra todo mundo!

13.12.04

a woman is a woman

Concluindo minha correspondência com a Helô, o resultado final da tradução dos meus dois poemas que vão entrar na exposição Imagining Ourselves. Ela aliás me deu uma notícia que me deixou mais feliz ainda: as duas brasileiras selecionadas somos e eu e... Leiam aí embaixo!


Maria,

mais uma - e os dois poemas completos para vc ver como ficaram.


No "Uma mulher..."

Uma mulher pode ser um jeito

A woman can be a skill - - skill me parece muito técnico, vc tem um skill para um trabalho
A woman can be a
knack -- knack tem mais jinga, significa "a clever expedient or way of doing something", não fica melhor ???

Poemas finalizados, aliás não sei se sabe disso, mas as selecionadas foram vc, com o Pau Mole e Uma Mulher..., e a Marisa Monte, com Profeta Gentileza.

Os poemas:

Maria Rezende/Brazil/Adoro pau mole (I Love a Soft Dick) and Uma mulher é uma mulher ainda que (A Woman is a Woman Although)


Copy edited English version

(Adoro pau mole)

I love a soft dick
Just like that.
I do not drink mate
tea
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick.

I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility.

I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I cherish and always want.

Because it is the icon of post-sex ,
(that is in essence and automatically
­-even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well.

A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear .

And it is inside of it,
in all its wobbly softness
of modeling clay,
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.


Copy edited English version

(A Woman is a Woman Although)

A woman is a woman although.
Words and shapes do not comprise the content.
A woman can be a knack
A rib or a defect.
A woman overflows the edges
Measures up
Eases the dissonance
She joggles and jingles.
A woman can be a scream
A belly
A precipice.
A woman can be an abyss or a haven.
And she can be both
And she is.


8.12.04

soft dick

Dentro dos prazeres do ano quase por terminar, misturado com casa nova, trabalhos, granas e afins, vai entrar a tradução do meu poema do pau mole pro inglês. Tudo por causa da história do International Museum of Women de São Francisco, que me selecionou pra uma exposição com mulheres do mundo inteiro.

Recebi hoje um email de uma tradutora chamada Heloisa Kinder, que está fazendo a revisão do poema e, super atenta, me escreveu pra pedir aprovação e sugestões. Adorei esse processo, estou adorando, e acho bacana compartilhar porque é muito rica essa troca de uma língua pra outra, tantas possibilidades, como fazer as brincadeiras funcionarem com outras palavras, genial. Aí embaixo está o email da Heloisa pra vocês acompanharem.


Olá Maria,

Que bom estarmos de acordo com os ajustes na tradução.
Você tem razão, "that lives the..." está mais próximo ao texto que a tradução inicial.

Agora que começamos este exchange, vou te mostrar todo o poema e as mudanças que sugeri.

Eis o poema como veio a mim --

I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick

I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility

I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I appreciate and always want

Because it is the icon of post-sex
that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
also always pre-sex

A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear

And it is inside of it
in all its brazen softness
of a modeling mass
where lives the firm and strong dick
with which my man takes me.


--- ---

Eis a versão em que estou trabalhando:


I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate tea*
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick

I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility

I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I
cherish** and always want

Because it is the icon of post-sex

that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well***


A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear

And it is inside of it
in all its wobbly softness

of modeling clay****
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.

*precisa ser mate tea ou tea, pq mate sozinho significa pessoa. O chá mate até existe, mas acabou de ser introduzido no mercado, acho que as pessoas não vão fazer alusão ao que vc se refere. Por outro lado cria uma rima Tea and ET, meio estranho????? Se não te incomoda podemos fazer isso. Ou vc tem outra ideia?

** appreciate tinha sido usada, todo mundo appreciate tudo aqui na América, mesmo quando a premissa do que é appreciated não é verdadeira - cherish traz a apreciação mais perto do coração...além de ter mais musicalidade.

***não gosto de also e always juntos. O as well no final adiciona outra condição.

****Ao meu ver, o poema em português compara o pau mole à coisas simples, como a massa de modelar. Na tradução, o uso de modeling mass tira tal impressão, já que não é esse o nome de tal material em ingles. O "brazen sofness/of a modeling mass" não está incorreto, mas para mim, ele mexe na descontração de sua poesia. Me diz o que acha e sigo o seu sinal.

Pode colocar isso no blog sim! Vale a pena compartilhar esse processo com certeza.

Queria ver o seu livro. Posso comprar de vc?

Beijos

Heloisa

15.11.04

Cabrália


Esse é um gostinho do litoral norte de Porto Seguro. Depois de Cabrália tem uma balsa escandalosa, e lugares desertos e lindos de morrer que me deram uma semana da melhor qualidade de descanso que se pode ter. Vão, eu recomendo. Para dicas é só me escrever.

7.11.04

descanso

São 01:41 da manhã de sábado pra domingo, e daqui a 3 horas estarei no Galeão com o meu namorado lindo e falante pra uma semana de férias antecipadas em Porto Seguro. Merecemos muito esse refresco e espero que sejam dias calmos e animados, se é que vocês me entendem. Na volta, casa nova, vida nova, e mais trabalheira doida de moça que agora tem um aluguel pra pagar. Hoje fui na casinha e ela é mesmo um sonho, toda lindinha, toda com jeito de gente feliz dentro. Vai ser uma delícia voltar pra começar a encher ela de mim! Até!

4.11.04

minha casa


Pois essa é sala da minha casa nova, só que enquanto ela ainda é a sala do Seu Armando, dono dela e do resto do apartamento.

Foi assim: eu estava andando em Botafogo, vi um predinho lindo e pensei "podia ser feliz aí". O porteiro estava na porta, uma cara simpática, perguntei, não tinha nada pra alugar, claro, continuei andando. Lá na frente escuto um psiu, era ele me chamando. Que o Seu Armando, do 103, ia se mudar. Que o apartamento era lindo, muito caprichoso o seu Armando, e que ele mesmo, seu Jorge, tinha colocado o piso, e por aí ia...

Pois eu entrei, e seu Armando é um senhor adorável, e o apartamento dele parece uma casa linda com varanda e banheira, e ele gostou de mim e me esperou, e eu hoje assinei o contrato, meu primeiro contrato de casa, e vou então agora ter a minha própria casa, ainda não a casa própria mas a minha casinha só minha...

Espero então as visitas de todos pra suprir a minha carência de pessoa criada em casa cheia e alegre, pra fazer da minha casa tão alegre quanto essa da qual eu venho!

21.10.04

esse?

Deita, amor, na minha harmonia
Rola mexe vira e me ensina a ser gente inteira
Gente com todas as partes
Tudo certo no lugar
Me ajuda a achar o erro e me ajuda a consertar

Deixa eu ser sua parceira
Sua mulher de verso e prosa
Sua rima
Sua rosa
Seu mistério indevassável
Deixa eu sambar na sua voz
E gritar no seu prazer

Quero ser sua mulher-filme
Mulher toda feita pra ver
E quero ser de verdade
Passar roupa pra você
Parir cada um dos seus filhos
Chupetas poemas canções
Te amar nas noites de medo
E na febre das manhãs

Me olha com seu desejo
Eu visto a sua fantasia
Mas olha sem querer nada
Olho limpo de enxergar

Quem eu sou já vale a pena
Vida é sempre melhor que poema
E a minha versão carne e osso
Bate de longe o cinema do seu sonho

A música que eu posso ser
Só você sabe cantar
E a melhor das minhas palavras
Não vale o calor da sua nuca

(a harmonia que conta é a que não se pode tocar)

8.10.04

fluxo

O temor tem morte dentro
É ele que paralisa

tudo impávido colosso
tudo cabide no armário
tudo certo tudo morno
chão de bolas de cristal

Lá fora um sofá puído
esse desejo rouco
uma história moribunda
a beleza oficial.
E no corpo já sem fogueira brilha o fosfóro azul do amor mais confortável.

O temor enforca os dias
meses anos de desertos.
Tudo urge e tudo cala
e o mundo cabe na mala que eu morro de medo de te entregar.

1.10.04

como Manoel de Barros

Pedro, 8 anos, meu primo mais fofo e figura rara, resolveu fazer anotações sobre um dia na sua vida. O resultado foi um quase poema à la Manoel de Barros, que eu reporto aqui com todos os equívocos ortográficos que só fazem ele ficar mais genial.

Meu dia

Loja ao contralho, vento bom, marimbondo perto, cachorro.
Bala rasgada, dei lápis, água nogenta, nenem chega, sapato da sandy.
Vi camera, que fedor, minina abriu quecho.
Cade a mulher doida, pedra pichada, garota dorme, garoto chega.
Briga na hiscola, broca da professora, não bebi agua.

Saida

Saindo todo mundo
Meu amigo vai comigo.

15.9.04

Internacional


Então no final do ano passado eu recebi um email avisando sobre um projeto chamado Imagining Ourselves organizado pelo Museu Internacional da Mulher, em São Francisco, nos Estados Unidos. Eles estavam à procura de mulheres artistas do mundo inteiro com trabalhos em qualquer área - poesia, música, artes plásticas, fotografia - para participar de uma exposição organizada por eles. Bem simples... Eu escolhi dez poemas, mandei por email, fiquei pensando naquilo por um tempo e depois (manobra inteligente da minha sanidade mental) abstraí.

Pois esses dias me chega um email deles avisando que eu fui selecionada! "Dear Mrs. Rezende, you are one of the finalists..." blablabla! Depois descobri que o museu ainda está em pré-construção, ou seja, ainda vai começar a ser construído, e a exposição vai ser virtual e acompanhada de um livro de arte com as obras das finalistas.

Então tá: minha poesia vai estar num livro, no meio do trabalho de mulheres do mundo inteiro, circulando por aí. Achei o supra sumo da chiquice, e aproveito esse canto que é meu pra espalhar! Agora, tudo isso deve ser só em outubro de 2005, ou seja, estou me preparando pra abstrair de novo até lá...

3.9.04

Aplauso


Sonho realizado: noite do Te vejo na Laura lo-ta-da, fila na porta, gente no balcão, gente pelo chão, e eu nunca tinha falado pra tanta gente - pelo menos não pra gente tão animada e aplaudinte.

Foi uma delícia ser ouvida assim, falar assim, uma puta experiência diferente e deliciosa, coroando um dia de muito nervoso e ansiedade. No blog do Te vejo tem mais fotos da noite, e vale a pena dar um pulo lá pra ver a Ana Carolina, o Marcelo Serrado e meu parceiro e amado, Rodrigo Bittencourt...

21.8.04

Caderno Ela!


Finalmente saiu nossa matéria no Caderno Ela do Globo!!


E L A
Rio, 21 de agosto de 2004
Versão impressa

A nova juventude dourada
Carolina Isabel Novaes

Maria Rezende e Rodrigo Bittencourt são a cara da juventude dourada que sacode a cena cultural carioca. A poetisa e o músico namoram há dois anos e há um produzem o “Te vejo” na Laura, evento que reúne música, poesia, cinema e um monte de gente cabeça toda última segunda-feira do mês, na Casa de Cultura Laura Alvim.

Os versos criadas por ela em “Pau mole” os uniu. Rodrigo tinha ido assistir a um recital de um amigo e, em vez disso, encontrou uma bela no palco. Ela falava da falta de ereção, como adorava o membro desfalecido pelo “que ele encerra de possibilidade”. E ele gamou. No dia seguinte deixou um recado na secretária eletrônica do celular da moça: “Porque te ouvir assim, dando vida ao repouso, salvando o macho (...)”. Era uma resposta aos versos ouvidos na noite anterior. — Ficamos uma semana em um duelo de poemas, ele me mandava um, eu respondia, e vice-versa. Nunca houve uma produção tão intensa de poemas! — brinca Maria. Cinco dias depois estavam namorando. E desde então, continuam em alta rotação. No ano passado lançaram seus respectivos trabalhos — o livro de poesias “Substantivo feminino” e o disco “Canção para ninar adulto”.

Maria, 25 anos, participou de projetos como o “Panorama”, com o músico Rodrigo Sha, e o “Freezone”, com o poeta Chacal. Apresentou-se no CEP 20.000, no bar Bukowsky, na Casa da Matriz. Rodrigo, 27, cantou nas bandas Oficina e Neura. Formou-se em teatro e estuda cinema.

Filha do cineasta Sérgio Rezende e da produtora Mariza Leão, há três anos escreve poesias, e declamadora há mais tantos, mas “Substantivo feminino” é a sua primeira publicação. E, apesar de admitir que “Pau mole” é o seu grande hit, não classifica sua obra como erótica. — Não concordo. É um livro de poemas.

O livro, com prefácio de Elisa Lucinda, traz versos ousados, aborda o sexo de maneira clara (“meu pai fica constrangido”, confessa), mas não é só isso. O poeta Manoel de Barros ganhou um exemplar e disse à autora: “Li o livro. Você é poeta.” Ela é a Maria da Poesia, vaidosa, romântica, caseira. No “Te vejo”, se mostra à vontade no palco, por onde já passaram Camila Pitanga, Affonso Romano de Sant’Anna, Antônio Calloni, Caetano Veloso, entre outros. Na última edição, o ator Lázaro Ramos cantou uma música inédita do filme “Madame Satã”.

As influências de Rodrigo, que é muito vaidoso e jamais sai de casa com a roupa amarrotada, vão de Chico Buarque a Axl Rose. Antônio Cícero foi um dos que elogiaram seu disco, especialmente a música “Cinema americano”.

Entre um recital e uma produção de filmes (é, Maria acumula mais essa função), eles ainda encontram tempo para juras de amor eterno. — Você briga à tarde por falta de dinheiro e à noite vai ao cinema com a mesma pessoa com quem discutiu. É duro, mas sou privilegiada por ter alguém que me entende — define Maria. O amor é lindo.

LEIA MAIS
Poesia 'Pau mole', de Maria Rezende

13.8.04


Porque eu não tenho nada a dizer nem nenhum poema pedindo pra ser postado, e porque adorei essa foto e queria ser sempre assim, derretida e iluminada, e porque senão vão dizer que já tem muito tempo que eu não escrevo e como é que eu posso querer ter público assim, nesse marasmo, e porque deu vontade.

2.8.04

hit

Esse é um dos meus poemas mais antigos, e graças a ele ganhei leitores, fãs e um namorado que eu espero que fique por aqui por muitos e muitos poemas. Ele mora em roupa de papel no meu livro, substantivo feminino, que você pode comprar clicando aqui (que eu sou independente e por isso cara de pau pra vendas!). Por tudo isso era um absurdo ele ainda não ter entrado aqui no blog, então agora, não em primeira mão mas espero que igualmente estrondoso, meu poema-hit:

Adoro pau mole.
Assim mesmo.
Não bebo mate
não gosto de água de coco
não ando de bicicleta
não vi ET
e a-d-o-r-o pau mole.

Adoro pau mole
pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.

Adoro pau mole
porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdade
que eu prezo e quero, sempre.

Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente
- ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.

Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.

É dentro dele,
em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.

29.7.04

Galeano

Nos últimos anos tive a felicidade de conhecer a poesia do Eduardo Galeano, um  uruguaio genial que faz poesia mesmo quando faz prosa e que fala do homem e da miséria e do amor com uma capacidade rara de tocar quem lê.
 
Esses poemas que eu compartilho aqui são de um livro precioso dele chamado O livro dos abraços, que eu recomendo com veemeência e presenteio com freqüência. Lambuzem-se.
 
A Noite/1
Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras.
Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada na garganta. 
        
 
A Noite/2
Arranque-me, senhora, as roupas e as dúvidas. Dispa-me, dispa-me.

A Noite/3
Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo. 
 
                             
A Noite/4
Solto-me do abraço, saio às ruas.
No céu, já clareando, desenha-se, finita, a lua.
A lua tem duas noites de idade.
Eu, uma.


Quer mais Galeano? dê um pulo aqui.