9.5.05

as próximas

O sumiço dessa vez tem razão irritante: me animei a escrever o primeiro post da minha casa nova, no laptop que anda mal das pernas, e depois de tudo pronto é claro que tudo desapareceu num piscar de olhos... Acho que a minha casa não é muito tecnológica, ou tem ciúme de me ver computadorizando ao invés de cozinhar ou ler no sofá da sala...

De todo modo insisto (mas não mais de casa, que os raios caem sim várias vezes no mesmo lugar). Então venho dar notícias boas: nessa quinta começa a Bienal, e eu vou estar lá duas vezes. Tinha me prometido não ir mais a Bienais, onde se anda muito, se gasta muito, muita transpiração e pouca inspiração, eu achava. Mas sendo convidada a coisa muda muito de figura, não é, e eu achei chiquérrimo e disse sim, sim, duas vezes sim!

Acontece que esse ano estréia um espaço novo na Bienal chamado Jirau de Poesia, onde o poeta e jornalista Claufe Rodrigues vai entrevistar todo dia 4 ou 5 poetas de linhas e gerações diferentes, e em seguida rolam várias rodadas de poesia dita. No dia 18 às 18h estaremos lá eu, Elisa Lucinda, Mano Melo, Bartolomeu de Campos Queiroz e Alcir Pimenta. O Jirau acontece no Espaço Waly Salomão, que fica no Pavilhão Vermelho, e quem não tiver a preguiça que eu tinha apareça que o negócio promete ser bom! Depois vai ter venda de livros e eu espero me livrar de mais uns bons exemplares do substantivo feminino, que aliás caminha a passos largos pra esgotar...

O segundo sim veio pra um amigo, o Janderson, que escreveu um livro chamado Angústias de um gay urbano e vai lança-lo no dia 22 lá na Bienal. Ele me chamou pra dizer uns poemas pra animar a tarde de autógrafos dele, então no domingo, último dia de Bienal, estaremos lá às 16h, ele autografando e eu falando, no estande da OR Editor, no Pavilhão Vermelho, estande 89.

E essas são as próximas atrações - por enquanto, que a vida anda cheia de surpresas... Uma boa foi descobrir que o Eduardo Graça, jornalista com o melhor texto que eu conheço e amigo mais do que querido, recomendou esse blog e eu todinha no site da ABI, Associação Brasileira de Imprensa (entrar em Revista ABI e lá na sessão Jornalistas Recomendam). Eu adorei ser recomendada e sem nenhum medo de parecer que é puro revide recomendo ele: o Edu tem um blog ótimo com textos escritos diretamente de NY, o olhar afiado de um brasileiro sobre os últimos acontecimentos de lá e de cá.

E com isso me despeço!

26.4.05

Santa Cultura

Ando sumida, que a vida real anda me roubando da virtual e ainda bem porque é preciso ter assunto, certo? Então agora tenho muito! (risos)

Nessa quinta, dia 28 de abril, vai rolar mais uma edição do Santa Cultura, projeto que eu e Rodrigo fazemos no Santa Marta unindo artistas de lá com outros de fora da comunidade. Nessa quinta tem Paulinho Moska e um grupo instrumental de lá, Esboçando a Bossa, além do primeiríssimo curta do meu pai, Sergio Rezende, chamado Pra não dizer que não competi. Vai ser no teatro do IBAM, no Humaitá, às 19h30, e a entrada é franca, portanto cheguem cedo!

Beijos e queijos!

9.4.05

formiguinha

A vida poética anda se animando, algumas publicações de poemas inéditos, o Te vejo na Laura voltando pra Casa de Cultura Laura Alvim, eu pensando num livro novo pra esse ano, vendendo uns substantivos femininos por aí, e fico feliz de sentir que embora eu gerencie minha vida de poeta muito "a la doida", minha crença de que as pequenas coisas levam a outras maiores e etc e tal se confirma a cada dia.

Agora foi um convite pra falar meus poemas na Bienal. Recebi o telefonema, fiquei toda boba e pensei: de onde essa pessoa me conhece, gente? Pois era de uma homenagem à Elisa Lucinda na qual eu fui dizer poemas, e a moça que organiza o Jirau de poesia da Bienal me viu e pimba: convite!

Resumindo: trabalho de formiguinha funciona. E eu a-d-o-r-o isso!

1.3.05

inéditos

Pois a revista saiu, e foi absolutamente genial, porque na verdade é quase que um livro, lindo e bem cuidado, com inéditos de vários poetas bacanas, novos e consagrados, e o luxo supremo foi que meu nome veio na capa junto com o do Arnaldo Antunes, da Ana Cristina Cesar, do ledo Ivo... Fiquei bem feliz!

No meio da felicidade me animei a rever meus poemas pra começar a pensar num segundo livro, e fiquei surpresa de ver que apesar da minha descrença na minha recente produção tenho alguns poemas bem bons, e isso me fez escrever outros, e acho que finalmente a meta número um do ano - escrever, escrever, escrever mais - está começando a acontecer!

E como há muito tempo eu não posto poemas, aí vai um dos que saíram na Poesia Sempre.

****

No meio dos meus peitos mora o filho que eu vou ter.

O buraco que tem lá foi feito por ele em mim muito antes de chegar.
Desse buraco eu nasci.

Quando ele aparecer pra mulher que eu me tornei
é nesse buraco antigo,
bem no meio dos meus peitos,
que ele vai se encaixar.

Esse filho que vai vir faz meus dentes mais macios e ilumina o meu olhar.

Lá no fundo do buraco,
ocupando aquele espaço,
estão minhas dádivas mais raras:
as doçuras que eu cultivo,
minhas melhores palavras,
esperança armazenada esperando ele chegar.

O dia em que ele vier ocupar minha barriga
é nesse sonho vivido que ele vai se aconchegar,
até que meus peitos inchados jorrem no seu corpo novo
todo o leite abençoado que vai nos alimentar.

Desse instante eu vou viver.

21.2.05

Biblioteca Nacional

Na quarta-feira, dia 23 de fevereiro, vai ser lançada na Biblioteca Nacional a revista Poesia Sempre, uma edição especial em homenagem ao Augusto de Campos. Além de ensaios e materias sobre e com ele, a revista traz poeas inéditos de poetas variados, entre eles alguns meus. Não sei se é um ou mais de um, se adianta alguma coisa, mas gostei da idéia de dividir páginas com o Augusto de Campos, que eu conheço mais pela crítica musical do que pela poesia (confesso) mas é inegavelmente um cara fundamental na movimentação da cultura brasileira.

Então o lançamento é no Espaço Eliseu Visconti da Biblioteca Nacional, no dia 23 de fevereiro, às 18h30. Eu vou estar lá, com um livro embaixo do braço pra tentar dar pro Augusto, apesar de achar que a minha poesia não é bem a praia dele, mas apesar do medinho vale a pena tentar! E assim, a passos lentos, as coisas andam...

18.2.05

no mercado

Engraçado: eu até pedi, mas acho que a gente nunca espera um tomate assim, súbito, no meio da rua. Crítica pra mim sempre é difícil, e adoro superar essa dificuldade quando sei que quem critica é bacana, inteligente, gente que eu admiro e respeito. Nada fácil ouvir meu namorado multitalentoso dizer que meus poemas continuam falando de amor, e o resto do mundo, cadê? Nada fácil ouvir da Elisa Lucinda, minha mestra, que talvez não fosse ainda hora de lançar meu livro quando eu o fiz, em 2003. Mas absolutamente compensador porque eles têm pra mim um olhar amoroso me fazem pensar e rever conceitos e tentar mais e melhor, e crítica assim é quase um carinho.

Muito diferente da "Cristina", por exemplo, que passou por aqui e me deixou uma mensagem nada simpática nos comments do post abaixo. Não gostei da crítica porque ela é raivosa mas principalmente porque é anônima, não tem email de contato, nem site, nem nada, então pra mim chega fraca, com cheiro de coisa mal curada. Não sei se Cristina existe, se chama Cristina, sei que sabe de mim porque cita meus pais, de quem acho que nunca falei aqui. Eles trabalham com cinema, daí sua suposta "influência". E já que falo deles, digo mais: na área dos dois, eles não são "influentes" não: são influentes mesmo, sem aspas e com o orgulho de 25 anos de trabalho e muitos filmes nas costas. Na minha vida, são influentes demais também, porque me educaram com amor e muita ética, influência fundamental, eu diria.

Acho um pouco bobo ficar respondendo crítica aqui, mas é que essa coisa me fez pensar em como é engraçada a vida. Eu doida pra fazer a minha vida andar bacana, trabalhando feito louca em mil e um projetos, tentando cuidar de ser independente e poeta e mulher bonita e amorosa e saudável e pagar as contas e tantas coisas, e alguém acha que eu estou com o pé fora do chão, me sentindo uma estrela! Eu que não subo num palco há mais de dois meses, e me penitencio pensando que as pessoas vão esquecer que eu existo e ainda tenho tantos livros pra vender, sou surpreendida pela confirmação do contrário, pois se "Cristina" ainda se lembra e pára aqui pra me criticar, é sinal de que estou no mercado. É, até que valeu a pena essa crítica...

20.1.05

leitores!

Pois não é que o ano novo trouxe mesmo muitas mudanças? Agora eu tenho leitores! Quer dizer, o blog tem leitores, porque em livro eu tenho tido bastantes pras perspectivas iniciais...
Mas então o blog agora tem leitores que deixam recados, e os recados estão ficando animados: antes era sempre gente elogiando, amigos ou desconhecidos dando uma força. Agora não: gente sugerindo que eu me suicide, outros querendo começar um romance pra logo depois desancar comigo feito moços grossos em boate (linda, maravilhosa, vem cá - daí você nega - horrorosa, baranga, vadia...). Estou adorando, e feliz demais de saber que tem gente me achando nesses caminhos tortuosos da internet!

E aproveito pra comentar o comentário sugerindo que liberdade mesmo só se suicidando. Ia discordar mas talvez seja mesmo verdade, e então concluo que não quero liberdade absoluta não: quero a liberdade de estar viva, porque a minha primeira e primordial escolha é essa, viver. E é só dentro disso que quero ser livre, e dentro disso espero conseguir, e obrigada pelos votos de boa sorte!

Mudando de assunto, tem poema meu num site super bacana feito por mineiros interessantes, o Patife. A Ana Elisa Ribeiro, uma poeta e agitadora de BH, organizou um especial chamado Harém, só com mulheres do Brasil inteiro, poesia e prosa da melhor qualidade, e eu estou lá entre elas! Vale a pena dar um pulo lá pra ler as moças e conhecer o trabalho desse pessoal que usa a internet com qualidade e novidade.

E espero mais comentários, tomates e flores, venham todos!

13.1.05

liberdade

Meu ano novo - que começou com a minha mudança em 1o de dezembro e não no dia em que os fogos explodiram sob uma onda de fumaça em copacabana - veio cheio de mudanças e desejos de mais delas. Escrevi sobre isso no post aí de baixo. E olhando com calma vejo que a tônica de todas elas, e de tudo que eu quero e desejo agora, é liberdade e independência. Menos seriedade. Mais prazer.

Aí achei curioso entrar agora no blog e ver um comentário sobre esse post me perguntando se eu estou solteira. Porque eu não estou solteira, nem um pouco, e nem quero, nem um pouco. Continuo namorando e feliz, e dentre as mudanças desejadas não ser mais a namorada do Rodrigo está longe da lista. Gosto de namorar, de ser namorada, de ter namorado, de namoro, gosto de compromisso e de estabilidade, quero casar e ter filhos e ficar velhinha com ele do lado, ficar louca com ele e continuar louca por ele, quero quero quero e gosto.

E é engraçado como o desejo súbito e impetuoso de mais liberdade, de mais deriva, sempre parece pra quem está de fora um desejo de solteirice, como se as coisas fossem incompatíveis e não se pudesse ser livre e ser casal ao mesmo tempo. Pois pode, e quer saber? Deve! Porque senão qual é a graça?

ps: e já que falei nele aqui depois de tanto tempo, e já que acho ele o melhor compositor de todas as redondezas, aproveito pra espalhar: quem quiser conhecer o trabalho do moço passa
aqui ó.

7.1.05

Agora

Então é janeiro e eu quero ser uma jovem de 26 anos no verão carioca, além de ser uma jovem trabalhadeira que acorda às 7h e passa o dia atribulada com montagem, produção e tarefas do lar.

Porque é tempo de mudança e independência, e desejo de estar à deriva, e por isso parei ontem a terapia que já vinha comigo há quase três anos, e a falta de medo de andar sozinha tem me feito bem demais.

Agora quero estar mais solta, pintar as pontas do cabelo de rosa, andar a pé por botafogo e comer o que dá vontade na hora que dá fome na minha casa só minha, usar saias mais curtas e ir mais à praia, voltar a ver os amigos que eu andei negligenciando, e escrever mais, escrever mais, escrever muito mais, aqui, no papel, pra ser livro, pra ser desabafo, pra ser desejo azul em caderno pautado, em verso, em prosa, de madrugada ou à tarde, com música ou silêncio, no quarto, na sala, no escritório, na sala de tv, na cozinha, no banheiro, em qualquer das varandas ou na área de serviço, pela casa ou pela rua, escrever, escrever, escrever. E viver muito, pra ter assunto.

E assim começa 2005.

28.12.04

fim de ano, casa nova

Então já é quase 2005 e eu ando sumida daqui, porque ando aparecida lá na minha casinha nova, onde ainda não tem internet direito, e onde tem tanto pra fazer que nunca dá tempo nem de pensar nisso!

Então agora, na casa dos pais (ex minha casa) aproveito pra deixar um beijo de fim de ano pra todo mundo que costuma aparecer por aqui. Ter feito esse blog foi uma das coisas bacanas de 2004, porque me deu a chance de me espalhar pra lugares onde eu mesma, de corpo presente, não podia estar. Adorei ser lida de longe e conhecer outros blogs interessantes, acredito mesmo nessa mídia como forma de propaganda e de interação.

Muito bom 2005 pra todo mundo!

13.12.04

a woman is a woman

Concluindo minha correspondência com a Helô, o resultado final da tradução dos meus dois poemas que vão entrar na exposição Imagining Ourselves. Ela aliás me deu uma notícia que me deixou mais feliz ainda: as duas brasileiras selecionadas somos e eu e... Leiam aí embaixo!


Maria,

mais uma - e os dois poemas completos para vc ver como ficaram.


No "Uma mulher..."

Uma mulher pode ser um jeito

A woman can be a skill - - skill me parece muito técnico, vc tem um skill para um trabalho
A woman can be a
knack -- knack tem mais jinga, significa "a clever expedient or way of doing something", não fica melhor ???

Poemas finalizados, aliás não sei se sabe disso, mas as selecionadas foram vc, com o Pau Mole e Uma Mulher..., e a Marisa Monte, com Profeta Gentileza.

Os poemas:

Maria Rezende/Brazil/Adoro pau mole (I Love a Soft Dick) and Uma mulher é uma mulher ainda que (A Woman is a Woman Although)


Copy edited English version

(Adoro pau mole)

I love a soft dick
Just like that.
I do not drink mate
tea
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick.

I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility.

I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I cherish and always want.

Because it is the icon of post-sex ,
(that is in essence and automatically
­-even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well.

A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear .

And it is inside of it,
in all its wobbly softness
of modeling clay,
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.


Copy edited English version

(A Woman is a Woman Although)

A woman is a woman although.
Words and shapes do not comprise the content.
A woman can be a knack
A rib or a defect.
A woman overflows the edges
Measures up
Eases the dissonance
She joggles and jingles.
A woman can be a scream
A belly
A precipice.
A woman can be an abyss or a haven.
And she can be both
And she is.


8.12.04

soft dick

Dentro dos prazeres do ano quase por terminar, misturado com casa nova, trabalhos, granas e afins, vai entrar a tradução do meu poema do pau mole pro inglês. Tudo por causa da história do International Museum of Women de São Francisco, que me selecionou pra uma exposição com mulheres do mundo inteiro.

Recebi hoje um email de uma tradutora chamada Heloisa Kinder, que está fazendo a revisão do poema e, super atenta, me escreveu pra pedir aprovação e sugestões. Adorei esse processo, estou adorando, e acho bacana compartilhar porque é muito rica essa troca de uma língua pra outra, tantas possibilidades, como fazer as brincadeiras funcionarem com outras palavras, genial. Aí embaixo está o email da Heloisa pra vocês acompanharem.


Olá Maria,

Que bom estarmos de acordo com os ajustes na tradução.
Você tem razão, "that lives the..." está mais próximo ao texto que a tradução inicial.

Agora que começamos este exchange, vou te mostrar todo o poema e as mudanças que sugeri.

Eis o poema como veio a mim --

I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick

I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility

I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I appreciate and always want

Because it is the icon of post-sex
that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
also always pre-sex

A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear

And it is inside of it
in all its brazen softness
of a modeling mass
where lives the firm and strong dick
with which my man takes me.


--- ---

Eis a versão em que estou trabalhando:


I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate tea*
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick

I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility

I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I
cherish** and always want

Because it is the icon of post-sex

that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well***


A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear

And it is inside of it
in all its wobbly softness

of modeling clay****
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.

*precisa ser mate tea ou tea, pq mate sozinho significa pessoa. O chá mate até existe, mas acabou de ser introduzido no mercado, acho que as pessoas não vão fazer alusão ao que vc se refere. Por outro lado cria uma rima Tea and ET, meio estranho????? Se não te incomoda podemos fazer isso. Ou vc tem outra ideia?

** appreciate tinha sido usada, todo mundo appreciate tudo aqui na América, mesmo quando a premissa do que é appreciated não é verdadeira - cherish traz a apreciação mais perto do coração...além de ter mais musicalidade.

***não gosto de also e always juntos. O as well no final adiciona outra condição.

****Ao meu ver, o poema em português compara o pau mole à coisas simples, como a massa de modelar. Na tradução, o uso de modeling mass tira tal impressão, já que não é esse o nome de tal material em ingles. O "brazen sofness/of a modeling mass" não está incorreto, mas para mim, ele mexe na descontração de sua poesia. Me diz o que acha e sigo o seu sinal.

Pode colocar isso no blog sim! Vale a pena compartilhar esse processo com certeza.

Queria ver o seu livro. Posso comprar de vc?

Beijos

Heloisa

15.11.04

Cabrália


Esse é um gostinho do litoral norte de Porto Seguro. Depois de Cabrália tem uma balsa escandalosa, e lugares desertos e lindos de morrer que me deram uma semana da melhor qualidade de descanso que se pode ter. Vão, eu recomendo. Para dicas é só me escrever.

7.11.04

descanso

São 01:41 da manhã de sábado pra domingo, e daqui a 3 horas estarei no Galeão com o meu namorado lindo e falante pra uma semana de férias antecipadas em Porto Seguro. Merecemos muito esse refresco e espero que sejam dias calmos e animados, se é que vocês me entendem. Na volta, casa nova, vida nova, e mais trabalheira doida de moça que agora tem um aluguel pra pagar. Hoje fui na casinha e ela é mesmo um sonho, toda lindinha, toda com jeito de gente feliz dentro. Vai ser uma delícia voltar pra começar a encher ela de mim! Até!

4.11.04

minha casa


Pois essa é sala da minha casa nova, só que enquanto ela ainda é a sala do Seu Armando, dono dela e do resto do apartamento.

Foi assim: eu estava andando em Botafogo, vi um predinho lindo e pensei "podia ser feliz aí". O porteiro estava na porta, uma cara simpática, perguntei, não tinha nada pra alugar, claro, continuei andando. Lá na frente escuto um psiu, era ele me chamando. Que o Seu Armando, do 103, ia se mudar. Que o apartamento era lindo, muito caprichoso o seu Armando, e que ele mesmo, seu Jorge, tinha colocado o piso, e por aí ia...

Pois eu entrei, e seu Armando é um senhor adorável, e o apartamento dele parece uma casa linda com varanda e banheira, e ele gostou de mim e me esperou, e eu hoje assinei o contrato, meu primeiro contrato de casa, e vou então agora ter a minha própria casa, ainda não a casa própria mas a minha casinha só minha...

Espero então as visitas de todos pra suprir a minha carência de pessoa criada em casa cheia e alegre, pra fazer da minha casa tão alegre quanto essa da qual eu venho!

21.10.04

esse?

Deita, amor, na minha harmonia
Rola mexe vira e me ensina a ser gente inteira
Gente com todas as partes
Tudo certo no lugar
Me ajuda a achar o erro e me ajuda a consertar

Deixa eu ser sua parceira
Sua mulher de verso e prosa
Sua rima
Sua rosa
Seu mistério indevassável
Deixa eu sambar na sua voz
E gritar no seu prazer

Quero ser sua mulher-filme
Mulher toda feita pra ver
E quero ser de verdade
Passar roupa pra você
Parir cada um dos seus filhos
Chupetas poemas canções
Te amar nas noites de medo
E na febre das manhãs

Me olha com seu desejo
Eu visto a sua fantasia
Mas olha sem querer nada
Olho limpo de enxergar

Quem eu sou já vale a pena
Vida é sempre melhor que poema
E a minha versão carne e osso
Bate de longe o cinema do seu sonho

A música que eu posso ser
Só você sabe cantar
E a melhor das minhas palavras
Não vale o calor da sua nuca

(a harmonia que conta é a que não se pode tocar)

8.10.04

fluxo

O temor tem morte dentro
É ele que paralisa

tudo impávido colosso
tudo cabide no armário
tudo certo tudo morno
chão de bolas de cristal

Lá fora um sofá puído
esse desejo rouco
uma história moribunda
a beleza oficial.
E no corpo já sem fogueira brilha o fosfóro azul do amor mais confortável.

O temor enforca os dias
meses anos de desertos.
Tudo urge e tudo cala
e o mundo cabe na mala que eu morro de medo de te entregar.

1.10.04

como Manoel de Barros

Pedro, 8 anos, meu primo mais fofo e figura rara, resolveu fazer anotações sobre um dia na sua vida. O resultado foi um quase poema à la Manoel de Barros, que eu reporto aqui com todos os equívocos ortográficos que só fazem ele ficar mais genial.

Meu dia

Loja ao contralho, vento bom, marimbondo perto, cachorro.
Bala rasgada, dei lápis, água nogenta, nenem chega, sapato da sandy.
Vi camera, que fedor, minina abriu quecho.
Cade a mulher doida, pedra pichada, garota dorme, garoto chega.
Briga na hiscola, broca da professora, não bebi agua.

Saida

Saindo todo mundo
Meu amigo vai comigo.

15.9.04

Internacional


Então no final do ano passado eu recebi um email avisando sobre um projeto chamado Imagining Ourselves organizado pelo Museu Internacional da Mulher, em São Francisco, nos Estados Unidos. Eles estavam à procura de mulheres artistas do mundo inteiro com trabalhos em qualquer área - poesia, música, artes plásticas, fotografia - para participar de uma exposição organizada por eles. Bem simples... Eu escolhi dez poemas, mandei por email, fiquei pensando naquilo por um tempo e depois (manobra inteligente da minha sanidade mental) abstraí.

Pois esses dias me chega um email deles avisando que eu fui selecionada! "Dear Mrs. Rezende, you are one of the finalists..." blablabla! Depois descobri que o museu ainda está em pré-construção, ou seja, ainda vai começar a ser construído, e a exposição vai ser virtual e acompanhada de um livro de arte com as obras das finalistas.

Então tá: minha poesia vai estar num livro, no meio do trabalho de mulheres do mundo inteiro, circulando por aí. Achei o supra sumo da chiquice, e aproveito esse canto que é meu pra espalhar! Agora, tudo isso deve ser só em outubro de 2005, ou seja, estou me preparando pra abstrair de novo até lá...

3.9.04

Aplauso


Sonho realizado: noite do Te vejo na Laura lo-ta-da, fila na porta, gente no balcão, gente pelo chão, e eu nunca tinha falado pra tanta gente - pelo menos não pra gente tão animada e aplaudinte.

Foi uma delícia ser ouvida assim, falar assim, uma puta experiência diferente e deliciosa, coroando um dia de muito nervoso e ansiedade. No blog do Te vejo tem mais fotos da noite, e vale a pena dar um pulo lá pra ver a Ana Carolina, o Marcelo Serrado e meu parceiro e amado, Rodrigo Bittencourt...