"Carne do umbigo", "Bendita palavra" e "Substantivo feminino" são a versao impressa e bem acabada do que rola aqui. Quer me ter na sua mão em forma de livro e disco? Me escreve aqui!
22.8.05
"fala um poema pra titia, minha filha"
Quando comecei a dizer versos em público a coisa começou a mudar. Fui ficando mais exigente com as platéias, querendo mais quantidade e mais qualidade, além de uns refletores e um microfone pra completar. Mas principalmente fui ficando cansada de dizer poemas, vendo eles um pouco mais como trabalho e eu detesto trabalhar nas horas de descanso!
Mas nesse sábado foi diferente (e eu posso dizer sem medo porque a mãe e a avó não passeiam por aqui). Era uma festa vespertina de aniversário, e era festa da Regina Zappa, que além de jornalista e minha ex-chefe é, pra meu orgulho e prazer, também minha amiga. Tudo corria normalmente, até que lá pelas tantas a Regina pede: "Maria, fala uns poemas pra gente?". Ó céus! Eu tinha trabalhado o dia todo, estava exausta e desinspirada, mas pedido de aniversariante a gente não nega, né? Então fui, fiquei de pé no meio da sala, as pessoas foram ficando quieta e eu desencavando a exibida que mora em mim, e lá foram indo os poemas, um, dois, quatro, cinco poemas, e no final eu já estava animada, inspirada, exibida e feliz da vida!
Só depois me dei conta de que a platéia era das melhores, escritores, jornalistas, gente interessante e pra minha surpresa muito interessada, todos querendo livros e querendo saber mais da minha poesia e de mim. Foi um privilégio ouvir o Eric Nepomuceno elogiando o encadeamento de palavras de um dos versos, e o Alcione Araújo entusiasmado com a minha voz de mulher contemporânea, além do Jojoi, filho de 16 anos da Regina, com os olhos atentos me ouvindo falar.
A exibida aqui teve uma tarde deliciosa e muito da proveitosa, e agora vou até dar uma colher de chá pra mãe e pra avó na próxima "ah, minha filha, um versinho só pra Alcinda, fala?".
11.8.05
americalatinizada
Quando estive na Argentina ano passado pedi pra um amigo de lá me indicar os poetas que ele curtia, os mais representativos da poesia contemporânea deles. Comprei uma pilha de livros lindos, super bem editados, e confesso que sofri um pouco ao descobrir que ler poesia em espanhol não é tão simples quanto pedir uma comida ou bater papo com o motorista de taxi. O resumo da ópera é que eu não consegui ler nenhum.
Esse ano voltei lá e comprei um livro de contos, e pra minha surpresa a leitura fluiu leve, e na volta resolvi tentar de novo os poetas, e dessa vez deu certo!
Então compartilho o meu pouco conhecimento de literatura argentina, com uns versos da Alexandra Pizarnik, uma poeta super conceituada lá que morreu super jovem e me parece ser uma espécie de Ana Cristina Cesar deles. É poesia forte, até pesada, nada do estereótipo "escrita de mulher". A tradução, super livre, é minha mesmo.
O medo
No eco das minhas mortes
ainda há medo.
Você sabe do medo?
Sei do medo quando digo meu nome.
É o medo,
o medo de guarda-chuva preto
escondendo ratas no meu sangue,
ou o medo com lábios mortos
bebendo meus desejos.
Sim. No eco das minhas mortes
ainda há medo.
A carência
Eu não sei de pássaros,
não conheço a história do fogo.
Mas acho que a minha solidão devia ter asas.
19.7.05
no papel e aqui
Eu estou lá com dois poemas inéditos, e fico feliz porque estou tão lenta na produção do meu segundo livro mas esse ano é a segunda vez que tenho poemas publicados em antologias bacanas, então minha poesia nova está andando não só na minha voz mas também no papel por aí.
O Rodrigo Bittencourt, meu namorado, parceiro de projetos e artista multi, estréia no papel nessa antologia, apesar de ter dois livros de poemas e dois romances já prontos! Mas ver os poemas impressos, preto no branco, com capa e tudo mais, foi a primeira vez e foi gostoso!
Enfim, foi um lançamento bacana, com recitais e tudo mais a que se tem direito, e agora o livro está na praça, pra quem gosta de poesia é um passeio interessante.
Aproveito pra deixar um dos poemas que sairam lá, que eu sei que ando negligenciando a postagem de poemas aqui...
Medo que nunca se soube
E o calor seco no escuro
Socando o peito aos pouquinhos
Soluços a escorregar
Noite vira dia
Cama inunda a casa
Sol morena o corpo
E o medo segue a rondar
O medo e seus precipícios
O medo e seus edifícios
Torres pontes muros altos
O mundo a desmoronar
O amor beija o medo nos olhos
Põe no colo, nina, cuida
E o medo se vira em quase
Mão dada abraço carinho
O medo quase certeza
Quase não medo, quase amor
O amor sussurra as palavras
O medo – ostra – as engole
O amor aquieta os sentidos
E o medo a envenenar
Com sua espada de fogo
Com sua lança afiada
Sua língua de serpente
O osso duro dos dentes
É uma espécie de velhice
É divisor incomum
Ameaça, dedo em riste
É dois virado em um
É tudo que nega, afasta
Medo senhor do universo
É anti-felicidade
Porta fechada, deserto.
29.6.05
portunhol
Buenos Aires é uma delícia, e anda barato pra gente com esse dólar subitamente mais baixo. Você anda de táxi daqui a China por 15 pesos, almoça deliciosamente por mais 15, vê os grandes pintores da Europa no Museu de Belas Artes e vê os latino-americanos (os conhecidos e os ainda não) no MALBA... De quebra sente um frio que no Rio não tem nem cheiro, e se pergunta onde está a crise argentina, onde está a pobreza e a miséria, porque não se vê um mendigo na rua, lixo nenhum, nada de susto nem de andar olhando pros lados. Pra não dizer que parece a Suíça, tem umas poucas crianças pedindo moedas e, pasmem, uns meninos jogando bolinha no sinal das grandes avenidas. Isso me deixou boba: será que começou lá ou aqui? Será que alguém importou a coisa? Ou meninos pobres de lá e de cá pensaram nisso ao mesmo tempo?! Muito doido...
Mas foi uma semana incrível, linda e deliciosa. Ficamos num albergue muito simpático, Casa Esmeralda, Honduras com Bonpland (lá os endereços funcionam sempre com cruzamentos, e os taxis te deixam na esquina, e não na porta do lugar, muito engraçado!). Nos instalamos num quartinho modestíssimo que serviu pra aprender que quando se está feliz quarto mínimo vira aconchegante e pouca grana vira barato, aprendendo a comer com 10 pesos e andando a pé pra todo lado, namorando o namorado três anos depois como se fosse o terceiro mês, a felicidade passeando com a gente pelos lugares. Eu recomendo, estimulo e dou dicas, quem quiser é só pedir!
13.6.05
das coisas difíceis
Outras coisas são mais difíceis: ficar doente uma semana antes da viagem planejada e marcada, ver que não vai passar assim tão rápido, ter que adiar, lidar com as frustrações. Buenos Aires era ontem, e agora é quarta-feira, mas talvez nem aí seja. Ando sentindo coisas novas e doídas, dor nas costas, na bunda, estranhamentos vários. Primeira vez que estou doente e desconfortável desde que vim morar sozinha e é uma novidade difícil essa, tem sido bem dificilzinha...
Hoje estou bem melhor, tive visita de amiga querida e um papo na rede ajuda a cabeça a ajudar o corpo a melhorar. Estou tentando ser adulta do meu jeito, me cuidar e pedir ajuda na medida em que preciso, e adianta de um jeito tão lento que parece que nem vai adiantar.
Uma semana em casa e nenhum poema e nenhum verso e nada lido nem visto valha a pena, corpo e cabeça pedindo arrego! Ontem comecei um bom livro, que vai me ajudar na sanidade mental e ela vai ajudar a sanidade do resto, e se tudo correr bem em breve estarei toda boa.
E desculpem o desabafo, ainda mais depois de tanto sumiço, mas fazer o quê? Aqui atrás dessas palavras mora uma gente bem gente e esses dias não têm sido dos mais fáceis...
9.5.05
as próximas
De todo modo insisto (mas não mais de casa, que os raios caem sim várias vezes no mesmo lugar). Então venho dar notícias boas: nessa quinta começa a Bienal, e eu vou estar lá duas vezes. Tinha me prometido não ir mais a Bienais, onde se anda muito, se gasta muito, muita transpiração e pouca inspiração, eu achava. Mas sendo convidada a coisa muda muito de figura, não é, e eu achei chiquérrimo e disse sim, sim, duas vezes sim!
Acontece que esse ano estréia um espaço novo na Bienal chamado Jirau de Poesia, onde o poeta e jornalista Claufe Rodrigues vai entrevistar todo dia 4 ou 5 poetas de linhas e gerações diferentes, e em seguida rolam várias rodadas de poesia dita. No dia 18 às 18h estaremos lá eu, Elisa Lucinda, Mano Melo, Bartolomeu de Campos Queiroz e Alcir Pimenta. O Jirau acontece no Espaço Waly Salomão, que fica no Pavilhão Vermelho, e quem não tiver a preguiça que eu tinha apareça que o negócio promete ser bom! Depois vai ter venda de livros e eu espero me livrar de mais uns bons exemplares do substantivo feminino, que aliás caminha a passos largos pra esgotar...
O segundo sim veio pra um amigo, o Janderson, que escreveu um livro chamado Angústias de um gay urbano e vai lança-lo no dia 22 lá na Bienal. Ele me chamou pra dizer uns poemas pra animar a tarde de autógrafos dele, então no domingo, último dia de Bienal, estaremos lá às 16h, ele autografando e eu falando, no estande da OR Editor, no Pavilhão Vermelho, estande 89.
E essas são as próximas atrações - por enquanto, que a vida anda cheia de surpresas... Uma boa foi descobrir que o Eduardo Graça, jornalista com o melhor texto que eu conheço e amigo mais do que querido, recomendou esse blog e eu todinha no site da ABI, Associação Brasileira de Imprensa (entrar em Revista ABI e lá na sessão Jornalistas Recomendam). Eu adorei ser recomendada e sem nenhum medo de parecer que é puro revide recomendo ele: o Edu tem um blog ótimo com textos escritos diretamente de NY, o olhar afiado de um brasileiro sobre os últimos acontecimentos de lá e de cá.
E com isso me despeço!
26.4.05
Santa Cultura
Nessa quinta, dia 28 de abril, vai rolar mais uma edição do Santa Cultura, projeto que eu e Rodrigo fazemos no Santa Marta unindo artistas de lá com outros de fora da comunidade. Nessa quinta tem Paulinho Moska e um grupo instrumental de lá, Esboçando a Bossa, além do primeiríssimo curta do meu pai, Sergio Rezende, chamado Pra não dizer que não competi. Vai ser no teatro do IBAM, no Humaitá, às 19h30, e a entrada é franca, portanto cheguem cedo!
Beijos e queijos!
9.4.05
formiguinha
Agora foi um convite pra falar meus poemas na Bienal. Recebi o telefonema, fiquei toda boba e pensei: de onde essa pessoa me conhece, gente? Pois era de uma homenagem à Elisa Lucinda na qual eu fui dizer poemas, e a moça que organiza o Jirau de poesia da Bienal me viu e pimba: convite!
Resumindo: trabalho de formiguinha funciona. E eu a-d-o-r-o isso!
1.3.05
inéditos
No meio da felicidade me animei a rever meus poemas pra começar a pensar num segundo livro, e fiquei surpresa de ver que apesar da minha descrença na minha recente produção tenho alguns poemas bem bons, e isso me fez escrever outros, e acho que finalmente a meta número um do ano - escrever, escrever, escrever mais - está começando a acontecer!
E como há muito tempo eu não posto poemas, aí vai um dos que saíram na Poesia Sempre.
****
No meio dos meus peitos mora o filho que eu vou ter.
O buraco que tem lá foi feito por ele em mim muito antes de chegar.
Desse buraco eu nasci.
Quando ele aparecer pra mulher que eu me tornei
é nesse buraco antigo,
bem no meio dos meus peitos,
que ele vai se encaixar.
Esse filho que vai vir faz meus dentes mais macios e ilumina o meu olhar.
Lá no fundo do buraco,
ocupando aquele espaço,
estão minhas dádivas mais raras:
as doçuras que eu cultivo,
minhas melhores palavras,
esperança armazenada esperando ele chegar.
O dia em que ele vier ocupar minha barriga
é nesse sonho vivido que ele vai se aconchegar,
até que meus peitos inchados jorrem no seu corpo novo
todo o leite abençoado que vai nos alimentar.
Desse instante eu vou viver.
21.2.05
Biblioteca Nacional
Então o lançamento é no Espaço Eliseu Visconti da Biblioteca Nacional, no dia 23 de fevereiro, às 18h30. Eu vou estar lá, com um livro embaixo do braço pra tentar dar pro Augusto, apesar de achar que a minha poesia não é bem a praia dele, mas apesar do medinho vale a pena tentar! E assim, a passos lentos, as coisas andam...
18.2.05
no mercado
Muito diferente da "Cristina", por exemplo, que passou por aqui e me deixou uma mensagem nada simpática nos comments do post abaixo. Não gostei da crítica porque ela é raivosa mas principalmente porque é anônima, não tem email de contato, nem site, nem nada, então pra mim chega fraca, com cheiro de coisa mal curada. Não sei se Cristina existe, se chama Cristina, sei que sabe de mim porque cita meus pais, de quem acho que nunca falei aqui. Eles trabalham com cinema, daí sua suposta "influência". E já que falo deles, digo mais: na área dos dois, eles não são "influentes" não: são influentes mesmo, sem aspas e com o orgulho de 25 anos de trabalho e muitos filmes nas costas. Na minha vida, são influentes demais também, porque me educaram com amor e muita ética, influência fundamental, eu diria.
Acho um pouco bobo ficar respondendo crítica aqui, mas é que essa coisa me fez pensar em como é engraçada a vida. Eu doida pra fazer a minha vida andar bacana, trabalhando feito louca em mil e um projetos, tentando cuidar de ser independente e poeta e mulher bonita e amorosa e saudável e pagar as contas e tantas coisas, e alguém acha que eu estou com o pé fora do chão, me sentindo uma estrela! Eu que não subo num palco há mais de dois meses, e me penitencio pensando que as pessoas vão esquecer que eu existo e ainda tenho tantos livros pra vender, sou surpreendida pela confirmação do contrário, pois se "Cristina" ainda se lembra e pára aqui pra me criticar, é sinal de que estou no mercado. É, até que valeu a pena essa crítica...
20.1.05
leitores!
Mas então o blog agora tem leitores que deixam recados, e os recados estão ficando animados: antes era sempre gente elogiando, amigos ou desconhecidos dando uma força. Agora não: gente sugerindo que eu me suicide, outros querendo começar um romance pra logo depois desancar comigo feito moços grossos em boate (linda, maravilhosa, vem cá - daí você nega - horrorosa, baranga, vadia...). Estou adorando, e feliz demais de saber que tem gente me achando nesses caminhos tortuosos da internet!
E aproveito pra comentar o comentário sugerindo que liberdade mesmo só se suicidando. Ia discordar mas talvez seja mesmo verdade, e então concluo que não quero liberdade absoluta não: quero a liberdade de estar viva, porque a minha primeira e primordial escolha é essa, viver. E é só dentro disso que quero ser livre, e dentro disso espero conseguir, e obrigada pelos votos de boa sorte!
Mudando de assunto, tem poema meu num site super bacana feito por mineiros interessantes, o Patife. A Ana Elisa Ribeiro, uma poeta e agitadora de BH, organizou um especial chamado Harém, só com mulheres do Brasil inteiro, poesia e prosa da melhor qualidade, e eu estou lá entre elas! Vale a pena dar um pulo lá pra ler as moças e conhecer o trabalho desse pessoal que usa a internet com qualidade e novidade.
E espero mais comentários, tomates e flores, venham todos!
13.1.05
liberdade
Aí achei curioso entrar agora no blog e ver um comentário sobre esse post me perguntando se eu estou solteira. Porque eu não estou solteira, nem um pouco, e nem quero, nem um pouco. Continuo namorando e feliz, e dentre as mudanças desejadas não ser mais a namorada do Rodrigo está longe da lista. Gosto de namorar, de ser namorada, de ter namorado, de namoro, gosto de compromisso e de estabilidade, quero casar e ter filhos e ficar velhinha com ele do lado, ficar louca com ele e continuar louca por ele, quero quero quero e gosto.
E é engraçado como o desejo súbito e impetuoso de mais liberdade, de mais deriva, sempre parece pra quem está de fora um desejo de solteirice, como se as coisas fossem incompatíveis e não se pudesse ser livre e ser casal ao mesmo tempo. Pois pode, e quer saber? Deve! Porque senão qual é a graça?
ps: e já que falei nele aqui depois de tanto tempo, e já que acho ele o melhor compositor de todas as redondezas, aproveito pra espalhar: quem quiser conhecer o trabalho do moço passa aqui ó.
7.1.05
Agora
Porque é tempo de mudança e independência, e desejo de estar à deriva, e por isso parei ontem a terapia que já vinha comigo há quase três anos, e a falta de medo de andar sozinha tem me feito bem demais.
Agora quero estar mais solta, pintar as pontas do cabelo de rosa, andar a pé por botafogo e comer o que dá vontade na hora que dá fome na minha casa só minha, usar saias mais curtas e ir mais à praia, voltar a ver os amigos que eu andei negligenciando, e escrever mais, escrever mais, escrever muito mais, aqui, no papel, pra ser livro, pra ser desabafo, pra ser desejo azul em caderno pautado, em verso, em prosa, de madrugada ou à tarde, com música ou silêncio, no quarto, na sala, no escritório, na sala de tv, na cozinha, no banheiro, em qualquer das varandas ou na área de serviço, pela casa ou pela rua, escrever, escrever, escrever. E viver muito, pra ter assunto.
E assim começa 2005.
28.12.04
fim de ano, casa nova
Então agora, na casa dos pais (ex minha casa) aproveito pra deixar um beijo de fim de ano pra todo mundo que costuma aparecer por aqui. Ter feito esse blog foi uma das coisas bacanas de 2004, porque me deu a chance de me espalhar pra lugares onde eu mesma, de corpo presente, não podia estar. Adorei ser lida de longe e conhecer outros blogs interessantes, acredito mesmo nessa mídia como forma de propaganda e de interação.
Muito bom 2005 pra todo mundo!
13.12.04
a woman is a woman
Maria,
mais uma - e os dois poemas completos para vc ver como ficaram.
No "Uma mulher..."
Uma mulher pode ser um jeito
A woman can be a skill - - skill me parece muito técnico, vc tem um skill para um trabalho
A woman can be a knack -- knack tem mais jinga, significa "a clever expedient or way of doing something", não fica melhor ???
Poemas finalizados, aliás não sei se sabe disso, mas as selecionadas foram vc, com o Pau Mole e Uma Mulher..., e a Marisa Monte, com Profeta Gentileza.
Os poemas:
Maria Rezende/Brazil/Adoro pau mole (I Love a Soft Dick) and Uma mulher é uma mulher ainda que (A Woman is a Woman Although)
Copy edited English version
(Adoro pau mole)
I love a soft dick
Just like that.
I do not drink mate tea
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick.
I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility.
I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I cherish and always want.
Because it is the icon of post-sex ,
(that is in essence and automatically
-even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well.
A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear .
And it is inside of it,
in all its wobbly softness
of modeling clay,
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.
Copy edited English version
(A Woman is a Woman Although)
A woman is a woman although.
Words and shapes do not comprise the content.
A woman can be a knack
A rib or a defect.
A woman overflows the edges
Measures up
Eases the dissonance
She joggles and jingles.
A woman can be a scream
A belly
A precipice.
A woman can be an abyss or a haven.
And she can be both
And she is.
8.12.04
soft dick
Recebi hoje um email de uma tradutora chamada Heloisa Kinder, que está fazendo a revisão do poema e, super atenta, me escreveu pra pedir aprovação e sugestões. Adorei esse processo, estou adorando, e acho bacana compartilhar porque é muito rica essa troca de uma língua pra outra, tantas possibilidades, como fazer as brincadeiras funcionarem com outras palavras, genial. Aí embaixo está o email da Heloisa pra vocês acompanharem.
Olá Maria,
Que bom estarmos de acordo com os ajustes na tradução.
Você tem razão, "that lives the..." está mais próximo ao texto que a tradução inicial.
Agora que começamos este exchange, vou te mostrar todo o poema e as mudanças que sugeri.
Eis o poema como veio a mim --
I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick
I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility
I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I appreciate and always want
Because it is the icon of post-sex
that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
also always pre-sex
A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear
And it is inside of it
in all its brazen softness
of a modeling mass
where lives the firm and strong dick
with which my man takes me.
--- ---
Eis a versão em que estou trabalhando:
I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate tea*
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick
I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility
I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I cherish** and always want
Because it is the icon of post-sex
that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well***
A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear
And it is inside of it
in all its wobbly softness
of modeling clay****
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.
*precisa ser mate tea ou tea, pq mate sozinho significa pessoa. O chá mate até existe, mas acabou de ser introduzido no mercado, acho que as pessoas não vão fazer alusão ao que vc se refere. Por outro lado cria uma rima Tea and ET, meio estranho????? Se não te incomoda podemos fazer isso. Ou vc tem outra ideia?
** appreciate tinha sido usada, todo mundo appreciate tudo aqui na América, mesmo quando a premissa do que é appreciated não é verdadeira - cherish traz a apreciação mais perto do coração...além de ter mais musicalidade.
***não gosto de also e always juntos. O as well no final adiciona outra condição.
****Ao meu ver, o poema em português compara o pau mole à coisas simples, como a massa de modelar. Na tradução, o uso de modeling mass tira tal impressão, já que não é esse o nome de tal material em ingles. O "brazen sofness/of a modeling mass" não está incorreto, mas para mim, ele mexe na descontração de sua poesia. Me diz o que acha e sigo o seu sinal.
Pode colocar isso no blog sim! Vale a pena compartilhar esse processo com certeza.
Queria ver o seu livro. Posso comprar de vc?
Beijos
Heloisa
15.11.04
Cabrália
7.11.04
descanso
4.11.04
minha casa
Pois essa é sala da minha casa nova, só que enquanto ela ainda é a sala do Seu Armando, dono dela e do resto do apartamento.
Foi assim: eu estava andando em Botafogo, vi um predinho lindo e pensei "podia ser feliz aí". O porteiro estava na porta, uma cara simpática, perguntei, não tinha nada pra alugar, claro, continuei andando. Lá na frente escuto um psiu, era ele me chamando. Que o Seu Armando, do 103, ia se mudar. Que o apartamento era lindo, muito caprichoso o seu Armando, e que ele mesmo, seu Jorge, tinha colocado o piso, e por aí ia...
Pois eu entrei, e seu Armando é um senhor adorável, e o apartamento dele parece uma casa linda com varanda e banheira, e ele gostou de mim e me esperou, e eu hoje assinei o contrato, meu primeiro contrato de casa, e vou então agora ter a minha própria casa, ainda não a casa própria mas a minha casinha só minha...
Espero então as visitas de todos pra suprir a minha carência de pessoa criada em casa cheia e alegre, pra fazer da minha casa tão alegre quanto essa da qual eu venho!

