Uma das minhas prediletas é panqueca: adoro panqueca, e sim, dá bastante trabalho, mas é tão bom que sempre que tenho tempo me aventuro! E não é tão complicado, olha lá:
1 ovo + 1 gema + 1 xícara e 1/4 de leite + 1 xícara e 1/4 de farinha + 1 pitada de sal + 1 colher de chá de azeite - bate tudo no liquidificador, colocando primeiro os molhados. Um pouco de azeite na frigideira, uma concha de massa de cada vez até ficar dourada, e vai colocando as panquecas num prato. Na minha conta dá pra 10 ou 11 panquecas. Até aí mole, certo?
Depois vai ficar a critério do cozinheiro: se for preguiçoso, panqueca de carne moída com berinjela. Coloca duas berinjelas inteiras, sem nadinha, num tabuleiro no forno pra assar enquanto você faz a carne. Pica cebola e alho, refoga em um pouco de óleo ou azeite, daí mistura a carne moída pra cozinhar, temperos a gosto do freguês. Depois dela ficar marrom, coloca um pouco de tomate (tomate de verdade picado, ou tomate de lata sem muito caldo, ou se for muuuito preguiçoso mesmo pomarola, mas eu desrecomendo!). Quando isso estiver pronto a berinjela também deve estar. Tira do forno, vê se está macia, aí abre ela com um garfo e raspa todo o miolo, e joga fora a casca. Mistura isso na carne moída e pronto, é só enrolar e em meia hora você tem panquecas lindas de carne moída!
Se o cozinheiro for animado como eu, panquecas de frango com cenoura e milho. Daí é o mesmo processo da carne moída, mas com o frango (pode ser qualquer parte, peito pra quem é light, coxa pra quem gosta de sabor) em pedaços meio grandes pra poder desfiar depois. Sim, aí vem a ralação: depois de cozido, esperar amornar e desfiar o frango todo... Aí colocar ele de volta na panela, misturar cenoura ralada e milho (tem um de lata, jurema, que é docinho, uma coisa!) e voilá! Panquecas de frango divinas!
Pra ficar perfeito, em qualquer dos casos, colocar as panquecas numa travessa, um bom molho de tomate por cima, queijo ralado na hora, e forno por 15 minutos só pra gratinar. Eu adoro, fazer e comer. E foram elas que me renderam o elogio lá do começo, então seu poder está comprovado...
"Carne do umbigo", "Bendita palavra" e "Substantivo feminino" são a versao impressa e bem acabada do que rola aqui. Quer me ter na sua mão em forma de livro e disco? Me escreve aqui!
16.7.06
dona de casa
9.7.06
Me and you and everyone we know
Semana passada me aconteceu uma coisa rara e digna de nota: um filme me emocionou, me inspirou, me deu inveja e me deixou com sensações novas por dias seguidos. Me and you and everyone we know, título reduzido pra Eu, você e todo mundo no Brasil. Um filme lírico, poético sem ser chato, ousado sem ser vulgar, delicado como poucos filmes, livros, quadros. Daí a emoção, a inspiração e as sensações novas.
A inveja vem do fato de que o filme foi escrito, dirigido e estrelado por essa moça aí de cima, Miranda July, uma americana que passeia por várias formas de arte - faz performances, artes visuais, programas de rádio, escreve, e estréia agora no cinema com esse filme especial. Uma mulher como eu, só que vivendo mais pro Norte. Uma mulher começando a vida, agitando seus projetos, inventando modas, fazendo as suas coisas. Uma bela mulher construindo uma vida de artista sem frescuras, dando corda pras suas idéias. E essa foto dela editando em casa, numa ilha anda mais familiar do que a que eu tenho em casa, só reforça a minha inveja e me dá gás pra me manter firme, apesar dos medos que têm me rondado nesse começo de vida independente.
Miranda July e seu Eu, você e todo mundo - eu recomendo. Corram pro cinema!
2.7.06
pé frio
Já sendo eu agora mais uma entre os milhões de brasileiros que sabem exatamente o que deveria ter sido feito pra evitar a tragédia, digo sem sombra de dúvida: a culpa é toda do Parreira. Como bem disse o Renato Maurício Prado ontem no Sportv, ele tinha todas as estrelas na mão mas não as transformou em um time. E se os grandes talentos não davam liga juntos, culpa dele que os escalou. E o pior de tudo: um técnico que deixa pra mexer num time que está perdendo aos 35 do segundo tempo, só pode estar brincando.
Pela primeira vez levei a sério mesmo a teoria do Rodrigo de que Copa é sempre armada, um jogo de poder mais do que uma competição esportiva. Pensem bem: o Parreira desanimado, sentando no banco sem gritar nada, olhando pro relógio como quem pensa "quanto tempo falta pra essa coisa acabar?"; o time apático, como se já soubesse que não ia ganhar, que não podia ganhar; e pra coroar, Roberto Carlos ajeita a meia na hora em que Zidane cobra uma falta perigosa?! Ou é mutreta ou esses caras estão ganhando dinheiro demais pra se preocupar de verdade com o Brasil e com o que o futebol representa pro povo daqui.
Sei lá, tô de discurso amargurado e na verdade nem tô triste assim. Tô mais é espantada com tamanha desfaçatez...
30.6.06
primeira vez
Tá bom, reconheço, todo mundo provavelmente já viu essas fotos dos meninos da seleção em seus momentos de intimidade, exibicionismo do fisioterapeuta do Brasil que até o Globo já publicou. Mas eu sou estreante no amor pelo futebol, e confesso que nunca pensei que ele fosse chegar: tenho traumas das viagens de volta do sítio na infância ouvindo jogos do Botafogo no rádio do carro, nunca tive time, e sempre achei torcida a coisa mais próxima de uma tribo selvagem e irracional. Sorria quase envergonhada ao ver os homens da família torcendo com tanto afinco, e brigando quando perdiam, e tripudiando dos perdedores quando ganhavam.Pois essa Copa mudou minha visão do futebol. Todo mundo diz que os times nunca tiveram tão pouco brilho, que o futebol arte não deu as caras, mas eu fui conquistada! Nas últimas semanas aproveitei que estou trabalhando em casa pra ver partidas antes inimagináveis como Itália e Austrália, Espanha e França e a inacreditável Portugal e Holanda, durante a qual eu gritava feito os primitivos da minha infância, e xingava o juiz, os holandeses horrorosos e os portugueses que erravam passes. Ando expert em jogadas, entendo tudo sobre impedimento mesmo sem aula particular com o Parreira feito a Cora Rónai, e digo tudo que os comentaristas repetem meio minuto depois, o que me faz crer que no momento sou uma anta futebolística, mas com qualidade suficiente pra ir pra Europa ganhando perdim em euros.
Enfim, estou me divertindo como nunca imaginei, e já estou naquela situação metida de querer escolher milimetricamente o local onde vamos assistir aos jogos do Brasil, porque muita gente falando me desconcentra mas também sozinho em casa não tem emoção.
O futebol me pegou de jeito, e ando achando a Copa rápida demais: pois então já estamos indo pra semi-final, e semana que vem acaba a brincadeira? Logo agora que eu me contagiei? Passarei o próximos quatro anos torcendo pra próxima chegar logo, e espero que ela me encontre de casa nova, morando com meu namorado e com um filhote no colo. Afinal, quatro anos não são quatro dias e nada melhor pra passar o tempo do que sonhar e botar em prática a vida da gente.
22.5.06
Volta ao palco
Pra melhorar ainda mais a coisa, divido a noite com a Viviane Mosé, amiga querida e poeta que eu admiro demais. Estou super feliz e vou adorar ver todo mundo lá!
quatro noites de Artimanhas.
a poesia propriamente dita.
duas gerações de praguejadores.
duas constelações de autofalantes.
ESPAÇO SESC - COPACABANA
rua Domingos Ferreira, 160 - 2547 0156
DE 25 A 28 DE MAIO DE 2006 (5a a domingo)
ENTRADA FRANCA
25/05 (5a f.) - 20 hs = FAUSTO FAWCETT / BOTIKA
26/05 (6a f.)- 20 hs = ALEX HAMBURGER / DOMINGOS GUIMARAENS
27/05 (sáb.) - 20 hs = CHACAL/ OMAR SALOMÃO
*28/05 (dom.) - 19 hs = VIVIANE MOSÉ / MARIA REZENDE*
concepção e direção = chacal / produção executiva = gisah ribeiro.
*******************************
imagine se,
por algum estranho motivo,
a música parasse de tocar
*******************************
e fosse consumida apenas através de partituras.
o mundo ficaria mais triste.
***********************
foi isso que aconteceu com a poesia.
ela se afastou da fala, do corpo
e se confundiu com a escrita,
tornando-se monopólio
de um estreito círculo de iniciados.
mas isso está mudando.
isso está mudando.
(chacal)
*******************************
30.4.06
Joan Brossa
Joan Brossa é minha nova paixão, e estou atrasadíssima, porque o cara é um mestre da poesia na sua expressão mais ampla. Ele é catalão, nascido em 1919, e ao longo da vida fez poesia de todos os jeitos que se possa imaginar: com palavras, com imagens, com objetos, com instalações...
Eu o descobri numa exposição deslumbrante no MAM aqui do Rio, que fica em cartaz até 11 de junho, portanto não percam a chance de ver de perto o trabalho dele!

10.4.06
Poderes do pau mole
Mas pra melhorar a história, Carol Oliveira, minha amiga assessora de imprensa, conseguiu que o meu crédito fosse dado no JB de ontem, na coluna da Marcia Peltier, a mesma que publicou a primeira nota na sexta feira, então agora ficou perfeito: meu poema mais popular me levando pela mão com a ajuda querida da Ana e da Carol.
Obrigada, meninas!
Alcione reuniu amigos em festa para apresentar sua nova casa no Recreio, anteontem. Num recital comandado por Elisa Lucinda, Ana Carolina recitou um poema com o curioso título de P... mole. Ao fim, Elba Ramalho, Maria Bethânia, Antônio Pitanga e Benedita da Silva irromperam em gargalhadas.
É da autoria de Maria Rezende o hilariante poema P.. Mole, que tanto sucesso fez na festa da cantora Alcione. A moça, no entanto, inspira respeito: recebeu elogios de Manoel de Barros e José Saramago por sua arte e produziu durante três anos, na Laura Alvim, o evento multimídia Te vejo na Laura.
28.3.06
Imagining Ourselves Brasil
Mas enfim, tudo no fim deu mais do que certo: a noite foi maravilhosa, todas nós felizes pra xuxu, o vídeo ficou lindo (que se dane a modéstia!), e foi bom demais falar meus poemas ali, naquele clima. A parte musical foi sensacional: Bianca Gismonte e Claudia Castelo-Branco formam o Duo GisBranco, duas moças lindas tocando piano com o coração nas mãos e um sorriso no rosto, música da melhor qualidade! Depois Elisa Lucinda arrasando como sempre, surpresa pra quem não conhecia e prazer pra todos.
Valeu o cansaço. Vou tentar descobrir como postar vídeo, se conseguir coloco ele aqui pra todo mundo ver!
23.3.06

De volta ao Rio, estamos correndo com os preparativos pra essa noite brasileira do Imagining Ourselves. Segunda-feira, 27 de março, Armazém Digital do Leblon, dentro do Rio Desging Center, a partir das 20h. Nós, algumas das brasileiras envolvidas com o projeto, e a presença sempre especial da Elisa Lucinda. Apareçam, apareçam, apareçam!
10.3.06
Imagining Ourselves ao vivo e a cores
Entao foi ontem a grande noite de Gala pro lancamento do Imagining Ourselves. Uma super exposicao de alguns dos trabalhos do livro, um computador dando uma previa da exposicao virtual, que acho que vai ser o maximo, bebidinhas, comidinhas, depois jantar e discursos mil. Na hora da festa esquentar, com uma banda de salsa animadissima, metade da festa foi pra casa! Mas nos, as latino-americanas (eu e Andrea Annunziatta, as brasileiras que viemos pra festa, mas mexicanas e que tais), nos unimos as meninas da equipe do museu (que tinham mais a comemorar do que qualquer pessoa, ja que estao trabalhando nisso ha 5 anos!) e dancamos ate acenderem a luz! O que nao quer dizer tanto, ja que americanamente tudo acabou antes de 23h30...
Mas fora a diversao foi uma noite poderosa de troca de experiencias, e conheci gente muito interessante: a Monica Gonzales, uma americana que se nacionalizou mexicana pra jogar futebol na selecao do Mexico; a Pireeni Sundaralingam, uma poeta do Sri Lanka casada com um violinista do Pais de Gales; a Mayerly Sanchez, uma menina colombiana de 22 anos que ha 10 ajudou a criar o Movimento das Criancas pela Paz, um movimento social poderoso que vem ajudando a mudar o cenario de violencia no pais, alem e claro da Andrea Annunziatta, artista plastica brasileira que mora em Miami com o marido e o filhinho de 17 meses, e que tem dois trabalhos lindos na antologia.
Bom, a festa chique passou, mas o projeto esta apenas comecando: ate julho esta no ar uma exposicao virtual com um tema diferente a cada mes, e aberta pra participacao de todo mundo. Nos, que ja estamos envolvidas com o projeto, temos agora a tarefa de espalhar o Imagining Ourselves pelo mundo, e como o meu mundinho e o Brasil e mais especificamente o Rio, no dia 27 de marco teremos uma versao brasileira do projeto no Armazem Digital do Leblon. Bom, mas isso ja e assunto pra um proximo post... Guardem a data!
5.3.06
san francisco

Agora e oficial (e sem acentos, no computer americanizado do meu irmao): cheguei em Sao Francisco quinta-feira, exausta de uma viagem de 23 horas (apesar do voo ser de 12 horas: chatices da Varig, cujo voo Rio-SF do Smiles passava pela Europa... Entao acabei vindo por LA, horas de esperas nos aeroportos do Rio, SP e LA!).
Mas a cidade e linda, a casa do Tiago muito gostosa, e fora a Gala chique que foi o motivo da viagem, tenho muito pra ver e fazer por aqui ate dia 15, quando chego de volta no Rio. Agora que ja me recuperei da viagem, vou dando noticias por aqui!
19.2.06
Imagining Ourselves

Aí está o livro, Imagining Ourselves, a coletânea de trabalhos de mulheres do mundo inteiro que tem um poema meu dentro! Semana passada ele chegou aqui em casa pelo correio, e além do prazer de me ver incluída num projeto tão bacana fiquei impressionada com a quantidade de trabalhos interessantes: fotografias, pinturas, poemas, trechos de romances, arte de tanta gente diferente que eu nunca teria como conhecer! O livro está à venda no site do International Museum of Women, e eu vou ver se trago alguns pra vender aqui quando voltar de São Francisco.
Por conta do Imagining Ourselves, eu e mais outras brasileiras que também foram selecionadas pro projeto estamos nos reunindo pra fazer uma noite feminina no Armazém Digital, no fim de março. Sabem que o Brasil é o país que tem mais mulheres selecionadas depois dos Estados Unidos? Muito chique, e temos que celebrar! Esperem notícias!
12.2.06
internacional

Agora é oficial: dia 8 de março a Maria aqui vai estar nessa festa aí em cima, a tal Gala do lançamento do Imagining Ourselves, o projeto do International Museum of Women que reúne trabalhos de mulheres do mundo inteiro. Meu poema "uma mulher é uma mulher" me garantiu uma vaga, e com o irmão morando lá com uma vaga sobrando na casa, e milhas generosamente doadas pelo pai, a oportunidade ficou imperdível! Então de 1 a 15 de março estarei de volta à Califórnia, e logo do lado de Berkeley, onde eu passei um semestre inesquecível em 2000 estudando literatura. Mais uma vez todos os fatores se juntam do melhor jeito na minha vida, e o pequeno esforço de mandar um poema por email vira toda essa história! Só posso chamar isso de sorte e agradecer, e agradeço, e aproveito!
27.1.06
prazer

A foto já diz tudo: Chico Cesar com meu livro na mão. Não tem preço. Essa foi a cereja do bolo de um fim-de-semana delicioso em São Paulo, eu e Rodrigo feito dois turistas andando pela cidade toda, Liberdade Bexiga Benedito Calixto VilaMadalena Paulista Augusta Ibirapuera, e tome metrô (ah, se o Rio tivesse um assim...). A viagem era de trabalho mas o trabalho era parte do prazer: entrevistar o Chico Cesar prum documentário que a gente tá fazendo juntos com poetas falando de poesia, arte e da vida em geral.
Enfim, dias ótimos, e no fim Chico Cesar com meu livro na mão. Ele aliás agora é poeta também por escrito, e "Cantáteis" é um livro lindo, versos misturando o melhor da urbanidade paulista à tradição nordestina que o Chico carrega. Recomendo vivamente, depois me contem.
3.1.06
2006
Então vamos lá: lembro que no fim-começo de 2004-2005 escrevi aqui coisas que desejava, e fico feliz de ter cumprido algumas delas, e animada pra cumprir nesse novo ano de só 3 dias ainda as que ficaram faltando. Pintei o cabelo de rosa, diminuí o comprimento das saias, saí mais sozinha, arrumei a minha casa. Mas não escreviescreviescrevi. Nem escreviescrevi. Na verdade escrevi bem pouco, menos do que eu gostaria e poderia. E cuidei bem pouco da minha vida literária.
O fim iminente de 2005 me deu gás pra correr com o que estava atrasado: antes do dia 31 revisei meu livro novo, comprei tinta pra impressora, imprimi e encadernei o bichinho, e revisei a cópia impressa. Também preparei um super release com fotos e matérias de jornal, além de um texto falando muito bem de mim e da minha poesia. Ufa! Resta pra 2006 registrar o livro na Biblioteca Nacional (e só então eu conto o título, tá? :) e achar uma editora que queira me publicar, essa sim uma tarefa árdua... Mas com meu super release e o catálogo da Primavera dos Livros que eu ganhei no ano passado, vai ser moleza: vou mandar emails pra me informar sobre a possibilidade de publicação já com o release em anexo, e aí quem sabe algumas delas dão uma olhada, se animam, e me chamam pra um papo?
Como de poesia não se vive (a não ser a Elisa Lucinda), o ano que começa tem ainda como meta a consolidação da minha função de editora de vídeo e afins. A meta é que quando ele termine a minha função se chame "montadora", o que quererá dizer que estou mais qualificada, mais competente e mais bem paga!
E como a vida não é só trabalho, os cabelos devem continuar a crescer, com as pontas douradas firmes e fortes, as saias vão se manter curtas, o corpo vai se manter em forma, e quero ir mais à praia e ver mais os meus amigos, e conhecer gente nova interessante, e ainda fazer uma puta viagem incrível, e continuar com o meu namorado lindo ao lado junto dentro, e inventar com ele jeitos novos de parceria que façam desse um ano ainda mais feliz.
22.12.05
cada um
Depois de amanhã é natal e cada vez sinto menos. Vamos lá: jesus nasceu, e eu - que não tenho nada com isso - tenho que comprar comprar comprar presentes pra todo mundo que eu conheço?! Não me convence... Mas (viva a sociedade de consumo), compro, e lá se vai meu rico dinheirinho em mais um dezembro...
14.12.05
tradução livre
12.12.05
Bosnia Herzegovina
First Morning in Exile
(Alexandra Djajic-Horvath)
The first morning in exile
It all happened very quickly:
Buying a place ticket
going to the airport
a charter that was late
a three-hour flight.
And then-
A passport officer
Confirms my identity
not exactly with goodwill and speed
(in my passport
Destroyed cities lurk
And he simply cannot
so early in the morning
on an empty stomach…)
His well-fed sleepy fingers
Hunt for me through the circuits
of the invisible powerful net
but my face does not appear-
I am still not on the list of those
who want to blow up the world
and after a long search
-resigned and tired
From the night shift
And last night’s beer-
he lets me slip into
his blessed world
of short espresso
short memory
and long sound sleep.
6.12.05
multi
Sou hoje uma mulher de várias facetas: continuo poeta, virei editora, dona-de-casa e até câmera. Essa foto é um registro da gravação do making of do Zuzu Angel, filme do Sergio Rezende (papai) que estréia no ano que vem. Passei dois meses de câmera e tripé debaixo do braço, andando por Rio e Juiz de Fora nessa nova ocupação. E agora começo a editar 42 fitas de material (exagerada, eu sou mesmo...) em meia hora de filme, pronta pra enlouquecer e pra morrer de prazer. Adoro variar mas a verdade é que estou adorando parar nessa vida, estar no cinema sem estar no cinema, ter o agito do set e a calma da minha ilha de edição em casa. E fazer uma comidinha nos intervalos, que ninguém é de ferro!
2.12.05


Esse pequeno aí em cima, miniatura de integrante de bateria, é o Thales Augusto. Com apenas 4 anos, ele é morador do Santa Marta, filho do mestre de bateria Sidmar Augusto. Criado no meio dos instrumentos, quando tinha dois anos o Thales começou a batucar num banquinho na sala de casa, e com o incentivo dos pais passou logop pro repique, que agora ele já toca que nem adulto. No dia 28 passado ele foi uma das atrações do Santa Cultura, projeto multimídia que a gente faz juntando artistas do Santa Marta e de fora de lá, e olha, foi um privilégio ver esse menino no palco! Além do que, quando o show acaba dá vontade de pegar ele no colo e levar pra casa...
24.11.05
na tv

Hoje o dia começou cedo, mais precisamente às 5h35 da manhã quando eu acordei, um perfeito zumbi de sono, e rumei pro Circo Voador. Mesmo o mais boêmio dos boêmios vai me achar uma louca, Circo Voador a essa hora de uma 5a feira, mas a razão não era boêmia: o Bom dia, Rio foi fazer uma entrevista sobre o Poesia Voa e queria alguém da organização e um poeta jovem. Como meus 27 ainda me dão o status de jovem, fui a escolhida.
Chegamos lá às 6h15, eu e Maria Juça, diretora do Circo, as duas doidas pra voltar pra casa e pra cama. Mas a verdade é que foi muito bom dizer poema ao vivo na tv (mesmo tendo que picotar meu poema querido sobre o risco por causa do fatídico pouco tempo), um luxo do qual uma poeta independente como eu não pode nunca abrir mão. Eu tinha certeza de que, a essa hora, ninguém que eu conheço poderia estar acordado, e se estivesse não iria estar vendo tv, mas o curioso é que não: já recebi três notícias de gente que assistiu, e fiquei em feliz com o convite.
Cheguei em casa às 7h30, fiz pilates e ia pra praia toda animada aproveitar a manhã mas o corpo pediu arrego e tive que dormir até meio-dia. Agora é rearrumar o dia...
23.11.05
Começa hoje o Poesia Voa, um evento sensacional que o Tavinho Paes, maior agitador da poesia carioca, está organizando no Circo Voador junto com o Bruno Cattoni e a Maria Juçá (com uma mão do Chacal). A idéia parece louca a princípio, um lugar enorme e com cara de rock como o Circo de repente cheio de poetas e amantes da palavra, mais voz e menos música, mas funciona, e a prova é que já aconteceu, como conta o começo do manifesto que eles fizeram:"Em 1985, a primeira edição do Festival colocou no sagrado palco do Circo Voador, os seguintes destaques: Fausto Fawcett :: Katia Flávia em versão integral :: Renato Russo :: recitando Faroeste Caboclo completo :: Antônio Cícero & Jorge Salomão :: lançando o Manifesto SuperNovas :: Márcia Peltier :: Cláudia Severiano Ribeiro :: Cazuza :: Paulo Leminski :: entre outros 118 participantes ... "
Ou seja: foram preciso 20 anos (20 anos! e parece que 1985 foi ontem...) pra aparecer outro cara disposto a colocar de pé esse projeto. E assim de hoje, quarta-feira, 23 de novembro, até domingo, dia 27, o Circo vai estar fervendo de palavras e poetas de todas as vertentes e escolas.
Eu e Rodrigo estaremos lá no sábado, dia 26, às 19h, ressucitando rapidamente o Te vejo na Laura, com a participação da Elisa Lucinda, dos alunos do Centro de Movimento Deborah Colker dançando poemas contemporâneos, da Fernanda Rowlands reeditando o show "Em dose dupla", mais um vídeo inspirador que eu e Rodrigo fizemos com o Ferreira Gullar chamado "Por acaso Gullar".
Vale a pena dar uma olhada na programação pra não perder nada, porque vão ser cinco dias de deixar saudades...
20.11.05
aniversário
27.10.05
sexta-feira
Nessa nova fase sem projeto próprio estou redescobrindo o prazer de ser convidada: alguém organiza tudo, trabalha o mês todo, e no dia eu vou lá e digo meus poemas, olha que delícia! É claro que só produzir traz o prazer de ver tudo dar certo como se planejou, mas agora está mais do que bom assim...
Sendo assim amanhã, sexta-feira, dia 28/outubro, estarei no Ateliê Performático da Patrícia Carvalho-Oliveira, essa poeta com jeito de pop star aí na foto, que tem um trabalho que eu admiro muito e uma forma de colocar a poesia no palco muito interessante. Vai ser na Urca, na Avenida Pasteur 450, em frente à UniRio, e eu estarei lá bem felizinha com os meus livros debaixo do braço! Apareçam!
26.10.05
Casa Namorado Corpo
Precisa estar tudo certo e bom pro que eu chamo "vida" estar certo e bom.
E tem horas que não funciona.
Quase sempre sim, mas tem horas que.
Demora mas dói.
Às vezes dá sorte e não dura, dói mas logo pára, e aí eu agradeço e durmo fundo, respirando sem esforço, só sendo devagar.
E o que eu chamo "vida" volta a acontecer.
20.10.05

Nesse sábado tem mais uma noite do "Em dose dupla", show do Rodrigo e da Fernanda. Eles são meus queridos, namorado e melhor amiga, e parceiros de Te vejo na Laura e outros projetos, e é a primeira vez que eu sou só platéia pra vê-los cantar. Adorei a experiência. Nessa fase de fim de Te vejo na Laura, o melhor que pode acontecer é cada um de nós ter seus próprios projetos, e ter os outros na platéia pra dar dicas com um olhar de fora que a gente nunca teve.
Pra ter o gostinho de estar no palco com eles, eu vou dar uma canja lá nesse sábado. Mas comigo ou "sem migo", recomendo o show, que mistura as composições lindas do meu namorado com músicas inusitadas de gente boa como Moska e gente nova como Alan Sommer. É no Espírito das Artes, sempre às 22h30, e custa só R$10,00. As últimas chances são nesse sábado, dia 22, e no próximo, dia 29. Apareçam!
28.9.05
atarefada
A maravilha de tudo (pelo menos pra alguém como eu, à cata de editora) é que eles fazem um catálogo genial com todas as editoras que estão participando. Esse ano foram 88, de todas as partes do Brasil, e lá é possível saber a linha editorial de cada uma, como entrar em contato, quem é o editor chefe, em suma, tudo que é preciso saber pra tentar ser publicado!
Assim sendo, não vou me estender muito aqui porque achei 13 possibilidades de editoras, e agora tenho que escrever pra cada uma delas, preparar o livro e mais um release bacana meu, enfim, arrumar um jeito de me promover pra que elas todas me disputem a tapa!
Vamos ver no que vai dar...
19.9.05
Eu quero uma editora!
Quero porque quero, que nem criança mimada, que nem menina pedindo presente pro pai.
Quero porque fiz meu primeiro livro sozinha e foi genial mas hoje, de casa "própria" e sem trabalho fixo, não posso investir assim as minhas economias.
Quero porque em dois anos a minha primeira edição de mil livros está quase esgotada mesmo sem editora, sem distribuição e sem assessoria de imprensa, e pro mercado de poesia o número é estimulante.
Porque tenho vendido o livro pra fora do Rio - Minas, São Paulo, Curitiba - mesmo ele não existindo em nenhuma dessas cidades (e viva a internet!), e quero que o meu livro esteja nas livrarias do Brasil, pra se espalhar independente de mim.
Aí pensei: se vendo tanto livro através do mariadapoesia, quem sabe alguém não me propõe uma editora também? São tantas as surpresas desse mundo... Arrisco!
12.9.05
Subitamente estou trabalhando como diretoracameramaneditoraeetc de um making of, tenho poemas suficientes pra um livro novo, tenho dois quadros novos na casa, um escritório lindo com uma ilha de edição, internet em alta velocidade, e ainda suspiro por um homem delicioso que, assim, de repente, eu já namoro há três anos.
Só uma das coisas novas é mudança ao invés de novidade - que novidade tem que ser boa e essa não é muito. Depois de três anos deliciosos de muita ralação e muito prazer, o Te vejo na Laura, meu projeto com o Rodrigo, vai morrer mês que vem. Meio de morte morrida, meio de morte matada. O prazer diminuiu, o retorno também, e a gente acha que é tempo de abrir espaço pra novos desafios: um show do Rodrigo com uma banda bacana, meu espetáculo de poesia, uma editora pro livro.
Enfim, é uma morte muito da anunciada porque a gente quer todo mundo lá pra festejar as alegrias desses anos: vai ser dia 3 de outubro, às 20h30, lá na Laura Alvim, que foi nossa casa esse tempo todo. Vamos ter vários dos artistas que passaram pelo nosso palco e contamos com o público fiel pra esse enterro sem lágrimas...
E como eu ando muito prosaica e pouco poética, fica um poema pra acabar:
Escrevo porque estou viva
Escrevo porque é preciso
Pra acordar, pra estar despida
Porque o mundo não é só isso que acontece aqui em cima
Escrevo porque não vivo
Escrevo porque preciso
Dessa droga, esse colírio
Escrevo pra pôr delírio
Em tudo que é preto-e-branco
Escrevo pra estar viva
Escrevo porque aqui minto
As belezas que não tenho
E as coragens que persigo
Escrevo porque assim finjo
Escrevo contra as burrices
Contra os medos que hoje sinto
Escrevo a favor do sonho
Escrevo pra estar livre.
Escrevo quando consigo.
ps: a poesia tem me dado prazeres surpreendentes essa semana: emails carinhosos, comentários bons, e agora uma nota virtual sobre o meu trabalho no blog "No front do Rio", do Cesar Tartaglia, no Globo Online. Passem pra lá pra ver que onda! http://oglobo.globo.com/online/blogs/frontdorio/default.asp
22.8.05
"fala um poema pra titia, minha filha"
Quando comecei a dizer versos em público a coisa começou a mudar. Fui ficando mais exigente com as platéias, querendo mais quantidade e mais qualidade, além de uns refletores e um microfone pra completar. Mas principalmente fui ficando cansada de dizer poemas, vendo eles um pouco mais como trabalho e eu detesto trabalhar nas horas de descanso!
Mas nesse sábado foi diferente (e eu posso dizer sem medo porque a mãe e a avó não passeiam por aqui). Era uma festa vespertina de aniversário, e era festa da Regina Zappa, que além de jornalista e minha ex-chefe é, pra meu orgulho e prazer, também minha amiga. Tudo corria normalmente, até que lá pelas tantas a Regina pede: "Maria, fala uns poemas pra gente?". Ó céus! Eu tinha trabalhado o dia todo, estava exausta e desinspirada, mas pedido de aniversariante a gente não nega, né? Então fui, fiquei de pé no meio da sala, as pessoas foram ficando quieta e eu desencavando a exibida que mora em mim, e lá foram indo os poemas, um, dois, quatro, cinco poemas, e no final eu já estava animada, inspirada, exibida e feliz da vida!
Só depois me dei conta de que a platéia era das melhores, escritores, jornalistas, gente interessante e pra minha surpresa muito interessada, todos querendo livros e querendo saber mais da minha poesia e de mim. Foi um privilégio ouvir o Eric Nepomuceno elogiando o encadeamento de palavras de um dos versos, e o Alcione Araújo entusiasmado com a minha voz de mulher contemporânea, além do Jojoi, filho de 16 anos da Regina, com os olhos atentos me ouvindo falar.
A exibida aqui teve uma tarde deliciosa e muito da proveitosa, e agora vou até dar uma colher de chá pra mãe e pra avó na próxima "ah, minha filha, um versinho só pra Alcinda, fala?".
11.8.05
americalatinizada
Quando estive na Argentina ano passado pedi pra um amigo de lá me indicar os poetas que ele curtia, os mais representativos da poesia contemporânea deles. Comprei uma pilha de livros lindos, super bem editados, e confesso que sofri um pouco ao descobrir que ler poesia em espanhol não é tão simples quanto pedir uma comida ou bater papo com o motorista de taxi. O resumo da ópera é que eu não consegui ler nenhum.
Esse ano voltei lá e comprei um livro de contos, e pra minha surpresa a leitura fluiu leve, e na volta resolvi tentar de novo os poetas, e dessa vez deu certo!
Então compartilho o meu pouco conhecimento de literatura argentina, com uns versos da Alexandra Pizarnik, uma poeta super conceituada lá que morreu super jovem e me parece ser uma espécie de Ana Cristina Cesar deles. É poesia forte, até pesada, nada do estereótipo "escrita de mulher". A tradução, super livre, é minha mesmo.
O medo
No eco das minhas mortes
ainda há medo.
Você sabe do medo?
Sei do medo quando digo meu nome.
É o medo,
o medo de guarda-chuva preto
escondendo ratas no meu sangue,
ou o medo com lábios mortos
bebendo meus desejos.
Sim. No eco das minhas mortes
ainda há medo.
A carência
Eu não sei de pássaros,
não conheço a história do fogo.
Mas acho que a minha solidão devia ter asas.
19.7.05
no papel e aqui
Eu estou lá com dois poemas inéditos, e fico feliz porque estou tão lenta na produção do meu segundo livro mas esse ano é a segunda vez que tenho poemas publicados em antologias bacanas, então minha poesia nova está andando não só na minha voz mas também no papel por aí.
O Rodrigo Bittencourt, meu namorado, parceiro de projetos e artista multi, estréia no papel nessa antologia, apesar de ter dois livros de poemas e dois romances já prontos! Mas ver os poemas impressos, preto no branco, com capa e tudo mais, foi a primeira vez e foi gostoso!
Enfim, foi um lançamento bacana, com recitais e tudo mais a que se tem direito, e agora o livro está na praça, pra quem gosta de poesia é um passeio interessante.
Aproveito pra deixar um dos poemas que sairam lá, que eu sei que ando negligenciando a postagem de poemas aqui...
Medo que nunca se soube
E o calor seco no escuro
Socando o peito aos pouquinhos
Soluços a escorregar
Noite vira dia
Cama inunda a casa
Sol morena o corpo
E o medo segue a rondar
O medo e seus precipícios
O medo e seus edifícios
Torres pontes muros altos
O mundo a desmoronar
O amor beija o medo nos olhos
Põe no colo, nina, cuida
E o medo se vira em quase
Mão dada abraço carinho
O medo quase certeza
Quase não medo, quase amor
O amor sussurra as palavras
O medo – ostra – as engole
O amor aquieta os sentidos
E o medo a envenenar
Com sua espada de fogo
Com sua lança afiada
Sua língua de serpente
O osso duro dos dentes
É uma espécie de velhice
É divisor incomum
Ameaça, dedo em riste
É dois virado em um
É tudo que nega, afasta
Medo senhor do universo
É anti-felicidade
Porta fechada, deserto.
29.6.05
portunhol
Buenos Aires é uma delícia, e anda barato pra gente com esse dólar subitamente mais baixo. Você anda de táxi daqui a China por 15 pesos, almoça deliciosamente por mais 15, vê os grandes pintores da Europa no Museu de Belas Artes e vê os latino-americanos (os conhecidos e os ainda não) no MALBA... De quebra sente um frio que no Rio não tem nem cheiro, e se pergunta onde está a crise argentina, onde está a pobreza e a miséria, porque não se vê um mendigo na rua, lixo nenhum, nada de susto nem de andar olhando pros lados. Pra não dizer que parece a Suíça, tem umas poucas crianças pedindo moedas e, pasmem, uns meninos jogando bolinha no sinal das grandes avenidas. Isso me deixou boba: será que começou lá ou aqui? Será que alguém importou a coisa? Ou meninos pobres de lá e de cá pensaram nisso ao mesmo tempo?! Muito doido...
Mas foi uma semana incrível, linda e deliciosa. Ficamos num albergue muito simpático, Casa Esmeralda, Honduras com Bonpland (lá os endereços funcionam sempre com cruzamentos, e os taxis te deixam na esquina, e não na porta do lugar, muito engraçado!). Nos instalamos num quartinho modestíssimo que serviu pra aprender que quando se está feliz quarto mínimo vira aconchegante e pouca grana vira barato, aprendendo a comer com 10 pesos e andando a pé pra todo lado, namorando o namorado três anos depois como se fosse o terceiro mês, a felicidade passeando com a gente pelos lugares. Eu recomendo, estimulo e dou dicas, quem quiser é só pedir!
13.6.05
das coisas difíceis
Outras coisas são mais difíceis: ficar doente uma semana antes da viagem planejada e marcada, ver que não vai passar assim tão rápido, ter que adiar, lidar com as frustrações. Buenos Aires era ontem, e agora é quarta-feira, mas talvez nem aí seja. Ando sentindo coisas novas e doídas, dor nas costas, na bunda, estranhamentos vários. Primeira vez que estou doente e desconfortável desde que vim morar sozinha e é uma novidade difícil essa, tem sido bem dificilzinha...
Hoje estou bem melhor, tive visita de amiga querida e um papo na rede ajuda a cabeça a ajudar o corpo a melhorar. Estou tentando ser adulta do meu jeito, me cuidar e pedir ajuda na medida em que preciso, e adianta de um jeito tão lento que parece que nem vai adiantar.
Uma semana em casa e nenhum poema e nenhum verso e nada lido nem visto valha a pena, corpo e cabeça pedindo arrego! Ontem comecei um bom livro, que vai me ajudar na sanidade mental e ela vai ajudar a sanidade do resto, e se tudo correr bem em breve estarei toda boa.
E desculpem o desabafo, ainda mais depois de tanto sumiço, mas fazer o quê? Aqui atrás dessas palavras mora uma gente bem gente e esses dias não têm sido dos mais fáceis...
9.5.05
as próximas
De todo modo insisto (mas não mais de casa, que os raios caem sim várias vezes no mesmo lugar). Então venho dar notícias boas: nessa quinta começa a Bienal, e eu vou estar lá duas vezes. Tinha me prometido não ir mais a Bienais, onde se anda muito, se gasta muito, muita transpiração e pouca inspiração, eu achava. Mas sendo convidada a coisa muda muito de figura, não é, e eu achei chiquérrimo e disse sim, sim, duas vezes sim!
Acontece que esse ano estréia um espaço novo na Bienal chamado Jirau de Poesia, onde o poeta e jornalista Claufe Rodrigues vai entrevistar todo dia 4 ou 5 poetas de linhas e gerações diferentes, e em seguida rolam várias rodadas de poesia dita. No dia 18 às 18h estaremos lá eu, Elisa Lucinda, Mano Melo, Bartolomeu de Campos Queiroz e Alcir Pimenta. O Jirau acontece no Espaço Waly Salomão, que fica no Pavilhão Vermelho, e quem não tiver a preguiça que eu tinha apareça que o negócio promete ser bom! Depois vai ter venda de livros e eu espero me livrar de mais uns bons exemplares do substantivo feminino, que aliás caminha a passos largos pra esgotar...
O segundo sim veio pra um amigo, o Janderson, que escreveu um livro chamado Angústias de um gay urbano e vai lança-lo no dia 22 lá na Bienal. Ele me chamou pra dizer uns poemas pra animar a tarde de autógrafos dele, então no domingo, último dia de Bienal, estaremos lá às 16h, ele autografando e eu falando, no estande da OR Editor, no Pavilhão Vermelho, estande 89.
E essas são as próximas atrações - por enquanto, que a vida anda cheia de surpresas... Uma boa foi descobrir que o Eduardo Graça, jornalista com o melhor texto que eu conheço e amigo mais do que querido, recomendou esse blog e eu todinha no site da ABI, Associação Brasileira de Imprensa (entrar em Revista ABI e lá na sessão Jornalistas Recomendam). Eu adorei ser recomendada e sem nenhum medo de parecer que é puro revide recomendo ele: o Edu tem um blog ótimo com textos escritos diretamente de NY, o olhar afiado de um brasileiro sobre os últimos acontecimentos de lá e de cá.
E com isso me despeço!
26.4.05
Santa Cultura
Nessa quinta, dia 28 de abril, vai rolar mais uma edição do Santa Cultura, projeto que eu e Rodrigo fazemos no Santa Marta unindo artistas de lá com outros de fora da comunidade. Nessa quinta tem Paulinho Moska e um grupo instrumental de lá, Esboçando a Bossa, além do primeiríssimo curta do meu pai, Sergio Rezende, chamado Pra não dizer que não competi. Vai ser no teatro do IBAM, no Humaitá, às 19h30, e a entrada é franca, portanto cheguem cedo!
Beijos e queijos!
9.4.05
formiguinha
Agora foi um convite pra falar meus poemas na Bienal. Recebi o telefonema, fiquei toda boba e pensei: de onde essa pessoa me conhece, gente? Pois era de uma homenagem à Elisa Lucinda na qual eu fui dizer poemas, e a moça que organiza o Jirau de poesia da Bienal me viu e pimba: convite!
Resumindo: trabalho de formiguinha funciona. E eu a-d-o-r-o isso!
1.3.05
inéditos
No meio da felicidade me animei a rever meus poemas pra começar a pensar num segundo livro, e fiquei surpresa de ver que apesar da minha descrença na minha recente produção tenho alguns poemas bem bons, e isso me fez escrever outros, e acho que finalmente a meta número um do ano - escrever, escrever, escrever mais - está começando a acontecer!
E como há muito tempo eu não posto poemas, aí vai um dos que saíram na Poesia Sempre.
****
No meio dos meus peitos mora o filho que eu vou ter.
O buraco que tem lá foi feito por ele em mim muito antes de chegar.
Desse buraco eu nasci.
Quando ele aparecer pra mulher que eu me tornei
é nesse buraco antigo,
bem no meio dos meus peitos,
que ele vai se encaixar.
Esse filho que vai vir faz meus dentes mais macios e ilumina o meu olhar.
Lá no fundo do buraco,
ocupando aquele espaço,
estão minhas dádivas mais raras:
as doçuras que eu cultivo,
minhas melhores palavras,
esperança armazenada esperando ele chegar.
O dia em que ele vier ocupar minha barriga
é nesse sonho vivido que ele vai se aconchegar,
até que meus peitos inchados jorrem no seu corpo novo
todo o leite abençoado que vai nos alimentar.
Desse instante eu vou viver.
21.2.05
Biblioteca Nacional
Então o lançamento é no Espaço Eliseu Visconti da Biblioteca Nacional, no dia 23 de fevereiro, às 18h30. Eu vou estar lá, com um livro embaixo do braço pra tentar dar pro Augusto, apesar de achar que a minha poesia não é bem a praia dele, mas apesar do medinho vale a pena tentar! E assim, a passos lentos, as coisas andam...
18.2.05
no mercado
Muito diferente da "Cristina", por exemplo, que passou por aqui e me deixou uma mensagem nada simpática nos comments do post abaixo. Não gostei da crítica porque ela é raivosa mas principalmente porque é anônima, não tem email de contato, nem site, nem nada, então pra mim chega fraca, com cheiro de coisa mal curada. Não sei se Cristina existe, se chama Cristina, sei que sabe de mim porque cita meus pais, de quem acho que nunca falei aqui. Eles trabalham com cinema, daí sua suposta "influência". E já que falo deles, digo mais: na área dos dois, eles não são "influentes" não: são influentes mesmo, sem aspas e com o orgulho de 25 anos de trabalho e muitos filmes nas costas. Na minha vida, são influentes demais também, porque me educaram com amor e muita ética, influência fundamental, eu diria.
Acho um pouco bobo ficar respondendo crítica aqui, mas é que essa coisa me fez pensar em como é engraçada a vida. Eu doida pra fazer a minha vida andar bacana, trabalhando feito louca em mil e um projetos, tentando cuidar de ser independente e poeta e mulher bonita e amorosa e saudável e pagar as contas e tantas coisas, e alguém acha que eu estou com o pé fora do chão, me sentindo uma estrela! Eu que não subo num palco há mais de dois meses, e me penitencio pensando que as pessoas vão esquecer que eu existo e ainda tenho tantos livros pra vender, sou surpreendida pela confirmação do contrário, pois se "Cristina" ainda se lembra e pára aqui pra me criticar, é sinal de que estou no mercado. É, até que valeu a pena essa crítica...
20.1.05
leitores!
Mas então o blog agora tem leitores que deixam recados, e os recados estão ficando animados: antes era sempre gente elogiando, amigos ou desconhecidos dando uma força. Agora não: gente sugerindo que eu me suicide, outros querendo começar um romance pra logo depois desancar comigo feito moços grossos em boate (linda, maravilhosa, vem cá - daí você nega - horrorosa, baranga, vadia...). Estou adorando, e feliz demais de saber que tem gente me achando nesses caminhos tortuosos da internet!
E aproveito pra comentar o comentário sugerindo que liberdade mesmo só se suicidando. Ia discordar mas talvez seja mesmo verdade, e então concluo que não quero liberdade absoluta não: quero a liberdade de estar viva, porque a minha primeira e primordial escolha é essa, viver. E é só dentro disso que quero ser livre, e dentro disso espero conseguir, e obrigada pelos votos de boa sorte!
Mudando de assunto, tem poema meu num site super bacana feito por mineiros interessantes, o Patife. A Ana Elisa Ribeiro, uma poeta e agitadora de BH, organizou um especial chamado Harém, só com mulheres do Brasil inteiro, poesia e prosa da melhor qualidade, e eu estou lá entre elas! Vale a pena dar um pulo lá pra ler as moças e conhecer o trabalho desse pessoal que usa a internet com qualidade e novidade.
E espero mais comentários, tomates e flores, venham todos!
13.1.05
liberdade
Aí achei curioso entrar agora no blog e ver um comentário sobre esse post me perguntando se eu estou solteira. Porque eu não estou solteira, nem um pouco, e nem quero, nem um pouco. Continuo namorando e feliz, e dentre as mudanças desejadas não ser mais a namorada do Rodrigo está longe da lista. Gosto de namorar, de ser namorada, de ter namorado, de namoro, gosto de compromisso e de estabilidade, quero casar e ter filhos e ficar velhinha com ele do lado, ficar louca com ele e continuar louca por ele, quero quero quero e gosto.
E é engraçado como o desejo súbito e impetuoso de mais liberdade, de mais deriva, sempre parece pra quem está de fora um desejo de solteirice, como se as coisas fossem incompatíveis e não se pudesse ser livre e ser casal ao mesmo tempo. Pois pode, e quer saber? Deve! Porque senão qual é a graça?
ps: e já que falei nele aqui depois de tanto tempo, e já que acho ele o melhor compositor de todas as redondezas, aproveito pra espalhar: quem quiser conhecer o trabalho do moço passa aqui ó.
7.1.05
Agora
Porque é tempo de mudança e independência, e desejo de estar à deriva, e por isso parei ontem a terapia que já vinha comigo há quase três anos, e a falta de medo de andar sozinha tem me feito bem demais.
Agora quero estar mais solta, pintar as pontas do cabelo de rosa, andar a pé por botafogo e comer o que dá vontade na hora que dá fome na minha casa só minha, usar saias mais curtas e ir mais à praia, voltar a ver os amigos que eu andei negligenciando, e escrever mais, escrever mais, escrever muito mais, aqui, no papel, pra ser livro, pra ser desabafo, pra ser desejo azul em caderno pautado, em verso, em prosa, de madrugada ou à tarde, com música ou silêncio, no quarto, na sala, no escritório, na sala de tv, na cozinha, no banheiro, em qualquer das varandas ou na área de serviço, pela casa ou pela rua, escrever, escrever, escrever. E viver muito, pra ter assunto.
E assim começa 2005.
28.12.04
fim de ano, casa nova
Então agora, na casa dos pais (ex minha casa) aproveito pra deixar um beijo de fim de ano pra todo mundo que costuma aparecer por aqui. Ter feito esse blog foi uma das coisas bacanas de 2004, porque me deu a chance de me espalhar pra lugares onde eu mesma, de corpo presente, não podia estar. Adorei ser lida de longe e conhecer outros blogs interessantes, acredito mesmo nessa mídia como forma de propaganda e de interação.
Muito bom 2005 pra todo mundo!
13.12.04
a woman is a woman
Maria,
mais uma - e os dois poemas completos para vc ver como ficaram.
No "Uma mulher..."
Uma mulher pode ser um jeito
A woman can be a skill - - skill me parece muito técnico, vc tem um skill para um trabalho
A woman can be a knack -- knack tem mais jinga, significa "a clever expedient or way of doing something", não fica melhor ???
Poemas finalizados, aliás não sei se sabe disso, mas as selecionadas foram vc, com o Pau Mole e Uma Mulher..., e a Marisa Monte, com Profeta Gentileza.
Os poemas:
Maria Rezende/Brazil/Adoro pau mole (I Love a Soft Dick) and Uma mulher é uma mulher ainda que (A Woman is a Woman Although)
Copy edited English version
(Adoro pau mole)
I love a soft dick
Just like that.
I do not drink mate tea
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick.
I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility.
I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I cherish and always want.
Because it is the icon of post-sex ,
(that is in essence and automatically
-even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well.
A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear .
And it is inside of it,
in all its wobbly softness
of modeling clay,
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.
Copy edited English version
(A Woman is a Woman Although)
A woman is a woman although.
Words and shapes do not comprise the content.
A woman can be a knack
A rib or a defect.
A woman overflows the edges
Measures up
Eases the dissonance
She joggles and jingles.
A woman can be a scream
A belly
A precipice.
A woman can be an abyss or a haven.
And she can be both
And she is.
8.12.04
soft dick
Recebi hoje um email de uma tradutora chamada Heloisa Kinder, que está fazendo a revisão do poema e, super atenta, me escreveu pra pedir aprovação e sugestões. Adorei esse processo, estou adorando, e acho bacana compartilhar porque é muito rica essa troca de uma língua pra outra, tantas possibilidades, como fazer as brincadeiras funcionarem com outras palavras, genial. Aí embaixo está o email da Heloisa pra vocês acompanharem.
Olá Maria,
Que bom estarmos de acordo com os ajustes na tradução.
Você tem razão, "that lives the..." está mais próximo ao texto que a tradução inicial.
Agora que começamos este exchange, vou te mostrar todo o poema e as mudanças que sugeri.
Eis o poema como veio a mim --
I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick
I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility
I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I appreciate and always want
Because it is the icon of post-sex
that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
also always pre-sex
A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear
And it is inside of it
in all its brazen softness
of a modeling mass
where lives the firm and strong dick
with which my man takes me.
--- ---
Eis a versão em que estou trabalhando:
I love a soft dick
Just like that
I do not drink mate tea*
I do not like coconut water
I do not ride a bike
I did not see ET
and I l-o-v-e a soft dick
I love a soft dick
for what it exposes in vulnerability
and for what it hides in possibility
I love a soft dick
because touching one presumes the existence
of a certain freedom and intimacy
that I cherish** and always want
Because it is the icon of post-sex
that is in essence and automatically
(even though maybe a little anticipatedly)
always pre-sex as well***
A soft dick is a promise of happiness
quietly murmured next to the ear
And it is inside of it
in all its wobbly softness
of modeling clay****
that lives the firm and strong dick
with which my man takes me.
*precisa ser mate tea ou tea, pq mate sozinho significa pessoa. O chá mate até existe, mas acabou de ser introduzido no mercado, acho que as pessoas não vão fazer alusão ao que vc se refere. Por outro lado cria uma rima Tea and ET, meio estranho????? Se não te incomoda podemos fazer isso. Ou vc tem outra ideia?
** appreciate tinha sido usada, todo mundo appreciate tudo aqui na América, mesmo quando a premissa do que é appreciated não é verdadeira - cherish traz a apreciação mais perto do coração...além de ter mais musicalidade.
***não gosto de also e always juntos. O as well no final adiciona outra condição.
****Ao meu ver, o poema em português compara o pau mole à coisas simples, como a massa de modelar. Na tradução, o uso de modeling mass tira tal impressão, já que não é esse o nome de tal material em ingles. O "brazen sofness/of a modeling mass" não está incorreto, mas para mim, ele mexe na descontração de sua poesia. Me diz o que acha e sigo o seu sinal.
Pode colocar isso no blog sim! Vale a pena compartilhar esse processo com certeza.
Queria ver o seu livro. Posso comprar de vc?
Beijos
Heloisa
15.11.04
Cabrália
7.11.04
descanso
4.11.04
minha casa
Pois essa é sala da minha casa nova, só que enquanto ela ainda é a sala do Seu Armando, dono dela e do resto do apartamento.
Foi assim: eu estava andando em Botafogo, vi um predinho lindo e pensei "podia ser feliz aí". O porteiro estava na porta, uma cara simpática, perguntei, não tinha nada pra alugar, claro, continuei andando. Lá na frente escuto um psiu, era ele me chamando. Que o Seu Armando, do 103, ia se mudar. Que o apartamento era lindo, muito caprichoso o seu Armando, e que ele mesmo, seu Jorge, tinha colocado o piso, e por aí ia...
Pois eu entrei, e seu Armando é um senhor adorável, e o apartamento dele parece uma casa linda com varanda e banheira, e ele gostou de mim e me esperou, e eu hoje assinei o contrato, meu primeiro contrato de casa, e vou então agora ter a minha própria casa, ainda não a casa própria mas a minha casinha só minha...
Espero então as visitas de todos pra suprir a minha carência de pessoa criada em casa cheia e alegre, pra fazer da minha casa tão alegre quanto essa da qual eu venho!





