22.1.08

recomendo, recomendo, recomendo


Parece improvável: uma banda instrumental, com composições próprias e covers inusitados, lotando shows pelo Rio de Janeiro afora, e ainda colocando todo mundo pra dançar a noite toda. Parecia improvável, mas rolou, rola toda semana e nessa, em particular, vai ser no palcão do Circo Voador e com participações incríveis.
Imperdível!
Pros não-estudantes como eu, lista amiga aqui.

16.1.08

ainda

Palavras em caixas de som
Um corpo iluminado
E um rio branco correndo do outro lado da cidade
Já naquela noite
− embora ainda sem gemidos

Depois a voz gravada no etéreo
Permanência com prazo de fim

Sob o céu preto do mundo o encontro

A boca nessa hora transformou palavra em beijo:
Foi palavra, palavra
Palavra no fundo do ouvido
E aí beijo
Beijo como quase nunca mais ia ser
Mas de vez em quando ainda

O desejo ali deitado colou no corpo sem volta

Nem tudo era possível
Nem tudo ia ser tão bom assim
Mas era tudo verdade e continua
É tudo verdade e continua

Continua tudo ardendo noite adentro

7.1.08

A musa do século 21

Gata, gostosa, tesudinha:
dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.

Aberta, relax, super moderninha:
divide o namorado com hippies e patricinhas.

Séria, independente, meio estressadinha:
tem sua própria casa e paga as contas sozinha.

Culta, inteligente, artisticazinha:
Cita filosofia, curte música e um cineminha.

Doce, prendada, jeitosinha:
lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.

Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,
busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.

Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,
tem email, tem um blog, tem crédito no celular.

Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.

Não é careta nem doidona,
adora esportes na tv e sexo de madrugada,
não fala em filhos nem casamento
e cuida sozinha da anticoncepção.

Por ela suspiram os machos do século 21,
e por causa dela sofrem as fêmeas,
meros projetos de musa,
nós, mulheres reais.

1.1.08

Novo

Tudo novo de novo



ou



A continuidade



(no bom sentido, não me entendam mal. tudo aqui hoje no melhor sentido)



A noite foi de festa, e a comemoração pela virada de 7 pra 8 teve as melhores músicas, ótimas pessoas, uma puta vista, champanhe pra dar e vender, e teve a gente em grande forma, bonitos nas nossas roupas escolhidas, celebrando as conquistas do ano que acabava que se esparramam pro que começa, felizes felizes felizes.

Não é começar do zero, ufa! É mais como uma página recém virada do mesmo caderno antigo, aquele que começou quando a gente nasceu e que pode ter tantas folhas quanto a gente quiser, e fizer.

O meu é gordo, cheio de acontecimentos, e vai precisar de fitinha pra amarrar porque os planos são de muito mais!

30.12.07

ímpar-par

2007 foi um ano daqueles. Teve alegria, teve grana, teve dúvidas e confirmações de certezas, teve um monte de novidade: teve novidade-trabalho, teve novidade-casa, novidade-namoro.

Também teve alguns nãos, mudanças de rumos, teve portunhol e champanhe, poemas bonitos, noites em claro.

Teve a descoberta da maturidade, a invenção de caminhos, e agora levo comigo um EU imaginário gravado no pulso esquerdo.

Foi um ano de acontecimentos insuspeitos e inesperados, e que termina tão redondo, tão suave, que me faz mais forte pra 2008, 9, 29...

Não sei se deus existe, se tem mais depois da morte, nem qual a origem da vida, mas sei bem pra que estamos aqui: pra ser feliz e aproveitar.

E eu cumpro a missão com alegria!

21.12.07

o tempo

Tenho 29 anos
Um punhado de cabelos brancos
Dinheiro pra viver um ano
E quero ser mãe.

Quero ser mãe antes da riqueza
Antes da fartura
Quero ser mãe sem tinta no cabelo
Quero antes que seja tarde
Antes que eu seja velha
Antes que seja o fim.

Quero agora pra não mudar de idéia
Quero logo porque o medo ronda
Quero enquanto há inocência em mim.

A prata em meio aos fios me apressa, me assusta
Faz urgir o meu desejo:
Quero ser mãe de cabelos pretos.

14.12.07

sabedoria

"Maritma,

são palavras simples, apenas uma atrás da outra, mas um dia a gente aprende a morar dentro delas:

eu gosto de quem gosta de mim
eu acho interessante quem interage comigo
eu tenho tesão em quem brinca de ser legal
eu aceito o ínfimo, o prazo de validade e as infinitudes de todos os encontros...

afinal o ninho é feito de um material diferente do pássaro"

(trecho de email/carta do meu amigo, poeta e sábio Pedro Cezar, no longínquo ano de 2002)

noturno

Não é vontade de falar
Não é saudade de ninguém
Não é sono nem insônia
Não tem angústia no escuro

Apagado, o abajur descansa
Os cabelos não dormem sob o vento do teto
Idéias de receitas cruzam a cabeça

O corpo deitado sabe que não vai dar certo
Mas tira a lâmpada do repouso
Os dedos trabalham e os olhos reclamam:
É tudo esforço inútil

Amanhã o sol arrebenta na cara
E as olheiras afundam um pouco mais


(Mas felicidade não é muito diferente disso não)

13.12.07

Natal com sentido II

Ano passado escrevi um texto enorme e emocionado sobre o meu Natal. No final dele, falava do projeto Papai Noel dos Correios, mas já era tarde pra participar. Pois esse ano me adiantei e vou enfim adotar uma carta!

Funciona assim: todo ano eles recebem milhares de cartas de crianças pedindo presentes, e qualquer um pode ir a uma agência e adotar uma carta. Você tem que passar na Avenida Presidente Vargas, numa mega agência dos Correios que centraliza as cartinhas, e escolher uma carta pra adotar. Daí você compra o presente que a criança pediu e deixa lá na agência, e os Correios mandam um carteiro vestido de Papai Noel fazer as entregas.

Os presentes têm que ser entregues lá até dia 19, então é bom passar lá logo pra dar tempo de comprar e voltar pra entregar. O telefone pra contato é (21) 2503 8820 ou 2503 8110, mas tem no Brasil todo, você pode descobrir onde é na sua cidade clicando aqui.

Ok, podia ser mais fácil. Ir ao centro nessa época do ano, e ainda por cima com essa chuva? Mas a gente faz tanta coisa chata à toa, essa pelo menos tem um belo propósito! Animem-se!

12.12.07

mergulho




e se eu não fui esperta o suficiente?




e se eu achei que era forte demais?




e se for agora ou nunca?




e se eu escolher errado?




e se não der mais tempo?




e se for tudo exagero?




e se o melhor caminho era outro?




e se depois der errado?




e se eu tiver medo?




e se a felicidade estiver no próximo passo?




e se eu não souber que passo é?




e se






5.12.07

identificação

É raro. E muito bom. Eu tenho adorado a internet e essa coisa dos blogs por me abrirem as portas pra achar mais gente com quem eu me identifique. Já faz um tempo que achei aqui. E é um cara, quem diria.

Fernando Maatz é um puta escritor, diz o que quer do melhor jeito, sem fazer tipinho, e ainda falou de sonhos que são os meus sonhos que são os sonhos de todo mundo ou quase mas falou do jeito dele.

Ainda não clicou? Clica! Vai lá logo! Tchau.

4.12.07

livro novo - aperitivo

As coisas boas são prisões sem grades
Pessoas boas são carcereiros sem chaves
O conforto é uma corrente que ata aos pés bolas imensas
Felicidade é parede encobrindo o outro lado

Bons poemas são veneno: afastam palavras novas
Caminhos cheios de setas não dão em praias desertas
O acerto de anteontem mata o risco dessa tarde
O sucesso é um uniforme que te obrigam a vestir

E o que é bom vira uma sina
Mantém o mundo de cabeça pra cima
E você preso nesse lugar.

1.12.07

hoje e todo dia


É uma loucura pensar que a solução possa piorar o problema, mas parece que é o que acontece em relação a Aids. Apesar de continuar não tendo cura, o desenvolvimento de remédios que melhoram a vida e tiram a sensação de morte iminente pra quem é soropositivo criou uma falsa sensação de alívio geral: ufa, agora então não se morre mais! E é justamente esse relaxamento do medo que faz com que as pessoas relaxem também na prevenção, porque a gente sabe que ninguém abre mão do prazer a não ser que as conseqüências sejam drásticas.
Ou seja: se pra quem está doente os remédios são a solução, pra quem está saudável eles aumentam o problema. A gente hoje tem uma percepção completamente equivocada de que Aids virou uma doença da África, como um dia já foi uma doença de gays, e enquanto isso o só aumenta o contágio de pessoas jovens, heterosexuais, brasileiras bem aqui pertinho, na Região Sudeste, no Rio e em São Paulo, na Zona Sul, na nossa rua.
Não tem essa. Não dá pra deixar pra lá. Taí um dia que merece ser marcado no calendário muito mais do que os comerciais "dia das mães" ou "dia das secretárias": é um dia no ano pra gente olhar pra vida que leva com honestidade e pensar se está sendo responsável com ela. Devia ser todo dia, mas que seja nesse, pelo menos.

29.11.07

7 coisas estranhas

A idéia veio da minha prima Dani, brasileira disfarçada de americana e mãe da lovely Amelia, que mora na Califórnia e portanto eu vejo muito menos do que gostaria. Ela tem um blog e me incluiu numa espécie de corrente blogueira, mas eu nunca fui adepta de corrente, ainda mais que essa tem mil regras, ainda por cima em inglês!

A parte da qual eu gostei foi a proposta de fazer uma lista de 7 coisas estranhas sobre mim, então aí vai:

1. eu odeio usar sutiã, e apesar disso tenho uma coleção de uns 20

2. eu amo supermercado, do Pão de Açúcar chique ao Mundial da Lapa

3. eu só fiz a sobrancelha pela primeira vez depois que a minha avó materna morreu - ela amava minha sobrancelha grossérrima

4. eu calço 39/40 e passei uns dois anos usando só tênis bamba, sapatilha chinesa e chinelo, até as fábricas de calçado entenderem que mulher de pé grande também é gente

5. eu guardo um vestido pra usar quando estiver grávida desde os 15 anos. sim, ainda cabe.

6. eu mesma inventei meu único apelido: esse mariadapoesia que está quase roubando meu nome

7. eu sou feliz. nem sempre estou, mas sou. sim, pra alguns isso é estranho. eu adoro essa estranheza

eram só 7, né? então tenho dito.

14.11.07

desejo necessidade vontade

1 fone de ouvido que não se enterre nos tímpanos me obrigando a um intervalo de 3 dias entre usos

re-pintura do apê

1 editora pro Bendita Palavra

1 ou 2 ou 3 ou 1000 desumidificadores pra tudo que há na casa parar de mofar

1 escutador de mp3 de qualquer marca pequenino e bonitinho

1 pacote de chá verde bom, com folhinhas enrugadas que se abrem na água quente, que nem o que veio de Chinatown e diferente dos três que eu já tentei por aqui

1 brinco prateado, fosco e básico e chique, que nem o que eu tive por anos e de cujo par pra minha tristeza só restou um

quadrinhos pequenininhos pra minha parede de quadrinhos pequenininhos

1 gravador de dvd externo que não dê erro a cada dois usos

1 parafuso que caiu do meu lado da cama, devidamente preso no lugar

e ainda...

6.11.07

noturno

Sua ausência
cava
um poço de petróleo
em meu estômago.

Viscoso e negro brota,
entre outras flores,
o medo.