7.3.08

programem-se

Dicas pros próximos dias:

amanhã, sábado, minha amiga pintora incrível Suzanna Schelemm faz liquidação de trabalhos variados no seu atelier no Horto.



Segunda-feira, dia 10, eu vou dar uma canja no show do Rodrigo Sha, parte da temporada de lançamento do cd dele no novo Mistura Fina, em Ipanema. As outras canjas são das Chicas e da Leila Pinheiro, então a coisa vai ficar boa...

Pra terminar, na quarta, dia 12, último show da temporada da banda Os Outros na Cinematheque, e o convidado é Rodrigo Bittencourt, que fecha a noite com sua banda.


Divirtam-se!

4.3.08

o mundo

tem casas à venda

tem sonhos à espera

tem frustração e demora

tem silêncios de solidariedade

tem silêncios de impossibilidades

tem palavras que seguram pés em parapeitos de janelas


tem encaixes perfeitos

tem brilhos nos olhos

tem gente que abre a gente feito flor, feito cebola

tem lágrimas que geram comidas boas

tem mundos no mundo

tem muitos

28.2.08

súbito

Tão em cima da hora quanto o anúncio, o desanúncio: Rodrigo não vai mais tocar no super Dia da Rua hoje! Mas ainda tem Os Outros, Bonde Som, VulgoQuinho... Apareçam!

27.2.08

música boa na rua


Já é amanhã, 5a feira, dia 28: 14 bandas e um artista plástico em esquinas de Ipanema e Leblon, às 19h30 em ponto. Ótima música com Bonde Som, Os Outros, VulgoQuinho e os Caras, Zarvoleta Blues Band...

Mas eu recomendo mesmo é a esquina da Farme de Amoedo com Visconde de Pirajá, onde vai tocar o Rodrigo Bittencourt, que eu nem preciso mais explicar, preciso? Quem achar que sim, passe aqui. Até lá!

17.2.08

no meu livro novo tem

6 desertos
17 amores
26 medos!
9 desejos
7 filhos
48 eus
18 palavras
3 raivas
7 sonhos
7 mulheres
9 quandos
21 casas!
9 homens
16 noites
11 mundos
5 tardes
15 dias
4 erros
4 solidões
9 silêncios
3 ruas
8 crianças
1 surpresa
1 loucura
1 romance
1 coração
1 pessoa
2 angústias
0 carinho
0 maravilha
0 nitidez

12.2.08

enquete

Entra no livro ou não entra, Lombardi?
“Miguilim contava, sem carecer de esforço, estórias compridas, que ninguém nunca tinha sabido, não esbarrava de contar, estava tão alegre nervoso, aquilo pra ele era o entendimento maior.” (Guimarães Rosa, in Manuelzão e Miguilim)

O silêncio tem suas portas
O medo cria suas cobras
O dentro é de onde se olha
Bicho pronto pra morder

Quem vive sempre aparece
Quem espera ainda alcança
Devagar se vai ao longe
Mas hoje é preciso correr

Tem uns dias que são brancos
Tem gente que fere e cala
As noites todas têm alma
Pra quem olha e sabe ver

Embaixo de tudo é fome
Nos cantos mora o perigo
Quem deseja o proibido
De prazer pode morrer

O fundo é onde é molhado
Toda rede tem embalo
Qualquer casa é um castelo
Pra quem a souber encher

Menino que perde dente
Gente velha que ainda mente
Toda história tem semente
Se quem ouve quer dizer

E o verso que aqui se espalha
É como no boi a cangalha
Só o vaqueiro encantado
Pode libertar você.

1.2.08

poema com historinha

Não quero ser o Big Simpatia
A pele fina por debaixo da couraça

Não quero ser rainha da tristeza
Nem rei da dor ou outro título do inglês

De onde olho há o caminho andado
E vejo as mil curvas pela frente:

Podem ser estrada de Santos
Podem ser labirinto de Creta
E pode ter monstro
E pode ter novelo
E se o fio vai ser forte só na hora eu vou saber

Mas choro minhas dúvidas sem economia
Na hora da dor, lágrimas
Na hora de viver, pernas pra que te quero e mãos à obra

Se for imagem, filme
Se for palavra, poesia



(Big Simpatia é um personagem de um conto que meu pai escreveu muito antes de pensar em ter filhos, e que eu nunca li, só ouvi ele contar. Era um cara magrinho, fracote, que sonhava em ser grande e forte. Um dia um circo passa pela cidade, ele vê um cara que se apresenta com uma armadura e acha a solução pros seus problemas: veste a armadura e nunca mais tira. Por anos ele fica sendo o grandão-fortão que sempre sonhou, até que um dia se cansa daquela imagem e resolve voltar um pouco a ser ele mesmo. Quando ele tira a armadura, percebe que a sua pele ficou tão fina que qualquer carinho a arranha, porque ele ficou tão encantado com aquela falsa fortaleza que não se deu conta de que não estava construindo a sua força, a sua grandeza. É mais ou menos isso, de ouvido, da infância, mas esse cara anda comigo pela vida afora, e sempre que dá medo de não agüentar eu penso nele.)

26.1.08

no papel, de novo

Em junho a minha estréia no papel vai fazer cinco anos. 11 de junho de 2003, na Cobal do Humaitá, uma noite alegre de palavras e música e muitos amigos, livros e discos vendidos, felicidade, felicidade. Cinco anos mudam muita coisa, mas nem todas. A perda mais triste é essa, a continuidade mais feliz é essa.

Cinco anos é também um intervalo longo demais entre um primeiro e um segundo livro. Mil "mas é que" e alguns "também, né?" tentam justificar, mas a verdade é: publicar livro de poesia é assunto do poeta, e só dele. Não adianta contar com editora apostando o suficiente pra bancar os custos ou concursos públicos que concluam que seu livro é genial e te paguem pra trabalhar nele. Poucas chances. Pra mim nenhuma em cinco anos.

Mas enfim a inteligência me arrebatou e a grana dos outros trabalhos encheu o cofrinho o suficiente pra ser possível tomar a vida nas mãos de novo e dizer: Bendita Palavra, aí vamos nós. Com a parceria da 7Letras em breve meu segundo livro vai virar papel encadernado circulando em livrarias, e eu tô feliz que só!

E como nesse intervalo tudo que rolou foi aqui, no mariadapoesia, espero que vocês, que me lêem aqui, queiram também me ler aí nas suas casas mas sem virtualidades, com o computador desligado, deitados no sofá, espichados na cama, fazendo hora em salas de espera, por aí, por aí...

22.1.08

recomendo, recomendo, recomendo


Parece improvável: uma banda instrumental, com composições próprias e covers inusitados, lotando shows pelo Rio de Janeiro afora, e ainda colocando todo mundo pra dançar a noite toda. Parecia improvável, mas rolou, rola toda semana e nessa, em particular, vai ser no palcão do Circo Voador e com participações incríveis.
Imperdível!
Pros não-estudantes como eu, lista amiga aqui.

16.1.08

ainda

Palavras em caixas de som
Um corpo iluminado
E um rio branco correndo do outro lado da cidade
Já naquela noite
− embora ainda sem gemidos

Depois a voz gravada no etéreo
Permanência com prazo de fim

Sob o céu preto do mundo o encontro

A boca nessa hora transformou palavra em beijo:
Foi palavra, palavra
Palavra no fundo do ouvido
E aí beijo
Beijo como quase nunca mais ia ser
Mas de vez em quando ainda

O desejo ali deitado colou no corpo sem volta

Nem tudo era possível
Nem tudo ia ser tão bom assim
Mas era tudo verdade e continua
É tudo verdade e continua

Continua tudo ardendo noite adentro

7.1.08

A musa do século 21

Gata, gostosa, tesudinha:
dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.

Aberta, relax, super moderninha:
divide o namorado com hippies e patricinhas.

Séria, independente, meio estressadinha:
tem sua própria casa e paga as contas sozinha.

Culta, inteligente, artisticazinha:
Cita filosofia, curte música e um cineminha.

Doce, prendada, jeitosinha:
lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.

Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,
busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.

Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,
tem email, tem um blog, tem crédito no celular.

Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.

Não é careta nem doidona,
adora esportes na tv e sexo de madrugada,
não fala em filhos nem casamento
e cuida sozinha da anticoncepção.

Por ela suspiram os machos do século 21,
e por causa dela sofrem as fêmeas,
meros projetos de musa,
nós, mulheres reais.

1.1.08

Novo

Tudo novo de novo



ou



A continuidade



(no bom sentido, não me entendam mal. tudo aqui hoje no melhor sentido)



A noite foi de festa, e a comemoração pela virada de 7 pra 8 teve as melhores músicas, ótimas pessoas, uma puta vista, champanhe pra dar e vender, e teve a gente em grande forma, bonitos nas nossas roupas escolhidas, celebrando as conquistas do ano que acabava que se esparramam pro que começa, felizes felizes felizes.

Não é começar do zero, ufa! É mais como uma página recém virada do mesmo caderno antigo, aquele que começou quando a gente nasceu e que pode ter tantas folhas quanto a gente quiser, e fizer.

O meu é gordo, cheio de acontecimentos, e vai precisar de fitinha pra amarrar porque os planos são de muito mais!

30.12.07

ímpar-par

2007 foi um ano daqueles. Teve alegria, teve grana, teve dúvidas e confirmações de certezas, teve um monte de novidade: teve novidade-trabalho, teve novidade-casa, novidade-namoro.

Também teve alguns nãos, mudanças de rumos, teve portunhol e champanhe, poemas bonitos, noites em claro.

Teve a descoberta da maturidade, a invenção de caminhos, e agora levo comigo um EU imaginário gravado no pulso esquerdo.

Foi um ano de acontecimentos insuspeitos e inesperados, e que termina tão redondo, tão suave, que me faz mais forte pra 2008, 9, 29...

Não sei se deus existe, se tem mais depois da morte, nem qual a origem da vida, mas sei bem pra que estamos aqui: pra ser feliz e aproveitar.

E eu cumpro a missão com alegria!

21.12.07

o tempo

Tenho 29 anos
Um punhado de cabelos brancos
Dinheiro pra viver um ano
E quero ser mãe.

Quero ser mãe antes da riqueza
Antes da fartura
Quero ser mãe sem tinta no cabelo
Quero antes que seja tarde
Antes que eu seja velha
Antes que seja o fim.

Quero agora pra não mudar de idéia
Quero logo porque o medo ronda
Quero enquanto há inocência em mim.

A prata em meio aos fios me apressa, me assusta
Faz urgir o meu desejo:
Quero ser mãe de cabelos pretos.

14.12.07

sabedoria

"Maritma,

são palavras simples, apenas uma atrás da outra, mas um dia a gente aprende a morar dentro delas:

eu gosto de quem gosta de mim
eu acho interessante quem interage comigo
eu tenho tesão em quem brinca de ser legal
eu aceito o ínfimo, o prazo de validade e as infinitudes de todos os encontros...

afinal o ninho é feito de um material diferente do pássaro"

(trecho de email/carta do meu amigo, poeta e sábio Pedro Cezar, no longínquo ano de 2002)

noturno

Não é vontade de falar
Não é saudade de ninguém
Não é sono nem insônia
Não tem angústia no escuro

Apagado, o abajur descansa
Os cabelos não dormem sob o vento do teto
Idéias de receitas cruzam a cabeça

O corpo deitado sabe que não vai dar certo
Mas tira a lâmpada do repouso
Os dedos trabalham e os olhos reclamam:
É tudo esforço inútil

Amanhã o sol arrebenta na cara
E as olheiras afundam um pouco mais


(Mas felicidade não é muito diferente disso não)

13.12.07

Natal com sentido II

Ano passado escrevi um texto enorme e emocionado sobre o meu Natal. No final dele, falava do projeto Papai Noel dos Correios, mas já era tarde pra participar. Pois esse ano me adiantei e vou enfim adotar uma carta!

Funciona assim: todo ano eles recebem milhares de cartas de crianças pedindo presentes, e qualquer um pode ir a uma agência e adotar uma carta. Você tem que passar na Avenida Presidente Vargas, numa mega agência dos Correios que centraliza as cartinhas, e escolher uma carta pra adotar. Daí você compra o presente que a criança pediu e deixa lá na agência, e os Correios mandam um carteiro vestido de Papai Noel fazer as entregas.

Os presentes têm que ser entregues lá até dia 19, então é bom passar lá logo pra dar tempo de comprar e voltar pra entregar. O telefone pra contato é (21) 2503 8820 ou 2503 8110, mas tem no Brasil todo, você pode descobrir onde é na sua cidade clicando aqui.

Ok, podia ser mais fácil. Ir ao centro nessa época do ano, e ainda por cima com essa chuva? Mas a gente faz tanta coisa chata à toa, essa pelo menos tem um belo propósito! Animem-se!

12.12.07

mergulho




e se eu não fui esperta o suficiente?




e se eu achei que era forte demais?




e se for agora ou nunca?




e se eu escolher errado?




e se não der mais tempo?




e se for tudo exagero?




e se o melhor caminho era outro?




e se depois der errado?




e se eu tiver medo?




e se a felicidade estiver no próximo passo?




e se eu não souber que passo é?




e se






5.12.07

identificação

É raro. E muito bom. Eu tenho adorado a internet e essa coisa dos blogs por me abrirem as portas pra achar mais gente com quem eu me identifique. Já faz um tempo que achei aqui. E é um cara, quem diria.

Fernando Maatz é um puta escritor, diz o que quer do melhor jeito, sem fazer tipinho, e ainda falou de sonhos que são os meus sonhos que são os sonhos de todo mundo ou quase mas falou do jeito dele.

Ainda não clicou? Clica! Vai lá logo! Tchau.