29.4.08

em um ano


Desde que comecei a contar os visitantes daqui fiquei meio maníaca pela coisa. Quem reparar vai ver que tem um contador "exibido" aqui à esquerda, um discreto lá no fim da página, que só revela seus segredos quando devidamente clicado, e além disso um mapinha que me conta de onde é essa gente toda.
Eu sempre me surpreendo com as informações, e até já duvidei delas. Comemoro números simbólicos, e adoro os mecanismos malucos que me permitem saber de onde as pessoas vem quando chegam aqui (quase 1/4 delas googla "poesia de casamento", sabiam? eu tenho!).
Tudo isso pra dizer que fiquei triste quando o meu mapinha cheio de bolinhas e bolonas vermelhas foi arquivado e deu espaço a esse vazio aí do lado. Então, pra não perder o prazer do mapão-vermelhão, agora fixo ele aqui! Agora pensem comigo: quem será aquela bolinha perdida no canto direito lá embaixo? Ah, a curiosidade...

24.4.08

foto da capa

Por conta da lista do post abaixo, o Bendita Palavra acabou atrasando mais uma vez. Mas como os pagamentos à 7Letras já começaram, felizmente dessa vez eu tenho um limite de atraso, viva! Isso quer dizer que em junho ou no máximo julho o livro tá na rua!

No começo da semana então fui na casa do Stefan Kolumban, fotógrafo maravilhoso e amigo querido, tirar a foto da capa. A idéia da foto da tatoo há tempos eu já tinha, mas o Stefan acabou trazendo outras idéias na hora e acabamos com muitas possibilidades ótimas. A minha preferida, e por enquanto escolhida, é essa.

Agora tá nas mãos da Cacau Mendes criar a arte da capa sobre ela!


22.4.08

sim, eu sumi








- casa nova -
- trailer do Carvana -
- making of do Bruno Barreto -
- montagem de 13 episódios do Procurando Quem,
programa do Rodrigo pro Canal Brasil -
- trailer do Bruno Barreto -
- viagem à Europa em setembro -
não deu, gente, não tem dado...

26.3.08

amanhã


Amanhã vou embarcar pra UFF pra esse evento super bacana só com a poesia de mulheres. Pra quem é de cá é quase impossível - eu mesma tive que me organizar super pra dar conta de ir - mas pra quem é ou anda por Niterói, vai valer a pena!

21.3.08

há 16 anos


era a filmagem do Lamarca, 1992, eu acho, e lá fui eu pro sertão da Bahia ver tudo de perto. eu tinha 14 anos, adorava set de filmagem, e morria de orgulho de ver meus pais fazendo um filme naquele tempo em que o cinema brasileiro tinha sido aniquilado pelo governo collor. dez anos depois eu estava com eles no ceará, dessa vez trabalhando como assistente de direção de um filme chamado Onde anda você?, e dessa vez não achei set de filmagem assim tão legal, e decidi desistir de vez dessa possível profissão. como o cinema ainda seduz, virei montadora: longe da confusão do set, quieta no meu canto, mexendo com as imagens como mexo com as palavras quando escrevo.

curiosidade inútil: eu ainda tenho a camiseta da foto. na época era a última moda, foto de ballet na malha molinha da cribb dancing. 16 anos depois virou roupa de dormir em dia de gripe: conforto e recordações, o melhor remédio.

18.3.08

procura-se

apartamento 3 quartos, mínimo de 110m2, 1 vaga, botafogo-humaitá, vista livre, indevassável

descoberta do mês: como o incrivelmente bom pode ser inacreditavelmente trabalhoso

11.3.08

última forma

É amanhã, 4a, dia 12, o show do Rodrigo Bittencourt como convidado da banda Os Outros, na Cinemathèque. Tudo isso já devidamente anunciado abaixo. A mudança é que agora ele abre a noite ao invés de fechar, boa notícia pra quem trabalha cedo no dia seguinte, como eu!

Convite amigo a R12,00.

7.3.08

programem-se

Dicas pros próximos dias:

amanhã, sábado, minha amiga pintora incrível Suzanna Schelemm faz liquidação de trabalhos variados no seu atelier no Horto.



Segunda-feira, dia 10, eu vou dar uma canja no show do Rodrigo Sha, parte da temporada de lançamento do cd dele no novo Mistura Fina, em Ipanema. As outras canjas são das Chicas e da Leila Pinheiro, então a coisa vai ficar boa...

Pra terminar, na quarta, dia 12, último show da temporada da banda Os Outros na Cinematheque, e o convidado é Rodrigo Bittencourt, que fecha a noite com sua banda.


Divirtam-se!

4.3.08

o mundo

tem casas à venda

tem sonhos à espera

tem frustração e demora

tem silêncios de solidariedade

tem silêncios de impossibilidades

tem palavras que seguram pés em parapeitos de janelas


tem encaixes perfeitos

tem brilhos nos olhos

tem gente que abre a gente feito flor, feito cebola

tem lágrimas que geram comidas boas

tem mundos no mundo

tem muitos

28.2.08

súbito

Tão em cima da hora quanto o anúncio, o desanúncio: Rodrigo não vai mais tocar no super Dia da Rua hoje! Mas ainda tem Os Outros, Bonde Som, VulgoQuinho... Apareçam!

27.2.08

música boa na rua


Já é amanhã, 5a feira, dia 28: 14 bandas e um artista plástico em esquinas de Ipanema e Leblon, às 19h30 em ponto. Ótima música com Bonde Som, Os Outros, VulgoQuinho e os Caras, Zarvoleta Blues Band...

Mas eu recomendo mesmo é a esquina da Farme de Amoedo com Visconde de Pirajá, onde vai tocar o Rodrigo Bittencourt, que eu nem preciso mais explicar, preciso? Quem achar que sim, passe aqui. Até lá!

17.2.08

no meu livro novo tem

6 desertos
17 amores
26 medos!
9 desejos
7 filhos
48 eus
18 palavras
3 raivas
7 sonhos
7 mulheres
9 quandos
21 casas!
9 homens
16 noites
11 mundos
5 tardes
15 dias
4 erros
4 solidões
9 silêncios
3 ruas
8 crianças
1 surpresa
1 loucura
1 romance
1 coração
1 pessoa
2 angústias
0 carinho
0 maravilha
0 nitidez

12.2.08

enquete

Entra no livro ou não entra, Lombardi?
“Miguilim contava, sem carecer de esforço, estórias compridas, que ninguém nunca tinha sabido, não esbarrava de contar, estava tão alegre nervoso, aquilo pra ele era o entendimento maior.” (Guimarães Rosa, in Manuelzão e Miguilim)

O silêncio tem suas portas
O medo cria suas cobras
O dentro é de onde se olha
Bicho pronto pra morder

Quem vive sempre aparece
Quem espera ainda alcança
Devagar se vai ao longe
Mas hoje é preciso correr

Tem uns dias que são brancos
Tem gente que fere e cala
As noites todas têm alma
Pra quem olha e sabe ver

Embaixo de tudo é fome
Nos cantos mora o perigo
Quem deseja o proibido
De prazer pode morrer

O fundo é onde é molhado
Toda rede tem embalo
Qualquer casa é um castelo
Pra quem a souber encher

Menino que perde dente
Gente velha que ainda mente
Toda história tem semente
Se quem ouve quer dizer

E o verso que aqui se espalha
É como no boi a cangalha
Só o vaqueiro encantado
Pode libertar você.

1.2.08

poema com historinha

Não quero ser o Big Simpatia
A pele fina por debaixo da couraça

Não quero ser rainha da tristeza
Nem rei da dor ou outro título do inglês

De onde olho há o caminho andado
E vejo as mil curvas pela frente:

Podem ser estrada de Santos
Podem ser labirinto de Creta
E pode ter monstro
E pode ter novelo
E se o fio vai ser forte só na hora eu vou saber

Mas choro minhas dúvidas sem economia
Na hora da dor, lágrimas
Na hora de viver, pernas pra que te quero e mãos à obra

Se for imagem, filme
Se for palavra, poesia



(Big Simpatia é um personagem de um conto que meu pai escreveu muito antes de pensar em ter filhos, e que eu nunca li, só ouvi ele contar. Era um cara magrinho, fracote, que sonhava em ser grande e forte. Um dia um circo passa pela cidade, ele vê um cara que se apresenta com uma armadura e acha a solução pros seus problemas: veste a armadura e nunca mais tira. Por anos ele fica sendo o grandão-fortão que sempre sonhou, até que um dia se cansa daquela imagem e resolve voltar um pouco a ser ele mesmo. Quando ele tira a armadura, percebe que a sua pele ficou tão fina que qualquer carinho a arranha, porque ele ficou tão encantado com aquela falsa fortaleza que não se deu conta de que não estava construindo a sua força, a sua grandeza. É mais ou menos isso, de ouvido, da infância, mas esse cara anda comigo pela vida afora, e sempre que dá medo de não agüentar eu penso nele.)

26.1.08

no papel, de novo

Em junho a minha estréia no papel vai fazer cinco anos. 11 de junho de 2003, na Cobal do Humaitá, uma noite alegre de palavras e música e muitos amigos, livros e discos vendidos, felicidade, felicidade. Cinco anos mudam muita coisa, mas nem todas. A perda mais triste é essa, a continuidade mais feliz é essa.

Cinco anos é também um intervalo longo demais entre um primeiro e um segundo livro. Mil "mas é que" e alguns "também, né?" tentam justificar, mas a verdade é: publicar livro de poesia é assunto do poeta, e só dele. Não adianta contar com editora apostando o suficiente pra bancar os custos ou concursos públicos que concluam que seu livro é genial e te paguem pra trabalhar nele. Poucas chances. Pra mim nenhuma em cinco anos.

Mas enfim a inteligência me arrebatou e a grana dos outros trabalhos encheu o cofrinho o suficiente pra ser possível tomar a vida nas mãos de novo e dizer: Bendita Palavra, aí vamos nós. Com a parceria da 7Letras em breve meu segundo livro vai virar papel encadernado circulando em livrarias, e eu tô feliz que só!

E como nesse intervalo tudo que rolou foi aqui, no mariadapoesia, espero que vocês, que me lêem aqui, queiram também me ler aí nas suas casas mas sem virtualidades, com o computador desligado, deitados no sofá, espichados na cama, fazendo hora em salas de espera, por aí, por aí...

22.1.08

recomendo, recomendo, recomendo


Parece improvável: uma banda instrumental, com composições próprias e covers inusitados, lotando shows pelo Rio de Janeiro afora, e ainda colocando todo mundo pra dançar a noite toda. Parecia improvável, mas rolou, rola toda semana e nessa, em particular, vai ser no palcão do Circo Voador e com participações incríveis.
Imperdível!
Pros não-estudantes como eu, lista amiga aqui.

16.1.08

ainda

Palavras em caixas de som
Um corpo iluminado
E um rio branco correndo do outro lado da cidade
Já naquela noite
− embora ainda sem gemidos

Depois a voz gravada no etéreo
Permanência com prazo de fim

Sob o céu preto do mundo o encontro

A boca nessa hora transformou palavra em beijo:
Foi palavra, palavra
Palavra no fundo do ouvido
E aí beijo
Beijo como quase nunca mais ia ser
Mas de vez em quando ainda

O desejo ali deitado colou no corpo sem volta

Nem tudo era possível
Nem tudo ia ser tão bom assim
Mas era tudo verdade e continua
É tudo verdade e continua

Continua tudo ardendo noite adentro

7.1.08

A musa do século 21

Gata, gostosa, tesudinha:
dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.

Aberta, relax, super moderninha:
divide o namorado com hippies e patricinhas.

Séria, independente, meio estressadinha:
tem sua própria casa e paga as contas sozinha.

Culta, inteligente, artisticazinha:
Cita filosofia, curte música e um cineminha.

Doce, prendada, jeitosinha:
lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.

Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,
busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.

Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,
tem email, tem um blog, tem crédito no celular.

Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.

Não é careta nem doidona,
adora esportes na tv e sexo de madrugada,
não fala em filhos nem casamento
e cuida sozinha da anticoncepção.

Por ela suspiram os machos do século 21,
e por causa dela sofrem as fêmeas,
meros projetos de musa,
nós, mulheres reais.

1.1.08

Novo

Tudo novo de novo



ou



A continuidade



(no bom sentido, não me entendam mal. tudo aqui hoje no melhor sentido)



A noite foi de festa, e a comemoração pela virada de 7 pra 8 teve as melhores músicas, ótimas pessoas, uma puta vista, champanhe pra dar e vender, e teve a gente em grande forma, bonitos nas nossas roupas escolhidas, celebrando as conquistas do ano que acabava que se esparramam pro que começa, felizes felizes felizes.

Não é começar do zero, ufa! É mais como uma página recém virada do mesmo caderno antigo, aquele que começou quando a gente nasceu e que pode ter tantas folhas quanto a gente quiser, e fizer.

O meu é gordo, cheio de acontecimentos, e vai precisar de fitinha pra amarrar porque os planos são de muito mais!

30.12.07

ímpar-par

2007 foi um ano daqueles. Teve alegria, teve grana, teve dúvidas e confirmações de certezas, teve um monte de novidade: teve novidade-trabalho, teve novidade-casa, novidade-namoro.

Também teve alguns nãos, mudanças de rumos, teve portunhol e champanhe, poemas bonitos, noites em claro.

Teve a descoberta da maturidade, a invenção de caminhos, e agora levo comigo um EU imaginário gravado no pulso esquerdo.

Foi um ano de acontecimentos insuspeitos e inesperados, e que termina tão redondo, tão suave, que me faz mais forte pra 2008, 9, 29...

Não sei se deus existe, se tem mais depois da morte, nem qual a origem da vida, mas sei bem pra que estamos aqui: pra ser feliz e aproveitar.

E eu cumpro a missão com alegria!

21.12.07

o tempo

Tenho 29 anos
Um punhado de cabelos brancos
Dinheiro pra viver um ano
E quero ser mãe.

Quero ser mãe antes da riqueza
Antes da fartura
Quero ser mãe sem tinta no cabelo
Quero antes que seja tarde
Antes que eu seja velha
Antes que seja o fim.

Quero agora pra não mudar de idéia
Quero logo porque o medo ronda
Quero enquanto há inocência em mim.

A prata em meio aos fios me apressa, me assusta
Faz urgir o meu desejo:
Quero ser mãe de cabelos pretos.

14.12.07

sabedoria

"Maritma,

são palavras simples, apenas uma atrás da outra, mas um dia a gente aprende a morar dentro delas:

eu gosto de quem gosta de mim
eu acho interessante quem interage comigo
eu tenho tesão em quem brinca de ser legal
eu aceito o ínfimo, o prazo de validade e as infinitudes de todos os encontros...

afinal o ninho é feito de um material diferente do pássaro"

(trecho de email/carta do meu amigo, poeta e sábio Pedro Cezar, no longínquo ano de 2002)

noturno

Não é vontade de falar
Não é saudade de ninguém
Não é sono nem insônia
Não tem angústia no escuro

Apagado, o abajur descansa
Os cabelos não dormem sob o vento do teto
Idéias de receitas cruzam a cabeça

O corpo deitado sabe que não vai dar certo
Mas tira a lâmpada do repouso
Os dedos trabalham e os olhos reclamam:
É tudo esforço inútil

Amanhã o sol arrebenta na cara
E as olheiras afundam um pouco mais


(Mas felicidade não é muito diferente disso não)

13.12.07

Natal com sentido II

Ano passado escrevi um texto enorme e emocionado sobre o meu Natal. No final dele, falava do projeto Papai Noel dos Correios, mas já era tarde pra participar. Pois esse ano me adiantei e vou enfim adotar uma carta!

Funciona assim: todo ano eles recebem milhares de cartas de crianças pedindo presentes, e qualquer um pode ir a uma agência e adotar uma carta. Você tem que passar na Avenida Presidente Vargas, numa mega agência dos Correios que centraliza as cartinhas, e escolher uma carta pra adotar. Daí você compra o presente que a criança pediu e deixa lá na agência, e os Correios mandam um carteiro vestido de Papai Noel fazer as entregas.

Os presentes têm que ser entregues lá até dia 19, então é bom passar lá logo pra dar tempo de comprar e voltar pra entregar. O telefone pra contato é (21) 2503 8820 ou 2503 8110, mas tem no Brasil todo, você pode descobrir onde é na sua cidade clicando aqui.

Ok, podia ser mais fácil. Ir ao centro nessa época do ano, e ainda por cima com essa chuva? Mas a gente faz tanta coisa chata à toa, essa pelo menos tem um belo propósito! Animem-se!

12.12.07

mergulho




e se eu não fui esperta o suficiente?




e se eu achei que era forte demais?




e se for agora ou nunca?




e se eu escolher errado?




e se não der mais tempo?




e se for tudo exagero?




e se o melhor caminho era outro?




e se depois der errado?




e se eu tiver medo?




e se a felicidade estiver no próximo passo?




e se eu não souber que passo é?




e se






5.12.07

identificação

É raro. E muito bom. Eu tenho adorado a internet e essa coisa dos blogs por me abrirem as portas pra achar mais gente com quem eu me identifique. Já faz um tempo que achei aqui. E é um cara, quem diria.

Fernando Maatz é um puta escritor, diz o que quer do melhor jeito, sem fazer tipinho, e ainda falou de sonhos que são os meus sonhos que são os sonhos de todo mundo ou quase mas falou do jeito dele.

Ainda não clicou? Clica! Vai lá logo! Tchau.

4.12.07

livro novo - aperitivo

As coisas boas são prisões sem grades
Pessoas boas são carcereiros sem chaves
O conforto é uma corrente que ata aos pés bolas imensas
Felicidade é parede encobrindo o outro lado

Bons poemas são veneno: afastam palavras novas
Caminhos cheios de setas não dão em praias desertas
O acerto de anteontem mata o risco dessa tarde
O sucesso é um uniforme que te obrigam a vestir

E o que é bom vira uma sina
Mantém o mundo de cabeça pra cima
E você preso nesse lugar.

1.12.07

hoje e todo dia


É uma loucura pensar que a solução possa piorar o problema, mas parece que é o que acontece em relação a Aids. Apesar de continuar não tendo cura, o desenvolvimento de remédios que melhoram a vida e tiram a sensação de morte iminente pra quem é soropositivo criou uma falsa sensação de alívio geral: ufa, agora então não se morre mais! E é justamente esse relaxamento do medo que faz com que as pessoas relaxem também na prevenção, porque a gente sabe que ninguém abre mão do prazer a não ser que as conseqüências sejam drásticas.
Ou seja: se pra quem está doente os remédios são a solução, pra quem está saudável eles aumentam o problema. A gente hoje tem uma percepção completamente equivocada de que Aids virou uma doença da África, como um dia já foi uma doença de gays, e enquanto isso o só aumenta o contágio de pessoas jovens, heterosexuais, brasileiras bem aqui pertinho, na Região Sudeste, no Rio e em São Paulo, na Zona Sul, na nossa rua.
Não tem essa. Não dá pra deixar pra lá. Taí um dia que merece ser marcado no calendário muito mais do que os comerciais "dia das mães" ou "dia das secretárias": é um dia no ano pra gente olhar pra vida que leva com honestidade e pensar se está sendo responsável com ela. Devia ser todo dia, mas que seja nesse, pelo menos.

29.11.07

7 coisas estranhas

A idéia veio da minha prima Dani, brasileira disfarçada de americana e mãe da lovely Amelia, que mora na Califórnia e portanto eu vejo muito menos do que gostaria. Ela tem um blog e me incluiu numa espécie de corrente blogueira, mas eu nunca fui adepta de corrente, ainda mais que essa tem mil regras, ainda por cima em inglês!

A parte da qual eu gostei foi a proposta de fazer uma lista de 7 coisas estranhas sobre mim, então aí vai:

1. eu odeio usar sutiã, e apesar disso tenho uma coleção de uns 20

2. eu amo supermercado, do Pão de Açúcar chique ao Mundial da Lapa

3. eu só fiz a sobrancelha pela primeira vez depois que a minha avó materna morreu - ela amava minha sobrancelha grossérrima

4. eu calço 39/40 e passei uns dois anos usando só tênis bamba, sapatilha chinesa e chinelo, até as fábricas de calçado entenderem que mulher de pé grande também é gente

5. eu guardo um vestido pra usar quando estiver grávida desde os 15 anos. sim, ainda cabe.

6. eu mesma inventei meu único apelido: esse mariadapoesia que está quase roubando meu nome

7. eu sou feliz. nem sempre estou, mas sou. sim, pra alguns isso é estranho. eu adoro essa estranheza

eram só 7, né? então tenho dito.

14.11.07

desejo necessidade vontade

1 fone de ouvido que não se enterre nos tímpanos me obrigando a um intervalo de 3 dias entre usos

re-pintura do apê

1 editora pro Bendita Palavra

1 ou 2 ou 3 ou 1000 desumidificadores pra tudo que há na casa parar de mofar

1 escutador de mp3 de qualquer marca pequenino e bonitinho

1 pacote de chá verde bom, com folhinhas enrugadas que se abrem na água quente, que nem o que veio de Chinatown e diferente dos três que eu já tentei por aqui

1 brinco prateado, fosco e básico e chique, que nem o que eu tive por anos e de cujo par pra minha tristeza só restou um

quadrinhos pequenininhos pra minha parede de quadrinhos pequenininhos

1 gravador de dvd externo que não dê erro a cada dois usos

1 parafuso que caiu do meu lado da cama, devidamente preso no lugar

e ainda...

6.11.07

noturno

Sua ausência
cava
um poço de petróleo
em meu estômago.

Viscoso e negro brota,
entre outras flores,
o medo.

3.11.07

é isso

Vim aqui dizer outras coisas, mas no caminho passei no Anotandoteatro e de lá fui parar no Semgelo e descobri que ele é blog da Fernanda D´Umbra, atriz que eu só fui conhecer agora por conta do Mothern e descobri um monte de coisas: que estou atrasadíssima porque ela é uma super atriz cheia de trabalhos bacanérrimos, que ela é casada com o Mario Bortolotto, um puta escritor que eu não li mas morro de vontade de e com quem o Rodrigo fez uma entrevista esses dias lá em São Paulo, e que além de ótima atriz ela é uma escritora de mão cheia!

Como gostei do blog dela fui fuçar o início de tudo, os primeiros posts, e me deparei com essa carta inacreditavelmente deliciosa, que ao descrever desse jeito amoroso a vida deles dois fala tudo que eu sinto e quero viver na minha vida aqui, tão longe e tão perto.

E como admiração é das drogas que eu mais gosto, taí pra todo mundo que passa aqui o texto da Fernanda, porque os fatos são outros mas o sentimento é o mesmo.

"Querido Mário,
Como fiz durante anos te escrevi uma carta e demorei tanto para postar que ela ficou velha. Então resolvi começar de novo. Era mais fácil escrever para você quando você morava longe e não sabia o que acontecia comigo e eu contava que estava doente, que não podia mais beber e você me respondia dizendo que andava viciado em Jack Daniel´s, mas que não tinha dinheiro e então tomava um conhaque vagabundo mesmo. Tive muita saudade de você, porque ficamos muitos anos separados. Você teve outras namoradas e eu tive outros namorados que me perguntavam de quem eram aquelas cartas. Eram todas do meu futuro marido, mas eu ainda não sabia disso.
Eu coloquei muitas cartas numa caixa de correio que tinha ali perto da FAAP porque eu fazia uma peça lá. Aquela caixa de correio era a coisa mais legal que tinha ali porque eu sabia que uns dois dias depois você receberia minha carta e eu poderia inventar qualquer coisa e, porque a gente não se via, aquilo seria verdade. Eu morava num prédio que não tinha elevador e uma vez caí feio na escada porque subi correndo para ler uma carta sua que tinha chegado. Fiquei com um roxo na perna e me lembrava de você: “foi o Mário”. Não tinha sido, mas eu queria que tivesse. E então um dia a gente se casou. E aquele moleque que eu achei lindo e para quem eu sorri descaradamente, que ficou conversando e bebeu comigo e tinha uma voz muito grossa que eu gostava de ouvir, o cara que tocava blues e escrevia peças e entrava em cena de um jeito que eu nunca tinha visto, meu Deus, esse cara agora era meu marido. E então eu teria que ser bacana mesmo, porque eu não podia mais escrever para você. Não podia mais me inventar para você. E eu beberia, dormiria e tomaria coca-cola na padaria com você. Apresentaria a você meu lado B e provocaria uma coleção de brigas cheia de figurinhas repetidas. Mas a gente tinha um colchão. E uma TV velha. E finalmente tínhamos um ao outro. E você era tudo o que eu queria. E todos os dias seriam plenos de amor e ódio. Ódio de ser contrariada, de ser abandonada em minha imaginação fértil e má. E você não sairia de dentro de mim nunca mais. Muitas vezes. E hoje quando você está na rua e liga para casa marcando de se encontrar comigo no cinema ou em qualquer outro lugar eu fico ansiosa e tenho taquicardia quando olho de longe e te vejo me esperando. E então eu sinto sua mão na minha cintura e sei que você é o mesmo cara que me escrevia e recebia meus postais vagabundos. E percebo que nunca, nunca mesmo, vou me acostumar com você. Você bem sabe do que tenho medo: de que você morra antes de mim e eu fique aqui com essas cartas e essas fotos. Eu que nunca me acostumei com você terei que me acostumar a viver sem você e então sentirei sua falta para sempre. E essa sim será uma grande sacanagem. Não faça isso com aquela garota que sorriu para você, roubou seu chopp e sentou no seu colo. Porque ela é sua agora. Um beijo enorme. Com amor, Fernanda."

28.10.07

orgulho




Expandindo os limites do trabalho como montadora, esse ano estreei com o Rodrigo no mercado de trailer pra cinema. Todo filme tem que ter trailer, e tem pouquíssima gente no Brasil fazendo isso. É um trabalho exaustivo porque fundamental na carreira do filme, sendo que tem muito mais filme do que sala de cinema e se o público não lotar na primeira semana o filme corre o risco de não ficar muito tempo em cartaz.
Além disso, o trailer é uma peça de venda feita pra ser assistida justamente pelo público alvo, que é quem já está no cinema, ou seja, ele TEM que entusiasmar quem vê. Por tudo isso foram muitas horas de trabalho, muitas reuniões, muitas idas e vindas e opiniões, tudo pra chegar a um resultado à altura do filme.
Como se já não fosse pressão suficiente, ainda estreamos com "Meu nome não é Johnny" , um filme que está cercado de expectativas, e portanto a responsabilidade era ainda maior! Fizemos o trabalho no risco, e agora, com o trailer pronto, a gente tem muitas razões de orgulho: todo mundo está adorando!
Por enquanto ele só pode ser visto no Youtube e no site do filme, mas quando o nosso trailer "entrar em cartaz" confesso que irei de bom grado pagar um ingresso só pra ver esses dois minutos e meio de trabalho no telão!

23.10.07

depois


quando o furacão não derruba a casa

porque o que não mata engorda

sendo que podia ser o fim


o que era difícil vira adubo pra nascer a força

jardim suspenso de gozos insuspeitos

e a felicidade, plena, brota no ar

16.10.07

defícil

pode ser feio
pode ser lindo
pode doer, arranhar, tirar sangue
pode ser silêncio
pode ser ruído
noite quieta ou multidão
medo da luz
picada de bicho
canto de unha no duro dos dentes
pode ser música na tarde
sala vazia
pode ser manhã de sol

a vida tem partes
às vezes tanta coisa
quase sempre, difícil
e ainda assim, bonito

10.10.07

Inoportuna



Quien no lo sepa ya
lo aprenderá de prisa:
la vida no para,
no espera,
no avisa.
Tantos planes,
tantos planes
vueltos espuma
tu, por ejemplo,
tan a tiempo
y tan
inoportuna
Eran más bien los días
de arriar las velas.
Toda señal a mi alrededor
decía: cautela.
Cuánta estrategia incumplida
aquella noche sin luna
tu, por ejemplo,
tan bienvenida
y tan
inoportuna
¿Quien sabe cuándo,
cuándo es el momento de decir: ahora?
Si todo alrededor te está gritando:
¡Sin demora, sin demora!

3.10.07

estréia

(Camila Medina, a produtora + Elke, a personagem + Julia Rezende, a diretora)


Então ontem foi a estréia do Elke nas telonas! E foi em grande estilo, no Festival do Rio, que além de ser o maior da América Latina, é o do coração de nós cariocas! A tarde foi incrível, Julia e Camila nervosíssimas, Elke super emocionada, muitos amigos na platéia, e foi um tal de perna tremendo, voz falhando, discurso ensaiado ficando pra trás, e quando o filme finalmente encheu a tela do Odeon foi muita felicidade e alívio: ufa, deu tudo certo mesmo!


Pra mim, que montei o filme e passei tardes e tardes ouvindo os depoimentos, pensando se essa frase ficava ou saía, se aquela imagem durava meio segundo a mais ou a menos, foi muito bacana ver o filme pronto, depois de algum tempo sem mexer nele. Tudo que já era banal de tanta repetição aqui na ilha de montagem ganhou força e impacto no cinema lotado. O que era engraçado teve a confirmação das risadas, o que era sério mereceu silêncios, e o desejo da Julia de fazer um filme pra revelar a mulher por trás do estereótipo provou ser boa e relevante ali, naquela hora, ainda mais do que em todo o processo.


Agora o filme tá na rua, e tem muita estrada pela frente: já foi aceito na Mostra São Paulo de Cinema, no Festival Mix Brasil, e no Festival Internacional de Curtas do Rio. Em outubro tem projeção em Sampa, e até o fim da semana o filme está disponível no site Porta Curtas. Aproveitem!

27.9.07

trapézio

Tudo tá sempre na corda bamba.

A vida é por princípio um fino fio, e a gente tenta se equilibrar.

Tem quem meça cada passo
Tem quem corra pra enganar o medo
Eu faço do fio estrada asfaltada
e ando com calma e sem pressa
apreciando a vista
assobiando baixinho.

Eu finjo que a vida é uma estrada e esqueço do fino fio
daí o susto da iminência da queda:
cair como de tanta solidez?

Me assusto, estremeço
o chão foge dos pés
e a distância se abre imensa nos olhos:
um monte de nada até lá embaixo
o fino fio balançando bem de leve...

É um desespero sem morte
a vertigem mais profunda.

A vida cobrando a conta da calma, da vista, dos assobios
e eu, desabituada, evito olhar pra baixo
pra não virar ovo estrelado no chão da realidade.

24.9.07

America Latina II


Inventar de ir a Buenos Aires foi coisa minha, e portanto nem posso reclamar da confusão em que me meti... Pesquisando sobre Montevideo descobri que 3h de barco nos levariam lá, e aí começou a fissura: TEMOS que ir a Buenos Aires pelo menos um pouquinho!


Descobri nesse processo que viagem sem planejamento anterior cobra um preço alto de stress em lan houses e telefonemas de orelhões com cartões pré-pagos nem sempre compreensíveis. Passei quase metade do tempo planejando o que viria no dia seguinte, ligando e mandando email pra albergues, hoteis, locadoras de carro, companhias aéreas e de transporte fluvial, arrancando os cabelos, enfim. O resultado foi diversão acompanhada de muito cansaço, e chegando no Rio foram precisos uns 3 dias pra eu conseguir começar a trabalhar...


Mas fora tudo isso foi uma delícia. Buenos Aires é definitivamente uma cidade adorável, daquelas que se eu fosse rica e pudesse iria passar um fim-de-semana, jantar em dois ou três lugares deliciosos, fazer umas comprinhas, tudo pela metade do preço que se pagaria em São Paulo, por exemplo, e pode incluir a passagem nessa conta. Infelizmente esse (ainda) não é o caso, então tratamos de aproveitar bem porque acho que agora vamos demorar a voltar lá.


A gente ficou hospedado num albergue incrível, descoberto numa das sessões internáuticas em Montevideo. Chama Borges Design, e o nome juntou duas informações interessantes: literatura e design num só pacote, a preço de albergue? Parecia bom demais, e era mesmo. O lugar é uma graça, super arrumadinho e de bom gosto, nosso quarto era enorme, com um banheiro ótimo, edredon cheiroso na cama, e ainda por cima fica num ponto ótimo, no coração de Palermo Soho. Palermo, aliás, é um capítulo à parte: é o bairro mais charmoso, cult, cheio de lojas bacanérrimas e bares e cafés e restaurantes deliciosos. O bairro costumava ser dividido em duas partes: Palermo e Palermo Viejo. Agora a coisa se sofisticou, e Palermo Viejo se dividiu em Palermo Hollywood e Palermo Soho, onde a gente estava, pertinho da famosa Praça Serrano, onde aos domingos rola uma feirinha de design incrível.


Ficamos lá até quarta, quando partimos cedinho de barco de volta pra Montevideo, pra almoçar e pegar o avião de volta pro Rio. Foi pouco tempo, mas deu pra aproveitar, então aí vão as dicas:


- Passear na Praza Serrano e nos seus arredores. O programa é bom qualquer dia da semana, e domingo tem a feira pros animados, porque a cada vez que eu vou lá tem mais lojas e mais gente comprando, e dessa vez mesmo eu, uma compradora animada, não tive ânimo de enfrentar a multidão.


- Sair pra beber e comer besteiras no Acabar, um bar incrível, com uma decoração louca e que tem milhares de jogos pros clientes escolherem. É genial ir com muitos amigos, mas mesmo um casal consegue se divertir e passar uma noite inusitada. Pra gente, que estava há cinco dias só conversando um com o outro, foi ótimo passar a noite rindo sem falar nada!


- Passear no Parque Tres de Frebrero, um parque lindo pra caminhar e comer um "pancho", que é como eles chamam cachorro-quente. De lá se vai a pé por um caminho cheio de jardins e praças até o Jardim Japonês, que é lindo, e de lá é um pulo pro MALBA, o museu de arte moderna de lá que é um escândalo! A arquitetura é linda e sempre tem exposições e programações culturais super bacanas. Pra quem é de andar, de lá dá pra seguir a pé pro Museu Nacional de Belas Artes, que tem Miró, Goya, Rodin, Manet, Monet, uma super coleção permanente.


- A principal rua de comércio é a Avenida Santa Fé, cheia de lojas de sapato lindas onde eu não posso comprar porque meu pezinho 39-40 não entra nos modelitos de lá... É que os números lá são 1 a mais do que os nossos, então lá eu calço 40-41, e já viu que não existe 41, né? Uma tortura pruma sapatomaníaca como eu... Na Santa Fé fica também a livraria mais linda que eu conheço, chamada El Ateneo. É um antigo teatro, tipo o nosso Municipal, transformado em livraria mas mantendo o clima do teatro, com estantes de livros espalhadas pelos camarotes e um café chiquérrimo e bem carinho no palco. Mas tomar um café folheando um livro recém comprado olhando praquele cenário emoldurado por cortinas de veludo vermelho vale o preço!


- O centro da cidade é outro passeio genial. Lá fica a Casa Rosada, numa praça enorme e linda que é onde acontece toda a vida política da cidade, e os argentinos são super políticos, então a praça transborda de História. De lá se anda pro Café Tortoni, o mais antigo da cidade, charmosérrimo e também carinho, mas o clima compensa o lanche caro. Lá eu vi um show de tango super bacana, numa salinha mínima e sem aquela onda super turística, recomendo.


- Dar uma volta no Puerto Madero, que é onde a foto aí de cima foi tirada, na nossa chegada na cidade puxando mala pela rua loucos em busca de um caixa automático pra sacar pesos argentinos e poder pegar um taxi pro albergue! O porto foi revitalizado, é lindo, um passeio super agradável, tem restaurantes e cafés.


- Andar em San Telmo, que é onde tem a feira de antiguidades aos domingos. Eu confesso que não curti muito a feira, e gostei bem mais de andar por lá durante a semana, é uma parte bem antiga da cidade, super gostoso.


- Restaurantes incríveis: Te mataré Ramirez é um restaurante de comida afrodisíaca genial, super bem humorado e com ótima comida e boa música. Bar Uriarte é um lugar que eu adoro, boa comida, ambiente super clean mas aconchegante.


E aqui acaba o super-guia-maria-de-buenos-aires. Eu tenho uma inclinação louca pra guia turística, é uma loucura...

14.9.07

América Latina I




A semana passada foi de férias imprevistas pro casal. Foi nossa segunda viagem pela América do Sul, e nossa estréia no Uruguai, em Montevideo, cidade linda a que a gente nunca tinha ido. A maioria das pessoas com quem conversei na semana que separou a decisão de ir pra lá pra ida propriamente dita nos perguntou: mas por que Montevideo? O tom variava da curiosidade genuína a um espanto que teria desanimado alguns. Mas não eu, leitora apaixonada do uruguaio Eduardo Galeano e seduzida pelo seu olhar amoroso pra sua cidade. E respondia assim mesmo: porque eu adoro Galeano, porque aprendi com ele que nós brasileiros somos também latinoamericanos, e nada mais lógico do que conhecer os países vizinhos, ainda mais quando a Europa anda tão cara e os Estados Unidos nos barram na porta. E além disso de lá vem o Jorge Drexler, melhor descoberta musical dos últimos anos, cujo disco "Eco" não sai da vitrola aqui de casa desde que compramos.



Montevideo é linda, uma cidade com orla de rio e tempo de antigamente, cheia de praças bonitas, bares e restaurantes bacanas, e muita gente simpática pra todo lado. Tudo lá estava incrivelmente barato pra gente, e aproveitamos pra comer bem e passear muito. A dica pra quem for é ficar no Centro, onde era nosso albergue Che Lagarto, escolhido exatamente por isso. Só que chegando lá detestamos nosso quarto, que não tinha mesa-cadeira-cabide-armário, nada além da cama e olhe lá. Daí fomos parar num hotel Ibis, padrão-americano de qualidade, que realmente nos deu tudo o que a gente precisava por uns poucos dólares a mais que o albergue, e que apesar de estar fora do Centro era de frente pra Rambla, o que compensava a perda.



Andamos feito loucos, comemos a qualquer hora, fizemos tudo que deu na telha, arrastamos malas pela rua, dirigimos sem saber o caminho, compramos sapatos iguais, e eu comprei, já sabendo que nem ia tocar nele lá, o último livro do Galeano que me falta ler, "Venas abiertas de la America Latina", assim mesmo, em espanhol, porque o medinho que eu tinha de ler esse livro se foi quando dei de cara com o Uruguai e percebi o quão perto ele está de tudo, o quão perto a gente está de lá e de tudo mais, e agora, já no Rio, aproveito o prazer de ler esse cara que eu adoro na sua língua, e de conhecer o que ele teve a dizer sobre tudo isso ainda nos anos 60, e que é cada vez mais relevante nos anos 2mil.



Dicas pra quem for:



- andar pela Rambla, que é a orla de lá e corta a cidade de uma ponta a outra, ou seja, de Carrasco (bairro antigo e cheio de casas deslumbrantes e sem muros ou grades, pra nosso espanto carioca) até o Mercado del Puerto, antigo mercado transformado em centro gastronômico que reúne restaurantes de 'parrilla' (churrasco deles) e bares bons pra beber medio-a-medio, mistura de vinhos brancos e espumante típica de lá.



- se admirar com a beleza da Plaza Independencia, passar pela Puerta de la Ciudadela e andar pela Ciudad Vieja, sentar nas praças e se sentir seguro em qualquer ruazinha deserta



- jantar no Bar Tabaré, um bar-restaurante super tradicional e ainda assim moderninho, ótima comida e clima



- ouvir boa música e beber 'uvita' (outra mistura de vinhos deliciosa, que só esse bar tem) no Baar Fun Fun, perto da Plaza Independencia



- passar uma noite pulando de bar em bar na Calle Bartolomeu Mitre, na entrada da Ciudad Vieja: são vários, cada um num estilo, quase todos com música ao vivo, e como os preços são ótimos dá pra beber e comer um pouquinho em cada um



- sentar pra tomar alguma coisa no Café Brasileiro, lugar preferido do Galeano (se é que alguém além de mim se interessa por essa informação). Independente da literatura, é um dos cafés mais antigos da cidade, e apesar da gente não ter gostado de nenhum café (a bebida, não o lugar) em Montevideo, vale uma visita



- pegar um barco pra ir a Buenos Aires, que pode ser direto de Montevideo (3h de viagem) ou passar por Colônia, cidade que todo mundo diz que é linda mas que a gente acabou não conhecendo, por confusões de viagem e uma certa ansiedade de chegar em Buenos Aires, que a gente ama.



Notícias de lá no próximo post...


5.9.07

será mesmo?


Sempre fui péssima em geografia. Durante a escola era só estudar na véspera das provas, mas agora, na vida real, é que a coisa pega mesmo. O Brasil até que eu entendo bem, graças à sorte de ter viajado bastante pelo país, o que me faz saber onde ficam os estados. Parece básico, mas é me deixa feliz!

Seguindo pra América do Sul ainda me entendo, a America do Norte faz o favor de ter poucos países, e aí quando vem a Europa me perco toda. Ok, a Itália é uma bota e a Inglaterra é uma ilha, mas são tantos países, meu deus! Não adianta, não sei mesmo onde eles estão... África, Ásia, Oriente Médio, aí é como se fosse Marte, Vênus, Urano: nenhuma remota noção.

Digo isso tudo porque instalei aqui no blog um mapa que assinala onde estão os meus leitores, e cada vez desacredito mais dos resultados. No início comemorava: olha, estão me lendo numas ilhas no meio do mar!

Pelo mapa mundi que eu acabo de consultar e comparar com o meu Cluster Maps, tenho leitores nos Açores, nas Ilhas Canárias e em Cabo Verde. Também me lêem em três diferentes parte do Japão, em Macau, Angola, na Venezuela, na Guiana, na fronteira do Uruguay com a Argentina, em várias partes dos Estados Unidos, na Itália, Turquia, Noruega, Dinamarca, e em outros países da Europa que eu não consigo reconhecer no mapa-mundi porque os pontinhos vermelhos do Cluster Maps encobrem as fronteiras. E tem mais! Tenho leitores em Iceland! Sou lida na Terra do Gelo, ilha que eu nem sabia que existia, ó ignorância geográfica!

Enfim, fico feliz, lisonjeada, orgulhosíssima, mas diante da improbabilidade desse fato deixo o apelo: se alguém aqui souber como funciona esse Cluster Maps, me dê notícias. E se alguém aí estiver me lendo de lugares incríveis como esses, ah, deixa um recadinho, vai...

31.8.07

Elke


O cinema sempre perpassou a minha vida, desde pequeninha. Com um pai diretor e uma mãe produtora, passei anos me perguntando se queria fazer cinema e fingia que não pra fugir da obviedade, ou se não queria fazer cinema e achava que sim pela sedução intrínseca desse universo. Ao longo dos anos fui experimentando: fui estagiária, assistente de direção, dirigi um curta, alguns making ofs e até comecei a co-dirigir um longa documental, que continua em fase de elaboração.
Quando comecei a trabalhar com montagem tudo se encaixou. Levou um tempo até eu perceber que, mais do que um trabalho provisório pra ganhar dinheiro, esse era o trabalho que eu queria pra minha vida, junto e ao lado de ser poeta - que é paixão e sina, não profissão. Desde então coloco "montadora" em formulários e proclamo por aí a minha vontade de viver fazendo isso.
Por isso é uma alegria imensa ter um filme montado por mim escolhido pro Festival do Rio desse ano. 2007 foi o ano curtas na minha vida. Até agora foram 3: "Procurando Jorge Mautner", do Rodrigo Bittencourt; "Minha rainha", da Cecília Amado; e o "Elke" aí de cima, da Julia Rezende.
Como o sobrenome já denuncia, a Julia é minha irmã, o que só aumenta a alegria. Esse é o primeiro curta dela, produzido pela Camila Medina, minha irmã-escolhida, e tome alegria! O filme está uma delícia, um retrato amoroso dessa mulher além de todos os estereótipos, com um enfoque cuidadoso e delicado da Julia.
Pra mim, que já estive no Festival como diretora junto com o Rodrigo com o nosso "Por acaso Gullar", é um luxo voltar ao Festival agora como montadora. E que venham mais filmes e festivais por aí!

3.8.07

ainda a morte, agora em verso

Arroz de carreteiro numa casa masculina
O jeito doce
Broncas entre risos num elevador
da cidade de São Paulo

Claras em neve no banquinho da cozinha
Novela das oito no ar-condicionado
Caxambu e a fonte da beleza
Ser “princeza” com “z” na sua letra rebuscada

Me achar a sobrinha preferida
Gargalhadas com Chico Anísio
Cócegas até doer
Brigas no vôlei e os olhos de piscina

Camisetas velhas e tênis cinza anos 80
O preconceito e a descoberta
Pão de queijo ruim e belas conversas
Admiração e sonhos na minha geração

Ser chamada de Aretuza ao passar na porta
Contar os passos entre nossas casas
Velhas marchinhas de carnaval:
“Ó mulher vampira!
Ó mulher fatal!
Por causa de você levei um tiro!
Passei um mês e meio no hospital!
Ai, ai, ai...”

Meus mortos e suas memórias
Rasgos de dor na minha históriaPorradas doces com as quais caminho.