
"Carne do umbigo", "Bendita palavra" e "Substantivo feminino" são a versao impressa e bem acabada do que rola aqui. Quer me ter na sua mão em forma de livro e disco? Me escreve aqui!
29.4.08
em um ano

28.4.08
24.4.08
foto da capa
No começo da semana então fui na casa do Stefan Kolumban, fotógrafo maravilhoso e amigo querido, tirar a foto da capa. A idéia da foto da tatoo há tempos eu já tinha, mas o Stefan acabou trazendo outras idéias na hora e acabamos com muitas possibilidades ótimas. A minha preferida, e por enquanto escolhida, é essa.
Agora tá nas mãos da Cacau Mendes criar a arte da capa sobre ela!

22.4.08
sim, eu sumi
26.3.08
amanhã
21.3.08
há 16 anos

era a filmagem do Lamarca, 1992, eu acho, e lá fui eu pro sertão da Bahia ver tudo de perto. eu tinha 14 anos, adorava set de filmagem, e morria de orgulho de ver meus pais fazendo um filme naquele tempo em que o cinema brasileiro tinha sido aniquilado pelo governo collor. dez anos depois eu estava com eles no ceará, dessa vez trabalhando como assistente de direção de um filme chamado Onde anda você?, e dessa vez não achei set de filmagem assim tão legal, e decidi desistir de vez dessa possível profissão. como o cinema ainda seduz, virei montadora: longe da confusão do set, quieta no meu canto, mexendo com as imagens como mexo com as palavras quando escrevo.
curiosidade inútil: eu ainda tenho a camiseta da foto. na época era a última moda, foto de ballet na malha molinha da cribb dancing. 16 anos depois virou roupa de dormir em dia de gripe: conforto e recordações, o melhor remédio.
18.3.08
procura-se
descoberta do mês: como o incrivelmente bom pode ser inacreditavelmente trabalhoso
11.3.08
última forma
É amanhã, 4a, dia 12, o show do Rodrigo Bittencourt como convidado da banda Os Outros, na Cinemathèque. Tudo isso já devidamente anunciado abaixo. A mudança é que agora ele abre a noite ao invés de fechar, boa notícia pra quem trabalha cedo no dia seguinte, como eu!Convite amigo a R12,00.
7.3.08
programem-se
amanhã, sábado, minha amiga pintora incrível Suzanna Schelemm faz liquidação de trabalhos variados no seu atelier no Horto.

Segunda-feira, dia 10, eu vou dar uma canja no show do Rodrigo Sha, parte da temporada de lançamento do cd dele no novo Mistura Fina, em Ipanema. As outras canjas são das Chicas e da Leila Pinheiro, então a coisa vai ficar boa...
4.3.08
o mundo
tem sonhos à espera
tem frustração e demora
tem silêncios de solidariedade
tem silêncios de impossibilidades
tem palavras que seguram pés em parapeitos de janelas
tem encaixes perfeitos
tem brilhos nos olhos
tem gente que abre a gente feito flor, feito cebola
tem lágrimas que geram comidas boas
tem mundos no mundo
tem muitos
28.2.08
súbito
27.2.08
música boa na rua

Já é amanhã, 5a feira, dia 28: 14 bandas e um artista plástico em esquinas de Ipanema e Leblon, às 19h30 em ponto. Ótima música com Bonde Som, Os Outros, VulgoQuinho e os Caras, Zarvoleta Blues Band...
Mas eu recomendo mesmo é a esquina da Farme de Amoedo com Visconde de Pirajá, onde vai tocar o Rodrigo Bittencourt, que eu nem preciso mais explicar, preciso? Quem achar que sim, passe aqui. Até lá!
17.2.08
no meu livro novo tem
17 amores
26 medos!
9 desejos
7 filhos
48 eus
18 palavras
3 raivas
7 sonhos
7 mulheres
9 quandos
21 casas!
9 homens
16 noites
11 mundos
5 tardes
15 dias
4 erros
4 solidões
9 silêncios
3 ruas
8 crianças
1 surpresa
1 loucura
1 romance
1 coração
1 pessoa
2 angústias
0 carinho
0 maravilha
0 nitidez
12.2.08
enquete
O medo cria suas cobras
O dentro é de onde se olha
Bicho pronto pra morder
Quem vive sempre aparece
Quem espera ainda alcança
Devagar se vai ao longe
Mas hoje é preciso correr
Tem uns dias que são brancos
Tem gente que fere e cala
As noites todas têm alma
Pra quem olha e sabe ver
Embaixo de tudo é fome
Nos cantos mora o perigo
Quem deseja o proibido
De prazer pode morrer
O fundo é onde é molhado
Toda rede tem embalo
Qualquer casa é um castelo
Pra quem a souber encher
Menino que perde dente
Gente velha que ainda mente
Toda história tem semente
Se quem ouve quer dizer
E o verso que aqui se espalha
É como no boi a cangalha
Só o vaqueiro encantado
Pode libertar você.
1.2.08
poema com historinha
A pele fina por debaixo da couraça
Não quero ser rainha da tristeza
Nem rei da dor ou outro título do inglês
De onde olho há o caminho andado
E vejo as mil curvas pela frente:
Podem ser estrada de Santos
Podem ser labirinto de Creta
E pode ter monstro
E pode ter novelo
E se o fio vai ser forte só na hora eu vou saber
Mas choro minhas dúvidas sem economia
Na hora da dor, lágrimas
Na hora de viver, pernas pra que te quero e mãos à obra
Se for imagem, filme
Se for palavra, poesia
(Big Simpatia é um personagem de um conto que meu pai escreveu muito antes de pensar em ter filhos, e que eu nunca li, só ouvi ele contar. Era um cara magrinho, fracote, que sonhava em ser grande e forte. Um dia um circo passa pela cidade, ele vê um cara que se apresenta com uma armadura e acha a solução pros seus problemas: veste a armadura e nunca mais tira. Por anos ele fica sendo o grandão-fortão que sempre sonhou, até que um dia se cansa daquela imagem e resolve voltar um pouco a ser ele mesmo. Quando ele tira a armadura, percebe que a sua pele ficou tão fina que qualquer carinho a arranha, porque ele ficou tão encantado com aquela falsa fortaleza que não se deu conta de que não estava construindo a sua força, a sua grandeza. É mais ou menos isso, de ouvido, da infância, mas esse cara anda comigo pela vida afora, e sempre que dá medo de não agüentar eu penso nele.)
26.1.08
no papel, de novo
Cinco anos é também um intervalo longo demais entre um primeiro e um segundo livro. Mil "mas é que" e alguns "também, né?" tentam justificar, mas a verdade é: publicar livro de poesia é assunto do poeta, e só dele. Não adianta contar com editora apostando o suficiente pra bancar os custos ou concursos públicos que concluam que seu livro é genial e te paguem pra trabalhar nele. Poucas chances. Pra mim nenhuma em cinco anos.
Mas enfim a inteligência me arrebatou e a grana dos outros trabalhos encheu o cofrinho o suficiente pra ser possível tomar a vida nas mãos de novo e dizer: Bendita Palavra, aí vamos nós. Com a parceria da 7Letras em breve meu segundo livro vai virar papel encadernado circulando em livrarias, e eu tô feliz que só!
E como nesse intervalo tudo que rolou foi aqui, no mariadapoesia, espero que vocês, que me lêem aqui, queiram também me ler aí nas suas casas mas sem virtualidades, com o computador desligado, deitados no sofá, espichados na cama, fazendo hora em salas de espera, por aí, por aí...
22.1.08
recomendo, recomendo, recomendo

16.1.08
ainda
Um corpo iluminado
E um rio branco correndo do outro lado da cidade
Já naquela noite
− embora ainda sem gemidos
Depois a voz gravada no etéreo
Permanência com prazo de fim
Sob o céu preto do mundo o encontro
A boca nessa hora transformou palavra em beijo:
Foi palavra, palavra
Palavra no fundo do ouvido
E aí beijo
Beijo como quase nunca mais ia ser
Mas de vez em quando ainda
O desejo ali deitado colou no corpo sem volta
Nem tudo era possível
Nem tudo ia ser tão bom assim
Mas era tudo verdade e continua
É tudo verdade e continua
Continua tudo ardendo noite adentro
7.1.08
A musa do século 21
dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.
Aberta, relax, super moderninha:
divide o namorado com hippies e patricinhas.
Séria, independente, meio estressadinha:
tem sua própria casa e paga as contas sozinha.
Culta, inteligente, artisticazinha:
Cita filosofia, curte música e um cineminha.
Doce, prendada, jeitosinha:
lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.
Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,
busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.
Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,
tem email, tem um blog, tem crédito no celular.
Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.
Não é careta nem doidona,
adora esportes na tv e sexo de madrugada,
não fala em filhos nem casamento
e cuida sozinha da anticoncepção.
Por ela suspiram os machos do século 21,
e por causa dela sofrem as fêmeas,
meros projetos de musa,
nós, mulheres reais.
1.1.08
Novo
ou
A continuidade
(no bom sentido, não me entendam mal. tudo aqui hoje no melhor sentido)
A noite foi de festa, e a comemoração pela virada de 7 pra 8 teve as melhores músicas, ótimas pessoas, uma puta vista, champanhe pra dar e vender, e teve a gente em grande forma, bonitos nas nossas roupas escolhidas, celebrando as conquistas do ano que acabava que se esparramam pro que começa, felizes felizes felizes.
Não é começar do zero, ufa! É mais como uma página recém virada do mesmo caderno antigo, aquele que começou quando a gente nasceu e que pode ter tantas folhas quanto a gente quiser, e fizer.
O meu é gordo, cheio de acontecimentos, e vai precisar de fitinha pra amarrar porque os planos são de muito mais!
30.12.07
ímpar-par
Também teve alguns nãos, mudanças de rumos, teve portunhol e champanhe, poemas bonitos, noites em claro.
Teve a descoberta da maturidade, a invenção de caminhos, e agora levo comigo um EU imaginário gravado no pulso esquerdo.
Foi um ano de acontecimentos insuspeitos e inesperados, e que termina tão redondo, tão suave, que me faz mais forte pra 2008, 9, 29...
Não sei se deus existe, se tem mais depois da morte, nem qual a origem da vida, mas sei bem pra que estamos aqui: pra ser feliz e aproveitar.
E eu cumpro a missão com alegria!
21.12.07
o tempo
Um punhado de cabelos brancos
Dinheiro pra viver um ano
E quero ser mãe.
Quero ser mãe antes da riqueza
Antes da fartura
Quero ser mãe sem tinta no cabelo
Quero antes que seja tarde
Antes que eu seja velha
Antes que seja o fim.
Quero agora pra não mudar de idéia
Quero logo porque o medo ronda
Quero enquanto há inocência em mim.
A prata em meio aos fios me apressa, me assusta
Faz urgir o meu desejo:
Quero ser mãe de cabelos pretos.
14.12.07
sabedoria
são palavras simples, apenas uma atrás da outra, mas um dia a gente aprende a morar dentro delas:
eu gosto de quem gosta de mim
eu acho interessante quem interage comigo
eu tenho tesão em quem brinca de ser legal
eu aceito o ínfimo, o prazo de validade e as infinitudes de todos os encontros...
afinal o ninho é feito de um material diferente do pássaro"
(trecho de email/carta do meu amigo, poeta e sábio Pedro Cezar, no longínquo ano de 2002)
noturno
Não é saudade de ninguém
Não é sono nem insônia
Não tem angústia no escuro
Apagado, o abajur descansa
Os cabelos não dormem sob o vento do teto
Idéias de receitas cruzam a cabeça
O corpo deitado sabe que não vai dar certo
Mas tira a lâmpada do repouso
Os dedos trabalham e os olhos reclamam:
É tudo esforço inútil
Amanhã o sol arrebenta na cara
E as olheiras afundam um pouco mais
(Mas felicidade não é muito diferente disso não)
13.12.07
Natal com sentido II
Funciona assim: todo ano eles recebem milhares de cartas de crianças pedindo presentes, e qualquer um pode ir a uma agência e adotar uma carta. Você tem que passar na Avenida Presidente Vargas, numa mega agência dos Correios que centraliza as cartinhas, e escolher uma carta pra adotar. Daí você compra o presente que a criança pediu e deixa lá na agência, e os Correios mandam um carteiro vestido de Papai Noel fazer as entregas.
Os presentes têm que ser entregues lá até dia 19, então é bom passar lá logo pra dar tempo de comprar e voltar pra entregar. O telefone pra contato é (21) 2503 8820 ou 2503 8110, mas tem no Brasil todo, você pode descobrir onde é na sua cidade clicando aqui.
Ok, podia ser mais fácil. Ir ao centro nessa época do ano, e ainda por cima com essa chuva? Mas a gente faz tanta coisa chata à toa, essa pelo menos tem um belo propósito! Animem-se!
12.12.07
mergulho

10.12.07
5.12.07
identificação
Fernando Maatz é um puta escritor, diz o que quer do melhor jeito, sem fazer tipinho, e ainda falou de sonhos que são os meus sonhos que são os sonhos de todo mundo ou quase mas falou do jeito dele.
Ainda não clicou? Clica! Vai lá logo! Tchau.
4.12.07
livro novo - aperitivo
Pessoas boas são carcereiros sem chaves
O conforto é uma corrente que ata aos pés bolas imensas
Felicidade é parede encobrindo o outro lado
Bons poemas são veneno: afastam palavras novas
Caminhos cheios de setas não dão em praias desertas
O acerto de anteontem mata o risco dessa tarde
O sucesso é um uniforme que te obrigam a vestir
E o que é bom vira uma sina
Mantém o mundo de cabeça pra cima
E você preso nesse lugar.
1.12.07
hoje e todo dia

29.11.07
7 coisas estranhas
A parte da qual eu gostei foi a proposta de fazer uma lista de 7 coisas estranhas sobre mim, então aí vai:
1. eu odeio usar sutiã, e apesar disso tenho uma coleção de uns 20
2. eu amo supermercado, do Pão de Açúcar chique ao Mundial da Lapa
3. eu só fiz a sobrancelha pela primeira vez depois que a minha avó materna morreu - ela amava minha sobrancelha grossérrima
4. eu calço 39/40 e passei uns dois anos usando só tênis bamba, sapatilha chinesa e chinelo, até as fábricas de calçado entenderem que mulher de pé grande também é gente
5. eu guardo um vestido pra usar quando estiver grávida desde os 15 anos. sim, ainda cabe.
6. eu mesma inventei meu único apelido: esse mariadapoesia que está quase roubando meu nome
7. eu sou feliz. nem sempre estou, mas sou. sim, pra alguns isso é estranho. eu adoro essa estranheza
eram só 7, né? então tenho dito.
21.11.07
14.11.07
desejo necessidade vontade
re-pintura do apê
1 editora pro Bendita Palavra
1 ou 2 ou 3 ou 1000 desumidificadores pra tudo que há na casa parar de mofar
1 escutador de mp3 de qualquer marca pequenino e bonitinho1 pacote de chá verde bom, com folhinhas enrugadas que se abrem na água quente, que nem o que veio de Chinatown e diferente dos três que eu já tentei por aqui
1 brinco prateado, fosco e básico e chique, que nem o que eu tive por anos e de cujo par pra minha tristeza só restou um
quadrinhos pequenininhos pra minha parede de quadrinhos pequenininhos
1 gravador de dvd externo que não dê erro a cada dois usos
1 parafuso que caiu do meu lado da cama, devidamente preso no lugar
e ainda...
10.11.07
7.11.07
6.11.07
noturno
cava
um poço de petróleo
em meu estômago.
Viscoso e negro brota,
entre outras flores,
o medo.
3.11.07
é isso
Como gostei do blog dela fui fuçar o início de tudo, os primeiros posts, e me deparei com essa carta inacreditavelmente deliciosa, que ao descrever desse jeito amoroso a vida deles dois fala tudo que eu sinto e quero viver na minha vida aqui, tão longe e tão perto.
E como admiração é das drogas que eu mais gosto, taí pra todo mundo que passa aqui o texto da Fernanda, porque os fatos são outros mas o sentimento é o mesmo.
"Querido Mário,
Como fiz durante anos te escrevi uma carta e demorei tanto para postar que ela ficou velha. Então resolvi começar de novo. Era mais fácil escrever para você quando você morava longe e não sabia o que acontecia comigo e eu contava que estava doente, que não podia mais beber e você me respondia dizendo que andava viciado em Jack Daniel´s, mas que não tinha dinheiro e então tomava um conhaque vagabundo mesmo. Tive muita saudade de você, porque ficamos muitos anos separados. Você teve outras namoradas e eu tive outros namorados que me perguntavam de quem eram aquelas cartas. Eram todas do meu futuro marido, mas eu ainda não sabia disso.
Eu coloquei muitas cartas numa caixa de correio que tinha ali perto da FAAP porque eu fazia uma peça lá. Aquela caixa de correio era a coisa mais legal que tinha ali porque eu sabia que uns dois dias depois você receberia minha carta e eu poderia inventar qualquer coisa e, porque a gente não se via, aquilo seria verdade. Eu morava num prédio que não tinha elevador e uma vez caí feio na escada porque subi correndo para ler uma carta sua que tinha chegado. Fiquei com um roxo na perna e me lembrava de você: “foi o Mário”. Não tinha sido, mas eu queria que tivesse. E então um dia a gente se casou. E aquele moleque que eu achei lindo e para quem eu sorri descaradamente, que ficou conversando e bebeu comigo e tinha uma voz muito grossa que eu gostava de ouvir, o cara que tocava blues e escrevia peças e entrava em cena de um jeito que eu nunca tinha visto, meu Deus, esse cara agora era meu marido. E então eu teria que ser bacana mesmo, porque eu não podia mais escrever para você. Não podia mais me inventar para você. E eu beberia, dormiria e tomaria coca-cola na padaria com você. Apresentaria a você meu lado B e provocaria uma coleção de brigas cheia de figurinhas repetidas. Mas a gente tinha um colchão. E uma TV velha. E finalmente tínhamos um ao outro. E você era tudo o que eu queria. E todos os dias seriam plenos de amor e ódio. Ódio de ser contrariada, de ser abandonada em minha imaginação fértil e má. E você não sairia de dentro de mim nunca mais. Muitas vezes. E hoje quando você está na rua e liga para casa marcando de se encontrar comigo no cinema ou em qualquer outro lugar eu fico ansiosa e tenho taquicardia quando olho de longe e te vejo me esperando. E então eu sinto sua mão na minha cintura e sei que você é o mesmo cara que me escrevia e recebia meus postais vagabundos. E percebo que nunca, nunca mesmo, vou me acostumar com você. Você bem sabe do que tenho medo: de que você morra antes de mim e eu fique aqui com essas cartas e essas fotos. Eu que nunca me acostumei com você terei que me acostumar a viver sem você e então sentirei sua falta para sempre. E essa sim será uma grande sacanagem. Não faça isso com aquela garota que sorriu para você, roubou seu chopp e sentou no seu colo. Porque ela é sua agora. Um beijo enorme. Com amor, Fernanda."
28.10.07
orgulho
Expandindo os limites do trabalho como montadora, esse ano estreei com o Rodrigo no mercado de trailer pra cinema. Todo filme tem que ter trailer, e tem pouquíssima gente no Brasil fazendo isso. É um trabalho exaustivo porque fundamental na carreira do filme, sendo que tem muito mais filme do que sala de cinema e se o público não lotar na primeira semana o filme corre o risco de não ficar muito tempo em cartaz.
Além disso, o trailer é uma peça de venda feita pra ser assistida justamente pelo público alvo, que é quem já está no cinema, ou seja, ele TEM que entusiasmar quem vê. Por tudo isso foram muitas horas de trabalho, muitas reuniões, muitas idas e vindas e opiniões, tudo pra chegar a um resultado à altura do filme.
Como se já não fosse pressão suficiente, ainda estreamos com "Meu nome não é Johnny" , um filme que está cercado de expectativas, e portanto a responsabilidade era ainda maior! Fizemos o trabalho no risco, e agora, com o trailer pronto, a gente tem muitas razões de orgulho: todo mundo está adorando!
Por enquanto ele só pode ser visto no Youtube e no site do filme, mas quando o nosso trailer "entrar em cartaz" confesso que irei de bom grado pagar um ingresso só pra ver esses dois minutos e meio de trabalho no telão!
23.10.07
depois
quando o furacão não derruba a casa
porque o que não mata engorda
sendo que podia ser o fim
o que era difícil vira adubo pra nascer a força
jardim suspenso de gozos insuspeitos
e a felicidade, plena, brota no ar
22.10.07
16.10.07
defícil
pode ser lindo
pode doer, arranhar, tirar sangue
pode ser silêncio
pode ser ruído
noite quieta ou multidão
medo da luz
picada de bicho
canto de unha no duro dos dentes
pode ser música na tarde
sala vazia
pode ser manhã de sol
a vida tem partes
às vezes tanta coisa
quase sempre, difícil
e ainda assim, bonito
10.10.07
Inoportuna

3.10.07
estréia
Então ontem foi a estréia do Elke nas telonas! E foi em grande estilo, no Festival do Rio, que além de ser o maior da América Latina, é o do coração de nós cariocas! A tarde foi incrível, Julia e Camila nervosíssimas, Elke super emocionada, muitos amigos na platéia, e foi um tal de perna tremendo, voz falhando, discurso ensaiado ficando pra trás, e quando o filme finalmente encheu a tela do Odeon foi muita felicidade e alívio: ufa, deu tudo certo mesmo!
Pra mim, que montei o filme e passei tardes e tardes ouvindo os depoimentos, pensando se essa frase ficava ou saía, se aquela imagem durava meio segundo a mais ou a menos, foi muito bacana ver o filme pronto, depois de algum tempo sem mexer nele. Tudo que já era banal de tanta repetição aqui na ilha de montagem ganhou força e impacto no cinema lotado. O que era engraçado teve a confirmação das risadas, o que era sério mereceu silêncios, e o desejo da Julia de fazer um filme pra revelar a mulher por trás do estereótipo provou ser boa e relevante ali, naquela hora, ainda mais do que em todo o processo.
Agora o filme tá na rua, e tem muita estrada pela frente: já foi aceito na Mostra São Paulo de Cinema, no Festival Mix Brasil, e no Festival Internacional de Curtas do Rio. Em outubro tem projeção em Sampa, e até o fim da semana o filme está disponível no site Porta Curtas. Aproveitem!
27.9.07
trapézio
A vida é por princípio um fino fio, e a gente tenta se equilibrar.
Tem quem meça cada passo
Tem quem corra pra enganar o medo
Eu faço do fio estrada asfaltada
e ando com calma e sem pressa
apreciando a vista
assobiando baixinho.
Eu finjo que a vida é uma estrada e esqueço do fino fio
daí o susto da iminência da queda:
cair como de tanta solidez?
Me assusto, estremeço
o chão foge dos pés
e a distância se abre imensa nos olhos:
um monte de nada até lá embaixo
o fino fio balançando bem de leve...
É um desespero sem morte
a vertigem mais profunda.
A vida cobrando a conta da calma, da vista, dos assobios
e eu, desabituada, evito olhar pra baixo
pra não virar ovo estrelado no chão da realidade.
24.9.07
America Latina II

14.9.07
América Latina I

A semana passada foi de férias imprevistas pro casal. Foi nossa segunda viagem pela América do Sul, e nossa estréia no Uruguai, em Montevideo, cidade linda a que a gente nunca tinha ido. A maioria das pessoas com quem conversei na semana que separou a decisão de ir pra lá pra ida propriamente dita nos perguntou: mas por que Montevideo? O tom variava da curiosidade genuína a um espanto que teria desanimado alguns. Mas não eu, leitora apaixonada do uruguaio Eduardo Galeano e seduzida pelo seu olhar amoroso pra sua cidade. E respondia assim mesmo: porque eu adoro Galeano, porque aprendi com ele que nós brasileiros somos também latinoamericanos, e nada mais lógico do que conhecer os países vizinhos, ainda mais quando a Europa anda tão cara e os Estados Unidos nos barram na porta. E além disso de lá vem o Jorge Drexler, melhor descoberta musical dos últimos anos, cujo disco "Eco" não sai da vitrola aqui de casa desde que compramos.
Montevideo é linda, uma cidade com orla de rio e tempo de antigamente, cheia de praças bonitas, bares e restaurantes bacanas, e muita gente simpática pra todo lado. Tudo lá estava incrivelmente barato pra gente, e aproveitamos pra comer bem e passear muito. A dica pra quem for é ficar no Centro, onde era nosso albergue Che Lagarto, escolhido exatamente por isso. Só que chegando lá detestamos nosso quarto, que não tinha mesa-cadeira-cabide-armário, nada além da cama e olhe lá. Daí fomos parar num hotel Ibis, padrão-americano de qualidade, que realmente nos deu tudo o que a gente precisava por uns poucos dólares a mais que o albergue, e que apesar de estar fora do Centro era de frente pra Rambla, o que compensava a perda.
Andamos feito loucos, comemos a qualquer hora, fizemos tudo que deu na telha, arrastamos malas pela rua, dirigimos sem saber o caminho, compramos sapatos iguais, e eu comprei, já sabendo que nem ia tocar nele lá, o último livro do Galeano que me falta ler, "Venas abiertas de la America Latina", assim mesmo, em espanhol, porque o medinho que eu tinha de ler esse livro se foi quando dei de cara com o Uruguai e percebi o quão perto ele está de tudo, o quão perto a gente está de lá e de tudo mais, e agora, já no Rio, aproveito o prazer de ler esse cara que eu adoro na sua língua, e de conhecer o que ele teve a dizer sobre tudo isso ainda nos anos 60, e que é cada vez mais relevante nos anos 2mil.
Dicas pra quem for:
- andar pela Rambla, que é a orla de lá e corta a cidade de uma ponta a outra, ou seja, de Carrasco (bairro antigo e cheio de casas deslumbrantes e sem muros ou grades, pra nosso espanto carioca) até o Mercado del Puerto, antigo mercado transformado em centro gastronômico que reúne restaurantes de 'parrilla' (churrasco deles) e bares bons pra beber medio-a-medio, mistura de vinhos brancos e espumante típica de lá.
- se admirar com a beleza da Plaza Independencia, passar pela Puerta de la Ciudadela e andar pela Ciudad Vieja, sentar nas praças e se sentir seguro em qualquer ruazinha deserta
- jantar no Bar Tabaré, um bar-restaurante super tradicional e ainda assim moderninho, ótima comida e clima
- ouvir boa música e beber 'uvita' (outra mistura de vinhos deliciosa, que só esse bar tem) no Baar Fun Fun, perto da Plaza Independencia
- passar uma noite pulando de bar em bar na Calle Bartolomeu Mitre, na entrada da Ciudad Vieja: são vários, cada um num estilo, quase todos com música ao vivo, e como os preços são ótimos dá pra beber e comer um pouquinho em cada um
- sentar pra tomar alguma coisa no Café Brasileiro, lugar preferido do Galeano (se é que alguém além de mim se interessa por essa informação). Independente da literatura, é um dos cafés mais antigos da cidade, e apesar da gente não ter gostado de nenhum café (a bebida, não o lugar) em Montevideo, vale uma visita
- pegar um barco pra ir a Buenos Aires, que pode ser direto de Montevideo (3h de viagem) ou passar por Colônia, cidade que todo mundo diz que é linda mas que a gente acabou não conhecendo, por confusões de viagem e uma certa ansiedade de chegar em Buenos Aires, que a gente ama.
Notícias de lá no próximo post...
5.9.07
será mesmo?
Sempre fui péssima em geografia. Durante a escola era só estudar na véspera das provas, mas agora, na vida real, é que a coisa pega mesmo. O Brasil até que eu entendo bem, graças à sorte de ter viajado bastante pelo país, o que me faz saber onde ficam os estados. Parece básico, mas é me deixa feliz!
Seguindo pra América do Sul ainda me entendo, a America do Norte faz o favor de ter poucos países, e aí quando vem a Europa me perco toda. Ok, a Itália é uma bota e a Inglaterra é uma ilha, mas são tantos países, meu deus! Não adianta, não sei mesmo onde eles estão... África, Ásia, Oriente Médio, aí é como se fosse Marte, Vênus, Urano: nenhuma remota noção.
Digo isso tudo porque instalei aqui no blog um mapa que assinala onde estão os meus leitores, e cada vez desacredito mais dos resultados. No início comemorava: olha, estão me lendo numas ilhas no meio do mar!
Pelo mapa mundi que eu acabo de consultar e comparar com o meu Cluster Maps, tenho leitores nos Açores, nas Ilhas Canárias e em Cabo Verde. Também me lêem em três diferentes parte do Japão, em Macau, Angola, na Venezuela, na Guiana, na fronteira do Uruguay com a Argentina, em várias partes dos Estados Unidos, na Itália, Turquia, Noruega, Dinamarca, e em outros países da Europa que eu não consigo reconhecer no mapa-mundi porque os pontinhos vermelhos do Cluster Maps encobrem as fronteiras. E tem mais! Tenho leitores em Iceland! Sou lida na Terra do Gelo, ilha que eu nem sabia que existia, ó ignorância geográfica!
Enfim, fico feliz, lisonjeada, orgulhosíssima, mas diante da improbabilidade desse fato deixo o apelo: se alguém aqui souber como funciona esse Cluster Maps, me dê notícias. E se alguém aí estiver me lendo de lugares incríveis como esses, ah, deixa um recadinho, vai...
31.8.07
Elke

23.8.07
3.8.07
ainda a morte, agora em verso
O jeito doce
Broncas entre risos num elevador
da cidade de São Paulo
Claras em neve no banquinho da cozinha
Novela das oito no ar-condicionado
Caxambu e a fonte da beleza
Ser “princeza” com “z” na sua letra rebuscada
Me achar a sobrinha preferida
Gargalhadas com Chico Anísio
Cócegas até doer
Brigas no vôlei e os olhos de piscina
Camisetas velhas e tênis cinza anos 80
O preconceito e a descoberta
Pão de queijo ruim e belas conversas
Admiração e sonhos na minha geração
Ser chamada de Aretuza ao passar na porta
Contar os passos entre nossas casas
Velhas marchinhas de carnaval:
“Ó mulher vampira!
Ó mulher fatal!
Por causa de você levei um tiro!
Passei um mês e meio no hospital!
Ai, ai, ai...”
Meus mortos e suas memórias
Rasgos de dor na minha históriaPorradas doces com as quais caminho.















