10.11.08

bônus

Nesse meu trabalho de formiguinha pra espalhar minha poesia por aí, eu já contei e conto com muitos parceiros bacanas: o Rodrigo Sha, primeiro cara a me chamar pra dizer meus poemas no meio dos seus shows; Chacal e Guilherme Zarvos, que me viram no palco aberto do CEP 20.000 e me convidaram pra me apresentar lá muitas vezes; a Elisa Lucinda, que colocou meu livro no repertório da sua escola, entre tantos poetas que eu admiro, além de mil leitores incríveis que me republicam nos seus blogs, falam de mim pros amigos, me lêem em festas e noites íntimas nas suas casas.

Mas nunca tive uma aliada tão forte quanto a Ana Carolina. A mulher é uma máquina de espalhar informação: seu público é tão fiel e apaixonado, que tudo que ela indica ganha rapidinho a atenção de muita gente. E desde que ela, generosa e despretensiosamente, leu um poema meu num programa de tv, ganhei muitos leitores e vendi muitos livros.

Isso foi em 2005, e agora meu amigo Fernando (que acabo de saber que não é o Maatz! Que Fernando é esse, gente?! Apresente-se, menino!) achou o vídeo no Youtube e eu acabei de rever, tanto tempo depois, e não resisti: tive que colocar ele aqui! Principalmente agora, quando preparo o lançamento do livro e do cd novos, que tem a Ana como convidada especial lendo esse poema numa das faixas-bônus!


29.10.08

do cinema


Amanhã vou pra Juiz de Fora, cidade que quase foi o túmulo do meu amor - e por isso vou sozinha, pra não arriscar. É uma viagem meio espremida no meio de mil trabalhos e funções aqui no Rio, mas é por uma boa causa: está em competição lá o Elke, curta da Julia Rezende, minha irmã, montado por mim. O filme estreou no Festival do Rio do ano passado e tem tido uma carreira incrível em festivais pelo Brasil afora. Como a diretora está em São Paulo trabalhando, a montadora aqui vai de representante oficial.

Nem sei se vai ter apresentação antes da sessão, nem se eu vou ter a chance de dizer isso lá, mas fiquei pensando como seria ótimo a Julia estar lá nesse específico festival, porque de alguma forma Juiz de Fora está na origem desse filme. Foi lá que em 2006 foi filmado o longa-metragem Zuzu Angel, do qual a Julia era assistente de direção, e a Elke atriz convidada. Na verdade era uma participação muito da especial, porque nos anos 60 a Elke tinha sido modelo e amiga da Zuzu, e sua participação no filme era como cantora de boate numa cena com Zuzu e Elke (Patrícia Pillar e Luana Piovani). Era ela contracenando com ela mesma, e foi uma noite emocionante e especial, a voz dela cantando uma canção de guerra alemã ecoando pela noite de JF.

Pra mim, essa foi a noite que quase enterrou meu amor. Pra Julia, foi a noite que consolidou a vontade de fazer um filme sobre a Elke, sobre a mulher por trás e acima dos estereótipos, não a Elke maravilha, simplesmente a Elke, a filha de pai russo com mãe alemã que veio viver em Minas e virou a mais brasileira das brasileiras, mesmo tendo virado apátrida por conta dos desmandos da ditadura.
O filme nasceu desse encantamento, e a meu ver cumpre lindamente com o que propõe: não quer explicar nada, não narra acontecimentos, não estimula fantasias. É um retrato da Elke por ela mesma, um espelho em forma de filme, é a estréia da minha irmã na direção e um filme do qual eu me orgulho no meu currículo ainda curto de montadora.

Por tudo isso, apesar do medinho de voltar à cidade, apesar das mil coisas que eu teria que fazer no Rio amanhã, viajo feliz pra Juiz de Fora. Mas volto logo, que eu não sou boba nem nada.

23.10.08

do arquivo 2

você me deu a palavra tosco
eu te dei a palavra atarantada

você me deu tom zé
eu te dei o galeano

você me trouxe mais loucura
eu te mostrei praticidades

você me faz bater palmas
eu te faço saltitar pela casa

você é letra e música
eu sou só palavra

eu te alimento
você me come

a gente junto inventa o mundo
e se diverte
e anda por aí

a gente junto é melhor que sozinho
ainda é cada um mas cada um ganha mais brilho

adoro esse encontro
adoro a permanência
o desenho dos dias com você

adoro conviver
com você, viver

do arquivo, mas atualíssimo

não é grude nem invasão:
é que tem hora que o corpo pede a outra pele
o nariz fica doido pelo cheiro de um certo lado do pescoço
e a idéia da cama, confesso, fica grande demais prum ser só
(ainda que não solitário)

é demais morrer de saudade?
querer você perto?

se for ando excessiva, pronto, assumo
e assumindo repito e reitero:
te amo de todo jeito, e você nunca sai de dentro
mas nessa noite preferia estar também do lado
sentir seus pés nos meus na madrugada
e te ver respirar de manhã como se fosse pouco
como se fosse normal esse amor todo
como se não fosse pra comemorar

(eu comemoro)

22.10.08

30

Nunca pensei que fosse acontecer comigo.

Já disse em poema que a idade me acolhe, não me assusta, e continua sendo verdade, mas o corpo não sente o mesmo. Subitamente a decadência mostra suas garras - ok, são unhas ainda curtas, mas com potencial de garras afiadas de animal selvagem. E de repente há assuntos de fios e manchas brancas, de veias azuis, olheiras roxas, e há medidas e providências e consolos e conformações.

Queria ser mãe de cabelos pretos e vou ser mãe com fios e manchas brancas, veias azuis e olheiras roxas. E nem é agora ainda.

Os 30 disfarçam dali, mas mostram suas garras. E eu disfarço daqui, mas morro de medo.

17.10.08

o maatz, de novo na veia

Vou ficar em silêncio

porque se fosse simples

eu apenas reclamava.
(É o Maatz, bicho, ele é foda.)

15.10.08

diário de lançamento - parte 1

Agora então o lançamento do livro e do cd tomou minha vida quase por inteiro. Foi tanta demora, tantos meses andando devagar que de repente ou eu corro ou tudo fica, de novo, pro ano que vem - e pra esse eterno ano que vem que se repete já me basta o projeto "filhos".

Agora então eu corro com os detalhes finais do livro, corro com a gravação que falta pro cd, corro com burocracias da prensagem, com marcar lugar e data do lançamento, corrro corro corro. E seria bom ter calma, mas tudo bem, correr pode ser bom também.

No momento estamos assim: livro revisado, diagramado e aprovado, capa na fase de aprovação final, assessora de imprensa contratada, lançamento praticamente marcado, gravação do cd atrasada e enrolada - mas faço ommmm e espero porque as participações especiais merecem a espera, e foi meu atraso que fez tudo ficar tão em cima da hora.

Tá sendo um processo bom, trabalhoso e gostoso e bom, e mal posso esperar pra compartilhar o resultado dele com todo mundo daqui a pouquinho!

8.10.08

não acredito

Tô arrasada. Acabo de ver que o contador exibido do blog marca 11.118 visitas. Olhei aquele monte de palitinhos ali do lado e pensei: porra, eu deixei passar o 11.111! Não acredito. Tô sofrendo um pouco por essa bobagem - mas não é quase sempre por elas que a gente sofre?

Eu juro que vou ficar mais atenta daqui pra frente, e o 111.111 eu não perco de jeito nenhum. Quer dizer, se eu estiver viva e meus olhos ainda funcionarem até lá.

2.10.08

Na real

Tudo custa o dobro do que parece a princípio.

O prato no restaurante custa R$40? A conta vai ser R$80. O vestido custa R$250? Com sapato e bolsa sai por R$500. O taxi é só 20 pratas? Pra ir e voltar, R$40. O aluguel da sala pra trabalhar é R$400? Bota luz, telefone, internet, limpeza, almoço na rua e a verdade aparece: R$800 pra ter seu espaço.

Pois o livro é assim. Custava um tanto, e agora com cd, capa linda e festa bacana de lançamento, já tá quase chegando em dois tantos. Tá quase chegando, mas até lançar ele chega lá, nos dois tantos.

Porque tudo custa o dobro do que parece. Ou quase tudo. Ou quase o dobro.

21.9.08

Espelhos: Galeano inédito

Eu sou viciada em palavra. Mais ainda em palavra escrita, e ainda mais um tanto em livro. Dentro do vício tem espaço pra mais alta literatura e a mais reles bobagem: sendo letra no papel, quase tudo me interessa.

Mas tem aquelas palavras que interessam mais. E tem aquela gente que sabe o que faz com as suas, e me pega pela mão e não larga mais. Eduardo Galeano é desses, e quem costuma andar por aqui já sabe disso. A novidade é que depois de já ter lido virtualmente tudo o que ele escreveu, semana passada ganhei da minha mãe em primeiríssima mão, na versão original em espanhol, o livro novo dele, "Espelhos". Achei que era uma coletânea, tão improvável me pareceu essa alegria: Galeano inédito? Será possível?

Pois era. Está sendo. O fim-de-semana chuvoso foi perfeito pra começar essa leitura, e passei a noite de sábado bebendo da fonte profunda dele, me molhando toda nessa água. Dá vontade de traduzir tudo, de postar tudo, de gritar Galeano aos quatro cantos, mas como a voz não dá pra tanto espalho ele aqui, nesse canto, pra vocês.

Escrever sim

"Ganesha é barrigudo, pelo muito que gosta de caramelos, e tem orelhas e tromba de elefante. Mas escreve com mãos de gente.

É o mestre das iniciações, o que ajuda as pessoas a começarem suas obras. Sem ele, nada na Índia teria começo. Na arte da escrita, e em tudo mais, o começo é o mais importante. Qualquer princípio é um grandioso momento da vida, ensina Ganesha, e as primeiras palavras de uma carta ou um livro são tão fundadoras quanto os primeiros ladrilhos de uma casa ou um templo."

17.9.08

sedução

Era cedo. Muito cedo pro meu horário. E estava frio, e era na Barra, que sempre me parece longe, mesmo que agora que eu moro na Gávea nem seja mais. Era cedo e frio e longe, mas quando eu entre naquele auditório cheio de carinhas tão jovens, nada disso era mais problema. Porque naquela hora o problema passou a ser como seduzir aquela platéia, no meio do seu dia normal de aula, pra ficar a fim de me ouvir e se deixar gostar de poesia.

Rapidinho parou de ter problema e foi ficando só gostoso e bom. Meninos e meninas de 11, 12, 13 anos, me ouvindo falar poemas entre tapinhas nas cabeças dos colegas da fila da frente, olhos atentos entre cochichos, e um rumor semi-silencioso quando sem querer uma palavra "sexo" escorregou, como quem não quer nada, de um poema.

E eles me encheram de perguntas ótimas, e me fizeram pensar como e porque eu escrevo, e me ajudaram a refletir sobre a importância da poesia, o motivo dela, a inspiração e o trabalho. Depois da super apresentação no auditório eu ainda fui a três salas de aula de 8o ano (a antiga 7a série, se é que eu entendi bem), e falei mais uns poemas, e bati mais uns papos. Do meio de uma fila veio a pergunta mais inusitada: se eu faço mais alguma coisa além de ser poeta, e eu falei de como é difícil ganhar dinheiro com poesia, de como a Elisa é a única que eu conheço que domina essa arte, e de como pra mim funciona bem ter outro trabalho que eu também gosto e poder ser poeta sem pressão.

Pois não é que quando eu já tô indo embora vem a menina da pergunta, de papel na mão, e me pára, toda tímida, pra me dizer que quer ser poeta quando crescer, e que quer ler um poema dela pra mim, que não é o melhor, ela disse, mas é o que ela tem lá na escola. Sentamos num banco e Luiza leu seu "Névoa", uma poeta tão jovem mas já uma poeta, atenta às imagens, fazendo meta-poesia, começando ainda e já escrevendo sobre a sua escrita. Seu poema me lembrou um dos meus primeiros, e quando eu disse pra ela que também gosto de escrever sobre a escrita ela me disse "eu gosto mais ainda de escrever sobre PORQUE escrevo!". Quer dizer, a menina sabe tudo, e promete.

Então Luiza, pra você, aqui vai um poema exatamente sobre o PORQUE da minha escrita - ou alguns dos porquês... E me manda um seu pra eu postar aqui também, e a gente dialogar poeticamente!


Escrevo porque tô viva
escrevo preciso
pra acordar, pra estar despida
porque o mundo não é só isso
que acontece aqui em cima

Escrevo porque não vivo
escrevo porque preciso dessa droga
esse colírio
escrevo pra pôr delírio
em tudo que é preto-e-branco

Escrevo pra estar viva
Escrevo porque aqui minto
as belezas que não tenho
e as coragens que persigo
escrevo porque assim finjo

Escrevo contra as burrices
contra os medos que hoje sinto
escrevo a favor do sonho
escrevo pra estar livre

Escrevo quando consigo

16.9.08

Entrando no clima

Entrando no clima pré-lançamento, vou voltar à ativa, entrar no clima, botar a cara na rua e sair de novo por aí dizendo meus poemas onde tiver palco e microfone, ou simplesmente onde tiver alguém a fim de ouvir.

Outro dia foi na casa da Ana Luiza, e depois na casa da Cláudia, que estava na primeira platéia e gostou da idéia. Um outro dia foi no estúdio da TV Brasil, e através de lá pro Brasil todo. Amanhã vai ser no CEI, colégio na Barra onde dá aula a minha amiga Noa, pra um auditório lotado de adolescentes. E partir do fim de outubro uma sexta-feira por mês eu e Fernanda Rowlands estaremos no super novo Espaço Telezoom, no Leblon, dizendo poemas uma, cantando a outra, e juntas recebendo convidados da novíssima safra de artistas cariocas!

Me aguardem!

na pressão

Reunião na 7Letras: pra lançar o livro no final de novembro precisamos mandá-lo pra gráfica até 10 de outubro. Ok. Absorvida a informação, resta correr com a capa, e agitar as coisas do cd pra ficar pronto ao mesmo tempo.

É, tem cd. Eu não tinha falado dessa parte? Pois tem cd sim, claro, que eu não sou nem boba de desperdiçar a palavra falada! Tem cd, e cd tem que gravar, e tem capa e bolacha pra conceber, e tem que prensar, e tal e coisa, e coisa e tal.

E viva a pressão que gera ação!

11.9.08

enfim a data

Ok, ando precisando escrever, e parar de só citar. Mas é que às vezes a tela branca realmente não desperta nada, não é gênero dos cronistas não. E depois de tempos bissextos por aqui ando gostando de estar mais presente, mesmo que pelas vozes de quem eu gosto mais do que pela minha mesma.

É que a vida tem muita conta de gás, muita recisão de contrato, muito marcineiro que marca às 8h (e fura), muito pedreiro todo sábado, muito telefonema pra net, e é preciso que a poesia mostre suas unhas, me rasgue a pele das costas de raiva por ficar tanto tempo de lado, sempre a última da fila, a prima pobre, é preciso que ela monte em mim feito cavalo de macumba, pra que eu enfim emerja do submundo do dia-a-dia pra cuidar dela como ela merece.

Pois ela mostrou, rasgou, montou, e eu tô emergindo, devagar pra não ter susto, mas senti a porrada, acusei o golpe e aviso: tô de volta. O livro sai em novembro. Não queria dizer pra não ter cobrança mas, porra, eu preciso ser cobrada. Novembro. Bendita Palavra. Podem cobrar. Cobrem. Obrigada.

9.9.08

só lendo

"Não pára não", ela repete. "Já ouvi essas palavras em algum lugar." Na verdade, ela ouviu poucas vezes a palavra "pára" sem um "não" na frente. Ditas por um homem. Ou mesmo por ela. "Sempre achei que 'não pára' era uma palavra só", diz ela.
"E é mesmo. Dança mais."

(Phillip Roth, em "A marca humana")

7.9.08

inútil e delicioso

"Ser poeta não é uma profissão: é como ser viúvo. Um poeta é um poeta, assim como um cavalo é um cavalo. Cavalos têm utilidade. Mas eu, Gregório de Matos e Guerra, viúvo, poeta, brasileiro, não tenho uma utilidade."

(Ana Miranda em "Boca do Inferno")

6.9.08

lendo

"Observo-me a escrever como nunca me observei a pintar, e descubro o que há de fascinante neste acto: na pintura, vem sempre um momento em que o quadro não suporta nem mais uma pincelada (mau ou bom, ela irá torná0lo pior), ao passo que estas linhas podem prolongar-se infinitamente, alinhando parcelas de uma soma que nunca será começada mas que é, nesse Éalinhamento, já trabalho perfeito, já obra definitiva porque conhecida. É sobretudo a ideia do prolongamento infinito que me fascina. Poderei escrever sempre, até ao fim da vida, ao passo que os quadros, fechados em si mesmos, repelem, são eles próprios isolados na sua pele, autoritários, e, também eles, insolentes."

(José Saramago em "Manual de Pintura e Caligrafia")

27.8.08

inédito

sabe quando o cansaço é tão grande que ele desaparece? dizem que acontece com a fome também, mas essa eu nunca experimentei. a do cansaço rolou ontem.

foram 5 dias intensos de trabalho sob pressão, todo o stress que alguém possa suportar, domingo saí do escritório 1h da manhã pensando: acabou, maria, agora é relaxar, mas não. não tinha acabado. claro.

ontem foi de 10h às 5h. não às 17h não, 5h mesmo, do dia seguinte, hoje. sou ruim de contas mas o espanto foi tanto que até me esforcei: 19 horas no trabalho. e quando vi que eram 20h e eu ainda estava lá pensei em maldizer o almoço sem pressa que tinha tido, mas quando deu 1h da manhã e eu ainda estava lá abençoeei-o, porque não ia ser aquela uma hora que ia ter me salvado, mas o relax dela estava na categoria dos talismãs pra suportar a madrugada - além dos docinhos sensacionais que eu tinha comprado no café.

a parte mais espantosa foi que não teve cansaço, nenhum cansaço, nada. não teve cansaço nem o desespero que ele traz, não teve "que injusto o mundo" e nem vontade de ir embora, foi um só fluxo de pensamento que me dizia "termina isso, menina, e amanhã vai ser mais legal".

surpreendente também foi que não teve medo. é que eu trabalho numa casa enorme cheia de corredores e escadas, e ficar lá sozinha depois que todo mundo já foi não é exatamente meu programa preferido. muito menos andar o corredor escuro e silencioso que dá na rua, e abrir a porta sem saber o que há lá fora, e entrar no carro bem rápido pra poder respirar aliviada. pois ontem-hoje não teve medo também, só uma calma enorme, quase uma tranqüilidade de aceitar o inexorável e ir com a maré.

atravessei o corredor escuro com o dia quase clareando, a rua já começando seus barulhos de carros e gente, e vim dirigindo bem devagarzinho pra chegar em casa e tomar um banho, e então finalmente relaxar por umas 3 horas até o homem da Sky chegar com a notícia de que não é possível instalar a antena aqui, e mais um dia começar.

o cansaço? tá quase querendo chegar. e eu vou recebê-lo de braços abertos, e dormir como se não houvesse amanhã, até amanhã me acordar. porque não, não tinha acabado. não acaba nunca. claro.

24.8.08

parceria

Acho que é a coisa mais importante de todas as coisas, incluídas aí cama, café-da-manhã, amor, água quente, um trabalho legal, filhos.

É a rede de proteção contra tudo que é ruim. Você tropeça, cai, mas não se espatifa no chão.

É como rezar e ser atendido. É a temperatura certa.

É o que te faz saber que tudo tu-tu-tu, que tudo nhem-nhem-nhem, e que mesmo quando tudo pá-rá-rá-tin-bum você seguirá resistindo aos furacões e às areias movediças, andando sobre as águas sem molhar as pernas, você existe, você é firme, você é.

Eu sou.

21.8.08

duas coisas

Pois eu fui lá no programa, peguei o carro, cheguei em cima da hora, passei um batonzinho no banheiro mesmo e fiquei feliz de ver que também estavam lá a Geovana Pires, parceira querida da Escola Lucinda de Poesia Viva, divulgando a nova Casa Poema, e o Domingos Guimaraens, poeta do coletivo Os 7 novos e companheiro de puc, de cep e de bares por aí.

De repente parecia seriado de tv americano: "1 minuto!" e vem aquela aflição "meu deus será que eu decorei direito o poema" e a apresentadora pergunta pra Geovana como era mesmo aquele poema do Fernando Pessoa do poeta é um fingidor, e aí "30 segundos" "caramba, vou esquecer no ar, tenho certeza", e ela segue decorando o poema na hora, ensaiando pra câmera, e "10 segundos" "gente, como é que essa menina dá conta de fazer isso todo dia" e aí bum!

A menina levanta, começa a falar numa rapider impressionante, mudando de câmera a cada frase e uma tv grande no fundo do estúdio mostrava tudo que gente do Brasil todo estava vendo em casa, naquele exato instante, como é que pode uma coisa tão instantânea assim? Confesso duas coisas: fiquei boba com a agilidade dela, a Liliane, que apresenta o programa ao vivo todo dia; e fiquei brava com a agilidade do programa que não me deu a chance de dizer um poema no ar, e eu que me afligi tanto com medo de esquecer nem essa oportunidade tive.

Gente, como é que eu vou ganhar alguém sem dizer um verso? Ok, teve o figurino descolado "sou jovem", tiveram observações ligeiras sobre assuntos interessantes, mas sem dizer poesia não dá pra vender livro...

Mais ou menos, descobri hoje, porque logo depois do programa muitas pessoas passaram por aqui, algumas rapidinho outras bem demorado, e afinal de contas é pra isso que a gente sai de casa no meio da tarde e corre pro centro da cidade numa quarta-feira de trabalho: pra ganhar leitores e vender livros. Além de encantar a vovó, é claro.

19.8.08

A poesia anda me caçando. Eu sumida, enrolada, cheia de praticidades, e ela me chega em telefonemas e emails. São pedidos de livros, propostas de recitais e organização de eventos, e agora um convite prum programa de tv. Eu agradeço, porque sei que não ando dando a atenção que ela merece, então fico mesmo muito grata que ela insista, que ela não desista dessa poeta bissexta que eu virei...

Sendo assim amanhã, quarta-feira dia 20 de agosto, eu vou estar no Atitude.com, na TV Brasil (nome novo da TVE, com o qual confesso que ainda não me acostumei). O programa é às 18h, ao vivo, então quem tiver a sorte de estar em casa a essa hora de bobeira, ligue lá!

16.7.08

ô abre alas...

O ano era 2003. Eu tinha 24 anos e escrevia poesia há uns dois anos. Numa manhã ensolarada peguei meu corsinha prata, Rodrigo de co-piloto e guarda-costas, meio nervoso com o caminho e meio mau-humorado com o cedo da hora, mas afinal se não fosse por ele não ia ter nada daquilo... Entre animados e impacientes, rumamos pra Madureira, pra uma gráfica que eu já nem lembro como chamava, um disquete na mão.

Lá era grande, tinha máquinas enormes fazendo livros, os mesmos livros que eu li incessantemente desde que aprendi a juntar as letras, e agora aquelas máquinas iam imprimir o meu livro, que depois alguém ia ler na sua casa, na sua cama, antes de dormir ou nas tardes de domingo. E tinha que escolher o papel que combinava mais com os meus poemas, e decidir se a capa tinha ou não cera - eu decidi que sim, ficava mais brilhante, e escolhi o papel "branco neve", que era mais moderno, me disse o cara que nos guiava lá. Meu livro. Que sensação louca!

E era só começo. Um tempo depois o interfone tocou lá em casa - que era ainda a casa dos meus pais - e quando eu desci uma kombi despejava na calçada pacotes e mais pacotes embalados em papel pardo, cheios do meu livro dentro. Eram mil substantivos femininos em plena rua, e o fim de tarde daquele azul que eu mais gosto emoldurava a minha cara de felicidade abrindo um dos pacotes ali mesmo na calçada, e a emoção de ver a capa vermelha encerada, brilhante, o papel branquinho, moderno, e as minhas palavras ali dentro, a dedicatória pra Elisa que me abriu os caminhos da poesia, meus poemas de estréia morando pra sempre naquelas páginas, meu livro, meu primeiro livro, que loucura, meu deus!

De lá pra cá o vermelhinho me rendeu muitas alegrias: foi vendido no Te vejo na Laura pra quem tinha acabado de me ver ao vivo e queria levar pra casa, foi vendido por internet e correio pra gente que eu nunca vi ao vivo, foi dado pros amigos, pras pessoas queridas, foi dado e enviado pra gente que eu admiro e respeito, como o Manoel de Barros, o Gullar, a Viviane Mosé, a Martha Medeiros. O tempo foi passando e o livro foi ficando cotidiano, perdendo a novidade e virando obviedade na minha vida.

Aí começou a tomar forma o projeto do segundo livro, o Bendita Palavra. Mas como livro de poesia é visto pelas editoras como um não-produto, e como eu não queria mais ser independente, o projeto foi virando os anos sem entrar no papel. No substantivo, eu nem procurei editora. Incitada pelo Rodrigo, que na época era meu namorado novinho em folha, cheio de sonhos e projetos e força pra fazer os dois acontecerem, eu tinha decidido publicar e não estava nem um pouco disposta a fazer concessões pra editoras e nada a fim de levar nãos que iam me desanimar na empreitada. Peguei minha poupança e mandei ver! Só que o tempo passou, eu fui morar sozinha, e aí tinha aluguel e contas pra pagar, além de não ter mais um palco fixo pra vender o meu peixe-palavra.

Demorou esse tempo todo, cinco anos, pra eu ser tomada de novo pelo vírus da decisão. Que se dane a incerteza da vida de freela, que se danem as editoras que não bancam as edições, eu pago pelo meu livro, paguei pra gráfica de Madureira e pago agora pra 7Letras, e finalmente em novembro o meu segundo livro vira livro mesmo!

No meio desse processo todo, o substantivo feminino ficou ainda mais esquecido. No fim do ano passado, como se quisesse provar seu potencial, ele me deu uma alegria rara: estive em Montevideo, e mandei um livro pro Eduardo Galeano, que eu leio e releio e morro de prazer com cada palavra. Pois não é que semanas depois chega um pacotinho com uma letra miúda e dentro um exemplar de Mulheres, coletânea de textos dele que tratam da mulher, e lá na folha de rosto uma dedicatória linda, carinhosa, me dizendo coisas inesquecíveis e que vão morar pra sempre no meu coração de poeta...

Acho que foi a despedida dele pra mim. Porque esses dias fui procurar uns livros pra vender numa noite de poesia falada no Jardim Botânico e a surpresa: só sobraram 30 exemplares! Como assim?! Mas se eram mil! Achava que eles eram inesgotáveis, um manancial infinito de substantivos femininos dentro de portas de armário em Ipanema e Botafogo. Pois não eram, e não são. Nessa noite vendi dez livros, e fechei a tampa, pensei. Preciso ter uns guardados, gente! Vai que o Saramago aparece aqui em casa? Hoje recebi um email da Ana Carolina, lá de Natal, querendo comprar um livro. Ia recusar a proposta, mas Natal, Rio Grande do Norte? Não deve ter nenhum substantivo feminino andando por lá! Irrecusável. Topei a venda. Mas juro que foi a última!

E agora que o Bendita Palavra vai mesmo sair, que ele já tem foto da capa e diagramação, parece que o primogênito quis se retirar em grande estilo e abrir alas pra vinda da nova geração. E apesar da tristeza de pensar em não ter mais livrinhos vermelhinhos pelos armários, não posso negar o orgulho besta de dizer por aí: sou uma autora esgotada!

30.6.08

sim, eu ainda sou poeta

Quem cujo dedo busca o gatilho
E agradece a falta da arma

Quem cujo medo assobia na noite
E rabisca nas revistas

Quem se trai nos gestos e quebra cartões e canetas
Quem morde o de dentro das bochechas
Quem morre de câncer
Quem morre do coração

Quem não dorme na tv de madrugada
Quem finge calma e bebe água
Quem range os dentes
Quem parte o espelho
Quem compra roupas
Quem lava o chão

Ninguém encara, de fato e por inteiro,
A solidão

25.6.08

explicações, revelações, reflexões

Eu sumi de novo. Peço desculpas e explico: começou com o frisson pós "super sexta", narrado aí embaixo. Continuou com montagens, prazos apertados, obra no apartamento, e piorou ainda mais com um trabalho novo que pintou. Bom, essa foi a explicação, passemos à revelação.

O trabalho novo é justo escrever pra outro blog, o do Nome Próprio, filme novo do Murilo Salles que estréia dia 18 de julho. Eu vi o filme há quase um ano, a convite do Murilo, na ilha da produtora dele em Ipanema, e saí da sala estupefata. O filme nasceu do universo da Clarah Averbuck, que eu leio em blog e livro há anos, e tem como protagonista a Leandra Leal, com uma intensidade que eu não via há tempos numa atriz de qualquer nacionalidade.

Achei o filme denso, engraçado, corajoso, daqueles em que se torce pela protagonista pra em seguida desprezá-la, em que se tem vergonha por ela e se sorri com ela e emoções contraditórias desse tipo, raras e boas demais de sentir por conta de um filme. Pois agora, perto do lançamento, o Murilo me chama de novo, dessa vez pra escrever pro blog do filme, onde está se esquentando essa estréia, e mesmo enrolada com tudo o que foi narrado no primeiro parágrafo não dava pra recusar.

Aí chegamos ao capítulo reflexão. Porque o Murilo é denso e não quer que o blog seja um espaço pra simplesmente contar casos da filmagem e fazer promoções e divulgar sessões. Nome Próprio é um filme construído com cuidado (e ainda assim instintivo), pensado, um filme feito a partir de muitas reflexões. Nessa onda, começamos por lá a pensar na questão da literatura que tem como ponto de partida a vida do escritor, e sua oposição a uma literatura mais racional, afastada do cotidiano do autor. Pensando nisso, eu escrevi lá um texto cheio de dúvidas. E pensando ainda mais, acabei escrevendo um texto mais cheio de convicções, que posto agora aqui.

BOXE LITERÁRIO - parte 2

O que importa mais? A vida ou a arte? O frenesi de cada passo ou de cada frase? Talvez seja justamente o encadeamento dos dois: viver intensamente pra fazer da vida matéria-prima pra escrita, sugar dos dias o estilo e os temas, diluir a fronteira entre real e imaginado. A literatura beat americana foi fundo nessa linha, propondo uma escrita menos “literária” e mais aproximada da vida. Nada de passar anos debruçado sobre um manuscrito mudando uma frase aqui e outra ali: escrever no ritmo dos acontecimentos, na pulsação da vida.

“Nome Próprio”, novo filme de Murilo Salles que estréia 18 de julho, teve origem na obra da gaúcha Clarah Averbuck, blogueira e escritora, e é perpassado por essa questão. Camila, a protagonista, é escritora, tem um blog, e ao longo do filme descobre como escrever seu primeiro livro. Em determinado momento, ela diz que se vai fazer da vida matéria-prima da sua escrita, é preciso vivê-la intensamente. E não hesita um segundo em cumprir o projeto. Mas nem sempre essa aproximação é fácil. Jack Kerouac, um dos maiores ícones beat, levava uma vida mais tranqüila do que seus romances faziam prever, e acabou morrendo de alcoolismo aos 47 anos tentando corresponder à imagem selvagem de seus personagens em romances como “On the road”. Dele pode-se dizer que “viver com a intensidade da arte levou-o ao infarte” (Leminski).

Paulo Lemisnki é um dos representantes brasileiros dessa linhagem de escritores. Poeta, romancista, publicitário, faixa-preta de judô, músico e letrista, ele misturou de tudo na sua escrita, sendo autor de haicais minimalistas e longos textos, sempre tendo o cotidiano como mestre, e defendendo que a escrita é sempre menor do que a vida.

“Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Esse silêncio, acredito,
São suas obras completas.”
(Paulo Leminski)

Na contra-mão desse pensamento estão escritores como James Joyce, cuja literatura testa os limites da língua e propõe inovações na escrita, capazes de se debruçar sobre manuscritos por anos a fio, mudando palavras e burilando cada frase. Em sua literatura o frescor da vida é substituído pelo vigor da linguagem, e escrever passa a ser muito mais importante do que viver. A vida pessoal não interfere na obra, que se contém em si mesma. Será essa forma de literatura menos intensa, ou justamente mais profunda por evitar a contaminação pelo cotidiano?

O surgimento dos blogs trouxe um fato novo a essa discussão. Passou a ser possível publicar simultaneamente à escrita. Tec tec tec, o clique num botão e lá vão pro mundo as palavras recém escritas num apartamento em algum lugar do mundo. Essa rapidez engendra uma escrita muito ligada à vida, e aí surge a discussão: literatura de blog pode ser literatura? Clarah Averbuck, precursora dessa questão na internet brasileira e que já está no terceiro livro publicado em papel, defende que “não existe literatura de blog, escrever é escrever e pronto, é só um meio de publicação com uma data no final”. E os blogs servem também como plataforma de divulgação de trabalhos que não necessariamente estão sendo escritos ali, dia-a-dia, mas que foram burilados por tempos a fio e agora se apresentam ali como alternativa aos livros impressos, tão difíceis de conquistar pros jovens autores.


Talvez a grande questão seja a qualidade do que se escreve e não a interferência da vida no processo, ou a agilidade da publicação. O que acontece essa manhã pode estar na tela essa noite e nas livrarias em um ano, e o que se espera de cada etapa do processo é que seja intensa, nova e vigorosa, seja ela real ou imaginada.

8.6.08

super sexta




Taí o registro de uma das noites mais incríveis de todos os nossos tempos: Rodrigo cantando uma música dele com a Ana Carolina na estréia do show de lançamento do cd e dvd dela em São Paulo. Esse convite da Ana juntou quase tudo que poderia ser bom: cantar no show dela, com ela, uma música dele, e em São Paulo, que ele ama.

Foram dias de antecipação e preparativos, era preciso produzir um terno moderno, então ligamos pra Nina e pra Anne e lá fomos nós pro O Estúdio, que faz roupas sensacionais e emprestou pro Rodrigo um terno lindo. Aí foram horas de troca-troca de roupa, testando mil figurinos, e ensaiando a música no violão, e falando com o Jerry, produtor super profissa e gentilíssimo da Ana, sobre passagem, hotel, horários, etc. Eu não tive dúvida: comprei uma passagem e fui junto, que eu não ia perder essa noite por nada! Cesar, pai do Rodrigo, também se juntou à trupe.

Sexta de manhã fomos pro aeroporto, e a falta de teto fez todos os vôos atrasarem e acabamos encontrando a banda da Ana toda, além da Elisa Lucinda, que também ia pra Sampa apresentar o "Parem de falar mal da rotina". De repente me dei conta do círculo se fechando, que foi na casa da Elisa que conhecemos a Ana, que foi lá que eu peguei o telefone dela pra convidar pro Te vejo na Laura, onde ela leu um poema e um conto da Elisa, e agora a gente indo pro show da Ana e a Elisa ali no aeroporto, compartilhando daquela felicidade...



(a gente e a Ana no Te vejo em setembro de 2004)

A chegada em Sampa foi corrida: almoço rápido e Rodrigo já foi pro HSBC Brasil passar o som levando a roupa do show, e ficou lá direto até de noite. Eu matei horas até finalmente ir pra lá às 21h30 com o Cesar, passei no camarim pra entregar pro Rodrigo a rosa que ele ia dar pra Ana no palco, ele estava tranqüilo e eu fiquei também, e fui pra platéia esperar a hora.

O show começou e eu fui ficando cada vez mais nervosa, sem saber exatamente em que momento seria a entrada dele, e quando chegou a hora fui só felicidade, uma emoção explosiva, e só um pensamento: ele tá pronto. A demora toda pra lançar o disco,toda a paciência que foi preciso ter e ainda será, tudo fez sentido. Subir naquele palco, com a Ana Carolina e aquela banda, e não medrar e não se encolher, e cantar lindo e ainda brincar, só o tempo dá essa cancha...

O público foi super quente com a música, a Ana adorou a participação, e a noite acabou gloriosa! Agora é ver e rever o vídeo aí em cima, pra reativar a memória quente desses minutos...

ps: na mesma hora do show, em Miami, minha mãe exibia o "Meu nome não é Johnny", que acabou ganhando seis prêmios no Festival lá. Isso é que é sexta-feira, minha gente!

28.5.08

valem mais que mil palavras

Quando vi esse filme da Dove há uns anos atrás pensei: porra, então é pra valer mesmo essa "campanha pela real beleza". Porque revelar assim tão explicitamente o processo de construção dessa beleza que atormenta as mulheres pela impossibilidade é quase que uma traição a essa indústria, da qual a Dove definitivamente faz parte.

Pra mim esse vídeo devia passar em todas as escolas, fazer parte da educação básica de meninos e meninas, pra ajudar na criação de uma geração com mais auto-estima e menos presa a esses padrões sufocantes de beleza.



27.5.08

a origem da série

O Procurando Quem nasceu com um curta chamado Procurando Jorge Mautner, feito pelo Rodrigo no esquema mais mambembe do mundo. O curta foi exibido na Mostra São Paulo, Rodrigo acabou conseguindo que a Clélia Bessa (produtora da Raccord) visse o filme, e foi ela que levantou a lebre de que isso poderia virar uma série de tv.

Um tempão se passou e finalmente a série estreou, com produção da Mariza Leão e da Atitude Produções, há duas semanas. Pois hoje vai ao ar o episódio com o Jorge Mautner, origem de tudo. Às 21h, no Canal Brasil, com reprises 5a às 16h e sábado ao meio-dia.

26.5.08

o paraíso é assim

uma casa simples encravada na mata, com prainha particular, dias lindos de sol e brisa, pedras gigantes pra ver o pôr-do-sol, luz de gerador que apaga às 23h e depois velas e papos e vinhos com o homem escolhido e os amigos perfeitos, que sem a companhia certa não tem paraíso...

18.5.08

Procurando Clarah Averbuck

Essa 3a vai ao ar o segundo episódio do Procurando Quem, com a Clarah Averbuck. Rodrigo partiu pra São paulo com a câmera na mão e nenhuma infra, e passou dias caçando a moça pela cidade, encontrando gente interessante como o Mario Bortolotto, a Rita Wainer e o Xico Sá pelo caminho.

Esse episódio foi o primeiro a ser filmado, portanto o primeiro a ser montado, e é dos meus preferidos. Tá cheio de bossa, e acho que com a cara da Clarah. Esse videozinho é um trecho de uma entrevista dela pro Ramon Mello, nosso amigo escritor e jornalista, que acabou entrando no filme.

Lembrando: 3a feira 21 no Canal Brasil
Reprises: 5a feira 16h + sábado 12h30




9.5.08

Estréia terça



Acabou o mistério: terça, dia 13, estréia Procurando Quem, programa bacanérrimo do Rodrigo Bittencourt, novidade na grade do Canal Brasil.

É uma mistura de documentário e ficção, de programa de entrevista e filme de humor, que nasceu de um curta que o Rodrigo dirigiu chamado "Procurando Jorge Mautner". Agora serão 13 episódios, e em cada um deles um artista é o alvo da procura.

No caminho pra tv mil pessoas foram se agregando, Mariza Leão na produção com a equipe toda da Morena Filmes / Atitude Produções, o Canal Brasil que comprou a idéia e está super animado com o projeto, e eu muito feliz na montagem!

Então anotem:

ESTRÉIA - 3a feira, 13 de maio, 21h

TEMPORADA - toda 3a ao longo de 13 semanas
reprises 5a às 16h + sábados às 12h30

8.5.08

na mosca

Nunca vi nenhuma campanha anti-aids tão incisiva como essa francesa.

Merece ser vista e espalhada, porque vivemos na era pós-medo, e nesse caso muito particular, e infelizmente, devíamos ter continuado na era do medo e da paranóia, que pelo menos nos mantém seguros e com saúde.

29.4.08

em um ano


Desde que comecei a contar os visitantes daqui fiquei meio maníaca pela coisa. Quem reparar vai ver que tem um contador "exibido" aqui à esquerda, um discreto lá no fim da página, que só revela seus segredos quando devidamente clicado, e além disso um mapinha que me conta de onde é essa gente toda.
Eu sempre me surpreendo com as informações, e até já duvidei delas. Comemoro números simbólicos, e adoro os mecanismos malucos que me permitem saber de onde as pessoas vem quando chegam aqui (quase 1/4 delas googla "poesia de casamento", sabiam? eu tenho!).
Tudo isso pra dizer que fiquei triste quando o meu mapinha cheio de bolinhas e bolonas vermelhas foi arquivado e deu espaço a esse vazio aí do lado. Então, pra não perder o prazer do mapão-vermelhão, agora fixo ele aqui! Agora pensem comigo: quem será aquela bolinha perdida no canto direito lá embaixo? Ah, a curiosidade...

24.4.08

foto da capa

Por conta da lista do post abaixo, o Bendita Palavra acabou atrasando mais uma vez. Mas como os pagamentos à 7Letras já começaram, felizmente dessa vez eu tenho um limite de atraso, viva! Isso quer dizer que em junho ou no máximo julho o livro tá na rua!

No começo da semana então fui na casa do Stefan Kolumban, fotógrafo maravilhoso e amigo querido, tirar a foto da capa. A idéia da foto da tatoo há tempos eu já tinha, mas o Stefan acabou trazendo outras idéias na hora e acabamos com muitas possibilidades ótimas. A minha preferida, e por enquanto escolhida, é essa.

Agora tá nas mãos da Cacau Mendes criar a arte da capa sobre ela!


22.4.08

sim, eu sumi








- casa nova -
- trailer do Carvana -
- making of do Bruno Barreto -
- montagem de 13 episódios do Procurando Quem,
programa do Rodrigo pro Canal Brasil -
- trailer do Bruno Barreto -
- viagem à Europa em setembro -
não deu, gente, não tem dado...

26.3.08

amanhã


Amanhã vou embarcar pra UFF pra esse evento super bacana só com a poesia de mulheres. Pra quem é de cá é quase impossível - eu mesma tive que me organizar super pra dar conta de ir - mas pra quem é ou anda por Niterói, vai valer a pena!

21.3.08

há 16 anos


era a filmagem do Lamarca, 1992, eu acho, e lá fui eu pro sertão da Bahia ver tudo de perto. eu tinha 14 anos, adorava set de filmagem, e morria de orgulho de ver meus pais fazendo um filme naquele tempo em que o cinema brasileiro tinha sido aniquilado pelo governo collor. dez anos depois eu estava com eles no ceará, dessa vez trabalhando como assistente de direção de um filme chamado Onde anda você?, e dessa vez não achei set de filmagem assim tão legal, e decidi desistir de vez dessa possível profissão. como o cinema ainda seduz, virei montadora: longe da confusão do set, quieta no meu canto, mexendo com as imagens como mexo com as palavras quando escrevo.

curiosidade inútil: eu ainda tenho a camiseta da foto. na época era a última moda, foto de ballet na malha molinha da cribb dancing. 16 anos depois virou roupa de dormir em dia de gripe: conforto e recordações, o melhor remédio.

18.3.08

procura-se

apartamento 3 quartos, mínimo de 110m2, 1 vaga, botafogo-humaitá, vista livre, indevassável

descoberta do mês: como o incrivelmente bom pode ser inacreditavelmente trabalhoso

11.3.08

última forma

É amanhã, 4a, dia 12, o show do Rodrigo Bittencourt como convidado da banda Os Outros, na Cinemathèque. Tudo isso já devidamente anunciado abaixo. A mudança é que agora ele abre a noite ao invés de fechar, boa notícia pra quem trabalha cedo no dia seguinte, como eu!

Convite amigo a R12,00.

7.3.08

programem-se

Dicas pros próximos dias:

amanhã, sábado, minha amiga pintora incrível Suzanna Schelemm faz liquidação de trabalhos variados no seu atelier no Horto.



Segunda-feira, dia 10, eu vou dar uma canja no show do Rodrigo Sha, parte da temporada de lançamento do cd dele no novo Mistura Fina, em Ipanema. As outras canjas são das Chicas e da Leila Pinheiro, então a coisa vai ficar boa...

Pra terminar, na quarta, dia 12, último show da temporada da banda Os Outros na Cinematheque, e o convidado é Rodrigo Bittencourt, que fecha a noite com sua banda.


Divirtam-se!

4.3.08

o mundo

tem casas à venda

tem sonhos à espera

tem frustração e demora

tem silêncios de solidariedade

tem silêncios de impossibilidades

tem palavras que seguram pés em parapeitos de janelas


tem encaixes perfeitos

tem brilhos nos olhos

tem gente que abre a gente feito flor, feito cebola

tem lágrimas que geram comidas boas

tem mundos no mundo

tem muitos

28.2.08

súbito

Tão em cima da hora quanto o anúncio, o desanúncio: Rodrigo não vai mais tocar no super Dia da Rua hoje! Mas ainda tem Os Outros, Bonde Som, VulgoQuinho... Apareçam!

27.2.08

música boa na rua


Já é amanhã, 5a feira, dia 28: 14 bandas e um artista plástico em esquinas de Ipanema e Leblon, às 19h30 em ponto. Ótima música com Bonde Som, Os Outros, VulgoQuinho e os Caras, Zarvoleta Blues Band...

Mas eu recomendo mesmo é a esquina da Farme de Amoedo com Visconde de Pirajá, onde vai tocar o Rodrigo Bittencourt, que eu nem preciso mais explicar, preciso? Quem achar que sim, passe aqui. Até lá!

17.2.08

no meu livro novo tem

6 desertos
17 amores
26 medos!
9 desejos
7 filhos
48 eus
18 palavras
3 raivas
7 sonhos
7 mulheres
9 quandos
21 casas!
9 homens
16 noites
11 mundos
5 tardes
15 dias
4 erros
4 solidões
9 silêncios
3 ruas
8 crianças
1 surpresa
1 loucura
1 romance
1 coração
1 pessoa
2 angústias
0 carinho
0 maravilha
0 nitidez

12.2.08

enquete

Entra no livro ou não entra, Lombardi?
“Miguilim contava, sem carecer de esforço, estórias compridas, que ninguém nunca tinha sabido, não esbarrava de contar, estava tão alegre nervoso, aquilo pra ele era o entendimento maior.” (Guimarães Rosa, in Manuelzão e Miguilim)

O silêncio tem suas portas
O medo cria suas cobras
O dentro é de onde se olha
Bicho pronto pra morder

Quem vive sempre aparece
Quem espera ainda alcança
Devagar se vai ao longe
Mas hoje é preciso correr

Tem uns dias que são brancos
Tem gente que fere e cala
As noites todas têm alma
Pra quem olha e sabe ver

Embaixo de tudo é fome
Nos cantos mora o perigo
Quem deseja o proibido
De prazer pode morrer

O fundo é onde é molhado
Toda rede tem embalo
Qualquer casa é um castelo
Pra quem a souber encher

Menino que perde dente
Gente velha que ainda mente
Toda história tem semente
Se quem ouve quer dizer

E o verso que aqui se espalha
É como no boi a cangalha
Só o vaqueiro encantado
Pode libertar você.

1.2.08

poema com historinha

Não quero ser o Big Simpatia
A pele fina por debaixo da couraça

Não quero ser rainha da tristeza
Nem rei da dor ou outro título do inglês

De onde olho há o caminho andado
E vejo as mil curvas pela frente:

Podem ser estrada de Santos
Podem ser labirinto de Creta
E pode ter monstro
E pode ter novelo
E se o fio vai ser forte só na hora eu vou saber

Mas choro minhas dúvidas sem economia
Na hora da dor, lágrimas
Na hora de viver, pernas pra que te quero e mãos à obra

Se for imagem, filme
Se for palavra, poesia



(Big Simpatia é um personagem de um conto que meu pai escreveu muito antes de pensar em ter filhos, e que eu nunca li, só ouvi ele contar. Era um cara magrinho, fracote, que sonhava em ser grande e forte. Um dia um circo passa pela cidade, ele vê um cara que se apresenta com uma armadura e acha a solução pros seus problemas: veste a armadura e nunca mais tira. Por anos ele fica sendo o grandão-fortão que sempre sonhou, até que um dia se cansa daquela imagem e resolve voltar um pouco a ser ele mesmo. Quando ele tira a armadura, percebe que a sua pele ficou tão fina que qualquer carinho a arranha, porque ele ficou tão encantado com aquela falsa fortaleza que não se deu conta de que não estava construindo a sua força, a sua grandeza. É mais ou menos isso, de ouvido, da infância, mas esse cara anda comigo pela vida afora, e sempre que dá medo de não agüentar eu penso nele.)

26.1.08

no papel, de novo

Em junho a minha estréia no papel vai fazer cinco anos. 11 de junho de 2003, na Cobal do Humaitá, uma noite alegre de palavras e música e muitos amigos, livros e discos vendidos, felicidade, felicidade. Cinco anos mudam muita coisa, mas nem todas. A perda mais triste é essa, a continuidade mais feliz é essa.

Cinco anos é também um intervalo longo demais entre um primeiro e um segundo livro. Mil "mas é que" e alguns "também, né?" tentam justificar, mas a verdade é: publicar livro de poesia é assunto do poeta, e só dele. Não adianta contar com editora apostando o suficiente pra bancar os custos ou concursos públicos que concluam que seu livro é genial e te paguem pra trabalhar nele. Poucas chances. Pra mim nenhuma em cinco anos.

Mas enfim a inteligência me arrebatou e a grana dos outros trabalhos encheu o cofrinho o suficiente pra ser possível tomar a vida nas mãos de novo e dizer: Bendita Palavra, aí vamos nós. Com a parceria da 7Letras em breve meu segundo livro vai virar papel encadernado circulando em livrarias, e eu tô feliz que só!

E como nesse intervalo tudo que rolou foi aqui, no mariadapoesia, espero que vocês, que me lêem aqui, queiram também me ler aí nas suas casas mas sem virtualidades, com o computador desligado, deitados no sofá, espichados na cama, fazendo hora em salas de espera, por aí, por aí...

22.1.08

recomendo, recomendo, recomendo


Parece improvável: uma banda instrumental, com composições próprias e covers inusitados, lotando shows pelo Rio de Janeiro afora, e ainda colocando todo mundo pra dançar a noite toda. Parecia improvável, mas rolou, rola toda semana e nessa, em particular, vai ser no palcão do Circo Voador e com participações incríveis.
Imperdível!
Pros não-estudantes como eu, lista amiga aqui.

16.1.08

ainda

Palavras em caixas de som
Um corpo iluminado
E um rio branco correndo do outro lado da cidade
Já naquela noite
− embora ainda sem gemidos

Depois a voz gravada no etéreo
Permanência com prazo de fim

Sob o céu preto do mundo o encontro

A boca nessa hora transformou palavra em beijo:
Foi palavra, palavra
Palavra no fundo do ouvido
E aí beijo
Beijo como quase nunca mais ia ser
Mas de vez em quando ainda

O desejo ali deitado colou no corpo sem volta

Nem tudo era possível
Nem tudo ia ser tão bom assim
Mas era tudo verdade e continua
É tudo verdade e continua

Continua tudo ardendo noite adentro

7.1.08

A musa do século 21

Gata, gostosa, tesudinha:
dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.

Aberta, relax, super moderninha:
divide o namorado com hippies e patricinhas.

Séria, independente, meio estressadinha:
tem sua própria casa e paga as contas sozinha.

Culta, inteligente, artisticazinha:
Cita filosofia, curte música e um cineminha.

Doce, prendada, jeitosinha:
lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.

Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,
busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.

Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,
tem email, tem um blog, tem crédito no celular.

Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.

Não é careta nem doidona,
adora esportes na tv e sexo de madrugada,
não fala em filhos nem casamento
e cuida sozinha da anticoncepção.

Por ela suspiram os machos do século 21,
e por causa dela sofrem as fêmeas,
meros projetos de musa,
nós, mulheres reais.

1.1.08

Novo

Tudo novo de novo



ou



A continuidade



(no bom sentido, não me entendam mal. tudo aqui hoje no melhor sentido)



A noite foi de festa, e a comemoração pela virada de 7 pra 8 teve as melhores músicas, ótimas pessoas, uma puta vista, champanhe pra dar e vender, e teve a gente em grande forma, bonitos nas nossas roupas escolhidas, celebrando as conquistas do ano que acabava que se esparramam pro que começa, felizes felizes felizes.

Não é começar do zero, ufa! É mais como uma página recém virada do mesmo caderno antigo, aquele que começou quando a gente nasceu e que pode ter tantas folhas quanto a gente quiser, e fizer.

O meu é gordo, cheio de acontecimentos, e vai precisar de fitinha pra amarrar porque os planos são de muito mais!

30.12.07

ímpar-par

2007 foi um ano daqueles. Teve alegria, teve grana, teve dúvidas e confirmações de certezas, teve um monte de novidade: teve novidade-trabalho, teve novidade-casa, novidade-namoro.

Também teve alguns nãos, mudanças de rumos, teve portunhol e champanhe, poemas bonitos, noites em claro.

Teve a descoberta da maturidade, a invenção de caminhos, e agora levo comigo um EU imaginário gravado no pulso esquerdo.

Foi um ano de acontecimentos insuspeitos e inesperados, e que termina tão redondo, tão suave, que me faz mais forte pra 2008, 9, 29...

Não sei se deus existe, se tem mais depois da morte, nem qual a origem da vida, mas sei bem pra que estamos aqui: pra ser feliz e aproveitar.

E eu cumpro a missão com alegria!

21.12.07

o tempo

Tenho 29 anos
Um punhado de cabelos brancos
Dinheiro pra viver um ano
E quero ser mãe.

Quero ser mãe antes da riqueza
Antes da fartura
Quero ser mãe sem tinta no cabelo
Quero antes que seja tarde
Antes que eu seja velha
Antes que seja o fim.

Quero agora pra não mudar de idéia
Quero logo porque o medo ronda
Quero enquanto há inocência em mim.

A prata em meio aos fios me apressa, me assusta
Faz urgir o meu desejo:
Quero ser mãe de cabelos pretos.

14.12.07

sabedoria

"Maritma,

são palavras simples, apenas uma atrás da outra, mas um dia a gente aprende a morar dentro delas:

eu gosto de quem gosta de mim
eu acho interessante quem interage comigo
eu tenho tesão em quem brinca de ser legal
eu aceito o ínfimo, o prazo de validade e as infinitudes de todos os encontros...

afinal o ninho é feito de um material diferente do pássaro"

(trecho de email/carta do meu amigo, poeta e sábio Pedro Cezar, no longínquo ano de 2002)

noturno

Não é vontade de falar
Não é saudade de ninguém
Não é sono nem insônia
Não tem angústia no escuro

Apagado, o abajur descansa
Os cabelos não dormem sob o vento do teto
Idéias de receitas cruzam a cabeça

O corpo deitado sabe que não vai dar certo
Mas tira a lâmpada do repouso
Os dedos trabalham e os olhos reclamam:
É tudo esforço inútil

Amanhã o sol arrebenta na cara
E as olheiras afundam um pouco mais


(Mas felicidade não é muito diferente disso não)