Hoje não sou eu, são meus amigos. Outro dia falei do Ramon Mello, que trabalhou na organização da antologia digital ENTER com a Helô Buarque de Hollanda, mas também é jornalista, poeta em vias de lançar seu primeiro livro, Vinis Mofados, e no momento está organizando textos inéditos do Rodrigo de Souza Leão, que morreu há pouco, além de trabalhar na Secretaria de Cultura com a Adriana Rattes.
Tem também o Pedro Cezar, diretor de filmes tão artesanais que parecem jóias, que fez um sucesso danado com o seu longa de estréia, Fabio Fabuloso, e agora prepara o lançamento do sensacional Só dez por cento é mentira, sobre a vida e a obra do poeta Manoel de Barros. Pra quem gosta de poesia é absolutamente imperdível, porque o Pedro faz poesia com imagens e ainda conseguiu depoimentos deliciosos do Manoel, que só ele poderia mesmo conseguir.
Agora é o Marcio Debellian, outro querido de quem eu já falei muito, responsável pelo hotsite da Saraiva e pelo argumento e produção do Palavra Encantada, filme sobre a relação entre poesia e música que arrebentou em cinemas e festivais pelo mundo. Pois chegou o menino agora vai organizar um ciclo desdobrando os assuntos do filme lá na Casa do Saber, com três noites comandadas por Antônio Cícero, José Miguel Wisnik e Tom Zé. Só pode ser o máximo, né não?
"Carne do umbigo", "Bendita palavra" e "Substantivo feminino" são a versao impressa e bem acabada do que rola aqui. Quer me ter na sua mão em forma de livro e disco? Me escreve aqui!
27.8.09
24.8.09
De pernas pro ar

Lá em casa rola um ditado que se repete toda vez quem um dos filhos percebe que faz alguma coisa igualzinho meu pai ou minha mãe: "é o dna!". Comigo, em geral o dna bate com o do papai, o que quase sempre é notado pela minha mãe com uma pontinha de ciúme, ou por ele mesmo com um inegável orgulho.
Esse fim-de-semana o tal do dna ficou comprovado por uma coincidência quase doida: descobri que o meu pai, assim como eu, tem mania de tirar fotos do próprio pé, e tem inclusive uma pasta separada no computador pra essa "série" - exatamente como eu tenho. Coisa de gente doida, né? Mas pelo menos eu tenho a quem culpar por esse meu gosto estranho...
A foto aí em cima é em homenagem a mais essa descoberta, e também uma forma de sonhar acordada nessa segunda-feira nublada de muito trabalho no Rio, quando o que eu mais desejaria era que meus pezinhos estivessem assim, por alto, balançando, de frente pra um céu azul, um mar verdinho, coqueiros ao vento e uma rede branca...
12.8.09
11.8.09
ENTER
Entrou no ar hoje a antologia digital ENTER, organizada pela Heloísa Buarque de Hollanda, que sempre e esteve e segue estando ligada em tudo que há de novo no cenário literário brasileiro. Se nos anos 70 ela organizou a antologia impressa 26 poetas hoje, reunindo nomes que ganharam ali status de poetas pra além do mundinho alternativo, agora ela reúne o melhor da produção poética que circula online, ampliando o poético pra não só a poesia mas também a prosa e as artes gráficas.O jornalista e poeta Ramon Mello trabalhou junto com ela durante meses pra fazer a seleção dos autores, e hoje é a estréia dessa antologia, que não podia deixar de ser virtual, como a produção que ela abriga. Pra saber mais passe aqui, e pra ver tudo passe aqui. Mas tire algumas horas, que a coisa é quente e ampla!
Ah, faltou dizer que sim, eu tô lá!
9.8.09
Literatura em família
Meu amor pela escrita nasceu em casa. Foram meus pais que me deram os primeiros livros, e foi vendo eles lendo que eu percebi que aquilo podia mesmo ser um prazer. Nenhum conselho é mais poderoso que o exemplo.
Depois teve a escola. Eu fui estudar no Andrews na 1a série, com seis anos, e nessa época a gente tinha "aula de biblioteca", ou seja, um tempo da semana pra passar ali, no meio dos livros, escolhendo o que quisesse ler, sem obrigações nem trabalhos pra fazer depois. Foi meu segundo passo nessa relação de amor pela leitura.
Então os livros foram virando um vício, e com uns oito anos eu descobri na biblioteca da escola a série Inspetora, que me tirou do ar por uns tempos. Eram as aventuras de uma turma de adolescentes numa fazenda perto de uma cidade do interior, e a cada livro eles desvendavam casos mirabolantes. Os livros eram cheios de emoções, de aventuras, daqueles que não dá pra largar, e o melhor é que eram muitos livros, então o prazer daquilo era quase infinito! Eu levava os livros pra casa, mas cheguei num ponto em que qualquer pausa era desculpa pra ler, e passei muitos recreios na biblioteca, nem aí pra correria lá fora, me divertindo com as peripécias daquela turma.
Quando eu comecei a dizer poesia, aos 18 anos, o primeiro poema que escolhi decorar foi o "Caso do Vestido", do Drummond, que eu lembrava que meu pai adorava. Só depois de estrear nesse ofício que eu exerço até hoje descobri que o amor do meu pai por aquele poema tinha sido herdado do pai dele, meu avô Valério, que adora quando eu digo ele ainda hoje a pedido da vovó em festas de família.
Foi um pouco antes disso que eu descobri que a literatura existia na família não só na ponta de quem lê mas também na de quem escreve. Minha tia, Nilza, escreveu livros infantis que foram lançados quando eu já era adolescente, então só fui ler mesmo o que ela escreveu quando ela lançou seu primeiro romance, "Um deus dentro dele, um diabo dentro de mim", que é bom assim como o título sugere.
Depois disso ela escreveu muito, lançou pela Record "Dorme querida, tudo vai dar certo", "Elas querem é falar", além de contos em coletâneas e reedições dos livros infanto-juvenis. Nós duas fizemos Letras, nós duas escrevemos, duas gerações de mulheres falando através do papel, uma em verso, outra em prosa.
E agora ela está dando cursos bacanérrimos e eu, que depois que me formei não tenho estímulo pra estudar mais nada, digo que se for pra fazer um curso que seja com uma professora legal assim, talentosa e criativa! E como não fui eleita pelo povo assumo o nepotismo - que aliás reina na família sem pudores, e ainda bem - e indico com vontade!


Depois teve a escola. Eu fui estudar no Andrews na 1a série, com seis anos, e nessa época a gente tinha "aula de biblioteca", ou seja, um tempo da semana pra passar ali, no meio dos livros, escolhendo o que quisesse ler, sem obrigações nem trabalhos pra fazer depois. Foi meu segundo passo nessa relação de amor pela leitura.
Então os livros foram virando um vício, e com uns oito anos eu descobri na biblioteca da escola a série Inspetora, que me tirou do ar por uns tempos. Eram as aventuras de uma turma de adolescentes numa fazenda perto de uma cidade do interior, e a cada livro eles desvendavam casos mirabolantes. Os livros eram cheios de emoções, de aventuras, daqueles que não dá pra largar, e o melhor é que eram muitos livros, então o prazer daquilo era quase infinito! Eu levava os livros pra casa, mas cheguei num ponto em que qualquer pausa era desculpa pra ler, e passei muitos recreios na biblioteca, nem aí pra correria lá fora, me divertindo com as peripécias daquela turma.
Quando eu comecei a dizer poesia, aos 18 anos, o primeiro poema que escolhi decorar foi o "Caso do Vestido", do Drummond, que eu lembrava que meu pai adorava. Só depois de estrear nesse ofício que eu exerço até hoje descobri que o amor do meu pai por aquele poema tinha sido herdado do pai dele, meu avô Valério, que adora quando eu digo ele ainda hoje a pedido da vovó em festas de família.
Foi um pouco antes disso que eu descobri que a literatura existia na família não só na ponta de quem lê mas também na de quem escreve. Minha tia, Nilza, escreveu livros infantis que foram lançados quando eu já era adolescente, então só fui ler mesmo o que ela escreveu quando ela lançou seu primeiro romance, "Um deus dentro dele, um diabo dentro de mim", que é bom assim como o título sugere.
Depois disso ela escreveu muito, lançou pela Record "Dorme querida, tudo vai dar certo", "Elas querem é falar", além de contos em coletâneas e reedições dos livros infanto-juvenis. Nós duas fizemos Letras, nós duas escrevemos, duas gerações de mulheres falando através do papel, uma em verso, outra em prosa.
E agora ela está dando cursos bacanérrimos e eu, que depois que me formei não tenho estímulo pra estudar mais nada, digo que se for pra fazer um curso que seja com uma professora legal assim, talentosa e criativa! E como não fui eleita pelo povo assumo o nepotismo - que aliás reina na família sem pudores, e ainda bem - e indico com vontade!


3.8.09
Martha na Casa Poema - foi uma delícia

A fotinha solo é do Edney Martins, meu amigo querido e agora membro fundamental da equipe da Casa Poema. Adorei me ver aí, no palco do Teatro Possível, mas rolou muito mais do que só eu falando: os alunos da escola arrasaram, deixaram a platéia e a Martha emocionada, tanto que ela jurou que vai finalmente voltar à poesia, e nós é que temos que comemorar! Depois do recital rolou um papo delicioso dela e da Elisa, e depois sessão de autógrafos, enfim, uma tarde perfeita.
Quem não foi e já tá morrendo de pena de ter perdido, fiquem ligados no site da Casa Poema, onde tem mais notícias de como foi e vai ter em breve notícias dos próximos, porque A Poesia do Encontro vai virar evento mensal, sempre com poetas bacanas!
29.7.09
Martha na Casa Poema

Vai ser nesse sábado, dia 01 de agosto, às 15h, comemorando um ano de vida dessa lindeza que é a Casa Poema. Um recital com os alunos da Escola Lucinda de Poesia Viva dizendo poemas da Martha Medeiros, que vai estar lá pra ouvir ao vivo, ao que frio na barriga que dá! Bom, eu já não sou professora de lá há tempos, já não sou aluna há muitos mais tempos ainda, mas a Elisa convidou e claro que eu aceitei, que não sou nem boa de perder uma chance dessas!
Sabe que a parte chata de ter virado poeta e ter agora meus próprios poemas pra dizer é que acabo nunca mais dizendo os poemas dos outros, poemas que eu amo, que me formaram, que me inspiram, que cabem certinho na minha respiração. Então sábado vou poder brincar disso de novo, e tô amando. Quem se animar a ir, ligue e reserve que a casa vai ficar pequena pra tanta gente!
28.7.09
Livros, muitos livros!
Então finalmente ficou pronta a 2a tiragem do Bendita Palavra! Agora já tenho livros pra levar pra Porto Alegre em outubro, pra deixar nas livrarias e lojas com quem eu faço negócio diretamente, e a 7Letras já pode suprir os pedidos das livrarias pras quais ela distribui!
Nesse meio tempo, entre feliz com as vendas e aflita com a falta de livros, soube de histórias deliciosas, algumas aqui pelo blog, como a da Vivi, outras contadas por amigos como o Leandro Müller, que estava na Travessa de papo com o Leo Marona quando uma cliente chegou e levou TODOS os discos do Bendita Palavra que tinha no estoque, e eram 10!
Pois agora acabou a aflição, e fica só a parte boa: caixas de livros pela casa, muitos livros nas livrarias, nada pode ser melhor!
Nesse meio tempo, entre feliz com as vendas e aflita com a falta de livros, soube de histórias deliciosas, algumas aqui pelo blog, como a da Vivi, outras contadas por amigos como o Leandro Müller, que estava na Travessa de papo com o Leo Marona quando uma cliente chegou e levou TODOS os discos do Bendita Palavra que tinha no estoque, e eram 10!
Pois agora acabou a aflição, e fica só a parte boa: caixas de livros pela casa, muitos livros nas livrarias, nada pode ser melhor!
19.7.09
o tempo passa, o tempo voa
"Os cinco mais velhos". O título nos orgulhou durante muito tempo, e nos tornava um grupo coeso, como se vê aí na foto: eu, Tavinho, Mariana, Ipe, Beta. Sandálias Ortopé, botas ortopédicas, e pipoca, claro, que ninguém era bobo de ir pro parquinho sem pipoca. Nós fomos os primeiros netos da vovó, e depois vieram mais 15.Isso tudo já tem muito tempo. Agora os grupos têm mais a ver com o sexo do que com a idade. Aqui embaixo a parte feminina dos netos da vovó (faltando só a caçula Alice, que não mora no Rio) em dia de distribuição de potinhos, que herança ganha ao vivo é muito mais legal. Então somos na frente Julia, Lelê, a vovó, carol, Laura e Mariana, e atrás Beta, Lu, eu e Ciça. Os meninos não ganharam, que potinho não é que nem pipoca, que todo mundo ganha, não...
10.7.09
De volta à telinha!

Terça-feira, dia 14, é a reestréia da segunda temporada do Procurando Quem!!
O programa estreou ano passado, deu super certo, e está de volta ao Canal Brasil toda terça-feira às 21h, por 12 semanas, com convidados sensacionais como Mart'nália, Zeca Baleiro, Ney Latorraca, Mariana Ximenes, Ed Motta, e muito mais! A reestréia, em grande estilo, é com Diogo Mainardi, e o programa está hilário e a entrevista muito interessante e reveladora.
Assistam!
Procurando Quem
Toda 3a feira, às 21h, no Canal Brasil
Reprises sábado ao meio-dia
8.7.09
5.7.09
Scleranthus*
Você acorda animado, com energia, planos. São 9h da manhã de domingo, está nublado, e é óbvio que você devia estar na cama com o seu amor quente e macio, mas você pensa que é uma fase, é preciso acordar e ir trabalhar, e se é preciso que seja então animado e energético, que rende mais.
Você toma seu café-da-manhã sozinho na sala quieta, lê o jornal com uma certa pressa, decide ir a pé pra já fazer um exercício, afinal se é preciso trabalhar domingo deve ser permitida uma certa dose de fuga da obrigação pelo caminho. Você veste o figurino caminhante, calça os tênis high tech e começa a pensar no que vai fazer depois: voltar pra casa? sair direto? trabalhar mais em outro lugar? ou será melhor fazer o outro trabalho agora? mas lá não dá pra ir a pé, será preciso trocar de roupa e abandonar o prazerzinho da caminhada e de saber que está batalhando pela sua beleza&saúde. ou será melhor trabalhar amanhã? metade hoje, metade amanhã? ou tudo de uma vez agora?
Você senta no sofá, o top de ginástica começa a apertar as costas, a sensação de bem estar começa a se dissipar. Você dá telefonemas, faz meias perguntas porque quer respostas que dependem de outros telefonemas, deixa tudo no ar, três bolinhas de malabares voando, nitidamente fora do alcance da sua mão.
Você desliga os telefones, fica sentada no sofá, o desânimo tomou conta. Vontade de tirar toda essa roupa chata e voltar pra cama, onde o amor quente e macio dorme sem saber de toda essa epopéia que se desenrola silenciosa fora do quarto.
Mas não, é preciso ir, há tarefas a serem feitas, você sabe. Você escolhe um casaco pro talvez almoço de depois, olha o computador, resiste, olha o armário, pensa na calça que vai usar, olha o computador, dane-se, você pensa, e se senta em frente a ele, e começa a escrever.
(*Scleranthus é o floral usado pra indecisão)
Você toma seu café-da-manhã sozinho na sala quieta, lê o jornal com uma certa pressa, decide ir a pé pra já fazer um exercício, afinal se é preciso trabalhar domingo deve ser permitida uma certa dose de fuga da obrigação pelo caminho. Você veste o figurino caminhante, calça os tênis high tech e começa a pensar no que vai fazer depois: voltar pra casa? sair direto? trabalhar mais em outro lugar? ou será melhor fazer o outro trabalho agora? mas lá não dá pra ir a pé, será preciso trocar de roupa e abandonar o prazerzinho da caminhada e de saber que está batalhando pela sua beleza&saúde. ou será melhor trabalhar amanhã? metade hoje, metade amanhã? ou tudo de uma vez agora?
Você senta no sofá, o top de ginástica começa a apertar as costas, a sensação de bem estar começa a se dissipar. Você dá telefonemas, faz meias perguntas porque quer respostas que dependem de outros telefonemas, deixa tudo no ar, três bolinhas de malabares voando, nitidamente fora do alcance da sua mão.
Você desliga os telefones, fica sentada no sofá, o desânimo tomou conta. Vontade de tirar toda essa roupa chata e voltar pra cama, onde o amor quente e macio dorme sem saber de toda essa epopéia que se desenrola silenciosa fora do quarto.
Mas não, é preciso ir, há tarefas a serem feitas, você sabe. Você escolhe um casaco pro talvez almoço de depois, olha o computador, resiste, olha o armário, pensa na calça que vai usar, olha o computador, dane-se, você pensa, e se senta em frente a ele, e começa a escrever.
(*Scleranthus é o floral usado pra indecisão)
1.7.09
Se Amostra
Sabe aquele filme que disseram que era ótimo, mas você não viu porque só ficou uma semana em cartaz? E aquele outro que acabou virando lenda, porque sequer foi lançado, nem em DVD? Pois agora você tem um lugar para assistir à prolífica produção audiovisual que não está no circuito comercial, na Se Amostra - O Cinema que Você Nunca Vê: mostra de filmes inéditos e raros, de 3 a 5 de julho, no cinema do Jardim Botânico.Esse texto aí de cima inteirinho veio parar aqui pelo moderníssimo método copy-paste diretamente do site do Se Amostra. Mas como o tempo anda curto e eles descreveram melhor do que eu poderia fazer agora. Só me resta então dizer que a programação está de primeira, com filmes incríveis, dos quais eu destaco:
- Elke, curta documental da Julia Rezende, minha irmã, montado por mim, com um retrato revelador dessa mulher única. Ela fala sobre a construção da sua imagem despida das máscaras. É a Elke por detrás da Elke Maravilha.
- Só dez por cento é mentira, do Pedro Cézar, meu amigo querido. É um documentário sobre o Manoel de Barros, um dos grandes poetas brasileiros, e é um filme impressionante, que mergulha fundo na obra do Manoel, com a marca registrada do Pedro, que é a inventividade, a criação que merece mesmo esse nome.
Vejam a programação inteira lá no site!
29.6.09
A caminho, O caminho
A caminho está a segunda tiragem do livro. Tudo combinado com a editora, com o auxílio luxuoso da minha querida Valeska de Aguirre, que criou comigo a cara e o jeito do miolo dele, pensou comigo a sutileza de fontes e pontos, e segue me dando a mão sempre que eu preciso.
O caminho é inesperado, bonito e bom. Eu escrevo menos do que se imagina, prospecto mais do que gostaria, e celebro tudo, sempre. Passo mais horas juntando imagens do que palavras, ganho bem pra fazer isso, e gosto. Gosto porque é gostoso e gosto porque preciso, e gostando o dinheiro rende mais.
Tenho 30 anos, uma casa linda, um homem lindo, um trabalho bacana, dois livros esgotados e muitos planos. Tem dias que terminam com dor na nuca e salompas e raiva, outros com sorrisos, barriga cheia e coração leve.
Que o caminho tenha, como tem tido, muito mais desses do que daqueles, e que eu siga sendo simples e exercendo essa vocação pra receber de peito aberto o que está a caminho.
O caminho é inesperado, bonito e bom. Eu escrevo menos do que se imagina, prospecto mais do que gostaria, e celebro tudo, sempre. Passo mais horas juntando imagens do que palavras, ganho bem pra fazer isso, e gosto. Gosto porque é gostoso e gosto porque preciso, e gostando o dinheiro rende mais.
Tenho 30 anos, uma casa linda, um homem lindo, um trabalho bacana, dois livros esgotados e muitos planos. Tem dias que terminam com dor na nuca e salompas e raiva, outros com sorrisos, barriga cheia e coração leve.
Que o caminho tenha, como tem tido, muito mais desses do que daqueles, e que eu siga sendo simples e exercendo essa vocação pra receber de peito aberto o que está a caminho.
17.6.09
Extra, extra!
O livro esgotou. Assim mesmo, como está escrito. Mas não, falta impacto, e a notícia é impactante.
O LIVRO ESGOTOU.
A notícia me pegou no meio da manhã e desestruturou o que restava dela, a ordem preestabelecida de vestir a roupa, arrumar a mochila, ir pro trabalho, foi tudo pras cucuias.
O LIVRO, MEU LIVRO, BENDITA PALAVRA, ESTÁ ESGOTADO.
A minha cota de 330 exemplares já tinha acabado há tempos, mas agora acabou também a cota de 270 exemplares da 7Letras – e nem me falem no fato de que eles podiam ter economizado na surpresa e me avisado que ia acabar antes, pra eu poder tomar providências e não deixar o livro faltar justo nesse momento de tanta procura.
Então agora eu vou correr, mover mundos e fundos, argumentar e agitar pra fazer uma nova tiragem. Mas nada disso, as providências chatas e etc, vai tirar o brilho desse acontecimento surpreendente:
EM APENAS SEIS MESES MEU SEGUNDO LIVRO VENDEU 600 EXEMPLARES.
Ok, nem todos foram comprados, que eu dei muitos de presente.
Ok, nem todos foram vendidos ainda, muitos estão consignados em lojas e livrarias do Rio, São Paulo, Porto Alegre, ou seja ainda dá pra comprar na boa.
O fato é que eu achava que 600 livros iam ser pouco porque eu vendi sozinha, sem editora nem livraria, os mil exemplares do substantivo feminino.
Eu achava, mas não imaginava que fosse ser tão rápido.
Tô boba, pasma, e feliz.
Não.
Tô feliz, feliz, feliz.
E doida pelo que vem pela frente.
O LIVRO ESGOTOU.
A notícia me pegou no meio da manhã e desestruturou o que restava dela, a ordem preestabelecida de vestir a roupa, arrumar a mochila, ir pro trabalho, foi tudo pras cucuias.
O LIVRO, MEU LIVRO, BENDITA PALAVRA, ESTÁ ESGOTADO.
A minha cota de 330 exemplares já tinha acabado há tempos, mas agora acabou também a cota de 270 exemplares da 7Letras – e nem me falem no fato de que eles podiam ter economizado na surpresa e me avisado que ia acabar antes, pra eu poder tomar providências e não deixar o livro faltar justo nesse momento de tanta procura.
Então agora eu vou correr, mover mundos e fundos, argumentar e agitar pra fazer uma nova tiragem. Mas nada disso, as providências chatas e etc, vai tirar o brilho desse acontecimento surpreendente:
EM APENAS SEIS MESES MEU SEGUNDO LIVRO VENDEU 600 EXEMPLARES.
Ok, nem todos foram comprados, que eu dei muitos de presente.
Ok, nem todos foram vendidos ainda, muitos estão consignados em lojas e livrarias do Rio, São Paulo, Porto Alegre, ou seja ainda dá pra comprar na boa.
O fato é que eu achava que 600 livros iam ser pouco porque eu vendi sozinha, sem editora nem livraria, os mil exemplares do substantivo feminino.
Eu achava, mas não imaginava que fosse ser tão rápido.
Tô boba, pasma, e feliz.
Não.
Tô feliz, feliz, feliz.
E doida pelo que vem pela frente.
14.6.09
Gospel
Foi a tia do Rodrigo que ouviu. Na rádio gospel, domingo passado, o pastor recomendou vivamente que todos comprassem o livro Bendita Palavra, de Maria Rezende, e citou o mesmo poema sobre o qual a Martha escreveu no Globo mês passado (e que aliás ela retoma hoje, meu deus, a vida pode ser muito boa).
Pois o pastor também gostou desse poema que fala sobre momentos em que a gente não se sente bem na própria pele, e usou esse mote pra falar de mudança. Foi isso que me disseram. Eu ouvi e fiquei pasma: mas o pastor não discordou do baita palavrão que vem alguns versos depois desses? Ele não ficou chocado? Não teve medo de chocar os fiéis que porventura sigam o conselho e comprem o livro?
Talvez não, talvez ele seja um pastor moderno. Mas minha conclusão é a seguinte: ele é um pastor bem informado, leu a Martha, gostou das reflexões dela, viu que o título do livro é Bendita Palavra, juntou tudo e não teve dúvidas, indicou. Eu adorei, e tô aqui curiosíssima imaginando os desdobramentos dessa indicação.
Gente indignada bramindo o livro e pedindo a cabeça do pastor. Gente maravilhada com a possibilidade de pensar e sentir as coisas escritas ali, mesmo sendo fiéis calorosos. O pastor arrependido. O pastor realizado.
São muitas possibilidades, e eu provavelmente nunca saberei o que aconteceu. Mas eu, que vivo desejando e batalhando pra me espalhar por aí, realmente não esperava por essa. E adorei! Quem quiser ler o poema inteiro pra entender o meu susto, tá aqui.
Pois o pastor também gostou desse poema que fala sobre momentos em que a gente não se sente bem na própria pele, e usou esse mote pra falar de mudança. Foi isso que me disseram. Eu ouvi e fiquei pasma: mas o pastor não discordou do baita palavrão que vem alguns versos depois desses? Ele não ficou chocado? Não teve medo de chocar os fiéis que porventura sigam o conselho e comprem o livro?
Talvez não, talvez ele seja um pastor moderno. Mas minha conclusão é a seguinte: ele é um pastor bem informado, leu a Martha, gostou das reflexões dela, viu que o título do livro é Bendita Palavra, juntou tudo e não teve dúvidas, indicou. Eu adorei, e tô aqui curiosíssima imaginando os desdobramentos dessa indicação.
Gente indignada bramindo o livro e pedindo a cabeça do pastor. Gente maravilhada com a possibilidade de pensar e sentir as coisas escritas ali, mesmo sendo fiéis calorosos. O pastor arrependido. O pastor realizado.
São muitas possibilidades, e eu provavelmente nunca saberei o que aconteceu. Mas eu, que vivo desejando e batalhando pra me espalhar por aí, realmente não esperava por essa. E adorei! Quem quiser ler o poema inteiro pra entender o meu susto, tá aqui.
7.6.09
Dar e receber
É das melhores coisas da vida, e atinge sua perfeição quando rola em equilíbrio: você dá, daí recebe, enquanto isso já tá dando de novo. Escrever passa meio à margem desse processo, e aí publicar faz virar a chave. Quem escreve dá o que sente, o que pensa, dá uma visão de mundo, dá um olhar, dá sua emoção. Quem lê recebe tudo isso. Ou não. E quando não a perfeição passa longe e o encanto se quebra.
Em geral não dá pra saber quão bem o processo vai, porque ler é silencioso e íntimo. Mas a internet, na sua grande cesta de maravilhas, trouxe também essa: é possível cutucar o autor no braço, de leve, e dar a ele seu melhor sorriso com as palavras "adorei o que você escreve" estampadas no rosto - ainda que sejam todos, braço sorriso rosto, virtuais e por escrito.
Mas às vezes, algumas, rola mais. Pra além do virtual, pra além do escrito, presentes ao vivo e a cores, de pegar com a mão e deixar a gente descrente de que haja esse tipo de carinho e gentileza ainda.
No começo do ano chegou aqui em casa um pacote com um caderno lindo, todo bordado, e um bilhete da Patrícia, que adorou o livro e quis me dar páginas pra serem palco dos poemas novos. Essa semana foi a vez da Kenia, que foi no lançamento na Casa Poema e virou amiga por email, e agora me bordou dois centrinhos de mesa de crochê, ela mesma, com suas mãos prendadas, delicadezas de outros tempos me tocando em pleno século 21.
E fomos tomar café num fim de tarde, eu ela e Luciano, o marido querido que veio junto lá do Méier pra ela me entregar o presente. E falamos sobre nada em especial, sobre os filhos, sobre os planos, e rimos um bocado e nos conhecemos um pouco, e eu vim pra casa feliz da oportunidade que a poesia me dá de ter encontros, gente tão especial que recebe a minha oferta e me devolve tanto, de tantos jeitos bons, mas que especial esse jeito antigo, corriqueiro e real. Bom demais.
Em geral não dá pra saber quão bem o processo vai, porque ler é silencioso e íntimo. Mas a internet, na sua grande cesta de maravilhas, trouxe também essa: é possível cutucar o autor no braço, de leve, e dar a ele seu melhor sorriso com as palavras "adorei o que você escreve" estampadas no rosto - ainda que sejam todos, braço sorriso rosto, virtuais e por escrito.
Mas às vezes, algumas, rola mais. Pra além do virtual, pra além do escrito, presentes ao vivo e a cores, de pegar com a mão e deixar a gente descrente de que haja esse tipo de carinho e gentileza ainda.
No começo do ano chegou aqui em casa um pacote com um caderno lindo, todo bordado, e um bilhete da Patrícia, que adorou o livro e quis me dar páginas pra serem palco dos poemas novos. Essa semana foi a vez da Kenia, que foi no lançamento na Casa Poema e virou amiga por email, e agora me bordou dois centrinhos de mesa de crochê, ela mesma, com suas mãos prendadas, delicadezas de outros tempos me tocando em pleno século 21.
E fomos tomar café num fim de tarde, eu ela e Luciano, o marido querido que veio junto lá do Méier pra ela me entregar o presente. E falamos sobre nada em especial, sobre os filhos, sobre os planos, e rimos um bocado e nos conhecemos um pouco, e eu vim pra casa feliz da oportunidade que a poesia me dá de ter encontros, gente tão especial que recebe a minha oferta e me devolve tanto, de tantos jeitos bons, mas que especial esse jeito antigo, corriqueiro e real. Bom demais.
6.6.09
O disco .com!
Ok, eu ando prática demais, falando só de resultados e pontos de venda e conquistas e acontecimentos. Prometo que vou voltar a ser subjetiva e trocas idéias e etc, mas é que o tempo anda curto e caramba, os acontecimentos andam ótimos!
Os últimos são da categoria "pontos de venda". Na carona da matéria no Saraiva Conteúdo, de que eu falei aqui embaixo, o livro agora também está à venda na Saraiva.com, mais uma ótima opção virtual!
Mas a minha menina dos olhos é o seguinte: finalmente consegui colocar o disco à venda na Travessa! Isso quer dizer que a partir de hoje já dá pra comprar o kit completo nas lojas aqui no Rio, e muito em breve vai dar pra fazer o mesmo na Travessa.com. Meu sonho está realizado!
Os últimos são da categoria "pontos de venda". Na carona da matéria no Saraiva Conteúdo, de que eu falei aqui embaixo, o livro agora também está à venda na Saraiva.com, mais uma ótima opção virtual!
Mas a minha menina dos olhos é o seguinte: finalmente consegui colocar o disco à venda na Travessa! Isso quer dizer que a partir de hoje já dá pra comprar o kit completo nas lojas aqui no Rio, e muito em breve vai dar pra fazer o mesmo na Travessa.com. Meu sonho está realizado!
3.6.09
Na rede
Essa minha vida real-virtual é cheia de gente incrível que me lê, que me posta, que me espalha e me divulga e me dá a maior força no ofício de ser poeta. Cada vez que me chega um email de alguém novo, ou um comentário aqui no blog, fico surpresa e feliz com o poder de contagiar outras pessoas, e comemorando o alcance dessa rede doida que a gente habita hoje. Vocês sabem quem são, e eu agradeço muito, viu?
A mais nova integrante do time dos meus amigos virtuais é a Jana Lauxen, uma gaúcha cheia de gás de Passo Fundo que, além de escrever um blog ótimo e ter publicado agora seu primeiro livro, Uma carta por Benjamin, ainda edita o E-blogue, que reúne o melhor dos blogs brasileiros, e a versão brasileira da 3a.m. Magazine, uma revista virtual inglesa que agora existe também por aqui.
Pra minha sorte ela me achou e pronto, lá estou eu nas duas publicações, aqui e aqui.
A mais nova integrante do time dos meus amigos virtuais é a Jana Lauxen, uma gaúcha cheia de gás de Passo Fundo que, além de escrever um blog ótimo e ter publicado agora seu primeiro livro, Uma carta por Benjamin, ainda edita o E-blogue, que reúne o melhor dos blogs brasileiros, e a versão brasileira da 3a.m. Magazine, uma revista virtual inglesa que agora existe também por aqui.
Pra minha sorte ela me achou e pronto, lá estou eu nas duas publicações, aqui e aqui.
1.6.09
Entrando no ar
Está entrando no ar o Saraiva Conteúdo, um site muito bacana pra quem curte a cultura brasileira, seja música, literatura, cinema, teatro. De cara já dá pra ver que a coisa é profissa: na primeira página tem chamada pra entrevista com Caetano, Mart´Nália, Nélida Piñon, tem Chico Buarque lendo trechos do livro novo, tem trechos do filme do Pedro Cezar sobre Manoel de Barros.
Mergulhando um pouco mais, dá pra achar páginas sobre novos artistas, ver entrevistas em vídeo, filmes legais, e ainda ouvir podcasts indicados por toda essa gente bacana. Bem felizinha da minha vida, eu tô lá! E tem também a Letícia Novaes e o Lucas Vasconcellos, da banda Lettuce, tem a Silvia Machete, o Marcelino Freire, a Gabriela Leite, criadora da Daspu, e tem artigo da mamãe sobre cinema, gente!
Por trás de tanta coisa legal, está meu amigo querido Marcio Debellian, responsável pela idéia e pela produção do documentário Palavra Encantada, trabalhador inventivo, incansável e cheio de gás, que agora comanda uma turma ótima que ralou muito pra botar na rua esse site. Por isso eu recomendo, indico, e assino embaixo!
Mergulhando um pouco mais, dá pra achar páginas sobre novos artistas, ver entrevistas em vídeo, filmes legais, e ainda ouvir podcasts indicados por toda essa gente bacana. Bem felizinha da minha vida, eu tô lá! E tem também a Letícia Novaes e o Lucas Vasconcellos, da banda Lettuce, tem a Silvia Machete, o Marcelino Freire, a Gabriela Leite, criadora da Daspu, e tem artigo da mamãe sobre cinema, gente!
Por trás de tanta coisa legal, está meu amigo querido Marcio Debellian, responsável pela idéia e pela produção do documentário Palavra Encantada, trabalhador inventivo, incansável e cheio de gás, que agora comanda uma turma ótima que ralou muito pra botar na rua esse site. Por isso eu recomendo, indico, e assino embaixo!
Assinar:
Postagens (Atom)


