22.9.09

nas europas

então depois de dois anos de planejamento e dois meses de absoluta dedicação aos trabalhos e sumiço do mundo, hoje começa a famosa "viagem-pra-europa-de-férias-e-lua-de-mel ".

nem acredito que amanhã a essa hora vou estar domindo em lisboa - dormindo, porque estar acordada agora,às 7h22 de terça-feira, é pura ansiedade pelos últimos preparativos que incluem ir na pedicure cuidar de uma unha querendo encravar, buscar uma sapatilha no sapateiro, dar beijos na ceição e na graça, que cuidaram de mim desde pequena, e ainda deixar as recomendações pra nossa diarista que virá uns dias durante esse mês.

sim, é um mês. a felicidade existe, e eu tô doida pra chafurdar nela!

ps 1:pode ser que eu mande fotos e notícias. pode ser que não. então já me desculpo pelo sumiço, e se eu aparecer é lucro!

ps2: de brinde antes de viajar, deixo os vídeos de apresentação dos músicos da Les Pops, uma banda nova e ótima, formada por três compositores incríveis: o meu amor Rodrigo Bittencourt, e mais Daniel Lopes e Thiago Antunes.

19.9.09

Salve Geral na disputa pelo Oscar!

Ontem foi um dia frenético. Ao meio-dia saiu o anúncio de que o filme do papai era o representante brasileiro a uma das cinco vagas de melhor filme estrangeiro no Oscar do ano que vem. Ele, que tá no 12o filme, com uma carreira feliz e bem sucedida, me disse que nunca teve um dia assim, tão frenético e feliz. Porque o sucesso de um filme se dá em goles, com uma crítica boa ali, uma matéria legal lá, e as respostas das pessoas que devagarzinho vão assistindo.

Mas essa história do Oscar não. É uma notícia, que saiu ao meio-dia, e cinco minutos depois ele estava dando entrevistas ao vivo pelo telefone, e assim foi o resto do dia inteiro, culminando com uma puta festona que já estava marcada mas serviu de celebração pra essa alegria quase inesperada. Estamos felizes, todos, curtindo essa onda. Agora é esperar fevereiro e ver se o filme consegue passar nessa peneira tão fininha. Mas até lá o mais importante já vai ter acontecido, que é o lançamento dia 2 de outubro, e a carreira do filme aqui no Brasil, que vai ser potencializada por essa indicação, e viva ela!

Tem matérias legais sobre o filme aqui, aqui e aqui. E aproveito pra avisar que o making of do filme, feito por mim, estréia hoje no Canal Brasil às 22h35, e tem reprises depois nos seguintes dias:

19/09 (HOJE) - 22h35
20/09 (dom) - 15h45
22/09 (3a) - 2h10
24/09 (5a) - 8h40

16.9.09

Das delícias

Botar o livro na rua tem dores e delícias. Falei sobre isso aqui, concluindo que na verdade tudo é delícia, mesmo que às vezes meio amarga, meio azeda, porque ter o trabalho comentado já é sensacional.

Mas é preciso dizer que uma
resenha
como essa aqui embaixo é muito, mas muito mais gostosa de receber... Saiu no jornal Rascunho, de Curitiba, que eu conheci agora e adorei, escrita pelo Igor Fagundes, que é um poeta dos bons, e fez uma resenha das mais poéticas e carinhosas pro Bendita Palavra!

POESIA ANFITRIÃ

Igor Fagundes • Rio de Janeiro – RJ



Bendita palavra
Maria Rezende
7Letras
60 págs.

Se livros são espécies de casas, com direito a portas, janelas, sótãos e porões, este Bendita palavra, de Maria Rezende, também se (nos) constrói como habitat e habitante, persona anfitriã ao nos chamar, convidar, receber com carinho, delicadeza e cumplicidade, desde a entrada, onde, já descalços, rumamos ao café na sala, ou na cozinha, ao som de um velho rádio de pilha, rindo lágrimas, chorando sorrisos. Entre açúcares, adoçantes, amigos e desconhecidos.

Essa doçura, isto é, essa hospitalidade de Bendita palavra começa antes da poesia propriamente dita. Diríamos, ainda, que a poesia, propriamente não-dita, começa por fora, antes de cada um dos poemas por dentro escritos e que grafitam "com o dedo um muro sem argamassa". Principia nos cuidados poético-editoriais, no design da capa, em cuja foto - com o rosto da autora tão de frente mesmo tão de costas, de novelos-labirintos de cabelo nitidamente embaçado - antecipa e precipita o "jeito particular de se exibir e se esconder", trejeito fundamental de toda poética. E é na pista do corpo da artista tornada sua própria obra de arte, nesta assunção do eu como espaço e tempo em que a palavra se tatua ("um dia as crianças vão deitar sobre meu corpo pra aprender a soletrar"), que se flagra o tônus deste livro nada encabulado de querer-se diário íntimo-e-de-todos, conforme nos confessa outro esmero, o da quarta capa, ao projetar rabiscos e rasuras de caderno: bloquinho de anotações, sensações em bloco, em que o leitor, acolhido antes de acolher, se informa a respeito do que encontrará nesta casa, que, por oportunamente se exibir e se esconder, sabe também da manha-anfitriã de não revelar tudo. O sabor daquele café ao som do velho rádio, o jovem beijo da xícara, o abraço infante da colher no pires, só os saberemos se aceitarmos o apelo para prová-los. Difícil recusar o convite. Folheamos a morada e o cheiro-cafeína nos folheia a trazer: "6 desertos, 17 amores, 26 medos, 9 desejos, 7 filhos, 48 eus, 19 palavras, 3 raivas, 7 sonhos, 7 mulheres, 9 quandos, 22 casas, 9 homens, 16 noites, 13 mundos, 5 tardes, 15 dias, 4 erros, 4 solidões, 11 silêncios, 3 ruas, 8 crianças, 1 surpresa, 1 loucura, 1 romance, 1 coração, 1 pessoa, 2 angústias...".

Que não se espere aqui, no entanto, matemáticas (forma fixa, pensamento preciso), pois "o risco não é só um traço", mas "bambo da corda solta no ar", "pergunta te atacando ao meio-dia". Depois do café, ficamos para o almoço? "As coisas boas são prisões sem grades" e nos sentimos livres com a porta trancada se, de aberturas, vive o lar repleto. E as persianas. E as cortinas. Nós, despojados como a dicção dos quartos de Maria da Poesia Rezende, bem como de seus corredores e paredes com tinta desbotada, carnadura retorcida por veios de infiltrações, que "o amor quando insiste deixa a gente encharcado". É bem provável que, por conta disso, a voz exageradamente lírica (e o exagero é risonhamente destacado com exagero na biografia da poeta), invente "uma fala clara/ palavra feita pra boca/ com jeito de todo dia". De novo, a hospitalidade desta escrita comparece na vocação para a oralidade (o livro tem até sua versão em CD), em que o coloquial e até desbocado ("adoro pau mole pelo que ele encerra de possibilidade") se tornam trunfo e triunfo de uma conversa sem protocolos, desejosa apenas de se sentir cotidiana e à vontade, de nos fazer com que igualmente nos sintamos com ela à vontade, e com vontade de também relaxar nosso verbo, sem perder-lhe a força e a graça: "Nu aqui é pelado/ seio é peito/ (...)// Aqui não cabe floreio/ aqui reverto a inversão/ simplicidade, aqui, é sofisticação".

Todavia, poderíamos listar algumas quinas encardidas pelo caminho, dois ou três tapetes de banheiro molhados, dois quartos de cama ainda desfeita (da hora de acordar à de, mais uma vez, dormir), pilha de louças por lavar na cozinha, porque o lirismo com excessiva sede de claridade, despudor, desregramento e comunicabilidade não está livre de resvalar no confessionalismo, por vezes fatigante para quem lê. Afinal, as emoções particulares de um poeta, embora matéria-prima (mas não garantia) de arte, não interessariam ao leitor à procura de conteúdo transmitido por forma trabalhada sem caprichos de ego. Bendita palavra não é recomendável para quem preza obras ricas em recursos estilísticos, virtuose imagética-fônica-rítmica, impessoalidade discursiva a fim de conceder voz apenas à linguagem. Não raro, e no entanto, a fartura desses elementos culminaria muito mais em retórica do que necessariamente em poesia e um visitante descomprometido com preconceitos e manuais por vezes mofados de estética pode realmente se tornar hóspede contente e se surpreender com estes rascunhos de "encaixes perfeitos", "brilhos nos olhos", "gente que abre a gente feito flor, cebola", "mundos no mundo". Não é fácil, por exemplo, escrever sobre a morte com tanta leveza ("Morrer podia ser só um pouquinho/ podia ser um passeio/ viagem pela noite que acabasse no café") e é por ternuras dessa tez que ficamos não só para o jantar como ansiamos para o dia seguinte não chegar nunca: "Amanhã, o sol arrebenta na cara/ e as olheiras afundam um pouco mais// (Mas felicidade não é muito diferente disso não)". "Por isso a festa", para quem, em solidão, aprende a dançar com e na bendita palavra.

8.9.09

Em Italiano!

Tá bom, voltei praquela fase de só falar das coisas boas que estão rolando com a minha poesia, e refletir pouco, e escrever pouco inspiradamente. É que o tempo anda mais curto do que dá pra acreditar, e gente, eu não aguento as respostas que recebo através do livro e do blog!

Agora foi a vez da Bebel, que deixou recado aqui dizendo que minha poesia está fazendo sucesso na Itália, e eu que sou curiosa perguntei como assim e sente só: a avó dela morreu esse ano, ela quis fazer uma homenagem e mandou pra todo o meu poema sobre morrer. Aí como ela tem amigos na Itália e, muito chique, fala italiano, ela traduziu o poema pra mandar pra eles. Cês acham que eu resisto? Pedi pra ela me mandar, e agora vou ficar aqui me achando o máximo e tentando ler em voz alta o meu poema em italiano. Genial!

Morire poteva essere solo un po'
Poteva essere una gita
Viaggio verso la notte che finisse in un caffè

Morire come un'avventura
Una montagna
Camminare verso il deserto a piede dopo ritornare

Come ballare d'occhi chiusi
Perdersi in un altro corpo
Come un buon whisky, un sonno per intero, un piacere, un odore

Morire poteva essere anche un castigo
Porta chiusa con scadenza di fine
Ma non questo buco, questo abisso

Il tuo riso per sempre assente
La tua musica suonando in me

(poema da Maria, tradução da Bebel)

5.9.09

Salve Geral

Papai está de filme novo na praça. Salve Geral estréia dia 2 de outubro, contando a história de uma mãe que tem o filho preso e se embrenha no mundo das cadeias de Sâo Paulo no ano que precede os ataques de uma facção criminosa que apavorou o Brasil em maio de 2006. Andrea Beltrão emociona como essa mulher, Lucia, e o ator que faz o filho dela é o Lee Thalor, uma revelação do teatro paulista. Quem ajuda a Lucia a melhorar a vida do filho, ao mesmo tempo envolvendo ela nos esquemas do crime é a Ruiva, personagem que vestiu como uma luva na Denise Weinberg, atriz premiadíssima mas ainda desconhecida do grande público. O resto do elenco, que é enorme, segue essa linha: grandes atores pouco conhecidos, o que garante um mistério que torna o filme ainda mais sedutor.

O trailer aí em cima já tá nos cinemas, e foi feito por mim e pelo Rodrigo, que estamos firmes nesse mercado desde o sucesso do Meu nome não é Johnny. Ah, e pra quem não sabe, o papai é o Sergio Rezende, diretor do filme!

4.9.09

da Viviane Mosé

O silêncio não quer ser sozinho, então ele fala
Quem escreve ouve porque cala
Quem escreve escrava
O que o silêncio
Palavra

29.8.09

É por isso que a gente segue (pra ler de baixo pra cima)

2009/8/27 - Citando Rosane Liporace :
Oi Maria,
Obrigada pelas dicas!!! Vou ter bastante material pra me divertir. Depois te dou um feedback do que escolhi.
Claro que pode publicar o email. Sem o menor problema ;-))
Bj

2009/8/28 <mariadapoesia@ism.com.br>
oi rosane,
adorei ser sua primeira! =)
tô correndo mas aí vão as dicas:

da série "mulheres contemporâneas":
elisa lucinda (meu preferido é o 1o, "o semelhante")
martha medeiros (ela é poeta também, sabia? ótima!) (poesia reunida - lp&m)
viviane mosé (meu preferido é o 1o, "toda palavra", não sei se tá esgotado)
da série "clássicos modernos":
adélia prado
ferreira gullar
drummond
dá uma fuçada na internet pra ver os estilos e sentir quem te agrada, daí compra os livros que você escolher!
eu te aviso das minhas novidades, tá?
e posso publicar seu email falando que eu sou sua 1a poeta lá no meu blog? tô achando o máximo! =)
beijo, maria


2009/8/27 - Citando Rosane Liporace :
Maria,
Me avise sim, quando a 2a edição sair, mesmo que demore!
Eu não entendo nada de poesia e pra ser bem sincera, o seu livro foi o primeiro livro de poesia que eu comprei. E como já disse, eu adorei o livro, porque o conteúdo é direto e objetivo sem ser conclusivo, o que dá espaço para o leitor divagar.
Gostei do contato com a poesia e quero continuar lendo, só que não sei muito bem pra onde ir.
Pensei se vc não podia me indicar uns autores modernos, no seu estilo... Rola?
Um beijo,
Rosane

2009/8/27 <mariadapoesia@ism.com.br>

oi rosane,
que legal, a martha foi muito generosa com aquela coluna, o livro foi até pra 2a tiragem de tanto que vendeu por causa dela! =) que bom saber que você seguiu a dica e gostou!
o substantivo feminino tá esgotado... eu lancei independente em 2003, vendi os mil exemplares devagarzinho, e no fim do ano acabou tudo!
eu tô organizando uma 2a edição, conversando com editoras, mas ainda não tem nada certo. vou guardar seu email e assim que rolar eu te aviso, tá?
um beijo e obrigada pelo carinho, maria

2009/8/27 - Citando Rosane Liporace :

Oi Maria,
Por causa do artigo da Martha Medeiros que menciona o seu poema "Pois Dentro de mim não é o melhor lugar para se viver", comprei o seu livro Bendita Palavra e adorei.
Agora eu gostaria de comprar o seu primeiro livro, Substantivo Feminino, mas pelo visto não está a venda nas livrarias. Como eu faço?
Obrigada,
Rosane

27.8.09

Chiques que só

Hoje não sou eu, são meus amigos. Outro dia falei do Ramon Mello, que trabalhou na organização da antologia digital ENTER com a Helô Buarque de Hollanda, mas também é jornalista, poeta em vias de lançar seu primeiro livro, Vinis Mofados, e no momento está organizando textos inéditos do Rodrigo de Souza Leão, que morreu há pouco, além de trabalhar na Secretaria de Cultura com a Adriana Rattes.

Tem também o Pedro Cezar, diretor de filmes tão artesanais que parecem jóias, que fez um sucesso danado com o seu longa de estréia, Fabio Fabuloso, e agora prepara o lançamento do sensacional Só dez por cento é mentira, sobre a vida e a obra do poeta Manoel de Barros. Pra quem gosta de poesia é absolutamente imperdível, porque o Pedro faz poesia com imagens e ainda conseguiu depoimentos deliciosos do Manoel, que só ele poderia mesmo conseguir.

Agora é o Marcio Debellian, outro querido de quem eu já falei muito, responsável pelo hotsite da Saraiva e pelo argumento e produção do Palavra Encantada, filme sobre a relação entre poesia e música que arrebentou em cinemas e festivais pelo mundo. Pois chegou o menino agora vai organizar um ciclo desdobrando os assuntos do filme lá na Casa do Saber, com três noites comandadas por Antônio Cícero, José Miguel Wisnik e Tom Zé. Só pode ser o máximo, né não?

24.8.09

De pernas pro ar


Lá em casa rola um ditado que se repete toda vez quem um dos filhos percebe que faz alguma coisa igualzinho meu pai ou minha mãe: "é o dna!". Comigo, em geral o dna bate com o do papai, o que quase sempre é notado pela minha mãe com uma pontinha de ciúme, ou por ele mesmo com um inegável orgulho.

Esse fim-de-semana o tal do dna ficou comprovado por uma coincidência quase doida: descobri que o meu pai, assim como eu, tem mania de tirar fotos do próprio pé, e tem inclusive uma pasta separada no computador pra essa "série" - exatamente como eu tenho. Coisa de gente doida, né? Mas pelo menos eu tenho a quem culpar por esse meu gosto estranho...

A foto aí em cima é em homenagem a mais essa descoberta, e também uma forma de sonhar acordada nessa segunda-feira nublada de muito trabalho no Rio, quando o que eu mais desejaria era que meus pezinhos estivessem assim, por alto, balançando, de frente pra um céu azul, um mar verdinho, coqueiros ao vento e uma rede branca...

12.8.09

ENTER - a festa

(eu e a minha página na antologia)


(eu e Helô, em foto desfocada mas carinhosa)


(Helô, sua neta e os parceiros no ENTER: Omar Salomão, Ramon Mello e Cecília Gianetti)


11.8.09

ENTER

Entrou no ar hoje a antologia digital ENTER, organizada pela Heloísa Buarque de Hollanda, que sempre e esteve e segue estando ligada em tudo que há de novo no cenário literário brasileiro. Se nos anos 70 ela organizou a antologia impressa 26 poetas hoje, reunindo nomes que ganharam ali status de poetas pra além do mundinho alternativo, agora ela reúne o melhor da produção poética que circula online, ampliando o poético pra não só a poesia mas também a prosa e as artes gráficas.

O jornalista e poeta Ramon Mello trabalhou junto com ela durante meses pra fazer a seleção dos autores, e hoje é a estréia dessa antologia, que não podia deixar de ser virtual, como a produção que ela abriga. Pra saber mais passe aqui, e pra ver tudo passe aqui. Mas
tire algumas horas, que a coisa é quente e ampla!

Ah, faltou dizer que sim, eu tô lá!

9.8.09

Literatura em família

Meu amor pela escrita nasceu em casa. Foram meus pais que me deram os primeiros livros, e foi vendo eles lendo que eu percebi que aquilo podia mesmo ser um prazer. Nenhum conselho é mais poderoso que o exemplo.

Depois teve a escola. Eu fui estudar no Andrews na 1a série, com seis anos, e nessa época a gente tinha "aula de biblioteca", ou seja, um tempo da semana pra passar ali, no meio dos livros, escolhendo o que quisesse ler, sem obrigações nem trabalhos pra fazer depois. Foi meu segundo passo nessa relação de amor pela leitura.

Então os livros foram virando um vício, e com uns oito anos eu descobri na biblioteca da escola a série Inspetora, que me tirou do ar por uns tempos. Eram as aventuras de uma turma de adolescentes numa fazenda perto de uma cidade do interior, e a cada livro eles desvendavam casos mirabolantes. Os livros eram cheios de emoções, de aventuras, daqueles que não dá pra largar, e o melhor é que eram muitos livros, então o prazer daquilo era quase infinito! Eu levava os livros pra casa, mas cheguei num ponto em que qualquer pausa era desculpa pra ler, e passei muitos recreios na biblioteca, nem aí pra correria lá fora, me divertindo com as peripécias daquela turma.

Quando eu comecei a dizer poesia, aos 18 anos, o primeiro poema que escolhi decorar foi o "Caso do Vestido", do Drummond, que eu lembrava que meu pai adorava. Só depois de estrear nesse ofício que eu exerço até hoje descobri que o amor do meu pai por aquele poema tinha sido herdado do pai dele, meu avô Valério, que adora quando eu digo ele ainda hoje a pedido da vovó em festas de família.
Foi um pouco antes disso que eu descobri que a literatura existia na família não só na ponta de quem lê mas também na de quem escreve. Minha tia, Nilza, escreveu livros infantis que foram lançados quando eu já era adolescente, então só fui ler mesmo o que ela escreveu quando ela lançou seu primeiro romance, "Um deus dentro dele, um diabo dentro de mim", que é bom assim como o título sugere.

Depois disso ela escreveu muito, lançou pela Record "Dorme querida, tudo vai dar certo", "Elas querem é falar", além de contos em coletâneas e reedições dos livros infanto-juvenis. Nós duas fizemos Letras, nós duas escrevemos, duas gerações de mulheres falando através do papel, uma em verso, outra em prosa.

E agora ela está dando cursos bacanérrimos e eu, que depois que me formei não tenho estímulo pra estudar mais nada, digo que se for pra fazer um curso que seja com uma professora legal assim, talentosa e criativa! E como não fui eleita pelo povo assumo o nepotismo - que aliás reina na família sem pudores, e ainda bem - e indico com vontade!










3.8.09

Martha na Casa Poema - foi uma delícia


A fotinha solo é do Edney Martins, meu amigo querido e agora membro fundamental da equipe da Casa Poema. Adorei me ver aí, no palco do Teatro Possível, mas rolou muito mais do que só eu falando: os alunos da escola arrasaram, deixaram a platéia e a Martha emocionada, tanto que ela jurou que vai finalmente voltar à poesia, e nós é que temos que comemorar! Depois do recital rolou um papo delicioso dela e da Elisa, e depois sessão de autógrafos, enfim, uma tarde perfeita.

Quem não foi e já tá morrendo de pena de ter perdido, fiquem ligados no site da Casa Poema, onde tem mais notícias de como foi e vai ter em breve notícias dos próximos, porque A Poesia do Encontro vai virar evento mensal, sempre com poetas bacanas!

29.7.09

Martha na Casa Poema


Vai ser nesse sábado, dia 01 de agosto, às 15h, comemorando um ano de vida dessa lindeza que é a Casa Poema. Um recital com os alunos da Escola Lucinda de Poesia Viva dizendo poemas da Martha Medeiros, que vai estar lá pra ouvir ao vivo, ao que frio na barriga que dá! Bom, eu já não sou professora de lá há tempos, já não sou aluna há muitos mais tempos ainda, mas a Elisa convidou e claro que eu aceitei, que não sou nem boa de perder uma chance dessas!

Sabe que a parte chata de ter virado poeta e ter agora meus próprios poemas pra dizer é que acabo nunca mais dizendo os poemas dos outros, poemas que eu amo, que me formaram, que me inspiram, que cabem certinho na minha respiração. Então sábado vou poder brincar disso de novo, e tô amando. Quem se animar a ir, ligue e reserve que a casa vai ficar pequena pra tanta gente!

28.7.09

Livros, muitos livros!

Então finalmente ficou pronta a 2a tiragem do Bendita Palavra! Agora já tenho livros pra levar pra Porto Alegre em outubro, pra deixar nas livrarias e lojas com quem eu faço negócio diretamente, e a 7Letras já pode suprir os pedidos das livrarias pras quais ela distribui!

Nesse meio tempo, entre feliz com as vendas e aflita com a falta de livros, soube de histórias deliciosas, algumas aqui pelo blog, como a da Vivi, outras contadas por amigos como o Leandro Müller, que estava
na Travessa de papo com o Leo Marona quando uma cliente chegou e levou TODOS os discos do Bendita Palavra que tinha no estoque, e eram 10!

Pois agora acabou a aflição, e fica só a parte boa: caixas de livros pela casa, muitos livros nas livrarias, nada pode ser melhor!

19.7.09

o tempo passa, o tempo voa

"Os cinco mais velhos". O título nos orgulhou durante muito tempo, e nos tornava um grupo coeso, como se vê aí na foto: eu, Tavinho, Mariana, Ipe, Beta. Sandálias Ortopé, botas ortopédicas, e pipoca, claro, que ninguém era bobo de ir pro parquinho sem pipoca. Nós fomos os primeiros netos da vovó, e depois vieram mais 15.

Isso tudo já tem muito tempo. Agora os grupos têm mais a ver com o sexo do que com a idade. Aqui embaixo a parte feminina dos netos da vovó (faltando só a caçula Alice, que não mora no Rio) em dia de distribuição de potinhos, que herança ganha ao vivo é muito mais legal. Então somos na frente Julia, Lelê, a vovó, carol, Laura e Mariana, e atrás Beta, Lu, eu e Ciça. Os meninos não ganharam, que potinho não é que nem pipoca, que todo mundo ganha, não...



10.7.09

De volta à telinha!


Terça-feira, dia 14, é a reestréia da segunda temporada do Procurando Quem!!

O programa estreou ano passado, deu super certo, e está de volta ao Canal Brasil toda terça-feira às 21h, por 12 semanas, com convidados sensacionais como Mart'nália, Zeca Baleiro, Ney Latorraca, Mariana Ximenes, Ed Motta, e muito mais! A reestréia, em grande estilo, é com Diogo Mainardi, e o programa está hilário e a entrevista muito interessante e reveladora.

Assistam!

Procurando Quem
Toda 3a feira, às 21h, no Canal Brasil
Reprises sábado ao meio-dia

5.7.09

Scleranthus*

Você acorda animado, com energia, planos. São 9h da manhã de domingo, está nublado, e é óbvio que você devia estar na cama com o seu amor quente e macio, mas você pensa que é uma fase, é preciso acordar e ir trabalhar, e se é preciso que seja então animado e energético, que rende mais.

Você toma seu café-da-manhã sozinho na sala quieta, lê o jornal com uma certa pressa, decide ir a pé pra já fazer um exercício, afinal se é preciso trabalhar domingo deve ser permitida uma certa dose de fuga da obrigação pelo caminho. Você veste o figurino caminhante, calça os tênis high tech e começa a pensar no que vai fazer depois: voltar pra casa? sair direto? trabalhar mais em outro lugar? ou será melhor fazer o outro trabalho agora? mas lá não dá pra ir a pé, será preciso trocar de roupa e abandonar o prazerzinho da caminhada e de saber que está batalhando pela sua beleza&saúde. ou será melhor trabalhar amanhã? metade hoje, metade amanhã? ou tudo de uma vez agora?

Você senta no sofá, o top de ginástica começa a apertar as costas, a sensação de bem estar começa a se dissipar. Você dá telefonemas, faz meias perguntas porque quer respostas que dependem de outros telefonemas, deixa tudo no ar, três bolinhas de malabares voando, nitidamente fora do alcance da sua mão.

Você desliga os telefones, fica sentada no sofá, o desânimo tomou conta. Vontade de tirar toda essa roupa chata e voltar pra cama, onde o amor quente e macio dorme sem saber de toda essa epopéia que se desenrola silenciosa fora do quarto.

Mas não, é preciso ir, há tarefas a serem feitas, você sabe. Você escolhe um casaco pro talvez almoço de depois, olha o computador, resiste, olha o armário, pensa na calça que vai usar, olha o computador, dane-se, você pensa, e se senta em frente a ele, e começa a escrever.

(*Scleranthus é o floral usado pra indecisão)

1.7.09

Se Amostra

Sabe aquele filme que disseram que era ótimo, mas você não viu porque só ficou uma semana em cartaz? E aquele outro que acabou virando lenda, porque sequer foi lançado, nem em DVD? Pois agora você tem um lugar para assistir à prolífica produção audiovisual que não está no circuito comercial, na Se Amostra - O Cinema que Você Nunca Vê: mostra de filmes inéditos e raros, de 3 a 5 de julho, no cinema do Jardim Botânico.
Esse texto aí de cima inteirinho veio parar aqui pelo moderníssimo método copy-paste diretamente do site do Se Amostra. Mas como o tempo anda curto e eles descreveram melhor do que eu poderia fazer agora. Só me resta então dizer que a programação está de primeira, com filmes incríveis, dos quais eu destaco:

- Elke, curta documental da Julia Rezende, minha irmã, montado por mim, com um retrato revelador dessa mulher única. Ela fala sobre a construção da sua imagem despida das máscaras. É a Elke por detrás da Elke Maravilha.

- Só dez por cento é mentira, do Pedro Cézar, meu amigo querido. É um documentário sobre o Manoel de Barros, um dos grandes poetas brasileiros, e é um filme impressionante, que mergulha fundo na obra do Manoel, com a marca registrada do Pedro, que é a inventividade, a criação que merece mesmo esse nome.

Vejam a programação inteira lá no site!