13.3.09

Aval

Quando comecei a dizer poesia uma das poetas que eu conheci e por quem eu me encantei foi a Martha Medeiros. Apesar de pouca gente conhecer ela aqui no Rio naquela época, embora ela já fosse uma poeta super reconhecida em Porto Alegre, onde ela vive até hoje. Eu fiquei fã de poemas simples e no ponto como esse do livro Persona Non Grata.


"agora sei como se sente
uma noiva abandonada no altar

você podia tudo na minha vida
menos faltar."


Alguns dos primeiros livros de poesia dela estão esgotados, mas a Poesia Reunida da LP&M é sensacional, e o vermelhinho Cartas extraviadas e outros poemas tem, como diz o nome, poemas em verso e em forma de cartas, com coisas lindas de morrer, como esse que eu decorei no meu tempo de dizedora antes de ser poeta.


"se tenho os lábios bem desenhados e o seio esquerdo e direito
se falo com voz cristalina e o umbigo não é saltado
se o cabelo é alinhado e as orelhas estão sempre limpas
por que não me amas?


se tenho o pescoço longo e as emoções controladas
se sei responder às perguntas quase todas
se conheço a arte de sorrir com o rosto inteiro
por que não me amas?


se tenho sete vestidos para usar no sábado
se as pernas são rijas e as unhas não estão roídas
se leciono às quintas e a tristeza está bem escondida
por que não me amas?


se nado bem de costas e vivo bem de frente
se como pouco açúcar e bebo muita água
se a timidez que trago não atrapalha a dança
por que não me amas? 



sei responder às perguntas quase todas"


Depois ela escreveu Divã, que é um puta livro:


"Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.”


O livro (um romance, apesar do trecho acima parecer um poema - é que a Martha é mesmo poeta, não tem jeito...) foi adaptado pra uma peça de sucesso com a Lilia Cabral e agora virou um puta filme também com a Lilia, um filme divertido e sensível, daqueles de fazer chorar e rir, sabe? Eu e Rodrigo fizemos o trailer, que tá bombando nos cinemas preparando a estréia nacional dia 17 de abril.


Aí ela começou a escrever uma crônica semanal na Revista do Globo, que sai todo domingo. Foi o passo que faltava pra todo mundo por aqui passasse a conhecer e adorar a Martha, e com tudo isso, hoje ela é de todo mundo, e ainda bem!


Toda essa longa história é pra dizer que é um puta aval que ela tenha gostado do Bendita Palavra, que eu mandei pelo correio lá pra Porto Alegre e ela recebeu essa semana. Ela já tinha sido uma querida quando eu lancei o substantivo feminino e agora me mandou um email lindo, que eu nunca comentaria porque acredito na intimidade da correspondência, mas aí ela inventou de também postar um poema no blog dela, então fiquei liberada pra botar pra fora essa alegria!


Um luxo, uma delícia, uma honra.

11.3.09

Pra ouvir


Ontem, depois de uma demora quase interminável, fui ao correio mandar discos do Bendita Palavra pra duas leitoras que já compraram o livro pela internet, mas estavam curiosas pra ouvir. Ir ao correio virou uma tarefa louca pra mim, acostumada com as virtualidades e suas vantagens. Mas é um prazer saber que tem gente em Salvador e em Mogi das Cruzes querendo me ouvir no rádio do carro, no som da sala, fora do computador, enfim.


Pra quem quiser ouvir no computador mesmo, aviso que troquei os poemas da página do myspace, então tem novidade no ar, inclusive a versão da Ana Carolina pro poema do Pau Mole, gravada especialmente pro disco!

5.3.09

Reciclagem

Ando achando o Bendita Palavra um fenômeno: eu tinha 330 livros, de repente tenho 30. Fiz as contas feito doida e acho que desses 300 que já não estão mais comigo uns 60 ainda estão à venda, em lojas e livrarias e etc que eu citei aí embaixo, aqui e aqui.

Ainda assim são mais de 200 livros vendidos e dados em menos de três meses, ou seja, quase um best-seller! Eu fico especialmente feliz de saber que o livro tá andando pelo Brasil, e as vendas online fazem isso ser cada vez mais possível e prático.

Agora descobri que fica também bem mais barato. Fui parar num site genial chamado Estante Virtual, que reúne sebos do Brasil inteiro, com os livros todos catalogados, então em cinco segundos você acha o livro que quer e descobre todos os sebos que têm um exemplar, e fica sabendo também qual o estado do livro: se é novo, manuseado, se tem dedicatória, etc e tal.

Fiquei verdadeiramente surpresa de descobrir o Bendita Palavra lá, ainda de fraldas e já no sebo! Mas não fiquei triste de orgulho ferido pensando em quem teve coragem de se desfazer do meu livro não, pelo contrário: quero mais é que o livro ande, circule, me espalhe, e se quem era dono já leu e achou que não ia reler, ou nem leu e achou que nunca ia ler, que bom que o livro agora tá de novo à venda!

O melhor de tudo é que os preços são de sebo mesmo: R$9,00, R$12,00! Eu achei sensacional, e quase comprei um só pra ver se tinha dedicatória, pra satisfazer a curiosidade doida de autora de entender essa história, mas empaquei na compra e acabei mandando email prum dos sebos, o Alfarrabista Corsarium (que nome genial, não?), lá em Sampa, de onde o Fred, gentilíssimo, me esclareceu que eles recebem livros dos próprios distribuidores, mas também de jornalistas que recebem mil livros por semana. Adorei!

Sendo assim eu recomendo: quem quiser comprar baratinho passe lá, rápido porque só tem mais dois exemplares no momento! E quem quiser se desfazer do seu, ou de qualquer outro livro, crie uma conta lá e ponha à venda!

3.3.09

30mil

Sim, eu conto, e fico atenta aos números mudando aqui na esquerda. E apesar da esquerda dizer algo tipo 17.899, o meu aliado mais antigo no prazer dos números me disse hoje: mais de 30.000.

Trinta mil pessoas vieram aqui. Algumas por engano, trazidas por errôneas respostas do Google. Algumas por amizade antiga, anterior à minha virtualidade. Algumas por curiosidade e desejo, e essas voltam e ficam. Eu fico feliz com todas, que constroém comigo esse lugar transparente que é o mariadapoesia.

É um prazer encontrar vocês aqui!

28.2.09

Palavra Encantada


Dia 13 de março estréia o documentário Palavra Encantada, filme dos meus queridos Marcio Debellian, Helena Solberg e David Meyer. Eu assisti pela primeira vez no Festival do Rio ano passado, e revi na Laura Alvim mês passado, e aí curti ainda mais. É um ensaio divertido e muito interessante sobre a eterna questão da poesia e da música, da poesia na música, da música como poesia, com entrevistas com gente como Chico Buarque, Adriana Calcanhoto, Lenine, Lirinha.
Pra quem curte música, pra quem curte poesia, pra quem pensa sobre essas coisas, eu recomendo! Vejam o trailer aqui.

18.2.09

certeiro

"Falta alegria na poesia brasileira. É fácil ser sábio na tristeza, difícil é ser denso na graça."

(Fabrício Carpinejar, em entrevista coletiva publicada no site de Cida Sepúlveda, que acabei de conhecer e já recomendo).

17.2.09

o mais extremo oposto

Achei esse rascunho de poema e acabei acabando ele esses dias, e foi feliz terminar um poema, o primeiro depois do livro publicado com TUDO de bom que eu tinha escrito até então. Publicar é doido, a gente raspa o tacho até o fundo e depois parece que nunca mais vai ter fruta pra fazer mais doce, sabe?

Daí que foi uma sensação gostosa sentar de novo pra escrever no caderno, depois passar pro computador e ir ajustando os versos, uma palavra pulando pro de baixo, outra expressão subindo pro de cima, um ajuste de rima, o ritmo dando as coordenadas.

E apesar do poema não ter nada nadica de nada a ver com o sentimento de hoje, e apesar dele ser mesmo o mais extremo oposto possível da felicidade que me habita, a felicidade dele existir agora me anima a compartilhar, então aí vai, senhores, o primeiro poema depois do Bendita Palavra (e aviso logo que não o melhor, porque depois desse veio outro que esse sim é de doer de bom, mas esse vai ficar inédito ainda um pouco pra ser publicado primeiro em outro site, que santo de casa não faz milagre).

Nunca foi confortável
(nunca calmaria, sempre tempestade)

Nunca o macio inteiro
(pouco colo, pouco calor)

Quase nunca o soco
(quase sempre a memória da dor)

Nunca foi redondo
Nunca não teve aresta

O amor nunca foi mais do que fresta
Olho aberto no escuro em meio a tanto não

Nunca nada fácil
Mas aquele encaixe exato

Mãos dadas na madrugada
Cada um por si na multidão

(e não há mesmo pior forma de solidão)

12.2.09

Livraria Odeon

(foto de Felipe Grillo, no momento da sua dedicatória)


Falei de vários lugares onde o livro, o disco e o kit estão à venda, e esqueci um dos mais legais, que a Livraria Odeon, dentro do cinema Odeon, na Cinelândia. A Carol Benjamin, uma das donas, é nossa amiga e me convidou pra participar da estréia de um evento que está rolando lá todo sábado até o carnaval, o Boca de Baco. Tem lançamentos, poesia falada, microfone aberto, performances, tudo na antesala do segundo andar do cinema, um espaço genial!

Sábado agora tem de novo, fiquem ligados na programação que sempre muda. E quem quiser os meus produtinhos e anda pelo centro, é uma ótima pedida, que a livraria é um brinco e só tem livro bacana!

3.2.09

À venda!

Descobri que o livro está à venda em lugares incríveis: primeiro de tudo, na Livraria da Travessa, que eu amo e que eu estava sofrendo de não me querer, mas eles me quiseram e o Bendita palavra tá lá, lindão, bem na entrada (essa proeza graças ao meu amigo querido Leandro Müller, escritor e amor da Camila).

O que é demais é que a Travessa também vende online, e a boa notícia é que na loja virtual eles estão vendendo o livro com desconto, de R$ 25,00 por apenas R$19,90, então no momento é mais barato comprar lá do que comigo, pessoalmente, olha que loucura ótima! Testei lá no site e pros estados de Rio e São Paulo eles não cobram frete!

Outro lugar que me deixou toda boba de achar o livro foi a Livraria Cultura, que tem lojas em várias cidades de São Paulo e também em Campinas, Recife, Brasília. Nas livrarias deles vocês não vão achar o livro, é só por encomenda e leva dez dias mais o prazo do frete, mas eu acho que se houver demanda eles devem pedir livros pra editora pra ter nas lojas, então tô espalhando a notícia pra agitar esse movimento!

A parte não tão boa é que por enquanto o cd ainda tá praticamente só comigo, porque ainda não tive tempo de correr atrás de distribuí-lo pra lojas, tão difícil fazer essa parte sozinha...

Mas olha, três lugares entre Rio e São Paulo tem o cd, em alguns casos dentro do kit lindinho pra presente: no Rio está na Casa Poema, onde foi o lançamento do livro. Em Sampa está na Mercearia São Pedro, local do lançamento paulista, e também numa loja lindinha de design chamada Calligraphia. Fora isso, pedidos aqui!

29.1.09

A melhor resenha possível

Saiu esse sábado no JB - o jornal que me acolheu e ao Bendita Palavra como se fossemos velhos amigos de infãncia. E foi por acaso, porque Manu & Rafa, meus sensacionais assessores de imprensa (que são na verdade Manoela Cesar e Rafael Sé) mandaram o livro pra Carla Rodrigues por conta do site Contemporânea, no qual ela escreve sobre livros. E a surpresa foi geral quando ela disse que ia escrever sim e que, além do site, a resenha ia também pro Caderno Idéias, do JB!

Eu fiquei feliz além da conta porque é muito bom sair no jornal numa fotona como aquela da revista Domingo, mas é muito melhor ler o que uma jornalista que não me conhece tem a dizer sobre o meu trabalho, sobre a minha poesia, e ela sabe de mim desde muito antes desse livro então fala da minha trajetória e da minha escrita e ela gosta, gente, pode ter coisa melhor do que isso? É uma reafirmação de que vale a pena gastar o dinheiro guardado nesse investimento maluco que é fazer um livro e um disco, porque é investir na minha felicidade, e tudo isso fica muito sólido quando alguém de fora também vê. Ou no caso, lê. Delícia delícia delícia, que não vai passar tão cedo...



O lançamento paulista, finalmente!

Quase três semanas já se passaram desde o lançamento do Bendita Palavra em São Paulo, e eu já estava aflita pra dar as notícias aqui, mas como tive o privilégio de ter um fotógrafo chiquérrimo presente, queria também poder postar as fotos da noite! A coisa é que o fotógrafo chiquérrimo, o Mauro Kury, é também ocupadíssimo (no momento com o still do "Salve Geral", mesmo filme do qual eu estou fazendo o making of) e só agora consegui pegar com ele as imagens da noite. Ufa!


O bar se chama Mercearia São Pedro, é um botecão da melhor categoria, que tem a particularidade de ser também uma livraria e uma mercearia, como o nome diz: lá se vende cerveja de garrafa, petiscos ótimos, sabão em pó, e livros escolhidos a dedo pelo Marquinhos, que é quem organiza a bagunça - mas só um pouco, que na real um certo caos divertido deu o tom da noite. Era sexta-feira à noite e o bar estava tão lotado que não havia a menor possibilidade de recitar poesia, pelo menos não nos moldes tradicionais. Pois eu inventei de ir dizendo poemas nas mesas dos amigos, e a Rô Nascimento, uma das figurinistas do filme, inventou mais: escrever torpedos e entregar em cada mesa divulgando o lançamento e oferecendo poesia a la carte. deu tão certo que as duas últimas meninas do lado esquerdo dessa mesa aí em cima compraram livro e cd, olha que genial!


Falei do filme mas não expliquei: a razão principal de eu finalmente me animar a fazer um lançamento paulista foi que eu estava lá a trabalho, fazendo o making of do Salve Geral, e tinha portanto uma equipe de 70 pessoas pra convidar, além dos meus queridos amigos Lucas e Bruno, com suas mulheres, que são basicamente as únicas pessoas que sairiam de casa pra me ver em Sampa. Pois a idéia deu super certo, e os meninos foram lá com Ju e Silvia mas também foi a equipe em peso, gente querida que apareceu pra comemorar comigo, e que ganhou poesia na mesa e o meu carinho eterno. Nessa foto estão Pedro, Rô, Tati, Martin, Perigoso, Julia e Marquinhos.


Foi uma noite inusitada, meio caótica, cheia de surpresas, e alegre que só. E pra animar vocês a visitarem o meu myspace, lá tem mais fotos e mais histórias! Sabiam que o Marcelo Rubens Paiva, meu ídolo da adolescência, estava na Mercearia por acaso? Passem e vejam!

3.1.09

Lançamento em São Paulo!


Aproveitando a vinda pra São Paulo a trabalho, marquei um lançamento do Bendita Palavra aqui! Vai ser na sexta-feira, dia 9, e eu tô muito animada de fazer o meu trabalho existir aqui, porque o substantivo feminino nunca veio oficialmente pra cá, apesar de ter vindo muito através de leitores que tiveram a pachorra de comprar pessoalmente/virtualmente comigo, no velho esquema correio-depósito em conta.
Pois agora que eu tenho a 7Letras como editora, sei que o livro está em algumas livrarias por aqui, saiu uma resenha ótima no Estadão no dia 20, e vai ser uma delícia fazer essa noite pra reunir os (poucos) amigos que moram aqui e celebrar em solo paulistano esse lançamento! (viu, Sérgio? eu vi seu recadinho e se você puder passar lá vai comprar o livro + o cd, e ainda ganhar dedicatória!)
Quem é daqui ou está de passagem, apareça! Vai ser na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena e, sendo "estrangeira" na cidade, mais do que nunca vai ser um prazer ver cada um de vocês!

1.1.09

Com chave de ouro


Esse fim-de-semana que passou foi mesmo nosso momento nos meios de comunicação cariocas: Rodrigo teve meia página do Segundo Caderno do Globo, numa matéria sensacional contando toda a trajetória dele desde a primeira banda em Bangu até hoje, passando pelo Te vejo na Laura, o programa de tv, o livro novo. Genial!




Já eu ataquei de JB, e me dei bem com a edição especial de fim-de-semana que eles fizeram, com um jornal só valendo pra sábado e pra domingo. Foi sensacional porque no sábado sai o Caderno Idéias, que fez uma matéria sobre o livro novo da Diablo Cody, a roteirista que ganhou o Oscar com o filme "Juno" e que era stripper, e por conta disso o jornalista pediu pra algumas escritoras mulheres fazerem mini contos narrando um striptease em primeira pessoa. Eu topei e fiz, nervosa porque foi meu primeiro texto em prosa na vida, e adorei!

Além disso, na revista Domingo (que obviamente sai no domingo, mas graças a essa invenção do JB saiu também no sábado), ganhei uma página com uma fotona minha no palco e um texto ótimo sobre a minha trajetória na poesia e o livro novo, super bacana!





Agora é comemorar esse fim-de-ano tão bom e trabalhar (e torcer, que sorte também existe) pra que 2009, que acaba de começar, seja ainda melhor!

30.12.08

No Estadão!

Enquanto não arrumo tempo pra escanear as matérias do JB, aí vai uma resenha ótima que saiu no Estadão dia 20, e sobre a qual eu só soube agora!

As cores estão meio bizarras mas o texto tá valendo! Troquei minha imagem com cores bizarras pela que a Manu Cesar e o Rafael Sé, meus queridos e incansáveis asssesores de imprensa, me mandaram ontem! Pra ler é só clicar na imagem.









29.12.08

No rádio, pra ouvir



Então que foi delicioso gravar o Geléia Moderna, e com as maravilhas dos tempos modernos, agora o programa fica disponível pra sempre nessa coisa que eu nunca entendi direito o que era chamada podcast. Pois agora entendi, e adorei! Foi um papo ótimo, várias músicas do cd novo do Rodrigo tocadas, poemas do cd e ditos na hora, com direito a papo sobre eles e sobre a vida toda, além de uma seleção musical de primeira!

Quem tiver duas horas livres, eu recomendo! E nas primeiras que tiver vou até escutar o programa, que lá na hora a gente batia papo na hora das músicas e acabava perdendo várias!


27.12.08

no rádio, hoje



Roquette-Pinto - 94,1 FM - sábados - 17 às 19h



música + papo + informação




No programa de hoje teremos as participações de:


Maria Rezende falando de "Bendita Palavra", seu segundo livro

&

Rodrigo Bittencourt que está lançando "Mordida", seu mais recente álbum



Apresentação e Produção:


DJsBrant & Jorge Lz



Auxílio luxuoso na comunicação:


Srta. A



http://www.radioroquettepinto.rj.gov.br/



e durante a semana você pode ouvir e baixar o último programa no nosso podcast:



http://www.geleiamoderna.podomatic.com/





23.12.08

Nas livrarias

Muita gente tem me perguntado onde pode encontrar o livro e o cd pra comprar, então vou explicar: o livro foi editado pela 7Letras, custa 25 reais, e está distribuído em algumas livrarias do Rio (e espero que de outras cidades também...).

Já o disco é independente, custa só 5 reais e por enquanto está à venda só comigo, através do blog e por email. Em breve espero que ele esteja também em algumas livrarias e lojas - onde eu vou ter a pachorra de tentar deixar à venda.

Também só na minha mão estão à venda os kits lindinhos de livro + disco, na super bacana e inédita embalagem pra presente.

Aí vai a lista das livrarias pra onde a 7Letras me disse que o livro foi. Sofri de não ver os nomes da Travessa e da Argumento, lugares bacanas pra quem curte livraria na Zona Sul, e vou correr atrás de que o livro vá pra lá, torçam aí! Por outro lado, já soube que ele está na Timbre, no Shopping da Gávea, então pode estar também em outras livrarias que eu não sei, portanto se descobrirem me avisem!


Arlequim
Praça XV de Novembro, 48 Parte 01
Centro (21) 2220-8471

Arteplex
Praia de Botafogo,316 Térreo LJ. D/E
Botafogo (21) 2559-8776

Bolívar Cultural
R. Bolívar, 42 Loja A
Copacabana (21) 3208-3600

Daconde Livraria (na Galeria dos teatros)
R. Conde de Bernardote, 26 Loja 125 Parte
Leblon (21) 2274-0359

Dona Laura (na Casa de Cultura Laura Alvim)
Av. Vieira Souto, 176
Ipanema (21) 2522-8362

Eldorado
Rua Miguel Fernandes 159
Méier (21) 2218-4969

Empório do Livro
R.João Rudge, 366
Casa Verde São Paulo-SP (11) 3856-0563

Entretexto Livraria
R. das Laranjeiras, 363 Lj. B
Laranjeiras (21) 3502-9440

Moviola
R. das Laranjeiras, 280 Loja C
Laranjeiras (21) 2285-8339

Prefácio (pertinho do Estação Botafogo)
Rua Voluntários da Patria 39
Botafogo (21) 2527-5699

17.12.08

Notícias do lançamento



Foi uma noite suspensa no ar.


Foi uma noite imensa cabendo inteira nesse pequeno palco: uma cadeira, a mesinha lá de casa que a mamãe trouxe de Buenos Aires coberta pelos panos do Rodrigo, as flores que eu ganhei da Elisa e da equipe da Casa Poema, esse abajur lindo iluminando as dedicatórias. Em cima da mesa um copo de red bull, duas canetas, o celular desligado e um bolo de papéis verdes os nomes das pessoas, que eu guardei pra depois saber quem passou por lá.




O lá em questão é a Casa Poema, que é mesmo o que o nome diz: um poema em forma de casa, uma casa toda feita de versos: versos em forma de flores de tecido recortadas uma a uma e coladas na parede, versos em forma de recortes de poemas espalhados por todo lado, um teatro em forma de verso, o Teatro Possível, que ganhou esse nome por ser pequeninho e ser, hoje, o teatro que a casa podia ter.

Foi lá que eu montei meu cantinho, foi lá que falei os poemas do Bendita Palavra e passei a noite recebendo as pessoas e dedicando, dedicando mais do que eu sabia que era possível dedicar!



E como passou gente, que loucura! Teve os amigos mais queridos, teve amigos novos e herdados que eu não esperava. Teve o Rodrigo e a nossa história de amor sendo contada em palavras e olhares. Teve a mamãe com bursite e meu irmão exausto direto do trabalho e minha irmã vinda de surpresa de Campinas me fazendo chorar na beira de um poema. Teve gente que me conhece daqui do blog, imagina, e saiu de casa numa 2a feira com cara de chuva pra ir lá me conhecer ao vivo (adorei, viu, Letícia?). E teve ainda gente que me viu num evento no CCBB semana passada e também foi, menos de sete dias de intervalo e eles foram lá!




O resultado foi que sentei às 20h pra fazer as dedicatórias e só sai dali às 23h! Não tomei a caipirinha maravilhosa do Seu Osvaldo, não comi os canapés deliciosos da Telma, não fiz nem xixi!


Pra não dizer que não levantei, fiquei em pé duas vezes, pra dizer os poemas e agradecer a quem merecia agradecimentos - momento tenso porque tenho certeza de que devo ter esquecido alguém, e sei que deitada pra dormir qualquer dia desses vou lembrar "caramba! fulano", mas é inevitável, e não sou organizada o suficiente pra listinhas e etc. Nem planejei os poemas que ia dizer, foi tudo no calor do momento, e espero que tenha sido tão gostoso pra quem estava lá como foi pra mim.





Então muito, muito obrigada a todo mundo que foi, vocês me fizeram a mulher sentada mais feliz do planeta, e eu espero que o Bendita Palavra retribua essa felicidade toda!

14.12.08

Lançamento!


Queridos,

então finalmente é amanhã o lançamento do Bendita Palavra, versão livro e disco!

Escrevo pra convidar e pra avisar de uma mudança: o estacionamento rotativo que eu indico no convite teve a genial idéia de fechar semana passada, então a nova dica pra quem vai de carro é outro estacionamento rotativo na própria Rua Paulino Fernandes, do lado direito, entre a Rua General Polidoro e a Rua Mena Barreto.

Fora isso tudo confirmado: a Casa Poema está linda de morrer, e vai ter poesia falada, amigos queridos, caipirinhas deliciosas, comidinhas gostosas - e com direito a toldo na varanda, que a previsão do tempo está cabeluda!

Espero vocês lá!

Um beijo grande e até amanhã, Maria

11.12.08

eu & madonna, madonna & eu


Ao melhor estilo marido traído, acabo de descobrir que o dia do meu lançamento, 15 de dezembro, é também o dia do segundo show da Madonna no Rio. Confesso que foi um choque. Mas apesar de alguns emails com texto "que pena, vou na Madonna", resolvi confiar que a maioria dos meus amigos:


a) não é tão fã a ponto de pagar um ingresso tão caro

b) não iria nem de graça ver a Madonna no Maraca

c) é tão fã que comprou pro primeiro dia logo que começaram as vendas


Aí relaxei, e fiquei certa de que vai ser lindo, cheio de gente querida, etc e tal. Pra quem não se enquadra nos ítens acima e vai mesmo ver a Madonna ao invés de ir ao meu bombástico lançamento, aviso que sábado, dia 13, vou dar uma canja pré-lançamentísitica na Ocupação que tá rolando na Copacabana Filmes, aqui pertinho de casa, na Gávea.


Tem roupitas bacanérrimas de marcas como A Colecionadora e A Margarida, lingeries lindas da Objet du Désir, objetos, livros, discos - entre eles o meu Bendita Palavra. E sábado às 18h tem eventinho com falação, leitura e música, lançando também o livro A nossos pés, da editora Dantes.


Ótimo programa pré-natalino!


5.12.08

Lançamento do Mordida


Semana que vem Rodrigo lança finalmente seu segundo disco, Mordida. O disco tá lindo, foda mesmo, música boa pra dedéu com um acabamento de primeira, produção do Nilo Romero e músicos sensacionais vestindo as composições dele com o peso e a delicadeza que cada uma pediu.

O lançamento vai ser quarta-feira, dia 10, na Cinemathèque, com participações super especiais da Letícia Spiller, Elisa Lucinda, Thaís Gullin e Nilo Romero.
A banda é incrível e é composta pelo Shilon na guitarra e voz, o Rafael Rapreto na bateria, a Eliza Schinner no baixo e o Marcelo Câmera na percussão, violão e voz. A direção é do Marcio Debellian e a produção da Bia Lopes.
Não percam, que a noite vai ser demais!

4.12.08

1a resenha!

Adorei, a resenha em si e o fato de ser resenhada, coisa que não rolou com o substantivo feminino. Muito boa a sensação de ser lida e saber as impressões que o livro causou em uma pessoa que eu nem conheço!

Leiam aqui.

2.12.08

Do talento de ser aplaudida

Eu tenho quase nenhum. É como uma vergonha atávica de fazer sucesso, ou melhor, como se fosse recomendável ter vergonha do sucesso, então na hora dos aplausos se olha para os lados, se abaixa no chão pra pegar um papel, qualquer coisa menos encarar a aprovação do público, aceitar que é sim um prazer agradar à audiência, e que é esse gostinho quase inebriante que faz a gente seguir apesar de tudo que é difícil nessa invenção de ser poeta.

Esse vídeo aí embaixo é uma prova irrefutável dessa falta de talento. Foi gravado lá no Te vejo na Laura, e eu digo o poema do Risco, que abre o livro novo e que me salva sempre que as dúvidas começam a atiçar a cabeça. Muito bom isso de ser salvo pelo que se escreve, Bukowski fala disso num poema incrível que outra hora eu posto aqui. Mas na verdade a vida anda bem boa, e o risco tem valido a pena!




24.11.08

a mil por hora

Agora é oficial: faltam exatamente 21 dias pro lançamento do Bendita Palavra, o livro já chegou da gráfica e eu passo o dia olhando pra ele como mãe com filho recém-nascido, bem quietinha pra não acordar o bichinho. O cd - que na verdade é smd, uma mídia nova anti-pirataria, super da bacana - deve chegar da fábrica lá pro dia 9, e com sorte no dia 15 tudo vai estar no esquema pra noite de lançamento.

Esquentando os tamborins, tô finalmente colocando na minha página do Youtube vídeos legais falando alguns dos meus poemas - um vexame demorar tanto, sendo montadora, passando o dia todo na ilha de edição, mas casa de ferreiro já viu, né?

E ao mesmo tempo criei um perfil lá no Myspace, e lá tem algumas faixas do cd novo em primeira mão. Confesso que tô penando pra conseguir mexer na minha página lá, então por enquanto tem faixas do disco e fotos, mas nenhum texto porque eu simplesmente não consigo postar nada naquela coisa! Aliás, aceito dicas!

Bom, como vocês podem ver eu estou a mil, trocando dúzias de emails com os meus bacanérrimos assessores de imprensa Manoela Cesar e Rafael Sé, agitando as coisas com a 7Letras, então fiquem ligados que agora vai ter muita notícia!

19.11.08

última partida dos 29

Pode admitir: você ficou intrigado com o título! Ele despertou a sua atenção, te deixou curioso, te deu vontade de ler o que estava embaixo. Nada disso devia ser surpreendente, já que é justo pra isso que existem os títulos. A novidade é que eu nunca fui boa de título, e nos poemas continuo não sabendo colocar - a Elisa está me devendo essa aula, ela que é craque no assunto.

Mas eu tô enrolando, e não posso demorar porque afinal faltam só 90 minutos pra eu sair dos 29 pra nunca mais voltar. 86, agora. São 22h34 do dia 19, e daqui a pouco eu, Maria, faço aniversário. Já falei sobre o medinho que esses fatídicos 30 estavam me causando, mas agora tudo mudou. Porque desde segunda-feira estou vivendo coisas tão sensacionais, que só posso entender que são os 30 anunciando suas delícias, fazendo sua propaganda, e eu acreditei, comprei o produto e tô recebendo o bichinho de braços abertos.

Primeiro foi o lançamento do livro novo do Eduardo Galeano, Espelhos, que eu li primeiro ainda em espanhol em presente perfeito da minha mãe na volta de Buenos Aires. A minha amiga querida Regina Zappa me ligou no domingo com a notícia de que na segunda ele ia lançar o livro na PUC, com direito a uma leitura. E lá fomos nós sentar na primeira fila e beber as palavras dele, que além de escrever com a precisão e a delicadeza e a ironia que me deixam louca lê como quem conta histórias, e conta histórias como quem nunca fez outra coisa na vida, o que me lembra imediatamente de um continho do precioso Livros dos Abraços:

"Esse homem, ou mulher, está grávido de muita gente. Gente que sai por seus poros. Assim mostram, em figuras de barro, os índios do Novo México: o narrador, o que conta a memória, coletiva, está todo brotado de pessoinhas." (Eduardo Galeano)

Pois ele leu, e contou, e falou, e riu. E eu só ouvi com um sorriso bobo na cara, desacreditando o privilégio. Quando acabou esperamos acabar a filona de autógrafos pra ir pegar o nosso, e eu nem acredito em autógrafo, queria só uma desculpa pra falar com ele, me apresentar, dizer que mandei meu livro pro Café Brasileiro em nome da garçonete de lá quando estive no Uruguay, e que ele me mandou um livro dedicado de volta, e ele quase me mata quando quis ter certeza de ter respondido, e me disse que não responde sempre, mas que gostou muito mesmo do livro, e colocou o email dele na nova dedicatória, "pra gente não perder o contato", ele disse, e eu só "hum hum", e sorria.

Já era mais do que precisava, mas teve mais. Ele ia comer pizza com o Eric Nepomuceno, seu tradutor e grande amigo, e não por acaso amigo também da Regina, e lá fui eu de carona! Passei a noite ali, meio quieta, ouvindo os papos desse cara que eu admiro mais do que posso explicar, ouvindo ele contar casos do Perón e falar de como são as mulheres e rir e comer tomates secos e beber chopp e não vinho, quem diria. Cheguei em casa às 2h da manhã, quase levitando, e continuo meio assim até agora.

Pois na terça, acordando desse sonho, o telefonema: "oi Maria, é Valeska, da 7Letras, seu livro chegou". MEU LIVRO CHEGOU! Me vesti bem bonita pra causar nele uma boa primeira impressão e lá fui conhecer minha obra. Uma loucura, porque eu não tinha visto nenhuma prova impressa, uma confusão de viagens e enganos, e quando a porta da editora abriu eu vi aquela pilha de pacotinhos pardos com uns livros por cima e juro, meu coração bateu diferente nos cinco passos que dei pra pegar um na mão. Ele é lindo, pequenininho como um filhote, macio e quente, caloroso, e desde então não canso de olhar pra ele, de pegar nele, ando com um na bolsa e fico tocando nele no trânsito, trabalho olhando pra cara dele ali em cima da mesa...

Mal posso esperar pra espalhar ele pelo mundo! O lançamento vai ser dia 15 de dezembro na Casa Poema, isso quem é atento já viu ali no canto esquerdo. Em breve eu vou mandar convites e dar todas as informações, mas por enquanto não dá pra ser lógica e organizada, só dá pra ser emocional e caótica, e terminar esse texto dos quase 30 como ele começou, dando voltas e voltas pra dizer que continua sendo sensacional ser eu e fazer aniversário, e que nenhuma olheira, veia azul ou cabelo branco vão atrapalhar a minha alegria - ainda mais agora que eu tô auto-didata na categoria "títulos", e só pode ser a idade! Viva a idade!

10.11.08

bônus

Nesse meu trabalho de formiguinha pra espalhar minha poesia por aí, eu já contei e conto com muitos parceiros bacanas: o Rodrigo Sha, primeiro cara a me chamar pra dizer meus poemas no meio dos seus shows; Chacal e Guilherme Zarvos, que me viram no palco aberto do CEP 20.000 e me convidaram pra me apresentar lá muitas vezes; a Elisa Lucinda, que colocou meu livro no repertório da sua escola, entre tantos poetas que eu admiro, além de mil leitores incríveis que me republicam nos seus blogs, falam de mim pros amigos, me lêem em festas e noites íntimas nas suas casas.

Mas nunca tive uma aliada tão forte quanto a Ana Carolina. A mulher é uma máquina de espalhar informação: seu público é tão fiel e apaixonado, que tudo que ela indica ganha rapidinho a atenção de muita gente. E desde que ela, generosa e despretensiosamente, leu um poema meu num programa de tv, ganhei muitos leitores e vendi muitos livros.

Isso foi em 2005, e agora meu amigo Fernando (que acabo de saber que não é o Maatz! Que Fernando é esse, gente?! Apresente-se, menino!) achou o vídeo no Youtube e eu acabei de rever, tanto tempo depois, e não resisti: tive que colocar ele aqui! Principalmente agora, quando preparo o lançamento do livro e do cd novos, que tem a Ana como convidada especial lendo esse poema numa das faixas-bônus!


29.10.08

do cinema


Amanhã vou pra Juiz de Fora, cidade que quase foi o túmulo do meu amor - e por isso vou sozinha, pra não arriscar. É uma viagem meio espremida no meio de mil trabalhos e funções aqui no Rio, mas é por uma boa causa: está em competição lá o Elke, curta da Julia Rezende, minha irmã, montado por mim. O filme estreou no Festival do Rio do ano passado e tem tido uma carreira incrível em festivais pelo Brasil afora. Como a diretora está em São Paulo trabalhando, a montadora aqui vai de representante oficial.

Nem sei se vai ter apresentação antes da sessão, nem se eu vou ter a chance de dizer isso lá, mas fiquei pensando como seria ótimo a Julia estar lá nesse específico festival, porque de alguma forma Juiz de Fora está na origem desse filme. Foi lá que em 2006 foi filmado o longa-metragem Zuzu Angel, do qual a Julia era assistente de direção, e a Elke atriz convidada. Na verdade era uma participação muito da especial, porque nos anos 60 a Elke tinha sido modelo e amiga da Zuzu, e sua participação no filme era como cantora de boate numa cena com Zuzu e Elke (Patrícia Pillar e Luana Piovani). Era ela contracenando com ela mesma, e foi uma noite emocionante e especial, a voz dela cantando uma canção de guerra alemã ecoando pela noite de JF.

Pra mim, essa foi a noite que quase enterrou meu amor. Pra Julia, foi a noite que consolidou a vontade de fazer um filme sobre a Elke, sobre a mulher por trás e acima dos estereótipos, não a Elke maravilha, simplesmente a Elke, a filha de pai russo com mãe alemã que veio viver em Minas e virou a mais brasileira das brasileiras, mesmo tendo virado apátrida por conta dos desmandos da ditadura.
O filme nasceu desse encantamento, e a meu ver cumpre lindamente com o que propõe: não quer explicar nada, não narra acontecimentos, não estimula fantasias. É um retrato da Elke por ela mesma, um espelho em forma de filme, é a estréia da minha irmã na direção e um filme do qual eu me orgulho no meu currículo ainda curto de montadora.

Por tudo isso, apesar do medinho de voltar à cidade, apesar das mil coisas que eu teria que fazer no Rio amanhã, viajo feliz pra Juiz de Fora. Mas volto logo, que eu não sou boba nem nada.

23.10.08

do arquivo 2

você me deu a palavra tosco
eu te dei a palavra atarantada

você me deu tom zé
eu te dei o galeano

você me trouxe mais loucura
eu te mostrei praticidades

você me faz bater palmas
eu te faço saltitar pela casa

você é letra e música
eu sou só palavra

eu te alimento
você me come

a gente junto inventa o mundo
e se diverte
e anda por aí

a gente junto é melhor que sozinho
ainda é cada um mas cada um ganha mais brilho

adoro esse encontro
adoro a permanência
o desenho dos dias com você

adoro conviver
com você, viver

do arquivo, mas atualíssimo

não é grude nem invasão:
é que tem hora que o corpo pede a outra pele
o nariz fica doido pelo cheiro de um certo lado do pescoço
e a idéia da cama, confesso, fica grande demais prum ser só
(ainda que não solitário)

é demais morrer de saudade?
querer você perto?

se for ando excessiva, pronto, assumo
e assumindo repito e reitero:
te amo de todo jeito, e você nunca sai de dentro
mas nessa noite preferia estar também do lado
sentir seus pés nos meus na madrugada
e te ver respirar de manhã como se fosse pouco
como se fosse normal esse amor todo
como se não fosse pra comemorar

(eu comemoro)

22.10.08

30

Nunca pensei que fosse acontecer comigo.

Já disse em poema que a idade me acolhe, não me assusta, e continua sendo verdade, mas o corpo não sente o mesmo. Subitamente a decadência mostra suas garras - ok, são unhas ainda curtas, mas com potencial de garras afiadas de animal selvagem. E de repente há assuntos de fios e manchas brancas, de veias azuis, olheiras roxas, e há medidas e providências e consolos e conformações.

Queria ser mãe de cabelos pretos e vou ser mãe com fios e manchas brancas, veias azuis e olheiras roxas. E nem é agora ainda.

Os 30 disfarçam dali, mas mostram suas garras. E eu disfarço daqui, mas morro de medo.

17.10.08

o maatz, de novo na veia

Vou ficar em silêncio

porque se fosse simples

eu apenas reclamava.
(É o Maatz, bicho, ele é foda.)

15.10.08

diário de lançamento - parte 1

Agora então o lançamento do livro e do cd tomou minha vida quase por inteiro. Foi tanta demora, tantos meses andando devagar que de repente ou eu corro ou tudo fica, de novo, pro ano que vem - e pra esse eterno ano que vem que se repete já me basta o projeto "filhos".

Agora então eu corro com os detalhes finais do livro, corro com a gravação que falta pro cd, corro com burocracias da prensagem, com marcar lugar e data do lançamento, corrro corro corro. E seria bom ter calma, mas tudo bem, correr pode ser bom também.

No momento estamos assim: livro revisado, diagramado e aprovado, capa na fase de aprovação final, assessora de imprensa contratada, lançamento praticamente marcado, gravação do cd atrasada e enrolada - mas faço ommmm e espero porque as participações especiais merecem a espera, e foi meu atraso que fez tudo ficar tão em cima da hora.

Tá sendo um processo bom, trabalhoso e gostoso e bom, e mal posso esperar pra compartilhar o resultado dele com todo mundo daqui a pouquinho!

8.10.08

não acredito

Tô arrasada. Acabo de ver que o contador exibido do blog marca 11.118 visitas. Olhei aquele monte de palitinhos ali do lado e pensei: porra, eu deixei passar o 11.111! Não acredito. Tô sofrendo um pouco por essa bobagem - mas não é quase sempre por elas que a gente sofre?

Eu juro que vou ficar mais atenta daqui pra frente, e o 111.111 eu não perco de jeito nenhum. Quer dizer, se eu estiver viva e meus olhos ainda funcionarem até lá.

2.10.08

Na real

Tudo custa o dobro do que parece a princípio.

O prato no restaurante custa R$40? A conta vai ser R$80. O vestido custa R$250? Com sapato e bolsa sai por R$500. O taxi é só 20 pratas? Pra ir e voltar, R$40. O aluguel da sala pra trabalhar é R$400? Bota luz, telefone, internet, limpeza, almoço na rua e a verdade aparece: R$800 pra ter seu espaço.

Pois o livro é assim. Custava um tanto, e agora com cd, capa linda e festa bacana de lançamento, já tá quase chegando em dois tantos. Tá quase chegando, mas até lançar ele chega lá, nos dois tantos.

Porque tudo custa o dobro do que parece. Ou quase tudo. Ou quase o dobro.

21.9.08

Espelhos: Galeano inédito

Eu sou viciada em palavra. Mais ainda em palavra escrita, e ainda mais um tanto em livro. Dentro do vício tem espaço pra mais alta literatura e a mais reles bobagem: sendo letra no papel, quase tudo me interessa.

Mas tem aquelas palavras que interessam mais. E tem aquela gente que sabe o que faz com as suas, e me pega pela mão e não larga mais. Eduardo Galeano é desses, e quem costuma andar por aqui já sabe disso. A novidade é que depois de já ter lido virtualmente tudo o que ele escreveu, semana passada ganhei da minha mãe em primeiríssima mão, na versão original em espanhol, o livro novo dele, "Espelhos". Achei que era uma coletânea, tão improvável me pareceu essa alegria: Galeano inédito? Será possível?

Pois era. Está sendo. O fim-de-semana chuvoso foi perfeito pra começar essa leitura, e passei a noite de sábado bebendo da fonte profunda dele, me molhando toda nessa água. Dá vontade de traduzir tudo, de postar tudo, de gritar Galeano aos quatro cantos, mas como a voz não dá pra tanto espalho ele aqui, nesse canto, pra vocês.

Escrever sim

"Ganesha é barrigudo, pelo muito que gosta de caramelos, e tem orelhas e tromba de elefante. Mas escreve com mãos de gente.

É o mestre das iniciações, o que ajuda as pessoas a começarem suas obras. Sem ele, nada na Índia teria começo. Na arte da escrita, e em tudo mais, o começo é o mais importante. Qualquer princípio é um grandioso momento da vida, ensina Ganesha, e as primeiras palavras de uma carta ou um livro são tão fundadoras quanto os primeiros ladrilhos de uma casa ou um templo."

17.9.08

sedução

Era cedo. Muito cedo pro meu horário. E estava frio, e era na Barra, que sempre me parece longe, mesmo que agora que eu moro na Gávea nem seja mais. Era cedo e frio e longe, mas quando eu entre naquele auditório cheio de carinhas tão jovens, nada disso era mais problema. Porque naquela hora o problema passou a ser como seduzir aquela platéia, no meio do seu dia normal de aula, pra ficar a fim de me ouvir e se deixar gostar de poesia.

Rapidinho parou de ter problema e foi ficando só gostoso e bom. Meninos e meninas de 11, 12, 13 anos, me ouvindo falar poemas entre tapinhas nas cabeças dos colegas da fila da frente, olhos atentos entre cochichos, e um rumor semi-silencioso quando sem querer uma palavra "sexo" escorregou, como quem não quer nada, de um poema.

E eles me encheram de perguntas ótimas, e me fizeram pensar como e porque eu escrevo, e me ajudaram a refletir sobre a importância da poesia, o motivo dela, a inspiração e o trabalho. Depois da super apresentação no auditório eu ainda fui a três salas de aula de 8o ano (a antiga 7a série, se é que eu entendi bem), e falei mais uns poemas, e bati mais uns papos. Do meio de uma fila veio a pergunta mais inusitada: se eu faço mais alguma coisa além de ser poeta, e eu falei de como é difícil ganhar dinheiro com poesia, de como a Elisa é a única que eu conheço que domina essa arte, e de como pra mim funciona bem ter outro trabalho que eu também gosto e poder ser poeta sem pressão.

Pois não é que quando eu já tô indo embora vem a menina da pergunta, de papel na mão, e me pára, toda tímida, pra me dizer que quer ser poeta quando crescer, e que quer ler um poema dela pra mim, que não é o melhor, ela disse, mas é o que ela tem lá na escola. Sentamos num banco e Luiza leu seu "Névoa", uma poeta tão jovem mas já uma poeta, atenta às imagens, fazendo meta-poesia, começando ainda e já escrevendo sobre a sua escrita. Seu poema me lembrou um dos meus primeiros, e quando eu disse pra ela que também gosto de escrever sobre a escrita ela me disse "eu gosto mais ainda de escrever sobre PORQUE escrevo!". Quer dizer, a menina sabe tudo, e promete.

Então Luiza, pra você, aqui vai um poema exatamente sobre o PORQUE da minha escrita - ou alguns dos porquês... E me manda um seu pra eu postar aqui também, e a gente dialogar poeticamente!


Escrevo porque tô viva
escrevo preciso
pra acordar, pra estar despida
porque o mundo não é só isso
que acontece aqui em cima

Escrevo porque não vivo
escrevo porque preciso dessa droga
esse colírio
escrevo pra pôr delírio
em tudo que é preto-e-branco

Escrevo pra estar viva
Escrevo porque aqui minto
as belezas que não tenho
e as coragens que persigo
escrevo porque assim finjo

Escrevo contra as burrices
contra os medos que hoje sinto
escrevo a favor do sonho
escrevo pra estar livre

Escrevo quando consigo

16.9.08

Entrando no clima

Entrando no clima pré-lançamento, vou voltar à ativa, entrar no clima, botar a cara na rua e sair de novo por aí dizendo meus poemas onde tiver palco e microfone, ou simplesmente onde tiver alguém a fim de ouvir.

Outro dia foi na casa da Ana Luiza, e depois na casa da Cláudia, que estava na primeira platéia e gostou da idéia. Um outro dia foi no estúdio da TV Brasil, e através de lá pro Brasil todo. Amanhã vai ser no CEI, colégio na Barra onde dá aula a minha amiga Noa, pra um auditório lotado de adolescentes. E partir do fim de outubro uma sexta-feira por mês eu e Fernanda Rowlands estaremos no super novo Espaço Telezoom, no Leblon, dizendo poemas uma, cantando a outra, e juntas recebendo convidados da novíssima safra de artistas cariocas!

Me aguardem!

na pressão

Reunião na 7Letras: pra lançar o livro no final de novembro precisamos mandá-lo pra gráfica até 10 de outubro. Ok. Absorvida a informação, resta correr com a capa, e agitar as coisas do cd pra ficar pronto ao mesmo tempo.

É, tem cd. Eu não tinha falado dessa parte? Pois tem cd sim, claro, que eu não sou nem boba de desperdiçar a palavra falada! Tem cd, e cd tem que gravar, e tem capa e bolacha pra conceber, e tem que prensar, e tal e coisa, e coisa e tal.

E viva a pressão que gera ação!

11.9.08

enfim a data

Ok, ando precisando escrever, e parar de só citar. Mas é que às vezes a tela branca realmente não desperta nada, não é gênero dos cronistas não. E depois de tempos bissextos por aqui ando gostando de estar mais presente, mesmo que pelas vozes de quem eu gosto mais do que pela minha mesma.

É que a vida tem muita conta de gás, muita recisão de contrato, muito marcineiro que marca às 8h (e fura), muito pedreiro todo sábado, muito telefonema pra net, e é preciso que a poesia mostre suas unhas, me rasgue a pele das costas de raiva por ficar tanto tempo de lado, sempre a última da fila, a prima pobre, é preciso que ela monte em mim feito cavalo de macumba, pra que eu enfim emerja do submundo do dia-a-dia pra cuidar dela como ela merece.

Pois ela mostrou, rasgou, montou, e eu tô emergindo, devagar pra não ter susto, mas senti a porrada, acusei o golpe e aviso: tô de volta. O livro sai em novembro. Não queria dizer pra não ter cobrança mas, porra, eu preciso ser cobrada. Novembro. Bendita Palavra. Podem cobrar. Cobrem. Obrigada.

9.9.08

só lendo

"Não pára não", ela repete. "Já ouvi essas palavras em algum lugar." Na verdade, ela ouviu poucas vezes a palavra "pára" sem um "não" na frente. Ditas por um homem. Ou mesmo por ela. "Sempre achei que 'não pára' era uma palavra só", diz ela.
"E é mesmo. Dança mais."

(Phillip Roth, em "A marca humana")

7.9.08

inútil e delicioso

"Ser poeta não é uma profissão: é como ser viúvo. Um poeta é um poeta, assim como um cavalo é um cavalo. Cavalos têm utilidade. Mas eu, Gregório de Matos e Guerra, viúvo, poeta, brasileiro, não tenho uma utilidade."

(Ana Miranda em "Boca do Inferno")

6.9.08

lendo

"Observo-me a escrever como nunca me observei a pintar, e descubro o que há de fascinante neste acto: na pintura, vem sempre um momento em que o quadro não suporta nem mais uma pincelada (mau ou bom, ela irá torná0lo pior), ao passo que estas linhas podem prolongar-se infinitamente, alinhando parcelas de uma soma que nunca será começada mas que é, nesse Éalinhamento, já trabalho perfeito, já obra definitiva porque conhecida. É sobretudo a ideia do prolongamento infinito que me fascina. Poderei escrever sempre, até ao fim da vida, ao passo que os quadros, fechados em si mesmos, repelem, são eles próprios isolados na sua pele, autoritários, e, também eles, insolentes."

(José Saramago em "Manual de Pintura e Caligrafia")

27.8.08

inédito

sabe quando o cansaço é tão grande que ele desaparece? dizem que acontece com a fome também, mas essa eu nunca experimentei. a do cansaço rolou ontem.

foram 5 dias intensos de trabalho sob pressão, todo o stress que alguém possa suportar, domingo saí do escritório 1h da manhã pensando: acabou, maria, agora é relaxar, mas não. não tinha acabado. claro.

ontem foi de 10h às 5h. não às 17h não, 5h mesmo, do dia seguinte, hoje. sou ruim de contas mas o espanto foi tanto que até me esforcei: 19 horas no trabalho. e quando vi que eram 20h e eu ainda estava lá pensei em maldizer o almoço sem pressa que tinha tido, mas quando deu 1h da manhã e eu ainda estava lá abençoeei-o, porque não ia ser aquela uma hora que ia ter me salvado, mas o relax dela estava na categoria dos talismãs pra suportar a madrugada - além dos docinhos sensacionais que eu tinha comprado no café.

a parte mais espantosa foi que não teve cansaço, nenhum cansaço, nada. não teve cansaço nem o desespero que ele traz, não teve "que injusto o mundo" e nem vontade de ir embora, foi um só fluxo de pensamento que me dizia "termina isso, menina, e amanhã vai ser mais legal".

surpreendente também foi que não teve medo. é que eu trabalho numa casa enorme cheia de corredores e escadas, e ficar lá sozinha depois que todo mundo já foi não é exatamente meu programa preferido. muito menos andar o corredor escuro e silencioso que dá na rua, e abrir a porta sem saber o que há lá fora, e entrar no carro bem rápido pra poder respirar aliviada. pois ontem-hoje não teve medo também, só uma calma enorme, quase uma tranqüilidade de aceitar o inexorável e ir com a maré.

atravessei o corredor escuro com o dia quase clareando, a rua já começando seus barulhos de carros e gente, e vim dirigindo bem devagarzinho pra chegar em casa e tomar um banho, e então finalmente relaxar por umas 3 horas até o homem da Sky chegar com a notícia de que não é possível instalar a antena aqui, e mais um dia começar.

o cansaço? tá quase querendo chegar. e eu vou recebê-lo de braços abertos, e dormir como se não houvesse amanhã, até amanhã me acordar. porque não, não tinha acabado. não acaba nunca. claro.