30.3.10

junta

É infame a piadinha, e velha ainda por cima, mas nada melhor a dizer no momento. É que eu tô com problema de junta, sabe? Junta tudo e joga fora.

Tenho só 31 anos, na flor da idade, animada, feliz, cheia de trabalho, amando e sendo amada, comendo bem e (tentando) fazer exercício, mas aí surge um joelho que dói, uma escápula que dói, duas escápulas que doem, uma lombar, e o pulso que acorda duro feito pedra e ai como dói.

Já tentei cuidar de tudo, já fui no ortopedista, no acupunturista, na osteopata. O primeiro me mandou fazer musculação, eu fui, adorei, mas malhar como com dor? O segundo me espetou toda, me encheu de esparadrapos feito um vudu esquisito, e não melhorei nadinha. A terceira será em breve a próxima, volto lá semana que vem depois de dois anos porque ela sim me olhou com cuidado e entendeu que o o joelho doeu porque o quadril pendeu pra esquerda porque eu torci o tornozelo direito há uns seis anos atrás.

Sim, seis anos. Era casamento de uma amiga, rolou aquela ciranda judaica sensacional, o salto do sapato virou e pronto, tornozelo torcido. Gelo, antiinflamatório, e ele ficou bom. Médio. Bom nunca mais ficou. Pega esse tornozelo, bota seis anos e o resultado sou eu agora, 31 anos, já na fase do "junta tudo e joga fora". Mas a osteopata não era o máximo? Era, mas era uma grana, e depois do primeiro mês eu paniquei e nunca mais voltei.

Agora resolvi voltar. E a grana? Tô pensando assim: não comprei tv pra minha ilha de edição, sofá, tecido pra estofar, não vou comprar um computador novo porque o meu tá velho? Então vou comprar um tornozelo novo, um joelho, duas escápulas, um quadril e uma lombar. Não são novos, mas remanufaturados, sabe, que nem tinta de impressora? Tô achando um bom negócio...

10.3.10

do Guimarães

"estou de range-rede."

"o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. afinam ou desafinam."

"moço: toda saudade é uma espécie de velhice."

"um está sempre no escuro, só no último derradeiro é que clareiam a sala. digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe pra gente é no meio da travessia."

"ah, porém, estaquei na ponta dum pensamento, e agudo temi, temi. cada hora, de cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo!"

"o que até hoje, minha vida, avistei, de maior, foi aquele rio. aquele, daquele dia."

"essas são as horas da gente. as outras, de todo tempo, são as horas de todos."

"sempre que se começa a ter amor por alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. amor desse, cresce primeiro, brota é depois."

"e ele, o reinaldo, era tão galhardo garboso, tão governador assim no sistema pelintra, que preenchia em mim uma vaidade, de ter me escolhido para ser seu amigo todo leal. talvez também seja. anta entra n´água, se rupêia. mas, não. era não. era, era que eu gostava dele. gostava dele quando eu fechava os olhos. um bem querer que vinha do ar do meu nariz e do sonho de minhas noites."

"toda alegria, no mesmo do momento, abre saudade. até aquela - alegria sem licença, nascida esbarrada. passarinho cai de voar, mas bate suas asinhas no chão."

"ser ruim sempre, às vezes é custoso, carece de perversos exercícios de juízo."

"assim uma coisa eu estava escondendo, mesmo de diadorim: que eu já parava fundo no falso, dormia com a traição. um nublo. tinha perdido meu bom conselho. e entrei em máquinas de tristeza."

"o que eu vi, sempre, é que toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada. palavra purgante, dada ou guardada, que vai rompendo rumo."

"mau eu não sou. cobra? - ele disse. nem cobra serepente malina não é. nasci devagar. sou é muito cauteloso."

"digo ao senhor: nem em diadorim mesmo eu não firmava o pensar. naqueles dias, então, eu não gostava dele? em pardo. gostava e não gostava. sei, sei que, no meu, eu gostava, permanecente. mas a natureza da gente é muito segundas-e-sábados. tem dia e tem noite, versáteis, em amizade de amor."

"meu corpo gostava do corpo dele, na sala do teatro. maiormente. as tristezas ao redor de nós, como querendo carrega para toda chuva."

"de mim toda mentira aceito. o senhor não pe igual? nós todos. mas eu fui sempre um fugidor. ao que fugi até da precisão da fuga."

"acho que eu não tinha conciso medo dos perigos: o que eu descosturava era medo de errar - de ir cair na boca dos perigos por minha culpa. hoje, sei: medo meditado, foi isto. medo de errar. sempre tive. medo de errar é que é a minha paciência."

"ele gostava, destinado, de mim. e eu - como é que posso explicar ao senhor o poder de amor que eu criei? minha vida o diga. se amor? era aquele latifúndio. eu ia com ele até o rio jordão. diadorim tomou conta de mim."

"cansaço faz tristeza, em quem dela carece."

"acho que o sentir da gente se voltei, mas em certos modos, rodando em si mas por regras. o prazer muito vira medo, o medo vai vira ódio, o ódio vira esses desesperos? - desespero é bom que vira a maior tristeza, constante então para o um amor - quanta saudade... - aí, outra esperança já vem... mas, a brasinha de tudo, é só o mesmo carvão só."

"a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesmo nunca se deve tolerar de ter. porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e de fato é."

"se não o senhor me diga: preto é preto? branco é branco? ou: quando é que a velhice começa, surgindo de dentro da mocidade."

"o nome de diadorim, que eu tinha falado, permaneceu em mim. me abracei com ele. mel se sente é todo lambente."

(acabo de notar que estou na terceira fase da escrita: ele escreveu, eu copiei no caderninho, e agora digito. e adoro. adoro. e vou me entendendo de jeitos líricos sabe? "medo de errar é que era a minha paciência?". ah, faça-me o favor, né? eu podia descobrir isso sobre mim com alguma palavra melhor? bom, depois continuo que ainda tem muito mais.)

9.3.10

Ler-escrever

Achei esses dias na casa dos meus pais um caderninho no qual eu anotei trechos do Grande Sertão na segunda vez em que li. Eu já tinha feito isso quando li pela primeira vez, tamanho o fascínio pela riqueza inédita da linguagem que o livro me dava a cada página, mas perdi o caderno e sim, reler foi de novo me seduzir por aquele universo linguístico e fiz de novo esse exercício de humildade. Lendo esses dias as coisas que anotei agradeci a mim mesma essa possibilidade de mergulho instantâneo nesse livro que eu amo pra além do já batido mas nunca velho "viver é muito perigoso".

Sempre tive essa mania, apesar de ultimamente andar mais preguiçosa. Anotei um pouco lendo Nas tuas mãos, da Inês Pedrosa, presente importado de Lisboa pelo meu amigo André Pellenz que disse que era um primor, e tinha razão. Esses livros em que a linguagem é quase mais deliciante que a narrativa, ou no mínimo tanto quanto, são os que mais me falam à alma. Os portugueses e angolanos são craques na coisa. A gente lê a prosa como se lesse poesia, uma delícia.

Pensei em tudo isso porque li um roteiro de um curta de uma amiga em que a personagem discorda de mim totalmente, acha que ao invés de gastar tempo re-escrevendo o que já foi escrito melhor é escrever as suas próprias palavras. Faz sentido, mas de algum jeito doido escrever no meu caderno e com a minha letra azul aquelas palavras alimenta a minha escrita, sabe? São duas delícias diferentes que eu espero praticar sempre.

3.3.10

as vidas

São algumas, e todas boas. As que dependem menos de máquinas e tecnologia são melhores, sempre. Aquela na qual eu cozinho muito e recebo amigos em casa é uma delícia. As duas ou três que envolvem horas despreocupadas com o meu amor estão no topo da lista. A que é recheada de poesia e escrita andava sumida, mas voltou à ativa recentemente. Engraçado: quase todas elas envolvem ir ao supermercado no mínimo uma vez por dia. E ainda nem começou a vida em cujo centro mora um filho, razão principal pras compras cotidianas de alimentos.
(Ando doida pra ela começar.)

20.2.10

Espera

viaja o homem, espera a mulher
espera e age
espera como se não esperasse

anda ruas, compra frutas
queima a pele, emerge do mergulho
dentro de tudo, espera

disfarça, se distrai, mas espera
conta os dias em voz baixa
evita discos, lugares
e planeja o reencontro:
truques de beleza, prendas do lar
putarias

viaja o homem
espera a mulher, grávida de ausência
vai nascer desejo, brilho no olho, gemido
vai nascer de novo o amor
o mesmo amor, melhor amor
das cinzas da saudade

16.2.10

retrato de carnaval

meu amor em cuba e eu em família
comunistas e católicos mineiros
distância e aconchego
o que é novidade e o que é secular

ter avó é um luxo
ter 31 anos, sonhar com um filho e ainda ser neta
dormir nessa cama onde meu coração já saiu pela boca
nessa casa onde meu corpo recebeu outro pela primeira vez
casa construída com pedras sobre as quais eu brinquei na foto da infância
cabelos cacheados e franja
galochas vermelhas, moletom cinza
uma pose e a felicidade

o céu sobre nós é o mesmo
em cuba, no rio, em itaipava ou no passado
o céu é sempre o mesmo
e o amor não deixa o longe tomar conta

no fundo da carne e no arrepio da pele
dormem seu nome e seu toque
seu rosto bonito que os anos ajudam a desenhar
seus pés brancos
a curva dos ombros

é carnaval e eu não visto a fantasia
eu vivo a fantasia
eu sou a fantasia
seu corpo de homem tatuado inteiro sobre o meu

3.2.10

Pop?

É uma mistura de orgulho com vergonha, de senso de reconhecimento com vontade de se enconder no quarto escuro, de gargalhada com embrulho no estômago.

É como descobrir uma montagem do seu rosto com uma modelo só de lingerie, sendo a lingerie vulgar, a montagem trash e o corpo da modelo pior que o seu.

É como... nem sei mais como é. Só vendo mesmo. Aqui é ele.



Aqui sou eu.


30.1.10

Em branco

Faz tempo que eu não escrevo. Nem aqui nem em nenhum caderno, nem de noite nem de dia, nem coisa prática nem coisa poética. Me faz falta, muita. Durante um tempo achei que era natural, afinal os trabalhos, as compras de supermercado, os livros pra ler, a correria, as máquinas, a tecnologia.

Não é que eu pego o caderno e não vem nada. É que eu não pego caderno nenhum. Nem carta de amor, nem lista de compras, nada. Poema então, passa longe.

Sou eu que preciso cuidar disso, mas me entendam: comecei a escrever isso no computador da ilha de edicao do meu pai, onde passei a tarde de sabado tentando terminar um trabalho, sem sucesso. Continuei na minha ilha, sabado a noite, onde a coisa ainda nao rolou mesmo eu insistindo ate 23h30... Entao agora, domingao de sol, ca estou de volta a ilha de edicao numero 1 (num mac sem acentos, notem a diferenca!), tentando pela 3a vez gravar um dvd de um curta metragem no qual o meu trabalho ja deveria ter terminado ha meses!

Ok, pode-se dizer que ha tempos atras eu gastaria as horas vagas entre exportar o arquivo e queimar o dvd escrevendo poemas. E verdade, e tambem nos sinais de transito e nos bloquinhos que andavam na bolsa e em guardanapos de bar e. Mas gente, gastar quase 20h pra fazer um trabalho mecanico que meu assistente faria em 2h - se nao tivesse me abandonado e ido ser feliz no frio de Londres - e de enlouquecer o cidadao. E foda, nao e mole nao. Nao rola nenhum pensamento criativo, nenhum lirismo, so desejo de praticidade.

Nao, eu nao vou desistir. A poesia ainda e o que me faz mais feliz. E ja que nesses tempos ela tem sido mais dita do que escrita, talvez seja mesmo a hora de eu parar de adiar a criacao do espetaculo que sonho fazer com os meus poemas pra estrear no palco da Casa Poema. Isso, Maria, anuncia pra ter cobranca. Boa.

(e torcam por mim porque o arquivo ainda ta na metade do export...)

29.1.10

Usando, abuse!

Campanha sensacional pelo uso da camisinha, aqui. Do governo francês, claro, que não tem medo de chocar e não é refém do politicamente correto. Adorei!

4.1.10

Poema pra vovó - ao vivo e a cores

A Lelê gravou, tá registrado pra todo o sempre aqui.

Não foi de primeira, que eu falei meio no susto e chorei baldes.

Nem de segunda, que a vovó ouviu mal com o meu chororô e o barulho em volta, e pediu repeteco.

Foi de terceira, ensaiadinho, com direito a "ação" no início e tchauzinho no final, mas amei ter esse registro das minhas palavras pra ela com ela ali pertinho, do lado, sorrindo...

Pra entender o poema - porque é lindo de morrer

O poema que eu fiz pra vovo bebe na fonte de uma das muitas historias que ela contava pra gente dormir nas noites do sitio e da fazenda. Eu amo todas, e uma vez gravei ela contando pra gente nao perder nenhum detalhe, mas cade que acho a fita? A Luiza, que usou parte do video como trabalho na faculdade, tambem nao sabe da copia dela. Mas a tia Helo, boa de memoria, lembrou de tudo e escreveu de um jeito delicioso! So fica faltando a voz da vovo fazendo a fanha e cantando...


MARIA BOBA, UMA PRINCESINHA QUE FICOU MUDA E UM COELHINHO BRANCO

Era um vez uma linda princesinha que morava num castelo muito distante com seus pais. A princesinha vivia muito feliz e toda dia brincava nos jardins do palácio com seus brinquedos preditos – um pente de ouro, um espelho e uma boneca.

Um dia, sem que percebesse, surgiu no jardim um coelho branco e roubou seus três brinquedos. A princesinha ficou tão triste, tão triste, que nunca mais falou nem uma palavra.

O rei e a rainha ficaram desesperados com o silencio da filha. Imediatamente, mandaram mensageiros anunciar que aquele que fizesse a princesinha falar novamente receberia como recompensa a metade do seu reino, que era muito grande e muito rico

Primeiro vieram os palhaços. Fizeram todas as graças mas nenhuma palhaçada interessava à princesinha que continuava quieta, com o olhar distante e triste. Depois vieram malabaristas, trapezistas, amestradores de animais com seus cães que se equilibravam em bolas, mas nada interessou à princesa. De todo canto, dos reinos mais distantes, vieram artistas de toda espécie e fizeram todo tipo de graça, contaram as melhores historias, as piadas mais divertidas... A princesinha continuava muda e infeliz.

Bem longe dali morava uma mulher conhecida como Maria Boba. Ela era muito feia, pobre e, para piorar, tinha uma voz fanhosa que assustava todo mundo. A noticia de que o rei e a rainha haviam prometido a metade do reino a quem fizesse a filha voltar a falar chegou até ela. Maria Boba, para chacota dos vizinhos, resolveu ir até o castelo para tentar ganhar o premio.

Maria Boba morava muito longe e, como era pobre, saiu bem cedinho para ir caminhando até o castelo. À noite, cansada, resolveu procurar um lugar para dormir um pouco e sentou na soleira de uma porta que avistou no caminho.

Quando estava quase pegando no sono, ouviu uma voz : Entra...

Maria Boba levou muito susto mas resolveu obedecer. Abriu a porta e viu uma escada enorme quando escutou outra voz: Sobe... (alguém dizia sube...) Ainda apavorada, mas com medo de não cumprir a ordem. subiu a escada até chegar a uma enorme sala onde havia apenas um armário e uma bacia com leite.Maria Boba achou aquilo muito estranho... De repente, ela escutou um pequeno barulho e, assustada, correu para se esconder atrás de uma cortina.

Um coelhinho branco apareceu na sala. Rapidamente, o coelhinho pulou na bacia de leite e se transformou... num lindo príncipe. Maria Boba, bem escondidinha, observava tudo.

O príncipe abriu o armário e tirou da primeira gaveta um pente de ouro. E cantou, com a voz mais marvilhosa que já se tinha ouvido: Pente, ó pente, responda... onde está a princesa bela, que eu te vejo mas não vejo ela?

Guardou o pente, abriu outra gaveta e tirou dela um espelho. Cantou: Espelho, ó espelho, responda... onde está a princesa bela, que eu te vejo mas não vejo ela?

Em seguida guardou o pente e tirou da terceira gaveta uma boneca enquanto cantava, com sua voz, maravilhosa e triste: Boneca, ó boneca, responda... onde está a princesa bela, que eu te vejo mas não vejo ela?

Depois, pôs de novo a boneca na gaveta, fechou o armário, entrou na bacia de leite e se transformou novamente no coelhinho que, num instante, desapareceu do lugar.

Maria Boba achou aquilo tudo muito estranho mas pensou: essa pode ser uma boa história pra contar pra princesinha...

Continuou sua caminhada para o palácio e de noitinha se apresentou aos guardas do portão real dizendo que tinha vindo para fazer a princesa falar. Os guardas riram dela, mandaram ela voltar pra casa, quiseram impedir sua entrada. O rei, que estava por perto, já desesperado porque ninguém, nem os maiores artistas de todo o reino e dos reinos mais distantes, tinham conseguido fazer a princesa falar, ordenou que os guardas deixassem a pobre mulher entrar.

Na presença da princesa, Maria Boba começou a contar sua história com sua voz fanhosa e seu jeito esquisito de falar.

Disse que tinha vindo de um lugar muito distante, caminhado muito e sentado na soleira de uma casa para descansar.

A princesa escutava tudo sem nenhum interesse, quieta e triste.

Continuou, dizendo que tinha ouvido uma voz – Entra! – que havia uma escada enorme e outra voz havia ordenado – Sobe!. Ela obedeceu até chegar a uma enorme sala onde havia uma bacia de leite e um armário.

A princesa parecia nem escutar, o rei e arainha desanimados já queriam mandar aquela mulher embora enquanto os guardas riam entre si.

Mas Maria Boba continuou: de repente, surgiu um coelhinho branco...

A princesa, como que acordando de um sonho disse: OH!

Foi um regozijo no palácio, todos excitados porque a princesinha, depois de muitos meses calada, tinha dito uma palavra..

... e pulou na bacia de leite e se transformou num lindo príncipe...

A princesa novamente se desinteressou da historia e voltou a ter o mesmo olhar perdido.

... Aí, o príncipe abriu o armário e tirou da gaveta um pente de ouro e cantou: Pente, ó pente, responda... onde está a princesa bela, que eu te vejo mas não vejo ela?...

A princesa disse: OH! OH!

...depois, tirou de outra gaveta, um espelho e cantou novamente: Espelho, ó espelho, responda... onde está a princesa bela, que eu te vejo mas não vejo ela?...

E a princesa disse OH! OH! OH! ...

... guardou o espelho, abriu uma terceira gaveta e pegou uma boneca...

A princesa disse OH! OH!OH! e começou a falar pedindo a Maria Boba que levasse ela até aquela casa, que queria ver esse coelhinho, que devia ser o mesmo que tinha roubado seus brinquedos...

No palácio, a alegria foi geral. O rei e a rainha choravam de felicidade, os sinos tocavam , todos riam e dançavam de felicidade. A princesinha tinha voltado a falar!

No dia seguinte, ela e Maria Boba saíram para ir àquela casa. A princesa foi disfarçada, não foi vestida como princesa mas coberta com uma enorme capa que escondia suas roupas reais.

Chegando na casa, as duas se sentaram na soleira da porta e ouviram a voz: Entra! Depois, Sobe! E subiram a escada enorme até a sala com a bacia de leite. Correram para se esconder atrás da cortina quando d e repente surgiu o coelhinho branco que repetiu as mesmas coisas que Maria Boba tinha visto: pulou na bacia de leite, se transformou num lindo Principe, abriu a primeira gaveta do armário, tirou um pente de ouro, cantou, abriu a segunda gaveta, pegou um espelho, cantou, abriu a terceira gaveta e com a boneca na mão, cantou....

O Principe era muito lindo, tinha uma voz maravilhosa mas cantava muito triste. Quando fechou o armário e se preparava para pular na bacia de leite, a princesa e Maria Boba saíram de trás da cortina e ... oh!... o príncipe levou um susto muito grande mas logo reconheceu o seu amor e se abraçou a ela, contando que naquele momento um feitiço antigo tinha se quebrado e ele podia voltar a ser o príncipe que sempre fora.

Os dois, apaixonados, marcaram logo o casamento. Maria Boba ganhou a metade do reino e é claro, foi madrinha daquela união.

Nunca, em reino algum, houve festa mais maravilhosa. As paredes do castelo foram transformadas em brigadeiros, as flores do jardim cobertas de jujubas, caiam pipocas do céu como se fosse neve, das torneiras saiam vinho e os rios viraram os mais deliciosos sucos.

Eu fui a essa festa e trouxe docinhos e balas pra todos.mas meu cavalo, que era branco, de crina enorme e muito arisco, tropeçou na ponte e tudo caiu no rio... Não sobrou nem um docinho pra ninguém.

Entrou pela boca do pato, saiu pela boca do pinto, quem quiser que conte cinco.

Agora é hora de dormir. Boa noite, durmam com os anjinhos sonhando com um lindo coelhinho branco que pode virar o mais maravilhoso dos príncipes...

3.1.10

pra vovó, nos seus 91 anos

Não a super-mãe, a super-avó
Uma mulher mineira, brasileira, imperfeita
Uma mulher inteira andando pela vida

Sob o salto dos sapatos, debaixo do tailler
O pé como um peito de pombo
revela a vocação pro vôo

Filhos e processos pelos braços
Cuidados, agregados, pitos, abraços
Os anos se empilham como livros na estante
Boas histórias, dias tristes
Causos, risos, perdas

"Espelho, meu espelho, responda
onde está a princesa bela
que eu te vejo
mas não vejo ela?"

Eu vejo, vó, sua forma de rainha
no corpo de mulher
E sinto seu amor
Poderoso colchão pros nossos tombos

Seu amor opera o milagre possível de nos amarmos todos
Seu amor é espelho e é resposta
É coelho mergulhando na bacia de leite todo santo dia
docinho que nunca cai no rio quando a carruagem balança

É mágica possível
Benção silenciosa
Mãos dadas
Doação

20.12.09

Na rua, de graça!


DIA DA RUA – 12 bandas, 12 esquinas – A RUA É GRÁTIS
Segunda, 21 de Dezembro – 20hs

PÇA CAZUZA – Os Outros + qinhO
QUADRILATERO DAS VAIDADES (Rua Aristídes Espinola) - Matheus Von Krueger
RUA GAL. ARTIGAS – Chicas
RUA GAL. VENÂNCIO FLORES – André Carvalho
RUA JOSÉ LINHARES – João Bernardo
RUA ALM. GUILHEM – A Casca
AV. AFRÂNIO DE MELO FRANCO – Samba do Gnaisse
BAR VINTE – Bondesom
RUA ANIBAL DE MENDONÇA – Binário
RUA MARIA QUITÉRIA – Os Dentes
RUA VINÍCIUS DE MORAES – Panamérica + Supernaturais
RUA FARME DE AMOEDO – Les Pops

É o segundo ano desse evento bacanérrimo, bandas novas tocando na rua de graça, no mesmo dia, na mesma hora, tudo ao mesmo tempo agora! Tem muita gente bacana, mas claro que eu vou estar na esquina da Visconde com a Farme vendo os Les Pops, que são Rodrigo Bittencourt, Daniel Lopes e Thiago Antunes.


16.12.09

do blog da Cris Lustosa

Eu sou uma moca educada. Atrasada, mas educada. Se recebo um email, eu respondo, gente. Sim, tem vezes que demora anos, mas eu respondo. Agora, se o email em questao contem fotos lindas minhas tiradas em um evento super bacana, me desculpem a franqueza, mas eu respondo na mesma hora!

Pois hoje minha prima Mariana, a mais nova fotografa da cidade, me contou que a sua amiga Cris Lustosa me mandou um email com fotos lindas tiradas na noite do Projeto Gloss, e por que cargas d' agua eu nao tinha respondido, hein? Porque eu nao recebi, menina! Mas a comunicacao se fez, eu fui la no flicker da Cris e amei tudo, as minhas fotos, as outras fotos da noite, todas as fotos, enfim!

E olha, pode ter certeza de que eu ja teria dito isso ha tempos se esse bendito email tivesse chegado... E ja que o flicker nao permite comentarios de quem nao e cadastrado (que chatice...), faco aqui meu agradecimento publico! Com recomendacao: visitem e curtam as imagens! E tambem com pedido: eu quero... Como eu faco pra ganhar essas fotinhos pra mim?

9.12.09

é hoje, e vale a pena



Ok, o aviso tá mais do que em cima da hora. Mas a vida às vezes traz surpresas que valem a pena o impulso de aproveitar, e pra mim essa é uma delas: recital de poemas da Viviane Mosé na voz dos alunos da Escola Lucinda seguido de papo dela com a Elisa, na linda Casa Poema. Imperdível.

A Casa, aliás, segue firme e cada vez com mais chances de se manter de pé, como tem que ser. O movimento "não vamos deixar esse espaço acabar" rendeu frutos, e viva eles! Vida longa à Casa Poema e a esse delicioso "A poesia do encontro"!!

6.12.09

Em POA com a Martha



Há bem da verdade já tem um tempão, bem mais de um mês, mas só agora o Fernando me mandou as fotos. O Fernando é esse aí da esquerda, e os outros somos eu, Martha e Rodrigo na Palavraria, livraria bacanérrima de Porto Alegre onde ele organiza um evento chamado Palavra, alegria da influência, reunindo um autor jovem com outro que tenha influenciado a obra dele.

O Fernando me convidou, eu convidei a Martha, e olha que maravilha, ela topou! Era uma tarde chuvosa e a livraria encheu de gente pra assitir um papo que eu sempre quis ter e nunca tinha tido a chance. Eu descobri a poesia da Martha ainda adolescente, lendo Capricho, e depois li reli e treli a poesia reunida dela da LP&M.

Na época em que eu estava na Escola Lucinda de Poesia Viva, onde aprendi a dizer poesia, fizemos um recital dos poemas dela e ela veio, e assim fomos ficando amigas devagar devagarinho, com muito carinho e poucos encontros.

Quando eu lancei meu primeiro livro mandei pra ela, que foi super afetuosa, e agora com o Bendita Palavra esse carinho ficou público em coisas como essa e essa. É esquisito pra caramba quando alguém que você passa anos admirando começa a também admirar você. Dá orgulho e timidez e medo de parecer presunçoso e uma alegria danada.

Pois essa tarde foi isso tudo dando no mar. Rimos, contamos histórias, lemos poemas, tudo que poderia ter sido feito só com um café e um bolo, mas com água mineral e uma platéia atenta. Um luxo só. E viva o Fernando por me proporcionar mais essa.

De quebra, ainda teve pocket show com o Rodrigo, e canja da Dani Rauen, cantora da Suco Electrico e nossa anfitriã nessa temporada gaúcha na sua casinha de sonho com Josué e Dona Rosa.


























26.11.09

Bombando no JB


Eu e Rodrigo andamos rindo: de repente o casal bomba no JB! Semana passada foram os Les Pops, hoje eu e as meninas no Projeto Gloss, da Alexandra Scotti. Foi 3a feira, no Cinematheque, e foi demais! 

A Heloisa Tolipan conta tudo aqui

Pra ver o jornal de verdade, sempre mais charmoso, clique aqui.

23.11.09

poesia em Sampa


Passei o sábado lá imersa nela - sendo lá Sampa e ela a poesia. Falei poema na feira da Benedito Calixto, participei de uma mesa muito legal na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, ali do ladinho, com a Analu Andriguetti, que adorei e lança ano que vem o primeiro livro, o Jesús Ernesto Parra, venezuelano figuraça cujos livros não se acham por aqui, e mais o Hugo Guimarães, o caladão do contra da mesa. Depois vendi livros, conheci gente ótima, e lá passei a tarde assistindo ao resto da programação da Balada Literária.

Eu achava que, com esse nome e organizada pelo animadíssimo Marcelino Freire, a Balada era uma espécie de festa caótica e boa, mas ela é mais: é um encontro degente bacana de vários cantos do Brasil e da América Latina, super bem organizada, com um público interessado. Tudo dá certo, tudo é bacana, e a loucura fica pras noites na Mercearia (onde em janeiro eu lancei o Bendita Palavra).

Ontem foi o fim oficial do evento, e eu já não estava porque voltei pro show dos meninos aí embaixo - que aliás foi de arrasar! Mas essa semana tem a ressaca da Balada com um papo com o João Ubaldo Ribeiro, e pra quem não quer esperar, HOJE tem esse lançamento sensacional do meu amigo Ramon Mello, jornalista e poeta dos bons! Então paulistas, aproveitem!!

19.11.09

Les Pops no JB ao vivo


na capa

a matéria


(a matéria tá demais,
a banda é o máximo,
3 caras talentosos pra valer,
o show de estréia no Cinemathèque promete,
e eu ainda vou comemorar lá meus 31,
então, como eu sempre recomendo,
apareçam!)