
"Carne do umbigo", "Bendita palavra" e "Substantivo feminino" são a versao impressa e bem acabada do que rola aqui. Quer me ter na sua mão em forma de livro e disco? Me escreve aqui!
21.9.10
Poesia + Primavera + Penteadeira

28.8.10
Arrumando os poemas da madrugada - parte 1
que me persegue por ruas e sonhos
Provavelmente dá certo
mas pode muito bem ser que não
Se temos presente e passado
Se temos planos de futuros
Possa ser que seja eu a sua mulher
pode ser pra vida inteira e pra depois
(Depois do futuro vem o que?
Pode ser que a gente chegue lá?
Como saber quando se chega
pra poder parar de tentar?)
Provavelmente sou eu
a mulher que te ama em segredo
Por mais que eu grite
por maior o espalhafato
O amor é sempre escândalo secreto
Provavelmente que sim.
xxx
Menos.
Amar menos.
Eu quero.
Menos você, eu quero.
Eu quero amar menos você.
Menos eu, eu vou ser,
mas melhor,
portanto mais.
Mais.
Eu quero.
xxx
"A casa da saudade é o vazio" (Moska & Chico Cesar)
Saudade é casa vazia.
A casa da saudade é a pessoa.
Duas pernas, dois braços, ou nenhum de cada um,
mas peito, pau, vértebras, pentelhos
Saudade é o anti-vazio
vozes povoando o ouvido onde pro mundo só há silêncio
No vazio não tem nada
e saudade é pra quem sente
A casa da saudade é a pessoa.
Porque o Moska é inspirador
que me persegue por ruas e sonhos
Provavelmente dá certo
mas pode muito bem ser que não
Se temos presente e passado
Se temos planos de futuros
Possa ser que eu seja sua mogli
pode ser pra vida inteira e pra depois
Depois do futuro vem o que?
Pode ser que a gente chegue lá?
Pode ser que já tenha chegado?
Provavelmente sou eu
a mulher que te ama em segredo
Por mais que eu grite
por maior o espalhafato
o amor é sempre escândalo secreto
Provavelmente que sim.
xxx
Menos.
Amar menos.
Eu quero.
Menos você, eu quero.
Eu quero amar menos você.
Menos eu, eu vou ser,
mas melhor,
portanto mais.
Mais.
Eu quero.
xxx
"A casa da saudade é o vazio" (Moska & Chico Cesar)
Saudade é casa vazia.
A casa da saudade é a pessoa.
Não existe saudade no vazio.
Duas pernas, dois braços, ou nenhum de cada um,
mas peito, pau, vértebras, pentelhos
A saudade é o anti-vazio
vozes povoando o ouvido onde pro mundo só há silêncio
No vazio não tem nada
e saudade é coisa de quem sente
A casa da saudade é a pessoa.
(poemas de guardanapo do Canecão na noite de estréia do lindo e foda show do Moska, "MuitoPouco", alegriainspiração, quase uma profusão em tempos de tão pouca escrita por aqui, muito, muito, lararirara)
17.8.10
assim assim
mas nem sempre eu tenho a chave:
o que se deseja e do que se foge
o simples disfarçado de complicado
quando a casa usa pantufas
e os barulhos são só meus
tem conforto e aconchego
não tem medo nem espanto
tudo é dentro mas nem tudo é mar
tudo é vento mas nem tudo é ar
tudo é centro mas nem sempre ali
tudo promete mas nem tudo vai se cumprir
9.8.10
pai
tem quem não tem
tem quem curte
tem quem sofre
tem quem baba
tem quem briga
tem quem teve e quem nunquinha
tem quem não vai sem ele à esquina
tem quem dá de ombros e sublima
mas ninguém prefere ser sem
ninguém
26.7.10
Dia da Pessoa
Fui fuçar e descobri que foi feito pelo pessoal da Lápis Raro, uma agência de publicidade da qual eu nunca tinha ouvido falar, mas que eu super contrataria se tivesse alguma coisa pra anunciar e morasse em Belo Horizonte.
19.7.10
De onde nasceu o poema ali embaixo
Ausência
(Carlos Drummond de Andrade)
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
14.7.10
esta noite escrevo
1.7.10
Enquanto não escrevo, leio
30.6.10
Puizia
Penso em vão...
Quantas doses de transgressão
podem salvar uma instituição?
Daí me lembrei disso aqui:
Dias de afã e frenesi
fudendo homens magros e a cabeça pelas noites
O amor apareceu e foi quase banal
foi como se fosse normal aquele olhar entre os passantes
como se houvesse ainda cavalo e, portanto, rédeas
quando na verdade era tudo já galope, disparada
Pode conter mais tremor o caseiro que o mundano?
pode o veneno habitar o lar?
cabem certezas na inquietude?
O amor é jangada de pedra,
ilha desconhecida
barco sempre à deriva
Se pode gritar "terra à vista!"
mas não pisar lá - terra firme
o amor é navegar
(poema nascido na última hora antes de publicar o Bendita Palavra, que entrou lá no finalzinho do livro)
20.6.10
Inicio e queixo
18.6.10
Perdi
2.6.10
SMS
Vou dormir e só me lembro de novo da mensagem agora de tarde, e aí reparo que além do celular tem um DDD, 87. Isso é Pernambuco, mas não é Recife, é interior. Me espanta e me alegra que em algum desses lugares, tão longe de onde eu vivo e das livrarias que vendem meus livros, alguém me descubra, me leia, se encante, e queira me dizer isso.
Confesso que esperaria receber esse recado por email, ou mensagem aqui no blog. Que alguém em algum desses lugares, tão longe de onde eu vivo e das livrarias que vendem meus livros, tenha meu número de telefone me assusta um pouco. São tempos estranhos, em que uma rede invísivel nos espalha democraticamente ao mesmo tempo em que nos tira um tanto de privacidade, e é esquisito quando acontece com a gente. Na tentativa de ser pública e discreta, acho que ando conseguindo um bom equilíbrio, mas às vezes a corda balança e a gente não sabe bem de onde veio o sopro. Que seja um sopro doce, então.
25.5.10
Honre o dom
Meu pai diz que é um absurdo que as pessoas queiram pagar pelo esterco quando você produz orquídeas, querendo dizer que eu devia ganhar dinheiro mesmo era com a poesia, que é o meu melhor. Essas orquídeas são difíceis de vender, e no meu caso o esterco é bem limpinho e gostoso de produzir: eu adoro montar, é um trabalho criativo e autoral, então estou mais do que no lucro, vivendo do que eu gosto e fazendo o que eu amo por aí.
E é sempre bom ler um texto relembrando a importância disso em que eu acredito tanto: ser feliz no cotidiano, e não uma vez por ano.
14.5.10
vai e vem
depois chega a caçula e começa o afã de ver, fazer, ir, estar, lá, cá, lá de novo, vamos, vamos, e cruzamos o mapa de cima a baixo vendo quadros e ruas, fazendo compras e amizades, ouvindo músicas e vozes e ruídos urbanos.
comidas incríveis, reencontros, jazz, feira de antiguidades, calorão, metrô, musical, novidades, desejos de consumo, acrobacias, friaca, compras, saudades, risos.
e numa outra terça-feira outro avião e então o rio, os bairros, o conhecido, a cidade, os ruídos, a língua, a ladeira, os tijolos vermelhos, a campainha, e abraço e beijos e o corpo desejado desejando o corpo que chega, e a mulher que habita nele.
que bom chegar.
30.4.10
chegar
transito que quase me faz perder o aviao
voo lotado, sento do lado de um homem enorme, cujas pernas nao cabem no minimo espaco a sua frente, e a direita sobra pro lado da minha esquerda, ele de short, eu de vestido, so o cobertor pra me salvar do contato horrivel. na hora do jantar ele compra duas garrafinhas de vinho e uma coca light, mistura tudo e bebe por interminaveis minutos
do lado direito, um casal com um menino de um ano que gritava, hiperbolico, feliz, e chorava quando tentavam conte-lo, e vomitou quando a mae deu remedio
miami as 4 da matina, imigracao tranquila, cha no starbucks, sanduiche frio "can you heat it up, please" "no mam we don't" "ok thanks"
voo parte dois, feliz com um velhinho chines do meu lado, pequeno e silencioso. menos feliz quando ele tira da bolsa um vidro de azeitonas com cha e bebe direto do vidro
ny 11h, mala demora, transitinho, brooklyn, North 5th street, fe na janela, loura como so em ny se pode ser, abracos na rua, parece que foi ontem, parece que tem anos, mala escada acima, mala escada acima, casinha linda, papo, conversa
que bom chegar
16.4.10
dez
e também tem a coisa de voltar a uma cidade depois de treze anos. treze. é muito. quase a primeira vez de novo. e tem a coisa do templo de consumo absoluto. e eu sou vulnerável nesse quesito. e a lista só cresce.
e aí tem a coisa de ficar sem meu amor esse tempo. duas semanas. duas semanas e dois dias. o tempo passa lento sem ele, como eu já disse em poema do primeiro livro que fecha esse post misterioso:
Na praia escura soam os relógios
Badalam as horas derretidas pelo sol do Ceará
Os ponteiros girando, moles
Aumentam o tamanho dos dias
O tempo muda enquanto passa
E não é o mesmo dentro e fora desse amor
Tem o tempo do trabalho
- dias que voam
E o tempo da saudade
- horas arrastadas
Tem o tempo daqui e o tempo daí
Dalí sabia, por isso espremeu os relógios
O que pinga deles é o sumo das horas
Segundos gotejantes me escorrendo pelos dedos
No tempo que é sem você
13.4.10
atualizando o corpitcho
30.3.10
junta
Tenho só 31 anos, na flor da idade, animada, feliz, cheia de trabalho, amando e sendo amada, comendo bem e (tentando) fazer exercício, mas aí surge um joelho que dói, uma escápula que dói, duas escápulas que doem, uma lombar, e o pulso que acorda duro feito pedra e ai como dói.
Já tentei cuidar de tudo, já fui no ortopedista, no acupunturista, na osteopata. O primeiro me mandou fazer musculação, eu fui, adorei, mas malhar como com dor? O segundo me espetou toda, me encheu de esparadrapos feito um vudu esquisito, e não melhorei nadinha. A terceira será em breve a próxima, volto lá semana que vem depois de dois anos porque ela sim me olhou com cuidado e entendeu que o o joelho doeu porque o quadril pendeu pra esquerda porque eu torci o tornozelo direito há uns seis anos atrás.
Sim, seis anos. Era casamento de uma amiga, rolou aquela ciranda judaica sensacional, o salto do sapato virou e pronto, tornozelo torcido. Gelo, antiinflamatório, e ele ficou bom. Médio. Bom nunca mais ficou. Pega esse tornozelo, bota seis anos e o resultado sou eu agora, 31 anos, já na fase do "junta tudo e joga fora". Mas a osteopata não era o máximo? Era, mas era uma grana, e depois do primeiro mês eu paniquei e nunca mais voltei.
Agora resolvi voltar. E a grana? Tô pensando assim: não comprei tv pra minha ilha de edição, sofá, tecido pra estofar, não vou comprar um computador novo porque o meu tá velho? Então vou comprar um tornozelo novo, um joelho, duas escápulas, um quadril e uma lombar. Não são novos, mas remanufaturados, sabe, que nem tinta de impressora? Tô achando um bom negócio...
