21.1.11

A PALAVRA TODA

Vai ser 2a & 3a no Sesc Copacabana, e eu so posso dizer que fico muito feliz que esse evento exista e muito honrada em participar. O resto o Chacal conta no texto ali embaixo, e a programacao fala por si!




A PALAVRA TODA PARA O RIO

...

O Rio estava com saudade dele mesmo. Aquilo que as circunstâncias separaram, volta organicamente a se juntar. A cultura carioca não pode viver sem ser completa. Fica faltando. O Rio sempre foi uma cidade inclusiva, sede da corte imperial, capital da república até a invenção de Brasília. Uma cidade acima de tudo cosmopolita.


O Rio sempre foi bom alquimista. Do samba-jazz da bossa nova ao samba-rock de Jorge Benjor, ao beat-modernista da poesia marginal, às reuniões de Villa-Lobos, Bandeira, Pixinguinha, Almirante na casa de Tia Ciata. Do rap samba funk de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Marcelo D2 à incorporação da cultura hip-hop pelos nossos mestres Heloisa Buarque e Hermano Vianna. O Rio não precisou de nenhum manifesto modernista. Já tínhamos Noel Rosa.


Uma cidade que sempre esteve próxima à palavra viva com suas rodas de samba, seu partido alto, à grandeza de Vinícius falando seus poemas na noite de Copacabana, à fala em delírio dos poetas marginais dos anos 70 ao rap de D2, BNegão e Black Alien das Batalhas do Real e do Zoeira Hip-Hop na Lapa dos anos 90. Uma cidade assim pede um festival à altura. A PALAVRA TODA vem suprir esta demanda.


A palavra em seus muitos suportes, em seu mais diverso repertório. Espanando o bolor dos puristas, incorporando outras linguagens com a música, o teatro, o mundo digital, A PALAVRA TODA mistura. Mistura a academia com a rua, as mais diversas gerações, mistura a “alta” e a “baixa” cultura, apresenta as diferenças para que nesse atrito, nessa troca, a cultura da cidade volte a fluir.


A palavra poética se tornou muito estigmatizada nesse tempo audiovisual e assim como a cidade de tempos atrás, se bifurcou entre guetos distintos e coisa de especialistas. Mas inspirado nos novos rumos do Rio, juntamos todas as pontas, convocamos suportes que sempre tiveram forte relação com a palavra como a canção e o teatro e invadimos o Espaço Sesc, em Copacabana. Nos dias 24 e 25 um sem-número de poetas de todas as tribos, dos 70, 90 e 00, do rap ao repente, do hip-hop à academia, enfim um batalhão de gente do verbo, da cena e do ritmo para dar força a um unificado e pacificado Rio de Janeiro, dar sentido a esse verão. Ou não.


O Rio tem uma riquíssima tradição no uso da palavra. Seja ela cantada, entoada, falada ou escrita. Aqui nasceram e viveram nossos grandes poetas, músicos e compositores. Do samba à bossa nova, do modernismo à poesia marginal, do neoconcretismo ao tropicalismo, de Nelson Rodrigues ao Asdrúbal Trouxe o Trombone, todos se inspiraram nessa topologia única de montanhas que deságuam no mar.


O Rio sempre foi uma cidade festiva e festeira, de muitos e brilhantes festivais. Durante o verão então, entre turistas de todo lugar, a cidade regurgita sua cultura e natureza nas praias, nas noitadas da Lapa e ensaios das escolas de samba. Rio 40º. Se o Rio comemora a possibilidade de vir a ser uma cidade una, com o direito de ir e vir e de circular por sua imensa geografia cultural, a palavra não pode ficar de fora. Agora que a cidade segue em nova direção, a palavra, padroeira do sentido, instrumento maior de expressão e comunicação, quer estar junto. Agora o Espaço Sesc abre sua gloriosa arena e foyer para um esperado festival de poesia.


A PALAVRA TODA é o festival de poesia que faltava para a cidade. O Rio é poesia, o Rio é A PALAVRA TODA.


Chacal


PROGRAMAÇÃO


DATAS E HORÁRIOS


Espaço Sesc


Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana


De 18 às 22 hs.


Entrada franca.


Tel.: (21) 2547-0156



Dia 24 de janeiro – Espaço Sesc, Copacabana


18h30 – ‘A palavra em cena’ – Paulo José e Ana Kutner

19h – ‘O rapto da palavra’ – MC Nike e Re.Fem

19h30 – ‘Agora é hora’ – Alice Sant´Anna, Augusto Guimaraens Cavalcanti, Pedro

Rocha, Mariano Marovatto, Ismar Tirelli Neto e Gregório Duvivier

20h10 – ‘A palavra contada’ – Numa Ciro e Marcus Vinícius Faustini

20h30 – ‘Noves fora tudo’ – Viviane Mosé, Carlito Azevedo, Felipe Nepomuceno, Valeska de Aguirre e Heitor Ferraz

21h – ‘Coletivos’ – Cachalote (Gabriela Marcondes, Elisa Pessoa, Ana Costa e Andrea Capella)

21h30 – ‘Às margens plácidas’ – Chico Alvim, Charles Peixoto, Ronaldo

Santos, Antonio Cicero e momento K7 com Zuca Sardana

22h – ‘A palavra cantada’ – Letuce (Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos)


Dia 25 de janeiro – Espaço Sesc, Copacabana


8h30 – ‘A palavra em cena’ – Carla Tausz

19h – ‘O rapto da palavra’ – REP (Ritmo e Poesia): Nissin Instantâneo, Ricardinho, Babu, Bidi Dubois e Durango Kid

19h30 – ‘Agora é hora’ – Ramon Mello, Maria Rezende, Marília Garcia, Omar Salomão, Vitor Paiva e Ericson Pires

20h10 – ‘A palavra contada’ – Aderaldo Luciano

20h30 – ‘Noves fora tudo’ – Paulo Henriques Britto, Alberto Pucheu, Carmen Molinari e Masé Lemos

21h – ‘Coletivos’ – Madame Kaos (Beatriz Provasi, Marcela Gianninni, Juliana Hollanda e Arnaldo Brandão)

21h30 – ‘Às margens plácidas’ – Geraldinho Carneiro, Chacal, Pedro Lage, Salgado Maranhão e momento cassete com Armando Freitas Filho

22h – ‘A palavra cantada’ – Fausto Fawcett



Mostra paralela - A poesia toda

Fotos, vídeos e outros objetos poéticos


Alberto Saraiva // Arnaldo Antunes // Alex Hamburguer // André Vallias

Chacal // Christian Caselli // Gabriela Marcondes // GrupoUM

Gustavo Peres // João Bandeira // Lenora de Barros // Márcio-André

Marcelo Sahea // Paulo de Toledo // Renato Rezende // Zuca Sardana



FICHA TÉCNICA


Curadoria

Chacal e Heloisa Buarque de Hollanda


Organização

Ramon Mello


Coordenação Geral

Elisa Ventura


Produção

Camilla Savoia

Luiz Cesar Pintoni

Nanda Miranda


Direção de Arte

Retina 78


Realização

Sesc Rio


Idealização e produção

Aeroplano Editora


Apoio

Blooks Livraria

Retina 78

19.1.11

#3

A Kenia bordou com amor um paninho rendado
A Maria escreveu um poema pra justificar o nome do seu primeiro livro
O Leonard cantou que quando você menor espera o amor te chama pelo seu nome

17.1.11

Sábado à noite

Acaso & invenção de moda, Lia Sabugosa cantando no som, e só depois percebi que a música rezava o que meu amor reza: sorte sorte sorte!

15.11.10

por aqui, por ali

Tem sido mais por ali, mas ai ai, c'est la vie.

Aqui é lugar de poesia e essa musa, que andava meio longe, agora me pegou pela mão e me leva pra restaurantes, palcos, papos, pra ipanema, madureira, centro, e andando juntas ficamos as duas sem pausa pra vir aqui contar.

Oh well. Vai passar. Daqui a pouco chega a saudade de tanto ao vivo e eu volto correndo pros braços do virtual...

27.10.10

Poesia la, poesia ca

Hoje e um dia espremido entre a poesia, e isso so pode ser uma delicia.

Ontem a noite foi de Fernando Pessoa com um jantar de dar agua na boca idealizado pela Ana Roldao na Grand Cru. Estava mais que lotado, as comidas estavam incriveis, as pessoas avidas por poesia e vinho, e eu ainda vendi todos os livros que tinha levado no final - eram poucos, porque como eu podia imaginar que alguem ia querer livros meus sendo a noite do Pessoa? Foi, enfim, absolutamente delicioso!

Amanha a musica toma o lugar da comida, na noite de encerramento do Projeto Gloss, da querida Alexandra Scotti, sobre o qual eu falei bastante aqui. A foto ai embaixo e da primeira noite, que foi cheia de surpresas boas, cantoras incriveis, bandas bacanas, e amanha promete seguir o mesmo rumo!




25.10.10

Amanha


Ja e amanha o jantar totalmente inspirado em Fernando Pessoa, com as comidas de que ele gostava, aula informalissima com a historiadora portuguesa Ana Roldao sobre a vida dele, e poemas e papos sobre a poesia comigo! Eu ja to com agua na boca, e amando o re-mergulho na obra do Pessoa que esse convite ta me proporcionando!

Tem mais informacoes no delicioso site da Manu Cesar, que foi a "cupida" do meu encontro com a Ana!

24.10.10

Comentários queridos

De repente eu estou numa encruzilhada aqui no blog... Tanta gente passa por aqui, vindos por tantos caminhos diferentes, e para, e lê, e curte a ponto de gastar um tempo escrevendo pra mim, deixando impressões, criando um diálogo que é o que alimenta a minha vida de poeta.

Mas a internet tem suas maravilhas e horrores, e de repente eu descubro que o sistema de comentários que eu uso expirou, e agora tenho que pagar pra manter o novo, esse tal JS Kit, da Echo. Mas vocês acham que eles simplesmente sumiram do blog, me abandonaram, me deixaram na mão? Não, eles são fofos! Eles ficaram, firmes e fortes, mas me excluíram do processo. Isso quer dizer que vocês escrevem, mas eu não consigo acessar os comentários, posso ler de fora, mas não ver os emails, e assim não posso manter o diálogo que é a função primeira dessa coisa toda!

Tô aqui indignada. Se eu cancelo o serviço, perco TODOS os comentários do último ano - ou de todos os tempos? Nem sei a dimensão da perda, mas encaro: dane-se! Eu quero tomar as rédeas desse cavalo de novo! Mas não, nem assim, nem disposta a sofrer o apagamento automático de tudo de bacana que já me disseram aqui, nem assim eu posso cancelar esse serviço. Pois se eu estou trancada do lado de fora da minha conta, como cancelar?

O site do JS Kit, do Echo, informa como "uninstall"? Não. É preciso se cadastrar num serviço de comentários interno deles, mandar a pergunta, e esperar uma resposta por email. Sou prisioneira deles, e quando for libertada estarei sozinha nesse blog como estive lá atrás quando comecei, e todos os posts tinham "0 comments"...

Bom, passado o desabafo, escrevo na verdade pra pedir pra quem passar por aqui por esses dias, enquanto eles não me ensinam como cancelar a conta, usar o link ali na esquerda e me mandar email, pra eu não perder o contato de vocês, tá? Então Gessica, Felipe, Grispino, Andreia, João Pedro, Graziela, Zani, Adriana, me mandem email, esse tempo todo eu quis falar com vocês e não conseguia, não desistam de mim não...

Vou gastar o tempo que não anda sobrando muito relendo tudo que der, pra me despedir de tanto carinho, certa de que, livre do Echo, seremos todos muito mais felizes por aqui!

#dramaqueen perde!

17.10.10

Corujice assumida

O domingo veio com tudo: logo de manha dei de cara com minha irma, Julia Rezende, na capa do Globo, na chamada da materia da Revista do Globo, e o textinho sobre ela la dentro e de aumentar ainda mais o orgulho, porque a cacula realmente faz e acontece, competencia pra dar e vender, viu?





Ainda mais porque calhou lindamente da materia sair hoje, dia em que estreia a serie Adoravel Psicose, estreia da Ju na tv, assinando a direcao junto com o Guga Chermont. A serie nasceu do blog da Natalia Klein, que assina o roteiro e ainda protagoniza a serie como atriz. No site do canal ja tem uns trechinhos hilarios!

Hoje, dia 17/out, e a partir de agora todo domingo, 22h30, no Multishow!!


9.10.10

Poesia poesia poesia!


Sumi, e volto cheia de boas notícias!

Outubro e novembro vão ser meses costurados por eventos de poesia, sopros deliciosos no meu cotidiano atarefado de montadora de uma série de tv bacanérrima que estréia em janeiro na TV Brasil, e da qual eu vou falar muito aqui mais pra frente.

Por hora, a poesia. A agenda começou com a minha participação pelo segundo ano seguido no Projeto Gloss, da querisíssima Alexandra Scotti, que reúne cantoras, compositoras e bandas femininas. Esse ano serão duas noites, dia 14 foi estreia com shows otimos e a participacao especialissima dos meninos do Les Pops mostrando seu lado mais feminino, um estrondo!

Pra quem perdeu tem mais Gloss no dia 28 de outubro, no Espaço Rio Carioca, em Laranjeiras. A poesia fica por minha conta e da super Lidoka, e a programação completa está aqui.



Depois vem um evento inovador e bacanérrimo, obra da minha mais nova amiga, a animadíssima historiadora portuguesa Ana Roldão. Ela pesquisa sobre alimentação e organiza aulas-jantares temáticas no Grand Cru de Ipanema, com harmonização de vinho e tudo mais! Já teve sobre a Família Real Portuguesa, sobre a culinária do Egito, e a próxima será sobre Fernando Pessoa, com poesias faladas por mim! Dia 26 de outubro, 3a, às 20h.



Daí vem novembro e dois convites deliciosos. Dia 11 vou falar numa mesa-redonda no SESC Madureira, ao lado do Omar Salomão, com mediação da Diana de Hollanda. É parte de um evento chamado Paixao de Ler, e o convite veio na esteira da participação no ENTER, a sensacional antologia de poesia digital da Heloísa Buarque organizada pelo meu queridíssimo Ramon Mello.

E fechando com chave de ouro a programação, no dia 17 de novembro, ao meio-dia, estarei participando do Poesia no SESI, evento organizado pelo Claufe Rodrigues e pela Mônica Montone que vem homenageando grandes poetas e mostrando a produção dos novos nesse horário perfeito pra quem quer um pouco de cultura, e não só comida, na hora do almoço.

Assim sendo, a poesia me pegou de novo pela mao e estamos andando juntas por ai esses tempos. Vai ser lindo ter voces com a gente!

21.9.10

Poesia + Primavera + Penteadeira


Tudo comecou na festa de 2 anos do Manas, estudio de yoga da minha querida Luciana Leon (e sim, é ela lindona na foto do site!). Foi la que eu conheci a Livia Velludo, ela descobriu minha poesia, eu descobri as roupas lindas da marca dela, a Honky Tonk, e dai veio o convite pra eu participar desse evento-delicia.

Eu ainda nao conheco A Penteadeira, mas ja amei tudo: a ideia de misturar salao de beleza com brecho, a cara da loja toda frufru, toda mulherzinha, a ideia de fazer eventos em que as pessoas possam comprar lingerie ou vestidos, fazer a unha ou uma escova, bater papo ou ouvir poesia, enfim, adorei tudo!

Entao nesse sabado, dia 25, estarei la a partir de 13h dando um trato no meu look, sendo tentada pelas roupitas lindas da Livia e mais um monte de delicias! Aparecam!


A PENTEADEIRA
Rua Visconde de Piraja 156, loja 217 - Ipanema
Tel: 22267 5525

28.8.10

Arrumando os poemas da madrugada - parte 1

Provavelmente é você

que me persegue por ruas e sonhos

Provavelmente dá certo

mas pode muito bem ser que não



Se temos presente e passado

Se temos planos de futuros

Possa ser que seja eu a sua mulher

pode ser pra vida inteira e pra depois



(Depois do futuro vem o que?

Pode ser que a gente chegue lá?

Como saber quando se chega
pra poder parar de tentar?)



Provavelmente sou eu

a mulher que te ama em segredo

Por mais que eu grite

por maior o espalhafato


O amor é sempre escândalo secreto

Provavelmente que sim.


xxx

Menos.
Amar menos.
Eu quero.
Menos você, eu quero.
Eu quero amar menos você.
Menos eu, eu vou ser,
mas melhor,
portanto mais.
Mais.
Eu quero.

xxx

"A casa da saudade é o vazio" (Moska & Chico Cesar)

Saudade é casa vazia.
A casa da saudade é a pessoa.

Duas pernas, dois braços, ou nenhum de cada um,
mas peito, pau, vértebras, pentelhos

Saudade é o anti-vazio
vozes povoando o ouvido onde pro mundo só há silêncio

No vazio não tem nada
e saudade é pra quem sente

A casa da saudade é a pessoa.

Porque o Moska é inspirador

Provavelmente é você

que me persegue por ruas e sonhos

Provavelmente dá certo

mas pode muito bem ser que não



Se temos presente e passado

Se temos planos de futuros

Possa ser que eu seja sua mogli

pode ser pra vida inteira e pra depois



Depois do futuro vem o que?

Pode ser que a gente chegue lá?

Pode ser que já tenha chegado?



Provavelmente sou eu

a mulher que te ama em segredo

Por mais que eu grite

por maior o espalhafato

o amor é sempre escândalo secreto



Provavelmente que sim.

xxx

Menos.

Amar menos.

Eu quero.

Menos você, eu quero.

Eu quero amar menos você.

Menos eu, eu vou ser,

mas melhor,

portanto mais.

Mais.

Eu quero.

xxx

"A casa da saudade é o vazio" (Moska & Chico Cesar)

Saudade é casa vazia.

A casa da saudade é a pessoa.

Não existe saudade no vazio.

Duas pernas, dois braços, ou nenhum de cada um,

mas peito, pau, vértebras, pentelhos

A saudade é o anti-vazio

vozes povoando o ouvido onde pro mundo só há silêncio

No vazio não tem nada

e saudade é coisa de quem sente

A casa da saudade é a pessoa.

(poemas de guardanapo do Canecão na noite de estréia do lindo e foda show do Moska, "MuitoPouco", alegriainspiração, quase uma profusão em tempos de tão pouca escrita por aqui, muito, muito, lararirara)

17.8.10

assim assim

o silêncio tem suas portas
mas nem sempre eu tenho a chave:
o que se deseja e do que se foge
o simples disfarçado de complicado

quando a casa usa pantufas
e os barulhos são só meus
tem conforto e aconchego
não tem medo nem espanto

tudo é dentro mas nem tudo é mar
tudo é vento mas nem tudo é ar
tudo é centro mas nem sempre ali
tudo promete mas nem tudo vai se cumprir

9.8.10

pai

tem quem tem

tem quem não tem


tem quem curte

tem quem sofre

tem quem baba

tem quem briga


tem quem teve e quem nunquinha


tem quem não vai sem ele à esquina

tem quem dá de ombros e sublima



mas ninguém prefere ser sem


ninguém

26.7.10

Dia da Pessoa

Roubei da Camila porque achei foda, e assino embaixo.
Fui fuçar e descobri que foi feito pelo pessoal da Lápis Raro, uma agência de publicidade da qual eu nunca tinha ouvido falar, mas que eu super contrataria se tivesse alguma coisa pra anunciar e morasse em Belo Horizonte.


19.7.10

De onde nasceu o poema ali embaixo

música :: onda de comunicação de fábio lima, por lucas vasconcellos no show da banda lettuce na casa da gávea)



+

Ausência
(Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

14.7.10

esta noite escrevo

quando chove e você fica preso entre latarias e luzes derretidas
quando o vermelho é a cor da noite
quando a comida na barriga não curte o espetáculo
e o ponto de gatilho no nordeste das costas te cutuca

de repente uma voz de homem avisa
"eu tive uma onda de comunicacao"
e o amor que não se faz naquela sala naquela hora
brilha muito mesmo assim, na ausência

a ausência não é falta, outro homem me diz
mas as roupas sem mais uso no armário não querem saber de poesia
todo o tempo do mundo em que se amou alguém vai doer um dia
cada palavra, cada segundo

eu prefiro essa dor - longe, longe, muito longe
eu quero essa dor do amor demais
eu quero a inevitável dor do fim - mais, muito mais
que a infinita dor do não

1.7.10

Enquanto não escrevo, leio


Grammar

Maxine, back from a weekend with her boyfriend,
smiles like a big cat and says
that she's a conjugated verb.
She's been doing the direct object
with a second person pronoun named Phil,
and when she walks into the room,
everybody turns:

some kind of light is coming from her head.
Even the geraniums look curious,
and the bees, if they were here, would buzz
suspiciously around her hair, looking
for the door in her corona.
We're all attracted to the perfume
of fermenting joy,

we've all tried to start a fire,
and one day maybe it will blaze up on its own.
In the meantime, she is the one today among us
most able to bear the idea of her own beauty,
and when we see it, we do what is natural:
we take our burned hands
out of our pockets,
and clap.

(do livro "Donkey Gospel", de Tony Hoagland, poeta americano que eu conheci por dica do Mr Luis Bravo, marido da muito querida Mrs Fernanda Rowlands Bravo, na minha recente temporadinha na America de cima. Pirei com o cara, trouxe três livros, e resolvi compartilhar. Aqui embaixo minha mui humilde tradução.)

Gramática

Maxine, na volta de um fim-de-semana com seu namorado,
sorri feito um gato grande e diz
que é um verbo conjugado.
Ela está fazendo o objeto direto
com um pronome da segunda pessoa chamado Phil,
e quando ela entra
todo mundo se vira:

tem uma espécie de luz saindo da sua cabeça.
A os gerânios parecem curiosos,
e as abelhas, se estivessem aqui, zuniriam
de forma suspeita em volta do seu cabelo, procurando
a porta pra sua coroa
Somos todos atraídos pelo perfume
da alegria fermentando,

todos tentamos começar um fogo
e um dia talvez ele queime por si só.
Por hora, ela é hoje aquela de nós
mais capaz de suportar a ideia da sua própria beleza,
e quando a gente a vê, faz o que é natural:
tira nossas mãos queimadas
dos bolsos,
e aplaude.

30.6.10

Puizia

Passei no blog do Pedro e li isso aqui:

Haikão de segunda

Penso em vão...
Quantas doses de transgressão
podem salvar uma instituição?

Daí me lembrei disso aqui:

Dias de afã e frenesi
fudendo homens magros e a cabeça pelas noites

O amor apareceu e foi quase banal
foi como se fosse normal aquele olhar entre os passantes
como se houvesse ainda cavalo e, portanto, rédeas
quando na verdade era tudo já galope, disparada

Pode conter mais tremor o caseiro que o mundano?
pode o veneno habitar o lar?
cabem certezas na inquietude?

O amor é jangada de pedra,
ilha desconhecida
barco sempre à deriva

Se pode gritar "terra à vista!"
mas não pisar lá - terra firme
o amor é navegar

(poema nascido na última hora antes de publicar o Bendita Palavra, que entrou lá no finalzinho do livro)



20.6.10

Inicio e queixo

Foi ali que tudo comecou, minha vida de dizer poesia, muito antes de começar a escrever os meus próprios poemas. O Pedro Cezar, meu amigo muito querido, estava lá também, como aluno da segunda turma de oficinas de poesia falada que a Elisa Lucinda já dava em várias viagens pelo Brasil, mas nunca tinha dado no Rio. Dali nasceu a Escola Lucinda de Poesia Viva, que nessa época funcionava na casa da Elisa, no Leblon.

Essas duas turmas iniciais viraram um grupo, o Te pego pelo verso, que fazia recitais de poetas que a gente amava. Todo esse momento foi registrado pela camera do Pedro e da Paula Fiúza, e virou esse documentario incrível sobre um momento muito especial da minha vida, onde nasceu a poeta que eu sou hoje. A Elisa fala ali sobre o desejo de formar um mercado de trabalho, e eu me orgulho de hoje, mais de dez anos depois, ter publicado dois livros, dois cds de poesia, e ganhar cachês pra me apresentar dizendo meus versos por aí.

A cereja do bolo é o registro luxuoso do recital de Fernando Pessoa que a gente fez no Consulado de Portugal e que foi palco da incrivel pegada no queixo da qual eu falo no post ali embaixo. Muito obrigada à Paula e ao Pedro pela chance de reviver aquela noite linda. Mas a pegada no queixo vive só na memória, e que delícia, uma lembrança só minha com o Saramago...

PARTE 1





PARTE 2

18.6.10

Perdi

Ele não vai mais ler meu livro. Nunca mais vai segurar meu queixo e falar com sotaque que é uma beleza me ouvir dizer os versos de Pessoa. Não vai lancar novos livros que eu compraria depressa e leria com calma, adiando as ultimas páginas porque sabia que levaria ainda um ano ou mais pra sair o próximo. Não vai ter proximo, e eu vou gastar noites relendo as histórias de Blimunda comendo pão de olhos fechados pra não ver dentro do seu amado, e Joana Carda com sua vara de negrilho partindo o chão da Península Ibérica, e a mulher do médico enxergando por todos os cegos, e a morte que pediu autos numa cidade qualquer, e Jesus numa conversa dura com deus e o diabo numa canoa no meio do mar, e Caim revoltado com a injustiça divina.

Por causa dele perdi um voo em Los Angeles sentada na frente do portão de embarque, mergulhada em não sei qual livro. E os exemplares que restam do substantivo feminino, que eu justifico guardar pra "se um dia o Saramago vier aqui em casa", perderam seu leitor mais importante.

Nunca pensei que houvesse em mim lágrimas por alguém impálpavel, longe do alcance da minha mão. Mas se ele me pegou pelo queixo naquela noite em Botafogo, eu menina de coque e colar de muitas voltas, nervosa de dizer com meu sotaque carioca os poemas que ele devia conhecer há tão mais tempo, ele me pegou pelo queixo como avô, como mestre, e eu nunca deixei pra lá esse momento. Em tudo que eu escrevo ele vive, em tudo que eu leio e me toca o toque dele esteve antes.

É sexta-feira de sol, a Sérvia ganhou da Alemanha, meu amor saiu cedo pro trabalho e eu arrumo a casa de camisola e meias. A vida segue seu curso, mas mais triste. E a dor de cabeça leve que vai vir das lágrimas que agora correm vai me lembrar o dia todo, na reunião, no almoço, no encontro com os amigos, que não tem mais ele no mundo real. Que bom que tem no meu.

2.6.10

SMS

Meia-noite e cinco, acaba o filme no dvd, nos levantamos do sofá preguiçosos e ainda envolvidos pelas histórias da gente que vivia na tela, toca o aviso de mensagem no celular. Não é hora de recados, em geral, e o que eu leio confirma o caráter nada habitual do acontecimento: "Obrigado, por me ensinar a amar o papel em branco e a caneta." O número é desconhecido, a mensagem não tem remetente e eu não respondo mensagens de desconhecidos.

Vou dormir e só me lembro de novo da mensagem agora de tarde, e aí reparo que além do celular tem um DDD, 87. Isso é Pernambuco, mas não é Recife, é interior. Me espanta e me alegra que em algum desses lugares, tão longe de onde eu vivo e das livrarias que vendem meus livros, alguém me descubra, me leia, se encante, e queira me dizer isso.

Confesso que esperaria receber esse recado por email, ou mensagem aqui no blog. Que alguém em algum desses lugares, tão longe de onde eu vivo e das livrarias que vendem meus livros, tenha meu número de telefone me assusta um pouco. São tempos estranhos, em que uma rede invísivel nos espalha democraticamente ao mesmo tempo em que nos tira um tanto de privacidade, e é esquisito quando acontece com a gente. Na tentativa de ser pública e discreta, acho que ando conseguindo um bom equilíbrio, mas às vezes a corda balança e a gente não sabe bem de onde veio o sopro. Que seja um sopro doce, então.

25.5.10

Honre o dom

A expressão é da Elisa, minha querida amiga e mestra. Mas me veio hoje no texto da Carrie, que me fez um bem danado nessa terça-feira nubladinha no Rio. Gosto de acreditar que tô honrando os meus talentos, na poesia e na montagem.

Meu pai diz que é um absurdo que as pessoas queiram pagar pelo esterco quando você produz orquídeas, querendo dizer que eu devia ganhar dinheiro mesmo era com a poesia, que é o meu melhor. Essas orquídeas são difíceis de vender, e no meu caso o esterco é bem limpinho e gostoso de produzir: eu adoro montar, é um trabalho criativo e autoral, então estou mais do que no lucro, vivendo do que eu gosto e fazendo o que eu amo por aí.

E é sempre bom ler um texto relembrando a importância disso em que eu acredito tanto: ser feliz no cotidiano, e não uma vez por ano.


14.5.10

vai e vem

a brincadeira é: viver a vida da fê. uma semana de andar por nova iorque e brooklyn, sem pressa, sem querer nada além de estar ali com aquela pessoa querida, e conhecer sua casa, sua cidade, suas tarefas, seus prazeres, seu amor.

depois chega a caçula e começa o afã de ver, fazer, ir, estar, lá, cá, lá de novo, vamos, vamos, e cruzamos o mapa de cima a baixo vendo quadros e ruas, fazendo compras e amizades, ouvindo músicas e vozes e ruídos urbanos.

comidas incríveis, reencontros, jazz, feira de antiguidades, calorão, metrô, musical, novidades, desejos de consumo, acrobacias, friaca, compras, saudades, risos.

e numa outra terça-feira outro avião e então o rio, os bairros, o conhecido, a cidade, os ruídos, a língua, a ladeira, os tijolos vermelhos, a campainha, e abraço e beijos e o corpo desejado desejando o corpo que chega, e a mulher que habita nele.

que bom chegar.

30.4.10

chegar

transito que quase me faz perder o aviao

voo lotado, sento do lado de um homem enorme, cujas pernas nao cabem no minimo espaco a sua frente, e a direita sobra pro lado da minha esquerda, ele de short, eu de vestido, so o cobertor pra me salvar do contato horrivel. na hora do jantar ele compra duas garrafinhas de vinho e uma coca light, mistura tudo e bebe por interminaveis minutos

do lado direito, um casal com um menino de um ano que gritava, hiperbolico, feliz, e chorava quando tentavam conte-lo, e vomitou quando a mae deu remedio

miami as 4 da matina, imigracao tranquila, cha no starbucks, sanduiche frio "can you heat it up, please" "no mam we don't" "ok thanks"

voo parte dois, feliz com um velhinho chines do meu lado, pequeno e silencioso. menos feliz quando ele tira da bolsa um vidro de azeitonas com cha e bebe direto do vidro

ny 11h, mala demora, transitinho, brooklyn, North 5th street, fe na janela, loura como so em ny se pode ser, abracos na rua, parece que foi ontem, parece que tem anos, mala escada acima, mala escada acima, casinha linda, papo, conversa

que bom chegar

16.4.10

dez

dez dias pra próxima viagem. vai ter reencontro com pessoa querida depois de oito meses, vai ter reencontro com pessoa querida depois de quatro meses, vai ter reencontro com pessoa querida depois de cinco anos. cinco anos sem ver alguém e ainda com vontade de ver é muito, não é? e na última vez em nos vimos também tinha isso, cinco anos que não nos víamos. bom manter uma amizade assim, apesar dos cinco anos de distância entre cada encontro. mas não é sempre suficiente, sabe, por isso pego um avião e vou. e a saudade que eu tinha guardado num lugar secreto porque era preciso agora desvenda as frestas, sai abrindo gavetas e caramba, os dez dias ficam muito.

e também tem a coisa de voltar a uma cidade depois de treze anos. treze. é muito. quase a primeira vez de novo. e tem a coisa do templo de consumo absoluto. e eu sou vulnerável nesse quesito. e a lista só cresce.

e aí tem a coisa de ficar sem meu amor esse tempo. duas semanas. duas semanas e dois dias. o tempo passa lento sem ele, como eu já disse em poema do primeiro livro que fecha esse post misterioso:

Na praia escura soam os relógios
Badalam as horas derretidas pelo sol do Ceará
Os ponteiros girando, moles
Aumentam o tamanho dos dias

O tempo muda enquanto passa
E não é o mesmo dentro e fora desse amor
Tem o tempo do trabalho
- dias que voam
E o tempo da saudade
- horas arrastadas

Tem o tempo daqui e o tempo daí
Dalí sabia, por isso espremeu os relógios
O que pinga deles é o sumo das horas
Segundos gotejantes me escorrendo pelos dedos
No tempo que é sem você

13.4.10

atualizando o corpitcho

A estratégia está dando certo. Osteopata sensacional, na primeira sessão já saí outra. Ela ficou completamente passada com o estado do meu corpo - o que não sei se é orgulho do tipo "estão vendo o que eu passei?" ou vexame do tipo "como é que eu fui ficar assim". Hoje voltei lá meio ruim de novo, porque ontem teve feira, hoje teve pedreiro, e teve uma longa caminhada porque voltar de ônibus de copacabana pra gávea não é tão simples assim. Mas semana que vem tem mais, e eu tô animadíssima com o investimento.

30.3.10

junta

É infame a piadinha, e velha ainda por cima, mas nada melhor a dizer no momento. É que eu tô com problema de junta, sabe? Junta tudo e joga fora.

Tenho só 31 anos, na flor da idade, animada, feliz, cheia de trabalho, amando e sendo amada, comendo bem e (tentando) fazer exercício, mas aí surge um joelho que dói, uma escápula que dói, duas escápulas que doem, uma lombar, e o pulso que acorda duro feito pedra e ai como dói.

Já tentei cuidar de tudo, já fui no ortopedista, no acupunturista, na osteopata. O primeiro me mandou fazer musculação, eu fui, adorei, mas malhar como com dor? O segundo me espetou toda, me encheu de esparadrapos feito um vudu esquisito, e não melhorei nadinha. A terceira será em breve a próxima, volto lá semana que vem depois de dois anos porque ela sim me olhou com cuidado e entendeu que o o joelho doeu porque o quadril pendeu pra esquerda porque eu torci o tornozelo direito há uns seis anos atrás.

Sim, seis anos. Era casamento de uma amiga, rolou aquela ciranda judaica sensacional, o salto do sapato virou e pronto, tornozelo torcido. Gelo, antiinflamatório, e ele ficou bom. Médio. Bom nunca mais ficou. Pega esse tornozelo, bota seis anos e o resultado sou eu agora, 31 anos, já na fase do "junta tudo e joga fora". Mas a osteopata não era o máximo? Era, mas era uma grana, e depois do primeiro mês eu paniquei e nunca mais voltei.

Agora resolvi voltar. E a grana? Tô pensando assim: não comprei tv pra minha ilha de edição, sofá, tecido pra estofar, não vou comprar um computador novo porque o meu tá velho? Então vou comprar um tornozelo novo, um joelho, duas escápulas, um quadril e uma lombar. Não são novos, mas remanufaturados, sabe, que nem tinta de impressora? Tô achando um bom negócio...