24.3.11

Tem preço sim

"Mastercard: não tem preço!"

"Quer reativar seus pontos para trocar por vantagens?

Pague apenas 6 de 58,90, senhora Maria!"


Não existe almoço grátis

Nem pontos grátis

Nem felicidade grátis


O preço pode ser ótimo

Pode ser um bom negócio

Mas tudo custa nessa vida


Custa notas

Cacos de sonhos

Custa dores no peito, noites de febre


"Mas trocar por quais produtos, senhora?

Como decidir sem ver a lista das vantagens?"

"A senhora irá receber em sua casa o informativo, senhora Maria"


O informativo nunca chega antes da decisão

É preciso escolher no escuro, dizer "sim" e confiar no que virá

Eles pelo menos mandam uma listinha depois...

21.3.11

Você


Achei a foto e a frase no Barbaridisses, blog sempre bom da Barbara Geluda.
Nunca tinha ouvido essa frase mas o conceito caiu como uma luva.

BE YOURSELF.
EVERYONE ELSE IS ALREADY TAKEN.

Oscar Wilde foi na veia.
Agora é com a gente viver isso.
Eu quero e vou.

20.3.11

#16


Pois agora eu escrevo de novo. Poemas. Novos.
E pode? Pode.
Então pintei os olhos pra piscar devagar e ler em voz alta.
Devendra cantou suave e o Bokel emprestou uns olhos pro cenário.
Achei bonito.
Um por dia enquanto for legal #16.

18.3.11

A garotinha deles


Ontem entrei no site da Miranda July, uma artista americana das que eu mais admiro hoje, que faz performances e filmes e exposições, e fiquei super tocada por uma peça dela, que faz parte de um "jardim de esculturas" criado pra Bienal de Veneza que ela chamou de "11 Heavy Things". São peças feitas pro público interagir, e uma delas, que tá nas fotos, me fez pensar muito em como eu me sinto hoje.

Em como é legítimo e delicioso que os pais amem seus filhos e queiram pra eles nada de sofrimento ou dúvidas.
E me intrigou que a exposição se chame "11 coisas pesadas", porque pela primeira vez na vida senti que amor e proteção, que são a base que me sustenta, privilégio que eu tanto celebro e do qual tanto usufruo, podem também ser pesados. e descobri que cabe a mim fazer ser leve, pra não desperdiçar o presente. e tô fazendo. e vou fazer.

Tô subindo virtual no estande-escultura dela pra dizer que:
Eu posso ter alguns problemas que meus pais tiveram.
E posso ter outros.
E meu coração pode se partir.
E posso me sentir humilhada.
E a insegurança pode destruir meus sonhos.


E isso vai ser parte de uma vida muito mais boa e bela. E vai me fazer crescer pra ser a mulher que eu posso e quero ser.

O amor deles é o colchão macio pras minhas quedas.
E que bom, e obrigada, porque com medo de cair nem de bicicleta se anda, e eu quero voar alto nessa vida!



16.3.11

#15



Antídoto.
Cat Power no som, palavras querendo curar e eu deixo.
Um por dia enquanto for legal #15.
Beijobomdiaagoraeuvoudormirdenovo.

14.3.11

#14



O que eu devo fazer com esse tijolo que caiu do seu pescoço?
Devo embrulhar em bandeiras ou jornais e simplesmente devolver?

(Blair & Dale Wilson cantaram ao vivo no Urbana, o slam de poesia do Bowery Poetry Club, lá em NY, em 2003)
(a Maria andou e correu pelo jardim do sítio, e muito depois escreveu e disse um poema triste)

Um por dia enquanto for legal #14.
Demorou mas abalou.

13.3.11

hoje

se o chão não é mais embaixo e o teto não em cima
se o vento arranha e a chuva arde
se o impacto da pancada anestesia ao invés de arroxear
quando as palavras perdem a força
quando o azul vira palidez e a beleza não é mais nada

fazer o quê com o peito que não ouve nem fala?
as mãos agem
as pernas agem
a água do chuveiro cai e age

o sentimento não
o sentimento parou numa tarde cinza
uma cadeira dura
uma notícia dura
e a tristeza nos olhos de quem vê o corte, e não de quem perde o sangue

eu não fujo mais de nada
mas não mergulho na piscina de desespero
eu sento na beirada
eu não morro
eu vivo
eu sento na beirada e espero a dor chegar

Do Maatz

"Ele erra porque vê tudo com bons olhos, em um tirar leite de pedra que apenas revela a cegueira de quem quer - e acha que querer basta - que o mundo tenha sentido. O mundo tem mais o que fazer. Sentido é coisa de gente, não é coisa do mundo."

lá do Maatz.
sempre bom.

12.3.11

Isso é sábado?

Se emocionar com o flash mob da TAP no Galeão
- que não, nunca se chamará Antônio Carlos Jobim -
em dia de alegrias cheias de esperança
em noite de ondas gigantes em japonês
e dos textos da dor de uma mãe
artista
grávida
em tratamento contra um câncer
para reaver a guarda do filho

É mais que beijo de novela:
é gente brasileira dançando no aeroporto
tanto sorriso e meus olhos marejados

Ando tão à flor da pele que.

(isso e isso e isso aqui)

26.2.11

#13



Foi outro dia. Outro sábado? Outro dia.

Um poema que tem o nome do livro onde mora, uma Madalena cantando o vento do verão, e eu escrevendo escrevendo escrevendo.

Um por dia enquanto for legal #13.

24.2.11

#12



O fim de um dia de muito trabalho e muita areia numa praia chamada Sossego

Um dos primeiros poemas que eu escrevi e que estava esquecidinho no "substantivo feminino" desde 2003

Tom Zé estudando o samba e proclamando que a felicidade vai desabar sobre os homens

Tá desabando

Não se proteja

21.2.11

Mais Rosa

"O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso..."
(Rosa no Grande Sertão)

19.2.11

17.2.11

Bóia


Acorda, Maria
(Carlos Drummond de Andrade)

Acorda, Maria, é dia
de festival.
Violas já vem dançando
no doce do canavial.
Acorda, Maria, é dia
de prazer municipal.
A bebida está pedindo
pra ser bebida
a comida reclamando
pra ser depressa engolida
a risada quer ser rida
o namoro namorado
o peixe quer ser pescado
o sonhado ser vivido.

Maria, acorda que é dia de acontecer
de casar e de ter filhos
e cada filho crescer
e tomar seu rumo
e tomar seu rumo
e alguém na varanda
soletrar o espaço.

Acorda, Maria, é dia
de matar formiga
de matar cascavel
de matar tempo
de matar estrangeiro
de matar irmão
de matar impulso
de se matar.

Acorda, Maria,
todos já de pé
muitos já correndo
a gritar por ti.
Quem dorme no bairro, quem?
Não há paina de dormir
quando se espera o sinal
dentro do sinal fechado
e milhões de sinais
escondem o sinal.
O sinal afinal
é sim ou al?
E se ele apaga
antes de acender?
se ele acende
e ninguém entende?
Maria, acorda, é dia
de esperar a vida inteira
pelo sinal.

Acorda, Maria: é dia
de dizer que é dia
de fingir que é dia
de preparar o dia
de ir na folia
esquecer que não é mais
ou ainda não é dia.

Acorda que o telefone
está chamando, Maria.
O navio está apitando
e vai soando a sineta
do presídio.
Esvoaça
a papeleta do fiscal.
A mãozinha da garota
bate no portal.
Acorda, Maria, é samba
sem carnaval.

É dia
de tirar a roupa da alma
no sofá
de pesquisar o verme
em cada maçã
de inventar o verme
a cada manhã
de saborear o verme
que nem hortelã.

É dia, atenção, de sexo
há milênios recalcado.

A vara e a concha unidos
no abraço fotografado
e tudo em verde fichado
pra ser bem computado.
Quem tem amores, desame-os
quem tem baú, que o destampe
quem não tem nada, que tenha
o que que ter pra contar.

Depressa, Maria, a praça
é uma orelha gigante
que não escuta e que passa.
Mas acorda por favor
ou por violência. É dia
de prestar contas, é dia.
Foi antecipado
o Juízo Final.
Em cada quarteirão
o oficial de justica
divina
faz a citação
sem abrir a boca
e os nomes se imprimem
na retina
as sentenças se gravam
na pele.
Acorda, Maria, assiste
a teu julgamento em código.

Principalmente, Maria,
é dia
dia constante e durante
acima dos cem mil dias
dia so, dia sem dia
sem outro dia que diga
tudo que cabe num dia.
E um dia sem folhinha
sem gala de alvorecer
sem vontade de fluir
sem jeito de findar.

O que lhe falta em clareza
e sobra em altura
e resta em desejo
ninguém decifra.
É dia, Maria, dorme
até que passe este dia!

...

(não vou dormir nem morta. não perco um minuto desse dia.)
("o que lhe falta em clareza e sobra em altura e resta em desejo ninguém decifra".)
(é um privilégio ter esse nome.)

15.2.11

Guimarães em falso verso

"Aqui digo: que se teme por amor,
mas que, por amor também,
é que a coragem se faz."

(Guimarães Rosa em "Grande Sertão: Veredas")

13.2.11

#11

Itaipava
um cacho de bananas rosas
meu poema mais famoso
música peruana
boa companhia
=
uma noite de gargalhadas
+
"Um por dia enquanto for legal" #11


12.2.11

Quem disse que ia ser fácil?


é tomar cápsulas de falta pra ficar mais forte
é como o último xixi antes de pegar a estrada
é uma medida provisória que apavora o país

são as razões rindo da minha cara
é como um absurdo, um porre permanente
é testar limite, é o certo por curvas muito doidas

é ainda outra espécie de velhice
é tentar encher de areia o buraco da explosão
são os 26 medos fundidos em um

é um vale-ingresso prum parque em obras
é como um aborto, uma violência
é arrancar o peito antes do câncer

(quem disse que ia ser fácil?)
(ninguém disse)

10.2.11

De alma nua na boca do Riobaldo

"Acho que eu não tinha conciso medo dos perigos: o que eu descosturava era medo de errar - de ir parar na boca dos perigos por minha culpa. Hoje, sei: medo meditado, foi isto. Medo de errar. Sempre tive. Medo de errar é que é a minha paciência."

(Guimarães Rosa em "Grande Sertão: Veredas")

TUDO É TAO CLANDESTINO, TANTA COISA É POSSIVEL,
QUE A VIDA É O NÃO-RESUMO DE UM MILAGRE.
(Guimarães Rosa em "Ave Palavra")

7.2.11

No susto

Tem coisas que se a gente planejar demais nao faz.
Se deixar o medo do que pode acontecer dominar, desiste.
Ou adia demais.
E parece que quando a gente destampa a valvula da coragem as mudancas vem em cascata, num esquema meio arrancar o dente de uma vez, puxar o bandaid sem hesitar, no susto.
E foi assim que no domingo de manha eu nem pensei em nada e mudei a cara do blog, e adorei a mudanca!
E foi assim que hoje eu percebi que perdi todos os comentarios ja feitos aqui desde 2004.
Todos.
Assim, no susto.
Eu ja tinha falado disso aqui, do meu medo disso acontecer.
Mas sabe do que mais?
Nem doeu tanto assim.
Eu ja li e reli cada coisa bonita e bacana que me disseram, cada eco do que eu escrevo, e ta tudo guardadinho aqui comigo, nao num html qualquer, mas no fundo do peito.
E mais: tanto do carinho espalhado aqui foi fundamental pra eu seguir, pro segundo livro sair, que nao fazia mesmo sentido ficar presa justo no que foi asa pra eu voar mais alto.
Entao comeca agora uma outra era, e eu vou ficar felizinha a espera dos novos ecos das minhas palavras e imagens por aqui!

#10

A Nina provocou

A Céu foi na veia

A Maria escreveu, leu, se exibiu

Um por dia enquanto tralálá!



6.2.11

O que é e o que não é

é gincana, é?

é prender o fôlego embaixo d'água?

é segurar o halter lá no alto aquele segundo a mais?


não é


é decisão carinhosa, é convicção, é movimento

é corrida de longa distância, é prova de fogo, é maratona,

nada de pressa: é constância


é aceitar o risco pra voar mais alto

é andar sobre brasa pra não pisar em ovos

é o inimaginável pra chegar no tão sonhado


é amor, é cuidado, é uma espécie de fé

é coragem espremida até o caroço

é crença profunda, sumo de desejos


é uma entrega

é a anti-preguiça, é porque é enorme

é um sim muito intimo


é um sim

4.2.11

#9

A musa do século 21 = Mulher Maravilha?

Quando ele diz que gosta é de mulher, mulher de qualquer jeito, pode ser do nosso?

27.1.11

#7




Letuce canta "Cataploft" na arena do Sesc nA Palavra Toda - jan.2011
Maria canta "Cataploft" e fala um poema sobre pés&música
.:.identificação&encontro&"vocêtirouaspa­lavrasdaminhaboca"&beleza&absurdos&corag­em&crença.:.

23.1.11

#6


O girassol era pros pais da menina de mar no nome e ondas nos cabelos, mas eu também não mereço alegria em forma de flor?
Aí o Otto encheu as caixas de som, e achei meu poema mais esquisito.
Um por dia enquanto for legal.
Tá sendo.

21.1.11

#4

A PALAVRA TODA

Vai ser 2a & 3a no Sesc Copacabana, e eu so posso dizer que fico muito feliz que esse evento exista e muito honrada em participar. O resto o Chacal conta no texto ali embaixo, e a programacao fala por si!




A PALAVRA TODA PARA O RIO

...

O Rio estava com saudade dele mesmo. Aquilo que as circunstâncias separaram, volta organicamente a se juntar. A cultura carioca não pode viver sem ser completa. Fica faltando. O Rio sempre foi uma cidade inclusiva, sede da corte imperial, capital da república até a invenção de Brasília. Uma cidade acima de tudo cosmopolita.


O Rio sempre foi bom alquimista. Do samba-jazz da bossa nova ao samba-rock de Jorge Benjor, ao beat-modernista da poesia marginal, às reuniões de Villa-Lobos, Bandeira, Pixinguinha, Almirante na casa de Tia Ciata. Do rap samba funk de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Marcelo D2 à incorporação da cultura hip-hop pelos nossos mestres Heloisa Buarque e Hermano Vianna. O Rio não precisou de nenhum manifesto modernista. Já tínhamos Noel Rosa.


Uma cidade que sempre esteve próxima à palavra viva com suas rodas de samba, seu partido alto, à grandeza de Vinícius falando seus poemas na noite de Copacabana, à fala em delírio dos poetas marginais dos anos 70 ao rap de D2, BNegão e Black Alien das Batalhas do Real e do Zoeira Hip-Hop na Lapa dos anos 90. Uma cidade assim pede um festival à altura. A PALAVRA TODA vem suprir esta demanda.


A palavra em seus muitos suportes, em seu mais diverso repertório. Espanando o bolor dos puristas, incorporando outras linguagens com a música, o teatro, o mundo digital, A PALAVRA TODA mistura. Mistura a academia com a rua, as mais diversas gerações, mistura a “alta” e a “baixa” cultura, apresenta as diferenças para que nesse atrito, nessa troca, a cultura da cidade volte a fluir.


A palavra poética se tornou muito estigmatizada nesse tempo audiovisual e assim como a cidade de tempos atrás, se bifurcou entre guetos distintos e coisa de especialistas. Mas inspirado nos novos rumos do Rio, juntamos todas as pontas, convocamos suportes que sempre tiveram forte relação com a palavra como a canção e o teatro e invadimos o Espaço Sesc, em Copacabana. Nos dias 24 e 25 um sem-número de poetas de todas as tribos, dos 70, 90 e 00, do rap ao repente, do hip-hop à academia, enfim um batalhão de gente do verbo, da cena e do ritmo para dar força a um unificado e pacificado Rio de Janeiro, dar sentido a esse verão. Ou não.


O Rio tem uma riquíssima tradição no uso da palavra. Seja ela cantada, entoada, falada ou escrita. Aqui nasceram e viveram nossos grandes poetas, músicos e compositores. Do samba à bossa nova, do modernismo à poesia marginal, do neoconcretismo ao tropicalismo, de Nelson Rodrigues ao Asdrúbal Trouxe o Trombone, todos se inspiraram nessa topologia única de montanhas que deságuam no mar.


O Rio sempre foi uma cidade festiva e festeira, de muitos e brilhantes festivais. Durante o verão então, entre turistas de todo lugar, a cidade regurgita sua cultura e natureza nas praias, nas noitadas da Lapa e ensaios das escolas de samba. Rio 40º. Se o Rio comemora a possibilidade de vir a ser uma cidade una, com o direito de ir e vir e de circular por sua imensa geografia cultural, a palavra não pode ficar de fora. Agora que a cidade segue em nova direção, a palavra, padroeira do sentido, instrumento maior de expressão e comunicação, quer estar junto. Agora o Espaço Sesc abre sua gloriosa arena e foyer para um esperado festival de poesia.


A PALAVRA TODA é o festival de poesia que faltava para a cidade. O Rio é poesia, o Rio é A PALAVRA TODA.


Chacal


PROGRAMAÇÃO


DATAS E HORÁRIOS


Espaço Sesc


Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana


De 18 às 22 hs.


Entrada franca.


Tel.: (21) 2547-0156



Dia 24 de janeiro – Espaço Sesc, Copacabana


18h30 – ‘A palavra em cena’ – Paulo José e Ana Kutner

19h – ‘O rapto da palavra’ – MC Nike e Re.Fem

19h30 – ‘Agora é hora’ – Alice Sant´Anna, Augusto Guimaraens Cavalcanti, Pedro

Rocha, Mariano Marovatto, Ismar Tirelli Neto e Gregório Duvivier

20h10 – ‘A palavra contada’ – Numa Ciro e Marcus Vinícius Faustini

20h30 – ‘Noves fora tudo’ – Viviane Mosé, Carlito Azevedo, Felipe Nepomuceno, Valeska de Aguirre e Heitor Ferraz

21h – ‘Coletivos’ – Cachalote (Gabriela Marcondes, Elisa Pessoa, Ana Costa e Andrea Capella)

21h30 – ‘Às margens plácidas’ – Chico Alvim, Charles Peixoto, Ronaldo

Santos, Antonio Cicero e momento K7 com Zuca Sardana

22h – ‘A palavra cantada’ – Letuce (Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos)


Dia 25 de janeiro – Espaço Sesc, Copacabana


8h30 – ‘A palavra em cena’ – Carla Tausz

19h – ‘O rapto da palavra’ – REP (Ritmo e Poesia): Nissin Instantâneo, Ricardinho, Babu, Bidi Dubois e Durango Kid

19h30 – ‘Agora é hora’ – Ramon Mello, Maria Rezende, Marília Garcia, Omar Salomão, Vitor Paiva e Ericson Pires

20h10 – ‘A palavra contada’ – Aderaldo Luciano

20h30 – ‘Noves fora tudo’ – Paulo Henriques Britto, Alberto Pucheu, Carmen Molinari e Masé Lemos

21h – ‘Coletivos’ – Madame Kaos (Beatriz Provasi, Marcela Gianninni, Juliana Hollanda e Arnaldo Brandão)

21h30 – ‘Às margens plácidas’ – Geraldinho Carneiro, Chacal, Pedro Lage, Salgado Maranhão e momento cassete com Armando Freitas Filho

22h – ‘A palavra cantada’ – Fausto Fawcett



Mostra paralela - A poesia toda

Fotos, vídeos e outros objetos poéticos


Alberto Saraiva // Arnaldo Antunes // Alex Hamburguer // André Vallias

Chacal // Christian Caselli // Gabriela Marcondes // GrupoUM

Gustavo Peres // João Bandeira // Lenora de Barros // Márcio-André

Marcelo Sahea // Paulo de Toledo // Renato Rezende // Zuca Sardana



FICHA TÉCNICA


Curadoria

Chacal e Heloisa Buarque de Hollanda


Organização

Ramon Mello


Coordenação Geral

Elisa Ventura


Produção

Camilla Savoia

Luiz Cesar Pintoni

Nanda Miranda


Direção de Arte

Retina 78


Realização

Sesc Rio


Idealização e produção

Aeroplano Editora


Apoio

Blooks Livraria

Retina 78

19.1.11

#3

A Kenia bordou com amor um paninho rendado
A Maria escreveu um poema pra justificar o nome do seu primeiro livro
O Leonard cantou que quando você menor espera o amor te chama pelo seu nome

17.1.11

Sábado à noite

Acaso & invenção de moda, Lia Sabugosa cantando no som, e só depois percebi que a música rezava o que meu amor reza: sorte sorte sorte!

15.11.10

por aqui, por ali

Tem sido mais por ali, mas ai ai, c'est la vie.

Aqui é lugar de poesia e essa musa, que andava meio longe, agora me pegou pela mão e me leva pra restaurantes, palcos, papos, pra ipanema, madureira, centro, e andando juntas ficamos as duas sem pausa pra vir aqui contar.

Oh well. Vai passar. Daqui a pouco chega a saudade de tanto ao vivo e eu volto correndo pros braços do virtual...

27.10.10

Poesia la, poesia ca

Hoje e um dia espremido entre a poesia, e isso so pode ser uma delicia.

Ontem a noite foi de Fernando Pessoa com um jantar de dar agua na boca idealizado pela Ana Roldao na Grand Cru. Estava mais que lotado, as comidas estavam incriveis, as pessoas avidas por poesia e vinho, e eu ainda vendi todos os livros que tinha levado no final - eram poucos, porque como eu podia imaginar que alguem ia querer livros meus sendo a noite do Pessoa? Foi, enfim, absolutamente delicioso!

Amanha a musica toma o lugar da comida, na noite de encerramento do Projeto Gloss, da querida Alexandra Scotti, sobre o qual eu falei bastante aqui. A foto ai embaixo e da primeira noite, que foi cheia de surpresas boas, cantoras incriveis, bandas bacanas, e amanha promete seguir o mesmo rumo!




25.10.10

Amanha


Ja e amanha o jantar totalmente inspirado em Fernando Pessoa, com as comidas de que ele gostava, aula informalissima com a historiadora portuguesa Ana Roldao sobre a vida dele, e poemas e papos sobre a poesia comigo! Eu ja to com agua na boca, e amando o re-mergulho na obra do Pessoa que esse convite ta me proporcionando!

Tem mais informacoes no delicioso site da Manu Cesar, que foi a "cupida" do meu encontro com a Ana!

24.10.10

Comentários queridos

De repente eu estou numa encruzilhada aqui no blog... Tanta gente passa por aqui, vindos por tantos caminhos diferentes, e para, e lê, e curte a ponto de gastar um tempo escrevendo pra mim, deixando impressões, criando um diálogo que é o que alimenta a minha vida de poeta.

Mas a internet tem suas maravilhas e horrores, e de repente eu descubro que o sistema de comentários que eu uso expirou, e agora tenho que pagar pra manter o novo, esse tal JS Kit, da Echo. Mas vocês acham que eles simplesmente sumiram do blog, me abandonaram, me deixaram na mão? Não, eles são fofos! Eles ficaram, firmes e fortes, mas me excluíram do processo. Isso quer dizer que vocês escrevem, mas eu não consigo acessar os comentários, posso ler de fora, mas não ver os emails, e assim não posso manter o diálogo que é a função primeira dessa coisa toda!

Tô aqui indignada. Se eu cancelo o serviço, perco TODOS os comentários do último ano - ou de todos os tempos? Nem sei a dimensão da perda, mas encaro: dane-se! Eu quero tomar as rédeas desse cavalo de novo! Mas não, nem assim, nem disposta a sofrer o apagamento automático de tudo de bacana que já me disseram aqui, nem assim eu posso cancelar esse serviço. Pois se eu estou trancada do lado de fora da minha conta, como cancelar?

O site do JS Kit, do Echo, informa como "uninstall"? Não. É preciso se cadastrar num serviço de comentários interno deles, mandar a pergunta, e esperar uma resposta por email. Sou prisioneira deles, e quando for libertada estarei sozinha nesse blog como estive lá atrás quando comecei, e todos os posts tinham "0 comments"...

Bom, passado o desabafo, escrevo na verdade pra pedir pra quem passar por aqui por esses dias, enquanto eles não me ensinam como cancelar a conta, usar o link ali na esquerda e me mandar email, pra eu não perder o contato de vocês, tá? Então Gessica, Felipe, Grispino, Andreia, João Pedro, Graziela, Zani, Adriana, me mandem email, esse tempo todo eu quis falar com vocês e não conseguia, não desistam de mim não...

Vou gastar o tempo que não anda sobrando muito relendo tudo que der, pra me despedir de tanto carinho, certa de que, livre do Echo, seremos todos muito mais felizes por aqui!

#dramaqueen perde!

17.10.10

Corujice assumida

O domingo veio com tudo: logo de manha dei de cara com minha irma, Julia Rezende, na capa do Globo, na chamada da materia da Revista do Globo, e o textinho sobre ela la dentro e de aumentar ainda mais o orgulho, porque a cacula realmente faz e acontece, competencia pra dar e vender, viu?





Ainda mais porque calhou lindamente da materia sair hoje, dia em que estreia a serie Adoravel Psicose, estreia da Ju na tv, assinando a direcao junto com o Guga Chermont. A serie nasceu do blog da Natalia Klein, que assina o roteiro e ainda protagoniza a serie como atriz. No site do canal ja tem uns trechinhos hilarios!

Hoje, dia 17/out, e a partir de agora todo domingo, 22h30, no Multishow!!


9.10.10

Poesia poesia poesia!


Sumi, e volto cheia de boas notícias!

Outubro e novembro vão ser meses costurados por eventos de poesia, sopros deliciosos no meu cotidiano atarefado de montadora de uma série de tv bacanérrima que estréia em janeiro na TV Brasil, e da qual eu vou falar muito aqui mais pra frente.

Por hora, a poesia. A agenda começou com a minha participação pelo segundo ano seguido no Projeto Gloss, da querisíssima Alexandra Scotti, que reúne cantoras, compositoras e bandas femininas. Esse ano serão duas noites, dia 14 foi estreia com shows otimos e a participacao especialissima dos meninos do Les Pops mostrando seu lado mais feminino, um estrondo!

Pra quem perdeu tem mais Gloss no dia 28 de outubro, no Espaço Rio Carioca, em Laranjeiras. A poesia fica por minha conta e da super Lidoka, e a programação completa está aqui.



Depois vem um evento inovador e bacanérrimo, obra da minha mais nova amiga, a animadíssima historiadora portuguesa Ana Roldão. Ela pesquisa sobre alimentação e organiza aulas-jantares temáticas no Grand Cru de Ipanema, com harmonização de vinho e tudo mais! Já teve sobre a Família Real Portuguesa, sobre a culinária do Egito, e a próxima será sobre Fernando Pessoa, com poesias faladas por mim! Dia 26 de outubro, 3a, às 20h.



Daí vem novembro e dois convites deliciosos. Dia 11 vou falar numa mesa-redonda no SESC Madureira, ao lado do Omar Salomão, com mediação da Diana de Hollanda. É parte de um evento chamado Paixao de Ler, e o convite veio na esteira da participação no ENTER, a sensacional antologia de poesia digital da Heloísa Buarque organizada pelo meu queridíssimo Ramon Mello.

E fechando com chave de ouro a programação, no dia 17 de novembro, ao meio-dia, estarei participando do Poesia no SESI, evento organizado pelo Claufe Rodrigues e pela Mônica Montone que vem homenageando grandes poetas e mostrando a produção dos novos nesse horário perfeito pra quem quer um pouco de cultura, e não só comida, na hora do almoço.

Assim sendo, a poesia me pegou de novo pela mao e estamos andando juntas por ai esses tempos. Vai ser lindo ter voces com a gente!

21.9.10

Poesia + Primavera + Penteadeira


Tudo comecou na festa de 2 anos do Manas, estudio de yoga da minha querida Luciana Leon (e sim, é ela lindona na foto do site!). Foi la que eu conheci a Livia Velludo, ela descobriu minha poesia, eu descobri as roupas lindas da marca dela, a Honky Tonk, e dai veio o convite pra eu participar desse evento-delicia.

Eu ainda nao conheco A Penteadeira, mas ja amei tudo: a ideia de misturar salao de beleza com brecho, a cara da loja toda frufru, toda mulherzinha, a ideia de fazer eventos em que as pessoas possam comprar lingerie ou vestidos, fazer a unha ou uma escova, bater papo ou ouvir poesia, enfim, adorei tudo!

Entao nesse sabado, dia 25, estarei la a partir de 13h dando um trato no meu look, sendo tentada pelas roupitas lindas da Livia e mais um monte de delicias! Aparecam!


A PENTEADEIRA
Rua Visconde de Piraja 156, loja 217 - Ipanema
Tel: 22267 5525

28.8.10

Arrumando os poemas da madrugada - parte 1

Provavelmente é você

que me persegue por ruas e sonhos

Provavelmente dá certo

mas pode muito bem ser que não



Se temos presente e passado

Se temos planos de futuros

Possa ser que seja eu a sua mulher

pode ser pra vida inteira e pra depois



(Depois do futuro vem o que?

Pode ser que a gente chegue lá?

Como saber quando se chega
pra poder parar de tentar?)



Provavelmente sou eu

a mulher que te ama em segredo

Por mais que eu grite

por maior o espalhafato


O amor é sempre escândalo secreto

Provavelmente que sim.


xxx

Menos.
Amar menos.
Eu quero.
Menos você, eu quero.
Eu quero amar menos você.
Menos eu, eu vou ser,
mas melhor,
portanto mais.
Mais.
Eu quero.

xxx

"A casa da saudade é o vazio" (Moska & Chico Cesar)

Saudade é casa vazia.
A casa da saudade é a pessoa.

Duas pernas, dois braços, ou nenhum de cada um,
mas peito, pau, vértebras, pentelhos

Saudade é o anti-vazio
vozes povoando o ouvido onde pro mundo só há silêncio

No vazio não tem nada
e saudade é pra quem sente

A casa da saudade é a pessoa.

Porque o Moska é inspirador

Provavelmente é você

que me persegue por ruas e sonhos

Provavelmente dá certo

mas pode muito bem ser que não



Se temos presente e passado

Se temos planos de futuros

Possa ser que eu seja sua mogli

pode ser pra vida inteira e pra depois



Depois do futuro vem o que?

Pode ser que a gente chegue lá?

Pode ser que já tenha chegado?



Provavelmente sou eu

a mulher que te ama em segredo

Por mais que eu grite

por maior o espalhafato

o amor é sempre escândalo secreto



Provavelmente que sim.

xxx

Menos.

Amar menos.

Eu quero.

Menos você, eu quero.

Eu quero amar menos você.

Menos eu, eu vou ser,

mas melhor,

portanto mais.

Mais.

Eu quero.

xxx

"A casa da saudade é o vazio" (Moska & Chico Cesar)

Saudade é casa vazia.

A casa da saudade é a pessoa.

Não existe saudade no vazio.

Duas pernas, dois braços, ou nenhum de cada um,

mas peito, pau, vértebras, pentelhos

A saudade é o anti-vazio

vozes povoando o ouvido onde pro mundo só há silêncio

No vazio não tem nada

e saudade é coisa de quem sente

A casa da saudade é a pessoa.

(poemas de guardanapo do Canecão na noite de estréia do lindo e foda show do Moska, "MuitoPouco", alegriainspiração, quase uma profusão em tempos de tão pouca escrita por aqui, muito, muito, lararirara)

17.8.10

assim assim

o silêncio tem suas portas
mas nem sempre eu tenho a chave:
o que se deseja e do que se foge
o simples disfarçado de complicado

quando a casa usa pantufas
e os barulhos são só meus
tem conforto e aconchego
não tem medo nem espanto

tudo é dentro mas nem tudo é mar
tudo é vento mas nem tudo é ar
tudo é centro mas nem sempre ali
tudo promete mas nem tudo vai se cumprir

9.8.10

pai

tem quem tem

tem quem não tem


tem quem curte

tem quem sofre

tem quem baba

tem quem briga


tem quem teve e quem nunquinha


tem quem não vai sem ele à esquina

tem quem dá de ombros e sublima



mas ninguém prefere ser sem


ninguém

26.7.10

Dia da Pessoa

Roubei da Camila porque achei foda, e assino embaixo.
Fui fuçar e descobri que foi feito pelo pessoal da Lápis Raro, uma agência de publicidade da qual eu nunca tinha ouvido falar, mas que eu super contrataria se tivesse alguma coisa pra anunciar e morasse em Belo Horizonte.


19.7.10

De onde nasceu o poema ali embaixo

música :: onda de comunicação de fábio lima, por lucas vasconcellos no show da banda lettuce na casa da gávea)



+

Ausência
(Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

14.7.10

esta noite escrevo

quando chove e você fica preso entre latarias e luzes derretidas
quando o vermelho é a cor da noite
quando a comida na barriga não curte o espetáculo
e o ponto de gatilho no nordeste das costas te cutuca

de repente uma voz de homem avisa
"eu tive uma onda de comunicacao"
e o amor que não se faz naquela sala naquela hora
brilha muito mesmo assim, na ausência

a ausência não é falta, outro homem me diz
mas as roupas sem mais uso no armário não querem saber de poesia
todo o tempo do mundo em que se amou alguém vai doer um dia
cada palavra, cada segundo

eu prefiro essa dor - longe, longe, muito longe
eu quero essa dor do amor demais
eu quero a inevitável dor do fim - mais, muito mais
que a infinita dor do não