30.8.12

Ecos da pré-estreia!

Nasceu! Foi uma noite intensa, cinema lotado, seis salas com gente de todo tipo misturada, aquela badalação de artistas e imprensa e muita gente civil, que provavelmente nunca foi a uma pré estreia na vida. Ficou a cara do filme e a cara do Rodrigo Bittencourt
, diretor do filme, um banguense todo misturado! Foi lindo ver na tela o trabalho de tanta gente e de tantos anos, agora é esperar dia 7 de setembro e ver o que a estreia nos reserva!

Matérias super legais sobre o filme e a pré no Bom dia, Rio e no VideoShow! E destaque total na coluna Gente Boa de hoje no Globo!

28.8.12

Totalmente Inocentes: meu maior lado A




Quase todo mundo que faz arte hoje em dia tem outra profissão, já que se sustentar escrevendo, atuando, pintando, é difícil pra chuchu... Eu tenho a sorte de ter um lado A também criativo: sou montadora de filmes, trabalho delicioso e que b
em se aproxima da minúcia e do jogo de encaixe que é a poesia. Pois semana que vem, dia 7 de setembro, estreia o primeiro longa metragem que eu montei, TOTALMENTE INOCENTES, um filme do Rodrigo Bittencourt (que aliás encarna como ninguém o artista múltiplo: é roteirista, cineasta, romancista, compositor e cantor), com produção da Mariza Leão e da Iafa Britz e um monte de gente legal na equipe e no elenco. É um filme jovem, novo, cheio de frescor, e eu tô super orgulhosa de estrear assim! 





Pra saber mais sobre o filme, matéria ótima que saiu ontem no Globo Online!

27.8.12

Ornitorrinco #36


5:15 da manhã na floresta. Barulho de cachoeira que aumenta, mais do que quebra, o silêncio. Céu pretinho, sirene na distância, manta nas pernas, o branco da tela do computador. Em algum longe um cão uiva, em algum canto uma gata branca de rabo preto dorme culpada. Uma noite mal dormida e serena. Cocô, tosse, leite quente: brincar de ser mãe na madrugada.
Depois escrever. Os galos começam a cantar ainda tímidos, o céu já azulou marinho ou é só desejo? Ver amanhecer é raro e bom pra quem nunca foi monge nem vigia noturno. Silêncio. Ele hoje quer dizer: fim da tosse, nenhum miado, a eternidade líquida da cachoeira.
Ler Clarice e descobrir que não foi acaso nunca ter lido Clarice. Não gosta de Clarice, e sabe que é inevitável que isso soe como burrice ou provocação. E no entanto descobrir que depois de umas páginas de Clarice escreve diferente. "A eternidade líquida da cachoeira". Mas ao contrário de Bethânia não queima nunca o trabalho dos dedos, não rasga e quase não reescreve. Deixa o cheiro de Clarice entrar, sem devoção ou repúdio. "Repúdio". De novo.
Agora sim, o azul é fato. A imbaubeira já se revela pelo vidro da janela. Já desejou um vestido cor de céu de quinta-feira com estampa de imbaubeira. Tom de amanhecer de fim-de-semana também é bonito. Lembra da história contada pela avó, a princesa com um vestido de céu estrelado com todas as constelações, outro de fundo do mar com milhares de peixinhos, e mais quais mesmo? Eram sete. Sempre são sete. Anões. Vestidos. Anos de diferença.
Mais galos. Mais folhas recortadas contra o céu que clareia. Do outro lado do vale duas luzes são as únicas lembranças de que o mundo existe fora daqui. 
Aqui louças na pia, um cobertor feito de sonho, uma pedra de sal dos Himalaias, uma samambaia magrela. O dia nasce azul bebê na montanha. Faz frio, a lombar reclama, a cachoeira derrama, escrevo. No quarto ao lado um homem dorme. O sentimento não. O sentimento é o insone mais feliz do condado. 

.:. Dessa vez era tema livre, e pra mim a madrugada virou beleza. A Letícia sente saudades de telepatia, o Ramon quer muitas páginas, o Julio tá sanguinário, a Keli teve uma epifania podológica, o Franco vislumbrou um carná carnal. Ficou supimpa, viu? Recomendo.


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8.8.12

Eu tô no Face!





Pois então chegou a hora de eu ter uma "pessoa poética" lá nesse tal de Facebook!

Como eu uso a minha página pessoal desse jeito, pessoalmente, acabo só aceitando amigos e um monte de gente que gosta do que eu escrevo e quer saber mais de mim fica de fora, então agora nossos problemas estão resolvidos!
Passem lá no www.facebook.com/amariadapoesia e me curtam, daí cês vão ficar sabendo das novidades, acompanhar vídeos e poemas novos, recitais e todos os etc!

1.8.12

Tem coisas que só o Google Alert faz por você

Como descobrir que você é nome de rua, de bairro, de condomínio, e até, pasmem!, de time de futebol! E atenção, gente: eu ganhei do Ideal por 3 a 1! Maria Rezende ganhou do Ideal! Fora com o ideal, viva o real! Acho que vou levar isso pra terapia semana que vem...










27.7.12

Dizendo Adélia de novo



Aprendi esse poema de tanto ensinar a dizer. Dando aula como assistente da Elisa, e depois como professora mesmo, Adélia sempre uma das favoritas.
Mas na verdade acho que minha memória dele é na voz marcante da Vera Mello, a Vera Mel, minha colega de Te Pego Pelo Verso e amiga querida.
Agora que tem uma flauta na minha vida, o poema voltou com toda força, então aí vai ele.

(Serenata, de Adélia Prado, em Poesia Reunida)
(flauta por Felipe Pithan)

25.7.12

Dizendo Manoel



Manoel também foi presente da Escola Lucinda. Eu estudava Letras mas nunca tinha nem ouvido falar dele.
Depois do recital de encerramento da oficina de dez aulas que fiz com a Elisa, quase todos do grupo quisemos continuar, e assim nasceu a escola e o grupo Te pego pelo verso, que fazia recitais da obra de vários poetas. O primeiro, pra minha surpresa, foi o Manoel.
Era um mundo tão espantoso que eu fiquei de boca aberta e nunca mais fechei.
Pra quem é fã dele, esse poema talvez surpreenda. Eu amei quando li e me emociono até hoje.

(Pedido quase uma prece, de Manoel de Barros, em "Gramática Expositiva do Chão")

24.7.12

Dizendo Viviane



Eu descobri a Viviane no curso de poesia falada da Elisa Lucinda, onde nasceu essa dizedora exibida que hoje eu sou.
"Toda Palavra", o livro dela que caiu na minha mão nessa época, é um primor e anda embaixo do meu braço até hoje: humor, densidade, alma exposta e pensamentos filosóficos. Tenho que dizer ainda que o amor pelos metapoemas, pensar a escrita enquanto se escreve, foi dela que herdei, e morri de alegria quando um dia me dei conta de que tinha lembranças de versos dela dentro dos meus: reler quem se admira é bom demais, e eu sigo lendo e relendo essa mulher pelos anos afora.

(Outra carta, de Viviane Mosé, em "Toda Palavra")

22.7.12

Dizendo Tony




Eu descobri esse cara em Nova Iorque, há dois anos, por dica do Luis, um amigo de lá.
"Donkey Gospel" era o nome do livro que ele me emprestou e eu pirei.
Pirei.
Ironia, doçura, humor, poemas agudos, na veia, contemporâneos, cotidianos.
Comprei tudo do Tony Hoagland, digitei pra postar aqui no blog, traduzi um monte, disse em voz alta, li pros outros.
Coisa de fã mesmo. Gostoso sentir isso. Descobrir um poeta que só é novo pra você e dizer "uau" e sair catando tudo que ele já escreveu.
Esse é dos que eu adoro, e taí na versão original e numa das minhas traduções da madrugada.

(Grammar, de Tony Hoagland, em "Donkey Gospel")

*Dizer a Hilda me atiçou. Ou talvez tenha sido invejinha dos alunos da Casa Poema, que fizeram um recital lindo com as letras-poemas do Zeca Baleiro capitaneados pela Elisa Lucinda essa semana. Seja pelo que for, a dizedora de poemas em mim acordou. Acho que tá nascendo a série "Admirada": Maria diz os poemas que gosta. Vamos ver no que vai dar...

21.7.12

Dizendo Adélia



Adélia foi das primeiras poetas a morar na minha boca.
Na primeira noite em que subi ao palco pra dizer versos, falei "O caso do vestido", do Drummond, e um poema dela chamado "Um jeito".
Esse aí me chegou há uns dois meses, e embora sempre tenha morado dentro da poesia reunida dela, que eu já li e reli mil vezes, foi só agora que ele invadiu minha boca irremediavelmente.
Acho que nunca mais sai.

(Para cantar com o saltério, de Adélia Prado, em "Um jeito e amor")

20.7.12

Dizendo Everton



Everton Behenck pra mim primeiro foi cantor, da banda que tocou depois do meu recital no Ocidente, em Porto Alegre, na Festipoa 2011.
Daí meu espanto bom quando ele me deu seu livro e eu vi que ele era um baita poeta.
Mas foi no Apesar do Céu, no blog, online, que eu mergulhei na poesia do cara e desde então venho dizendo "uau" cotidianamente.
Porque o sujeito produz, viu? Escreve lindo e muito, pra nosso deleite.
Eu me lambuzo e recomendo.

(Um poema de esperança seca, de Everton Behenck, em www.apesardoceu.wordpress.com)

19.7.12

Dizendo Hilda



não, nem é isso que eu sinto não.
mas meu deus, quanta beleza!
que sublime que a hilda sabe ser!
que prazer dizer as palavras dela!

(Poema de  "Trovas de muito amor para um amado senhor", de Hilda Hilst, em Poesia: 1959-1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)

15.7.12

Texto na revista Lola de julho/2012

Chamada na capa é muito chique, gente! Obrigada Luciana Ackermann pelo convite!


Adorei o convite pra escrever na revista, que é bacanérrima, moderna, de bom gosto, com matérias inteligentes e de quebra bonita pra dedéu.

Sim, o texto continua! Confesso que pra chegar aos 7mil caracteres contei digamos assim com um grupo de discussão sobre o assunto... É que apesar de ter escrito que adoro pau mole e falar de sexo nos meus poemas preencher duas páginas não é mole não, sabe? Agora, imagine se eu não adorei eles me darem todo esse espaço, né?

25.6.12

Recital no Recife: ao vivo e a cores!

Recife. Palco. Sesc Santa Rita. Laboratório de Autoria Ascêncio Ferreira. Ao vivo. Meia hora. Meus poemas. Público. Calor. Alegria. Emoção.

Muito, muito obrigada, Taciana Oliveira, por mais esse registro carinhoso.


12.6.12

No Recife, no palco, de novo!!

Então pouco mais de seis meses depois da alegria de estrear nos palcos nordestinos, com um super recital de meia hora no Recife em novembro do ano passado, lá vou eu de novo praquela terra que eu amo dizer mais poesia.

De novo o convite veio do SESC, e eu não podia estar mais feliz de voltar pra Recife, ainda mais agora que a nova edição do substantivo feminino tá saindo do forno, e vários leitores de lá que iam receber o livro pelo correio vão poder me ver ao vivo e comprar livro com dedicatória e olho-no-olho!

Obrigada, Cida Pedrosa e Rita Marize - e Marcelino Freire, claro, meu megafone amoroso que me espalha por esse Brasil afora...

O recital de novembro foi assim ó:



Pra saber mais sobre o evento:

Em seu 3º ano, a *Mostra SESC de Literatura Contemporânea* é uma atividade
formativa realizada pelo SESC Pernambuco, através do *Laboratório de
Autoria Ascenso Ferreira*, localizado no SESC Santa Rita/ Recife-PE.
Visando o intercâmbio entre escritores locais e
nacionais e ainda, a ampliação do diálogo entre os escritores e a plateia,
a Mostra traz convidados de reconhecimento local e nacional e faz parte do
projeto de Intercâmbio e Dinamização da Literatura e do Programa Estético
Literário do Departamento Nacional do SESC.

O tema da Mostra este ano é a *Literatura: Territórios/ Interfaces/
Conexões/ Diálogos Possíveis*, pois a maioria dos convidados trabalham com
literatura, mas transitam entre outras linguagens artísticas.


As ações da Mostra acontecerão no próprio Laboratório de Autoria Ascenso
Ferreira (13 a 15 de junho) e na Livraria Cultura do Recife (16 e 17 de
junho).

A programação conta com oficinas e palestras, além de exposição literária.

Visite a *programação completa* do Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira.

Coordenação de Cultura do SESC PE: José Manoel Sobrinho
Gestão do Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira: Rita Marize Farias
Curadoria da Programação 2012 do Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira:
Cida Pedrosa e Sennor Ramos


*Todas as atividades são gratuitas!

Bruna Beber no Dia dos Namorados

O pensamento selvagem no pós-romance - uma utopia a ser considerada

A Bruna Beber é foda. Isso já é notícia velha. Poeta das melhores, dessacralizadora, cara-de-pau, autora do Faceiro&Fascinante, a coletânea de axé que aqueceu meu coração 2011 adentro. Mas hoje, Dia dos Namorados, em que quem tem pisca olhinhos e quem não tem disfarça a decepção, ela vem trazer reflexão da boa embalada em imagens clichê e fontes coloridas da melhor-pior qualidade internáutica.

www.posromance.com

Vá lá, caro leitor. Vença a barreira da primeira impressão e leia, sorva o néctar do pensamento selvagem e profundo dessa poeta do axé e da cor. É sério. Vai lá. O bagulho é sinistro. Você provavelmente já sabe tudo aquilo - e se não sabe devia saber - mas ainda assim, vá lá e leia. Leia mesmo. De verdade. Porque sabedoria assim, embalada com jujubas, não é todo dia que aparece.

www.posromance.com

11.6.12

Ornitorrinco #31

A ediçao #31 ficou supimpa. Era pra falar de uma 3a feira aí, e eita que o pessoal pirou e cada texto foi prum lado, deliciosamente.

Pra ler tudinho em versão deluxe clica aqui ó.

Pra ler o meu, continua lendo ué.



OLHA-LÁ 

A 3a feira

.acordar sozinha e feliz embaixo de borboletas brancas e pássaros em pleno voo
.adolescentemente empilhar roupas sobre a cama
.como se já não estivesse na hora de sair, costurar a calça que decidiu usar, herança de figurino de filme, os quadris da atriz quase exatamente iguais aos seus
.café-da-manhã com morango e mamão no banquinho da cozinha ouvindo a nice contar sobre a moça expulsa pela avó com o bebê de um mês que ela acolheu em casa
.pagar a nice com o dinheiro do salário da fátima, diarista da casa do horto onde é sua ilha de edição - como sempre o fim do mês chega de surpresa
.sair atrasada e encontrar o carro preso na vaga pelo do seu luís, do 602, que se recusa a deixar a chave na portaria
.mal humor caindo feito um raio sobre a cabeça, com raiva no coração e palavrões em voz alta
.espanto com o mal humor, artigo realmente raro nas manhãs
.cantar pneu ladeira acima quando finalmente, dez minutos depois, o carro sai da garagem
.não achar vaga na rua do trabalho em botafogo - empresa grande, vaga é ouro -, mais palavrões pro homem do vaga certa que insistiu que o carro cabia na vaga em que ele claramente não cabia
.palavrões a caminho do estacionamento pago 
.ódio no coração ao ver que o carro teria mesmo cabido na vaga se o homem do vaga certa tivesse empurrado o da frente - coisa que ele só faz pra quem paga uma grana mensal e deixa a chave - rárárá, homem do vaga certa, eu nunca deixarei com você a minha chave
.trabalho normal, silencioso
.mensagens amorosas no telefone, desejos de praia e mergulhos e reconhecimento do privilégio do encontro
.comidinha da ceição no refeitório da empresa com papo com nívea, da recepção, sobre as condições de trabalho e a equação freela x carteira assinada
.emails de trabalho, negociação de salário, ainda desconfortável, mas cada dia menos - aprende-se, na vida, e como é bom
.telefonema da moça que quer um gatinho, planejamento da entrega do gatinho
.terapia, nenhum assunto candente, risos ao contar da bronca da osteopata e da proibição de atividades na vertical, a percepção de que apesar do fim-de-semana de absoluto relaxamento o corpo está cansado, talvez porque a decisão de que em três semanas haverá férias o deixe livre pra finalmente protestar contra o trabalho contínuo do último ano e meio
.sacar dinheiro para repor o pagamento da fátima, a diarista da casa do horto, e no caminho comprar empadas na lanchonete em frente ao ponto de ônibus que leva do trabalho à casa, quando está trabalhando na sua própria sala
.limpeza de pele: muita dor e uma inédita resistência à dor, e no fim o prazer do rosto lisinho, modelo bunda de bebê
.passar na casa do horto e deixar o pagamento da fátima sobre a mesa, e sentir saudades de estar ali
.chegar em casa já na hora de sair pra exposição da suzanna mas no laptop há pequenas pendências: pagar contas, escolher pantufas na internet, responder emails, enviar mp3 de poemas pro samuel do radiocaos
.aceitar que apesar do muito desejo não vai à exposição da suzanna - uma pena, saudades, vontade de ver o globo terrestre girar com as belezas dela
.nhoque de aniversário da fabi, comida delícia sem nota de um dólar embaixo do prato, conversinhas com mel e paula, papos com amigos que há tempos não via, vinho na calça nova de linho, sabão de coco transformando magicamente a mancha vermelha em azul, perna direita úmida, frio, cansaço, bolo feito em casa, morangos, merengue, alegria
.taxi pra casa com ana e flavinho, calça de molho na bacia, demaquilante, creme no rosto, escova de dentes, camisola, cobertores, revista marie claire, pílula, ar condicionado, silêncio, interruptor do abajur, escuro, sono

_Maria Rezende

7.6.12

Ela aos 33

Eu nunca ouvi falar em Hans Magnun Enzesberger, mas de repente no Facebook uma amiga posta o link de uma tradução dele pelo Ricardo Domeneck e, caramba, o título do poema foi irresistível pruma moça de 33. E adorei: o poema e as duas possibilidades de tradução, uma fiel e outra aproximando o texto do universo brasileiro. Percebi que gosto mais assim, e pensei que seria genial em livros de poesia traduzida ter as duas versões, quando fosse o caso.

Aqui a versão que eu escolhi. Lá no blog do Ricardo Domeneck, as duas e comentários sobre o trabalho.

Ela, aos trinta e três

Ela havia imaginado tudo bem diferente.
Ainda com este Fusca enferrujado.
Uma vez, quase casou-se com um padeiro.
Antes, costumava ler Clarice, depois, Cabral.
Agora ela prefere resolver charadas na cama.
Dos homens, não tolera abusos.
Por anos foi petista, mas à sua maneira.
Nunca recortou cupons de desconto em jornais.
Quando pensa no Afeganistão, passa mal.
Seu último namorado, o intelectual, gostava de apanhar.
Vestidos de batique esverdeados, largos demais para ela.
Pulgões nas folhas da samambaia.
Na verdade, queria pintar, ou emigrar.
Sua tese, Conflitos religiosos no Nordeste, 1889
a 1930, e suas marcas na música popular:
bolsas, começos, e uma gaveta cheia de notas.
De vez em quando, sua vó manda-lhe dinheiro.
Danças acanhadas no banheiro, caretinhas,
horas de hidratante ao espelho.
Ela diz: pelo menos não morrerei de fome.
Quando chora, fica com cara de dezenove.

E olha, num momento em que tanta gente passa a achar o Facebook chato e bobo, eu continuo adorando a possibilidade de compartilhar gostos e descobrir arte da boa por indicação de gente que eu admiro!

1.6.12

No rádio, ao vivo, do CEP!

E pra quem perdeu o Cinema em Sintonia na 4a e quer ouvir o delicioso papo entre a apresentadora Andréa Cals, eu, Pedro Cezar, Chacal e Jorge Salomão, o programa todinho aqui ó.

Fazer um programa de rádio ao vivo fora do estúdio não é bolinho não, mas a Andréa e sua trupe foram afinados e deu tudo certo! O público do CEP ia chegando, ocupando as arquibancadas do Sergio Porto, e nós lá no ar ao vivo! Falamos do curta "Por acaso Gullar", que eu e Rodrigo Bittencourt fizemos com o Ferreira Gullar, do lindo filme "Só 10% é mentira", do Pedro Cezar sobre o Manoel de Barros, da nossa própria poesia, ouvimos trechos do Bandeira e do Drummond, e ainda teve participação do público que estava lá ao vivo, no esquenta pro CEP 20.000. Foi supimpa!


Chacal, eu, Andréa, Pedro, Jorge

Ouvindo o querido Chacal

Rindo com o muito amado Pedro

Cumplicidade de meninas

A trupe reunida: missão cumprida!

Divirtam-se!