23.10.12

Eu e Drummond no Sarauê

Sexta-feira, dia 26, vou falar poemas num evento novo chamado Sarauê. Comandada pela Mônica Montone e o Claufe Rodrigues, a noite reúne poesia, música, projeção de imagens e performances, nos jardins da Biblioteca Nacional, no centro do Rio, de graça.

Às 18h rola microfone aberto pra quem quiser levar seus poemas, e a partir das 19h rola a programação oficial, que nessa sexta é em homenagem ao Drummond e tem um monte de gente babaca, além de mim, claro!

Adorei o convite porque Drummond foi meu primeiro poeta dito, e vou ter o prazer de falar de novo "O caso do vestido", poema que aprendi lá na Escola Lucinda de Poesia Viva nos meus 20 anos, e também vou dizer dele "Ausência", poema que eu aprendi a dizer de tanto ensinar, quando era professora da Escola, e que mora dentro de um poema meu inédito.

Vai ser uma noite encantadora, tô sentindo!


(Eu era assim no dia em que subi num palco pra dizer um poema pela primeira vez, levada pela mão amorosa da Elisa Lucinda. Drummond. Planetário. Vestido de Rembrandt herdado da tia. Sobrancelhas pré-pinça. Olhar de quem sente que a vida acabou de mudar pra sempre.)




SEXTA É DIA DE SARAUÊ

Data: 26/10, sexta-feira
Local: jardim da Biblioteca Nacional
Endereço: Rua México, s/n
Horário: 18h às 21h

APRESENTAÇÃO

Claufe Rodrigues e Mônica Montone
Entrada franca

POESIA

Maria Rezende, Pedro Rocha, Juliana Hollanda, Bia Provasi
+

MÚSICA

Letuce
Linox

+

HOMENAGEM 

Carlos Drummond de Andrade 

+

VIDEOGRAFIAS

Moana Mayall

+

Músicos: Guga Mendonça e Jhonatan Gregory



MICROFONE ABERTO DAS 18h às 18h45. TRAGA SEU POEMA.

informações: www.sarauenabibliotecanacional.blogspot.com

14.9.12

Poesia no cinema, na tela e ao vivo!

Na próxima segunda-feira, 17, às 20h, o Cine Jóia vai ser palco de uma noite poética: uma sessão do filme Bruta Aventura em Versos, da Letícia Simões, seguida de falação de poesia com uma penca de gente bacana: Ana B., Ramon Mello, Juliana Frank, Lucas Viriato, Flávia Iriarte, Matilde Campilho, Augusto Guimaraens, Ismar Tirelli Neto, Pedro Cezar e euzinha. 

Venham, venham, venham.


2a feira, 17/setembro, 20h
Cine Jóia: Av. Nossa Senhora de Copacabana 680 Subsolo - Copacabana (entre Santa Clara e Figueiredo)


Pra saber mais sobre o filme:

Bruta Aventura em Versos

Ícone da poesia marginal dos anos 1970 no Rio, Ana Cristina Cesar faleceu em 1983, aos 31 anos, deixando inúmeros leitores e adeptos. Ela criou versos, traduziu poemas e contos, pesquisou sobre cinema e literatura, escreveu artigos. Seu estilo direto, delicado e visceral influenciou o trabalho de diversos artistas. A partir da apropriação de sua obra por outras pessoas, o documentário procura captar a beleza e a originalidade de sua escrita, seja através da dança de Marcia Rubin, do espetáculo de Paulo José e Ana Kutner ou da poesia de Alice Sant’Anna. Todos, de maneiras diversas e particulares, conviveram com as vírgulas, as pausas, a voz e os olhos da poeta.

Diretor Letícia Simões

Roteiro Letícia Simões, Márcia Watzl

Fotografia Alberto Bellezia, Mariana Bley

Montagem Márcia Watzl

Música Marcos Kuzka Cunha

Produtor Guilherme Cezar Coelho e Pedro Cezar

Produção Matizar Filmes e Artezanato Eletrônico

30.8.12

Ecos da pré-estreia!

Nasceu! Foi uma noite intensa, cinema lotado, seis salas com gente de todo tipo misturada, aquela badalação de artistas e imprensa e muita gente civil, que provavelmente nunca foi a uma pré estreia na vida. Ficou a cara do filme e a cara do Rodrigo Bittencourt
, diretor do filme, um banguense todo misturado! Foi lindo ver na tela o trabalho de tanta gente e de tantos anos, agora é esperar dia 7 de setembro e ver o que a estreia nos reserva!

Matérias super legais sobre o filme e a pré no Bom dia, Rio e no VideoShow! E destaque total na coluna Gente Boa de hoje no Globo!

28.8.12

Totalmente Inocentes: meu maior lado A




Quase todo mundo que faz arte hoje em dia tem outra profissão, já que se sustentar escrevendo, atuando, pintando, é difícil pra chuchu... Eu tenho a sorte de ter um lado A também criativo: sou montadora de filmes, trabalho delicioso e que b
em se aproxima da minúcia e do jogo de encaixe que é a poesia. Pois semana que vem, dia 7 de setembro, estreia o primeiro longa metragem que eu montei, TOTALMENTE INOCENTES, um filme do Rodrigo Bittencourt (que aliás encarna como ninguém o artista múltiplo: é roteirista, cineasta, romancista, compositor e cantor), com produção da Mariza Leão e da Iafa Britz e um monte de gente legal na equipe e no elenco. É um filme jovem, novo, cheio de frescor, e eu tô super orgulhosa de estrear assim! 





Pra saber mais sobre o filme, matéria ótima que saiu ontem no Globo Online!

27.8.12

Ornitorrinco #36


5:15 da manhã na floresta. Barulho de cachoeira que aumenta, mais do que quebra, o silêncio. Céu pretinho, sirene na distância, manta nas pernas, o branco da tela do computador. Em algum longe um cão uiva, em algum canto uma gata branca de rabo preto dorme culpada. Uma noite mal dormida e serena. Cocô, tosse, leite quente: brincar de ser mãe na madrugada.
Depois escrever. Os galos começam a cantar ainda tímidos, o céu já azulou marinho ou é só desejo? Ver amanhecer é raro e bom pra quem nunca foi monge nem vigia noturno. Silêncio. Ele hoje quer dizer: fim da tosse, nenhum miado, a eternidade líquida da cachoeira.
Ler Clarice e descobrir que não foi acaso nunca ter lido Clarice. Não gosta de Clarice, e sabe que é inevitável que isso soe como burrice ou provocação. E no entanto descobrir que depois de umas páginas de Clarice escreve diferente. "A eternidade líquida da cachoeira". Mas ao contrário de Bethânia não queima nunca o trabalho dos dedos, não rasga e quase não reescreve. Deixa o cheiro de Clarice entrar, sem devoção ou repúdio. "Repúdio". De novo.
Agora sim, o azul é fato. A imbaubeira já se revela pelo vidro da janela. Já desejou um vestido cor de céu de quinta-feira com estampa de imbaubeira. Tom de amanhecer de fim-de-semana também é bonito. Lembra da história contada pela avó, a princesa com um vestido de céu estrelado com todas as constelações, outro de fundo do mar com milhares de peixinhos, e mais quais mesmo? Eram sete. Sempre são sete. Anões. Vestidos. Anos de diferença.
Mais galos. Mais folhas recortadas contra o céu que clareia. Do outro lado do vale duas luzes são as únicas lembranças de que o mundo existe fora daqui. 
Aqui louças na pia, um cobertor feito de sonho, uma pedra de sal dos Himalaias, uma samambaia magrela. O dia nasce azul bebê na montanha. Faz frio, a lombar reclama, a cachoeira derrama, escrevo. No quarto ao lado um homem dorme. O sentimento não. O sentimento é o insone mais feliz do condado. 

.:. Dessa vez era tema livre, e pra mim a madrugada virou beleza. A Letícia sente saudades de telepatia, o Ramon quer muitas páginas, o Julio tá sanguinário, a Keli teve uma epifania podológica, o Franco vislumbrou um carná carnal. Ficou supimpa, viu? Recomendo.


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8.8.12

Eu tô no Face!





Pois então chegou a hora de eu ter uma "pessoa poética" lá nesse tal de Facebook!

Como eu uso a minha página pessoal desse jeito, pessoalmente, acabo só aceitando amigos e um monte de gente que gosta do que eu escrevo e quer saber mais de mim fica de fora, então agora nossos problemas estão resolvidos!
Passem lá no www.facebook.com/amariadapoesia e me curtam, daí cês vão ficar sabendo das novidades, acompanhar vídeos e poemas novos, recitais e todos os etc!

1.8.12

Tem coisas que só o Google Alert faz por você

Como descobrir que você é nome de rua, de bairro, de condomínio, e até, pasmem!, de time de futebol! E atenção, gente: eu ganhei do Ideal por 3 a 1! Maria Rezende ganhou do Ideal! Fora com o ideal, viva o real! Acho que vou levar isso pra terapia semana que vem...










27.7.12

Dizendo Adélia de novo



Aprendi esse poema de tanto ensinar a dizer. Dando aula como assistente da Elisa, e depois como professora mesmo, Adélia sempre uma das favoritas.
Mas na verdade acho que minha memória dele é na voz marcante da Vera Mello, a Vera Mel, minha colega de Te Pego Pelo Verso e amiga querida.
Agora que tem uma flauta na minha vida, o poema voltou com toda força, então aí vai ele.

(Serenata, de Adélia Prado, em Poesia Reunida)
(flauta por Felipe Pithan)

25.7.12

Dizendo Manoel



Manoel também foi presente da Escola Lucinda. Eu estudava Letras mas nunca tinha nem ouvido falar dele.
Depois do recital de encerramento da oficina de dez aulas que fiz com a Elisa, quase todos do grupo quisemos continuar, e assim nasceu a escola e o grupo Te pego pelo verso, que fazia recitais da obra de vários poetas. O primeiro, pra minha surpresa, foi o Manoel.
Era um mundo tão espantoso que eu fiquei de boca aberta e nunca mais fechei.
Pra quem é fã dele, esse poema talvez surpreenda. Eu amei quando li e me emociono até hoje.

(Pedido quase uma prece, de Manoel de Barros, em "Gramática Expositiva do Chão")

24.7.12

Dizendo Viviane



Eu descobri a Viviane no curso de poesia falada da Elisa Lucinda, onde nasceu essa dizedora exibida que hoje eu sou.
"Toda Palavra", o livro dela que caiu na minha mão nessa época, é um primor e anda embaixo do meu braço até hoje: humor, densidade, alma exposta e pensamentos filosóficos. Tenho que dizer ainda que o amor pelos metapoemas, pensar a escrita enquanto se escreve, foi dela que herdei, e morri de alegria quando um dia me dei conta de que tinha lembranças de versos dela dentro dos meus: reler quem se admira é bom demais, e eu sigo lendo e relendo essa mulher pelos anos afora.

(Outra carta, de Viviane Mosé, em "Toda Palavra")

22.7.12

Dizendo Tony




Eu descobri esse cara em Nova Iorque, há dois anos, por dica do Luis, um amigo de lá.
"Donkey Gospel" era o nome do livro que ele me emprestou e eu pirei.
Pirei.
Ironia, doçura, humor, poemas agudos, na veia, contemporâneos, cotidianos.
Comprei tudo do Tony Hoagland, digitei pra postar aqui no blog, traduzi um monte, disse em voz alta, li pros outros.
Coisa de fã mesmo. Gostoso sentir isso. Descobrir um poeta que só é novo pra você e dizer "uau" e sair catando tudo que ele já escreveu.
Esse é dos que eu adoro, e taí na versão original e numa das minhas traduções da madrugada.

(Grammar, de Tony Hoagland, em "Donkey Gospel")

*Dizer a Hilda me atiçou. Ou talvez tenha sido invejinha dos alunos da Casa Poema, que fizeram um recital lindo com as letras-poemas do Zeca Baleiro capitaneados pela Elisa Lucinda essa semana. Seja pelo que for, a dizedora de poemas em mim acordou. Acho que tá nascendo a série "Admirada": Maria diz os poemas que gosta. Vamos ver no que vai dar...

21.7.12

Dizendo Adélia



Adélia foi das primeiras poetas a morar na minha boca.
Na primeira noite em que subi ao palco pra dizer versos, falei "O caso do vestido", do Drummond, e um poema dela chamado "Um jeito".
Esse aí me chegou há uns dois meses, e embora sempre tenha morado dentro da poesia reunida dela, que eu já li e reli mil vezes, foi só agora que ele invadiu minha boca irremediavelmente.
Acho que nunca mais sai.

(Para cantar com o saltério, de Adélia Prado, em "Um jeito e amor")

20.7.12

Dizendo Everton



Everton Behenck pra mim primeiro foi cantor, da banda que tocou depois do meu recital no Ocidente, em Porto Alegre, na Festipoa 2011.
Daí meu espanto bom quando ele me deu seu livro e eu vi que ele era um baita poeta.
Mas foi no Apesar do Céu, no blog, online, que eu mergulhei na poesia do cara e desde então venho dizendo "uau" cotidianamente.
Porque o sujeito produz, viu? Escreve lindo e muito, pra nosso deleite.
Eu me lambuzo e recomendo.

(Um poema de esperança seca, de Everton Behenck, em www.apesardoceu.wordpress.com)

19.7.12

Dizendo Hilda



não, nem é isso que eu sinto não.
mas meu deus, quanta beleza!
que sublime que a hilda sabe ser!
que prazer dizer as palavras dela!

(Poema de  "Trovas de muito amor para um amado senhor", de Hilda Hilst, em Poesia: 1959-1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)

15.7.12

Texto na revista Lola de julho/2012

Chamada na capa é muito chique, gente! Obrigada Luciana Ackermann pelo convite!


Adorei o convite pra escrever na revista, que é bacanérrima, moderna, de bom gosto, com matérias inteligentes e de quebra bonita pra dedéu.

Sim, o texto continua! Confesso que pra chegar aos 7mil caracteres contei digamos assim com um grupo de discussão sobre o assunto... É que apesar de ter escrito que adoro pau mole e falar de sexo nos meus poemas preencher duas páginas não é mole não, sabe? Agora, imagine se eu não adorei eles me darem todo esse espaço, né?