"Carne do umbigo", "Bendita palavra" e "Substantivo feminino" são a versao impressa e bem acabada do que rola aqui. Quer me ter na sua mão em forma de livro e disco? Me escreve aqui!
29.11.07
7 coisas estranhas
A parte da qual eu gostei foi a proposta de fazer uma lista de 7 coisas estranhas sobre mim, então aí vai:
1. eu odeio usar sutiã, e apesar disso tenho uma coleção de uns 20
2. eu amo supermercado, do Pão de Açúcar chique ao Mundial da Lapa
3. eu só fiz a sobrancelha pela primeira vez depois que a minha avó materna morreu - ela amava minha sobrancelha grossérrima
4. eu calço 39/40 e passei uns dois anos usando só tênis bamba, sapatilha chinesa e chinelo, até as fábricas de calçado entenderem que mulher de pé grande também é gente
5. eu guardo um vestido pra usar quando estiver grávida desde os 15 anos. sim, ainda cabe.
6. eu mesma inventei meu único apelido: esse mariadapoesia que está quase roubando meu nome
7. eu sou feliz. nem sempre estou, mas sou. sim, pra alguns isso é estranho. eu adoro essa estranheza
eram só 7, né? então tenho dito.
21.11.07
14.11.07
desejo necessidade vontade
re-pintura do apê
1 editora pro Bendita Palavra
1 ou 2 ou 3 ou 1000 desumidificadores pra tudo que há na casa parar de mofar
1 escutador de mp3 de qualquer marca pequenino e bonitinho1 pacote de chá verde bom, com folhinhas enrugadas que se abrem na água quente, que nem o que veio de Chinatown e diferente dos três que eu já tentei por aqui
1 brinco prateado, fosco e básico e chique, que nem o que eu tive por anos e de cujo par pra minha tristeza só restou um
quadrinhos pequenininhos pra minha parede de quadrinhos pequenininhos
1 gravador de dvd externo que não dê erro a cada dois usos
1 parafuso que caiu do meu lado da cama, devidamente preso no lugar
e ainda...
10.11.07
7.11.07
6.11.07
noturno
cava
um poço de petróleo
em meu estômago.
Viscoso e negro brota,
entre outras flores,
o medo.
3.11.07
é isso
Como gostei do blog dela fui fuçar o início de tudo, os primeiros posts, e me deparei com essa carta inacreditavelmente deliciosa, que ao descrever desse jeito amoroso a vida deles dois fala tudo que eu sinto e quero viver na minha vida aqui, tão longe e tão perto.
E como admiração é das drogas que eu mais gosto, taí pra todo mundo que passa aqui o texto da Fernanda, porque os fatos são outros mas o sentimento é o mesmo.
"Querido Mário,
Como fiz durante anos te escrevi uma carta e demorei tanto para postar que ela ficou velha. Então resolvi começar de novo. Era mais fácil escrever para você quando você morava longe e não sabia o que acontecia comigo e eu contava que estava doente, que não podia mais beber e você me respondia dizendo que andava viciado em Jack Daniel´s, mas que não tinha dinheiro e então tomava um conhaque vagabundo mesmo. Tive muita saudade de você, porque ficamos muitos anos separados. Você teve outras namoradas e eu tive outros namorados que me perguntavam de quem eram aquelas cartas. Eram todas do meu futuro marido, mas eu ainda não sabia disso.
Eu coloquei muitas cartas numa caixa de correio que tinha ali perto da FAAP porque eu fazia uma peça lá. Aquela caixa de correio era a coisa mais legal que tinha ali porque eu sabia que uns dois dias depois você receberia minha carta e eu poderia inventar qualquer coisa e, porque a gente não se via, aquilo seria verdade. Eu morava num prédio que não tinha elevador e uma vez caí feio na escada porque subi correndo para ler uma carta sua que tinha chegado. Fiquei com um roxo na perna e me lembrava de você: “foi o Mário”. Não tinha sido, mas eu queria que tivesse. E então um dia a gente se casou. E aquele moleque que eu achei lindo e para quem eu sorri descaradamente, que ficou conversando e bebeu comigo e tinha uma voz muito grossa que eu gostava de ouvir, o cara que tocava blues e escrevia peças e entrava em cena de um jeito que eu nunca tinha visto, meu Deus, esse cara agora era meu marido. E então eu teria que ser bacana mesmo, porque eu não podia mais escrever para você. Não podia mais me inventar para você. E eu beberia, dormiria e tomaria coca-cola na padaria com você. Apresentaria a você meu lado B e provocaria uma coleção de brigas cheia de figurinhas repetidas. Mas a gente tinha um colchão. E uma TV velha. E finalmente tínhamos um ao outro. E você era tudo o que eu queria. E todos os dias seriam plenos de amor e ódio. Ódio de ser contrariada, de ser abandonada em minha imaginação fértil e má. E você não sairia de dentro de mim nunca mais. Muitas vezes. E hoje quando você está na rua e liga para casa marcando de se encontrar comigo no cinema ou em qualquer outro lugar eu fico ansiosa e tenho taquicardia quando olho de longe e te vejo me esperando. E então eu sinto sua mão na minha cintura e sei que você é o mesmo cara que me escrevia e recebia meus postais vagabundos. E percebo que nunca, nunca mesmo, vou me acostumar com você. Você bem sabe do que tenho medo: de que você morra antes de mim e eu fique aqui com essas cartas e essas fotos. Eu que nunca me acostumei com você terei que me acostumar a viver sem você e então sentirei sua falta para sempre. E essa sim será uma grande sacanagem. Não faça isso com aquela garota que sorriu para você, roubou seu chopp e sentou no seu colo. Porque ela é sua agora. Um beijo enorme. Com amor, Fernanda."
28.10.07
orgulho
Expandindo os limites do trabalho como montadora, esse ano estreei com o Rodrigo no mercado de trailer pra cinema. Todo filme tem que ter trailer, e tem pouquíssima gente no Brasil fazendo isso. É um trabalho exaustivo porque fundamental na carreira do filme, sendo que tem muito mais filme do que sala de cinema e se o público não lotar na primeira semana o filme corre o risco de não ficar muito tempo em cartaz.
Além disso, o trailer é uma peça de venda feita pra ser assistida justamente pelo público alvo, que é quem já está no cinema, ou seja, ele TEM que entusiasmar quem vê. Por tudo isso foram muitas horas de trabalho, muitas reuniões, muitas idas e vindas e opiniões, tudo pra chegar a um resultado à altura do filme.
Como se já não fosse pressão suficiente, ainda estreamos com "Meu nome não é Johnny" , um filme que está cercado de expectativas, e portanto a responsabilidade era ainda maior! Fizemos o trabalho no risco, e agora, com o trailer pronto, a gente tem muitas razões de orgulho: todo mundo está adorando!
Por enquanto ele só pode ser visto no Youtube e no site do filme, mas quando o nosso trailer "entrar em cartaz" confesso que irei de bom grado pagar um ingresso só pra ver esses dois minutos e meio de trabalho no telão!
23.10.07
depois
quando o furacão não derruba a casa
porque o que não mata engorda
sendo que podia ser o fim
o que era difícil vira adubo pra nascer a força
jardim suspenso de gozos insuspeitos
e a felicidade, plena, brota no ar
22.10.07
16.10.07
defícil
pode ser lindo
pode doer, arranhar, tirar sangue
pode ser silêncio
pode ser ruído
noite quieta ou multidão
medo da luz
picada de bicho
canto de unha no duro dos dentes
pode ser música na tarde
sala vazia
pode ser manhã de sol
a vida tem partes
às vezes tanta coisa
quase sempre, difícil
e ainda assim, bonito
10.10.07
Inoportuna

3.10.07
estréia
Então ontem foi a estréia do Elke nas telonas! E foi em grande estilo, no Festival do Rio, que além de ser o maior da América Latina, é o do coração de nós cariocas! A tarde foi incrível, Julia e Camila nervosíssimas, Elke super emocionada, muitos amigos na platéia, e foi um tal de perna tremendo, voz falhando, discurso ensaiado ficando pra trás, e quando o filme finalmente encheu a tela do Odeon foi muita felicidade e alívio: ufa, deu tudo certo mesmo!
Pra mim, que montei o filme e passei tardes e tardes ouvindo os depoimentos, pensando se essa frase ficava ou saía, se aquela imagem durava meio segundo a mais ou a menos, foi muito bacana ver o filme pronto, depois de algum tempo sem mexer nele. Tudo que já era banal de tanta repetição aqui na ilha de montagem ganhou força e impacto no cinema lotado. O que era engraçado teve a confirmação das risadas, o que era sério mereceu silêncios, e o desejo da Julia de fazer um filme pra revelar a mulher por trás do estereótipo provou ser boa e relevante ali, naquela hora, ainda mais do que em todo o processo.
Agora o filme tá na rua, e tem muita estrada pela frente: já foi aceito na Mostra São Paulo de Cinema, no Festival Mix Brasil, e no Festival Internacional de Curtas do Rio. Em outubro tem projeção em Sampa, e até o fim da semana o filme está disponível no site Porta Curtas. Aproveitem!
27.9.07
trapézio
A vida é por princípio um fino fio, e a gente tenta se equilibrar.
Tem quem meça cada passo
Tem quem corra pra enganar o medo
Eu faço do fio estrada asfaltada
e ando com calma e sem pressa
apreciando a vista
assobiando baixinho.
Eu finjo que a vida é uma estrada e esqueço do fino fio
daí o susto da iminência da queda:
cair como de tanta solidez?
Me assusto, estremeço
o chão foge dos pés
e a distância se abre imensa nos olhos:
um monte de nada até lá embaixo
o fino fio balançando bem de leve...
É um desespero sem morte
a vertigem mais profunda.
A vida cobrando a conta da calma, da vista, dos assobios
e eu, desabituada, evito olhar pra baixo
pra não virar ovo estrelado no chão da realidade.
24.9.07
America Latina II

14.9.07
América Latina I

A semana passada foi de férias imprevistas pro casal. Foi nossa segunda viagem pela América do Sul, e nossa estréia no Uruguai, em Montevideo, cidade linda a que a gente nunca tinha ido. A maioria das pessoas com quem conversei na semana que separou a decisão de ir pra lá pra ida propriamente dita nos perguntou: mas por que Montevideo? O tom variava da curiosidade genuína a um espanto que teria desanimado alguns. Mas não eu, leitora apaixonada do uruguaio Eduardo Galeano e seduzida pelo seu olhar amoroso pra sua cidade. E respondia assim mesmo: porque eu adoro Galeano, porque aprendi com ele que nós brasileiros somos também latinoamericanos, e nada mais lógico do que conhecer os países vizinhos, ainda mais quando a Europa anda tão cara e os Estados Unidos nos barram na porta. E além disso de lá vem o Jorge Drexler, melhor descoberta musical dos últimos anos, cujo disco "Eco" não sai da vitrola aqui de casa desde que compramos.
Montevideo é linda, uma cidade com orla de rio e tempo de antigamente, cheia de praças bonitas, bares e restaurantes bacanas, e muita gente simpática pra todo lado. Tudo lá estava incrivelmente barato pra gente, e aproveitamos pra comer bem e passear muito. A dica pra quem for é ficar no Centro, onde era nosso albergue Che Lagarto, escolhido exatamente por isso. Só que chegando lá detestamos nosso quarto, que não tinha mesa-cadeira-cabide-armário, nada além da cama e olhe lá. Daí fomos parar num hotel Ibis, padrão-americano de qualidade, que realmente nos deu tudo o que a gente precisava por uns poucos dólares a mais que o albergue, e que apesar de estar fora do Centro era de frente pra Rambla, o que compensava a perda.
Andamos feito loucos, comemos a qualquer hora, fizemos tudo que deu na telha, arrastamos malas pela rua, dirigimos sem saber o caminho, compramos sapatos iguais, e eu comprei, já sabendo que nem ia tocar nele lá, o último livro do Galeano que me falta ler, "Venas abiertas de la America Latina", assim mesmo, em espanhol, porque o medinho que eu tinha de ler esse livro se foi quando dei de cara com o Uruguai e percebi o quão perto ele está de tudo, o quão perto a gente está de lá e de tudo mais, e agora, já no Rio, aproveito o prazer de ler esse cara que eu adoro na sua língua, e de conhecer o que ele teve a dizer sobre tudo isso ainda nos anos 60, e que é cada vez mais relevante nos anos 2mil.
Dicas pra quem for:
- andar pela Rambla, que é a orla de lá e corta a cidade de uma ponta a outra, ou seja, de Carrasco (bairro antigo e cheio de casas deslumbrantes e sem muros ou grades, pra nosso espanto carioca) até o Mercado del Puerto, antigo mercado transformado em centro gastronômico que reúne restaurantes de 'parrilla' (churrasco deles) e bares bons pra beber medio-a-medio, mistura de vinhos brancos e espumante típica de lá.
- se admirar com a beleza da Plaza Independencia, passar pela Puerta de la Ciudadela e andar pela Ciudad Vieja, sentar nas praças e se sentir seguro em qualquer ruazinha deserta
- jantar no Bar Tabaré, um bar-restaurante super tradicional e ainda assim moderninho, ótima comida e clima
- ouvir boa música e beber 'uvita' (outra mistura de vinhos deliciosa, que só esse bar tem) no Baar Fun Fun, perto da Plaza Independencia
- passar uma noite pulando de bar em bar na Calle Bartolomeu Mitre, na entrada da Ciudad Vieja: são vários, cada um num estilo, quase todos com música ao vivo, e como os preços são ótimos dá pra beber e comer um pouquinho em cada um
- sentar pra tomar alguma coisa no Café Brasileiro, lugar preferido do Galeano (se é que alguém além de mim se interessa por essa informação). Independente da literatura, é um dos cafés mais antigos da cidade, e apesar da gente não ter gostado de nenhum café (a bebida, não o lugar) em Montevideo, vale uma visita
- pegar um barco pra ir a Buenos Aires, que pode ser direto de Montevideo (3h de viagem) ou passar por Colônia, cidade que todo mundo diz que é linda mas que a gente acabou não conhecendo, por confusões de viagem e uma certa ansiedade de chegar em Buenos Aires, que a gente ama.
Notícias de lá no próximo post...
5.9.07
será mesmo?
Sempre fui péssima em geografia. Durante a escola era só estudar na véspera das provas, mas agora, na vida real, é que a coisa pega mesmo. O Brasil até que eu entendo bem, graças à sorte de ter viajado bastante pelo país, o que me faz saber onde ficam os estados. Parece básico, mas é me deixa feliz!
Seguindo pra América do Sul ainda me entendo, a America do Norte faz o favor de ter poucos países, e aí quando vem a Europa me perco toda. Ok, a Itália é uma bota e a Inglaterra é uma ilha, mas são tantos países, meu deus! Não adianta, não sei mesmo onde eles estão... África, Ásia, Oriente Médio, aí é como se fosse Marte, Vênus, Urano: nenhuma remota noção.
Digo isso tudo porque instalei aqui no blog um mapa que assinala onde estão os meus leitores, e cada vez desacredito mais dos resultados. No início comemorava: olha, estão me lendo numas ilhas no meio do mar!
Pelo mapa mundi que eu acabo de consultar e comparar com o meu Cluster Maps, tenho leitores nos Açores, nas Ilhas Canárias e em Cabo Verde. Também me lêem em três diferentes parte do Japão, em Macau, Angola, na Venezuela, na Guiana, na fronteira do Uruguay com a Argentina, em várias partes dos Estados Unidos, na Itália, Turquia, Noruega, Dinamarca, e em outros países da Europa que eu não consigo reconhecer no mapa-mundi porque os pontinhos vermelhos do Cluster Maps encobrem as fronteiras. E tem mais! Tenho leitores em Iceland! Sou lida na Terra do Gelo, ilha que eu nem sabia que existia, ó ignorância geográfica!
Enfim, fico feliz, lisonjeada, orgulhosíssima, mas diante da improbabilidade desse fato deixo o apelo: se alguém aqui souber como funciona esse Cluster Maps, me dê notícias. E se alguém aí estiver me lendo de lugares incríveis como esses, ah, deixa um recadinho, vai...
31.8.07
Elke

23.8.07
3.8.07
ainda a morte, agora em verso
O jeito doce
Broncas entre risos num elevador
da cidade de São Paulo
Claras em neve no banquinho da cozinha
Novela das oito no ar-condicionado
Caxambu e a fonte da beleza
Ser “princeza” com “z” na sua letra rebuscada
Me achar a sobrinha preferida
Gargalhadas com Chico Anísio
Cócegas até doer
Brigas no vôlei e os olhos de piscina
Camisetas velhas e tênis cinza anos 80
O preconceito e a descoberta
Pão de queijo ruim e belas conversas
Admiração e sonhos na minha geração
Ser chamada de Aretuza ao passar na porta
Contar os passos entre nossas casas
Velhas marchinhas de carnaval:
“Ó mulher vampira!
Ó mulher fatal!
Por causa de você levei um tiro!
Passei um mês e meio no hospital!
Ai, ai, ai...”
Meus mortos e suas memórias
Rasgos de dor na minha históriaPorradas doces com as quais caminho.





