9.6.11

Apesar do céu

O Everton Behenck é um poeta e compositor e cantor gaúcho que eu conheci na Festipoa. A banda dele tocou na mesma noite em que eu me apresentei, então eu só curti o som deles na passagem de som porque depois que desci do palco cês sabem, fiquei zureta até 3a feira.

Dias depois, na Palavraria - a minha livraria em Porto Alegre, onde o a Carla, o Paulo e o Carlos são sempre abraços&sorrisos pra mim -, numa mesa com os queridos Botika e Marcelino Freire, conheci a poesia escrita dele, e adorei. Agora viciei no Apesar do céu, onde acho delicadezas como essa:

Saudade é provocar o amor
Até não aguentar mais

Como em uma propaganda antiga
De refrigerantes

Saudade

É cutucar o amor
Com vara nenhuma

É o medo do amor
Não ser o mesmo

Quando a gente acorda

É o medo de ter a mão
Devorada

Por uma fera

Sem que ela saiba
O que significa

O que está engolindo

Saudade
Quando diz de verdade

É um cisco
No pensamento

Que o outro
Ausente

Não sopra

Everton Behenck

Um comentário:

P. disse...

ai... que lindo que lindo... Outro dia, num filme ouvi o sujeito dizendo (e super entendi) que tinha uma especie de saudade que era como estar sempre "homesick from a place I've never been"