30.1.13

Admirada #15: dizendo Bukowski






Ele é o meu poeta americano. The one and only.
Eu assumo que em matéria de poesia sou uma apaixonada convicta pela língua portuguesa, e embora leia romances em inglês no original todas as tentativas de ler poesia foram em vão. Até ele chegar, claro.
O velho beberrão, o farrista, amante das putas, o desbocado, que só fala em mulher e bebida e brigas de bar, esse é o Bukowski dos romances e contos.
É na poesia, como já seria mesmo de se esperar, que ele entrega seu lirismo e sua doçura. Nunca de mão beijada, que ele não é desses. Sim, lá também tem putas e brigas e porres, mas só lá tem amor, fragilidade, entrega, arrependimentos, suavidade.
Tudo escrito tão lindamente que eu me rendo e me ofereço toda pras suas palavras.
Esse poema é pra mim a pérola das pérolas, a batalha interna entre o velho durão e o homem sensível, e já mora tão dentro do meu coração que eu fui lendo no inglês mesmo e dizendo em português na hora, e hesitei e troquei palavras e quando acabei estava um silêncio tão fundo que o poema veio de novo, e não faz sentido escolher a melhor versão, não tem melhor versão, é tudo um só derramar de coração e oferenda de mim mesma pra essa beleza dura dele.

(Charles Bukowski, "Blue Bird", no original aqui:
http://www.poemhunter.com/poem/bluebird/)

3 comentários:

Barbara disse...

Demais como sempre!

Luciana Curvello disse...

Olá,
Adoro ler livros e aprecio muito poesia. Parabéns pelo blog. Muito bom.
Estou te seguindo e te convido a me fazer uma visita e se você gostar me siga também.
Bjos
Lu
http://vergostarler.blogspot.com.br/

Grã disse...

Eu choro, choro sim, doido, doído, choro quase todo dia.
Óbvio que ninguém vê, já que é um sorriso o que trago nos lábios, posto que não são eles que têm algo a ver com minha pretensa emoção.
Acho que meu mundo vai acabar antes da hora e choro;
Acho também que, das coisas que eu nunca farei, muitas farão falta, não só a mim, e muitas não se darão conta da falta que elas farão... e choro, por mim e por elas.
Mas não se aflija, não por mim.
Choro quando caio, repetidas vezes no mesmo buraco, mas continuo insistindo em não olhar prô chão enquanto ando.
Choro quando me vejo no olhar de alguém.
Choro quando me encontro nas palavras de alguém.
Choro por tristezas e alegrias.
Choro prá dentro e, graças aos deuses, aprendi a chorar as palavras prá fora, me sentindo muito melhor e grato por isso, a ponto de sentir-me bem e feliz quando as vejo esparramadas numa página qualquer.

Adorei,

uma lágrima
Grã